Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Linfedema — Consenso AVF/AVLS/SVM 2022 · Parte 2

Consenso de Especialistas sobre Linfedema (AVF/AVLS/SVM 2022) — Parte 2: Diagnóstico e Avaliação

Exame clínico suficiente em 88%, quantificação obrigatória (94%), IVC C3–C6 como linfedema (72%) e linfocintilografia sem consenso (42%). Teste AFTD, ultrassom venoso e ICG.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202611 min de leitura

Esta segunda parte da série analisa as conclusões do consenso AVF/AVLS/SVM 2022 sobre diagnóstico e avaliação do linfedema. O painel de 40 especialistas avaliou 4 declarações centrais — sobre exame clínico, quantificação do edema, a relação com a IVC e o papel da linfocintilografia — com resultados que têm implicações diretas para a prática vascular diária.

Declarações Avaliadas e Resultados

DeclaraçãoConcordânciaConsenso
O exame clínico é suficiente para o diagnóstico de linfedema88%✓ Sim
Pacientes com linfedema devem ter o inchaço quantificado94%✓ Sim
Todos os pacientes com IVC (C3–C6) devem ser considerados pacientes com linfedema72%✓ Sim
A linfocintilografia de radionuclídeos deve ser recomendada rotineiramente42%✗ Não

1. A Suficiência do Exame Clínico — 88%

A grande maioria dos especialistas (88%) concorda que o exame físico, suplementado pelo ultrassom venoso, é suficiente para estabelecer o diagnóstico na quase totalidade dos casos. O estadiamento ISL (International Society of Lymphology) baseia-se exclusivamente no exame clínico.

Estágio 0 (Subclínico)

Transporte linfático comprometido, mas sem edema clínico visível. Diagnóstico baseia-se em fatores de risco identificados e exclusão de outras causas.

Estágio 1 (Inicial)

Edema precoce, rico em proteínas, que melhora com elevação do membro. Cacifo presente. Diagnóstico clínico combinado com fatores de risco e achados específicos.

Estágios 2 e 3

Diagnóstico confiável pelo exame clínico: edema que não regride com elevação, fibrose, alterações tróficas cutâneas, elefantíase (Estágio 3).

Ressalva técnica: O consenso reconhece a falta de estudos de alta qualidade sobre a acurácia, reprodutibilidade interobservador e análise de custo-benefício do exame clínico isolado em comparação com métodos de imagem — especialmente nos Estágios 0 e 1.

2. A Necessidade de Quantificar o Edema — 94%

Com quase unanimidade (94%), o painel estabelece que todo paciente com linfedema deve ter o edema quantificado objetivamente — pré-tratamento e em cada reavaliação. Sem uma linha de base, é impossível determinar se o tratamento está reduzindo o volume.

Teste de Cacifo AFTD

O painel discutiu a aplicação do teste de cacifo (pitting) estruturado em 4 parâmetros:

A

Localização Anatômica do edema

F

Força necessária para causar o cacifo

T

Tempo de duração da pressão

D

Definição e profundidade do edema

O consenso LIMPRINT (Lymphoedema Impact and Prevalence-INTernational) recomenda o teste AFTD + duração do edema >3 meses como substituto diagnóstico em estudos populacionais.

3. IVC C3–C6 Deve Ser Gerida como Linfedema — 72%

Um dos pontos mais relevantes e impactantes do consenso: pacientes com IVC avançada (CEAP C3 a C6) devem ser geridos como pacientes com linfedema (72% de concordância — exatamente no limiar do consenso).

🔬 Fisiopatologia

A falha linfática é responsável por todas as formas de edema periférico crônico. Na IVC, a filtração venosa aumentada sobrecarrega a capacidade de transporte linfático → flebolinfedema.

🧬 Evidências Histológicas

Hipertensão venosa crônica causa danos permanentes: obliteração luminal dos linfáticos dérmicos, perda de junções intercelulares e destruição de filamentos de ancoragem.

⚕️ Implicação Clínica

O tratamento venoso isolado pode ser insuficiente. Manejo linfático ativo — compressão adequada e abordagem das complicações (celulite, alterações tróficas) — deve ser integrado ao protocolo.

4. O Papel das Tecnologias de Imagem

🚫 Linfocintilografia (42%)

Sem consenso para uso rotineiro. Barreiras: pouco prática, indisponível na maioria dos serviços, cara e raramente altera conduta imediata.

Indicações restritas:

  • • Planejamento de cirurgia linfática
  • • Protocolos de pesquisa
  • • Dúvida diagnóstica persistente (Estágios 0–1)

✅ Ultrassom Venoso

Padrão de cuidado. Realizado em quase todos os pacientes para:

  • • Avaliar o sistema venoso (IVC, TVP)
  • • Identificar e excluir causas venosas contribuintes
  • • Apoiar diagnóstico nos Estágios 0–1 (centros de excelência)

🔵 ICG (Verde de Indocianina)

Tecnologia emergente. Permite visualizar a função linfática em tempo real, sem radiação. Aplicações:

  • • Planejamento de anastomoses linfovenosas (LVA)
  • • Estadiamento clínico avançado
  • • Avaliação de resposta ao tratamento

Considerações Finais

O diagnóstico do linfedema permanece predominantemente clínico, mas exige compreensão profunda da interdependência entre os sistemas venoso e linfático. O consenso destaca que o diagnóstico precoce — idealmente nos estágios pré-fibróticos (0 a 2) — é fundamental, pois o linfedema é uma doença progressiva e incurável.

A quantificação rigorosa do volume do membro e a atenção especial aos pacientes com IVC avançada são os dois pilares essenciais para uma avaliação diagnóstica moderna e eficaz — visando a prevenção da progressão e a redução de complicações como a celulite recorrente.

Referência científica

Lurie F, Malgor RD, Carman T, et al. The American Venous Forum, American Vein and Lymphatic Society and the Society for Vascular Medicine expert opinion consensus on lymphedema diagnosis and treatment. Phlebology. 2022;37(4):252–266. doi:10.1177/02683555211053532

Perguntas Frequentes

O exame clínico isolado é confiável para diagnosticar linfedema em todos os estágios?
Para os Estágios 2 e 3 da ISL, sim — o diagnóstico pode ser feito com confiança pelos achados clínicos característicos (edema que não regride com elevação, alterações tróficas cutâneas, fibrose). Para os Estágios 0 e 1, o diagnóstico clínico é mais desafiador e baseia-se na combinação de fatores de risco identificados, achados físicos sutis e exclusão de outras causas. O consenso ressalva que faltam estudos de alta qualidade sobre a acurácia e reprodutibilidade interobservador do exame clínico isolado.
O que é o teste de cacifo AFTD e como ele é aplicado?
O teste AFTD avalia o edema a partir de 4 parâmetros: (A) Localização Anatômica do edema; (F) Força necessária para causar o cacifo (pitting); (T) Tempo de duração da pressão; (D) Definição/profundidade do edema. O consenso LIMPRINT (Lymphoedema Impact and Prevalence-INTernational) recomenda o uso deste teste associado à duração do edema >3 meses como substituto para o diagnóstico de linfedema em estudos populacionais. Na prática clínica, é a ferramenta de quantificação mais acessível e reprodutível.
Por que a linfocintilografia de radionuclídeos não é recomendada rotineiramente?
O exame obteve apenas 42% de concordância — abaixo do limiar de 70% necessário para consenso. Os especialistas elencam três razões principais: (1) é pouco prático e indisponível na maioria dos serviços; (2) é caro, consumindo horas do paciente com injeção intradérmica de radiotraçador; (3) os resultados frequentemente não alteram a conduta clínica imediata. As indicações restritas são: planejamento de cirurgia linfática, protocolos de pesquisa e dúvida diagnóstica persistente nos Estágios 0 e 1.
Qual o papel do ultrassom venoso na avaliação do linfedema?
O ultrassom venoso é considerado padrão de cuidado e realizado em praticamente todos os pacientes com suspeita de linfedema. Sua função primária é avaliar o sistema venoso para identificar IVC, trombose venosa profunda ou obstrução venosa que possam ser causa contribuinte ou única do edema. Secundariamente, em centros de excelência, achados específicos do ultrassom podem apoiar o diagnóstico de linfedema nos estágios iniciais (Estágios 0 e 1).
O que é a fluorescência com Verde de Indocianina (ICG) e quando está indicada?
A linfografia com ICG é uma modalidade de imagem emergente que permite visualizar a função linfática em tempo real, sem radiação. É especialmente útil para cirurgiões linfáticos que planejam anastomoses linfovenosas (LVA) — a ICG permite localizar vasos linfáticos funcionais com precisão antes da incisão. Também auxilia no estadiamento clínico e na avaliação da progressão da doença. Sua limitação é a disponibilidade restrita a centros de excelência em cirurgia linfática.
Por que pacientes com IVC C3–C6 devem ser considerados pacientes de linfedema?
Com 72% de concordância (acima do limiar de 70%), o consenso estabelece que a falha linfática é responsável por todas as formas de edema periférico crônico. Na IVC avançada (CEAP C3–C6), a filtração venosa aumentada sobrecarrega cronicamente o sistema linfático. A hipertensão venosa sustentada causa danos histológicos permanentes: obliteração luminal, perda de junções intercelulares e destruição de filamentos de ancoragem nos linfáticos dérmicos — resultando em flebolinfedema. O manejo, portanto, deve incluir estratégias linfáticas além do tratamento venoso isolado.

Quer uma segunda opinião?

Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

Leia também

Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular

Agendar pelo WhatsApp