Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tromboembolismo Venoso — ESVS 2021 · Parte 2.11

TVP: Diretrizes ESVS 2021 — Parte 2.11: Trombose Venosa Superficial (TVS)

Trombose Venosa Superficial (TVS) pela ESVS 2021: Tríade de Virchow, risco de TVP oculta (~25%) e marcadores de alto risco, CUS vs WLUS, investigação de trombofilias, algoritmo de anticoagulação por extensão/localização, considerações cirúrgicas e reversão em emergência.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 14 de junho de 2026🔄 Atualizado em 19 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: Trombose venosa superficial (TVS) ≥5 cm: fondaparinux 2,5mg/dia por 45 dias (Classe I-B, baseado no CALISTO trial com 3.002 pacientes). TVP concomitante em 25% dos casos com TVS próxima à junção safeno-femoral — eco-Doppler de membro inteiro é obrigatório. Extensão para o sistema profundo contraindica anticoagulação profilática isolada — Recomendações 28–30, ESVS 2021.

Na Parte 2.10, vimos os extremos mais graves do espectro da TVP — a phlegmasia alba e cerulea dolens. Voltamos agora a atenção para uma condição extremamente comum no consultório do especialista: a Trombose Venosa Superficial (TVS), tema do Capítulo 2.11 das diretrizes ESVS 2021. Frequentemente vista como "benigna", a TVS compartilha a Tríade de Virchow com a TVP, pode mimetizá-la clinicamente e, em até 25% dos casos, já coexiste com extensão para o sistema venoso profundo no momento do diagnóstico.

Infográfico: Trombose Venosa Superficial (TVS) — Guia de Manejo Clínico, Diretrizes ESVS 2021. Mostra o diagnóstico e avaliação inicial (apresentação clínica típica, risco de TVP oculta em ~25% dos casos, WLUS Classe I Nível B), a estratificação de risco tromboembólico (marcadores de alto risco: extensão >5cm, localização na coxa, proximidade da junção <3cm, câncer/trombofilia, e persistência do risco por 3 meses), o algoritmo de tratamento anticoagulante (TVS <5cm sem alto risco: apenas observação Classe III; TVS ≥5cm e >3cm da junção: fondaparinux 2,5mg (Classe I, Nível B) ou HBPM dose intermediária (Classe IIa, Nível B) por 45 dias; TVS <3cm da junção profunda: anticoagulação em dose terapêutica total Classe I, Nível C) e as considerações cirúrgicas e de longo prazo (intervenção cirúrgica aguda não recomendada, ablação de veias incompetentes após 3 meses, extensão do tratamento para 3 meses em casos de muito alto risco).
Diagnóstico, estratificação de risco, algoritmo de anticoagulação e considerações cirúrgicas na TVS.

Assista: Trombose Venosa Superficial (TVS) — ESVS 2021

1. Fisiopatologia e Apresentação Clínica: a TVS como Mimetizadora de TVP

A TVS é frequentemente associada à estase venosa, mas também pode ocorrer de forma independente. No espectro das doenças venosas, ela compartilha a clássica Tríade de Virchow:

Hipercoagulabilidade

Aumento da atividade pró-coagulante no sangue.

Lesão Endotelial

Dano à parede da veia.

Estase Venosa

Fluxo venoso prejudicado.

A TVS como Mimetizadora de TVP

Clinicamente, a TVS é um dos principais diagnósticos diferenciais da TVP. Pacientes com TVS frequentemente apresentam dor, sensibilidade e edema localizado — sintomas que podem se sobrepor aos da TVP, especialmente na panturrilha. Celulite, ruptura de cisto de Baker e linfedema também podem mimetizar esse quadro.

2. O Risco Oculto: TVP Associada e Marcadores de Alto Risco

O Risco de TVP Oculta

Aproximadamente 25% dos pacientes com TVS têm extensão para o sistema profundo ou embolia pulmonar já no diagnóstico inicial.

Determinados achados elevam a suspeita e justificam investigação mais ampla — os chamados marcadores de alto risco:

Extensão do trombo superior a 5 cm.

Localização na coxa.

Proximidade da junção safenofemoral ou poplítea inferior a 3 cm.

Associação com câncer ou trombofilia.

Complicações em curto prazo: o risco de eventos tromboembólicos persiste por até 3 meses, sendo maior no primeiro mês.

3. Diagnóstico e Investigação: o Papel da Imagem

Para o especialista, distinguir entre TVS isolada e TVS associada à TVP é crucial:

CaracterísticaCUS (Compressão, Pontos Específicos)WLUS (Perna Inteira)
CoberturaFocado em pontos específicos (femoral e poplítea)Avalia todo o sistema venoso, da femoral comum até as veias distais
TVS ou TVP distalPode não detectarRecomendado para suspeita de trombose distal ou superficial
RecomendaçãoClasse I, Nível B — realizar bilateralmente, para determinar a extensão do trombo e excluir TVP assintomática

Nota técnica: a ressonância magnética direta do trombo (MRDTI) tem sido investigada como ferramenta promissora para diferenciar trombos agudos recorrentes de trombos crônicos preexistentes, com implicações diretas na decisão terapêutica.

Diagnóstico Diferencial de TVS Não Relacionada à Estase (Cap. 2.11.7)

O especialista deve considerar causas sistêmicas quando a TVS ocorre em veias sem varizes prévias ou em locais incomuns — o que pode sinalizar hipercoagulabilidade ou malignidade oculta.

4. Risco Tromboembólico e Investigação de Trombofilias

Embora frequentemente considerada benigna, a TVS compartilha fatores de risco com a TVP e pode evoluir para tromboembolismo venoso (TEV):

O rastreio rotineiro de trombofilia hereditária não é recomendado para trombose provocada por fatores transitórios major (cirurgia, trauma, terapia estrogênica).

Considerar Investigação Quando:

  • TVS/TVP não provocada com história familiar de primeiro grau;
  • Casos de recorrência;
  • Presença de Síndrome Antifosfolipídeo (SAF), especialmente se houver planos de interrupção da anticoagulação.
Tipo de TrombofiliaExemplos
HereditáriaDeficiência de Antitrombina, Proteína C e S; Fator V Leiden; variante da Protrombina G20210A
AdquiridaAnticorpos Antifosfolipídeos; Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

5. Algoritmo de Tratamento Anticoagulante

O manejo da TVS visa mitigar o risco de extensão para o sistema venoso profundo e prevenir a embolia pulmonar. Após avaliação clínica e WLUS, a decisão terapêutica depende da extensão e da localização do trombo:

TVS < 5 cm, sem alto risco

Apenas observação/sintomáticos: anticoagulação geralmente não recomendada (Classe III, Nível C).

TVS ≥ 5 cm e > 3 cm da junção

Fondaparinux 2,5 mg por 45 dias (Classe I, Nível B) ou HBPM em dose intermediária por 45 dias (Classe IIa, Nível B).

TVS < 3 cm da junção profunda

Anticoagulação em dose terapêutica total (Classe I, Nível C) — proximidade perigosa do sistema profundo.

Os anticoagulantes empregados são categorizados pelo seu mecanismo de ação:

CategoriaAgentes
Indiretos (dependem da Antitrombina)Heparina Não Fracionada (HNF), Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM), Fondaparinux
Diretos — Inibidores de XaApixabana, Edoxabana, Rivaroxabana
Diretos — Inibidores de IIa (trombina)Dabigatrana

6. Considerações Cirúrgicas e Manejo de Longo Prazo

Intervenção Cirúrgica Aguda

NÃO recomendada para tratar a TVS (Classe III, Nível C).

Ablação de Veias Incompetentes

Considerar após mais de 3 meses, com estabilização da fase inflamatória (Classe IIa, Nível C).

Extensão do Tratamento para 3 Meses

Considerar em pacientes com características de muito alto risco (Classe IIb, Nível C).

7. Manejo de Sangramento e Reversão em Emergência

Para o especialista, a segurança é tão vital quanto a eficácia. Em casos de sangramento maior, agentes de reversão específicos devem ser reconhecidos rapidamente:

Anticoagulante / SituaçãoAgente de Reversão
DabigatranaIdarucizumabe (dose IV de 5 g) — antídoto específico
Inibidores do Fator Xa (Apixabana, Rivaroxabana)Andexanet Alfa
VKA e inibidores de Xa sem antídoto específico disponívelConcentrado de Complexo Protrombínico (PCC) — opção geral

8. Perspectiva do Paciente e Direções Futuras

Desejo de Compressão

Pacientes valorizam a terapia de compressão para reduzir sequelas a longo prazo, mesmo quando o benefício é incerto.

Clareza na Intervenção

Demanda por explicações detalhadas sobre a razão de oferecer (ou não) estratégias de remoção de trombo.

Acesso à Informação: DOACs

Alto interesse em DOACs devido à facilidade de uso em comparação aos VKAs tradicionais.

Áreas para Pesquisas Futuras

O capítulo 2.11 aponta lacunas que o especialista deve monitorar: a definição da intensidade e duração ideal da anticoagulação especificamente para a TVS, o papel exato da cirurgia na prevenção da recorrência, a melhor compreensão da TVS não relacionada à estase venosa, e o desenvolvimento de modelos de predição de risco para recorrência de eventos trombóticos superficiais.

Considerações Finais

A TVS está longe de ser uma condição trivial: compartilha fisiopatologia com a TVP, pode mimetizá-la clinicamente e, em 1 a cada 4 pacientes, já coexiste com extensão para o sistema profundo ou embolia pulmonar no momento do diagnóstico. O WLUS bilateral é a ferramenta central para estratificar o risco e guiar a decisão terapêutica — que varia da simples observação, na TVS pequena e distante da junção, à anticoagulação em dose plena, na TVS próxima ao sistema profundo. A cirurgia aguda não tem papel no tratamento da TVS, mas a ablação de veias incompetentes pode ser considerada após a estabilização da fase inflamatória.

*Este texto tem caráter de revisão e atualização para profissionais de saúde, com base na diretriz internacional citada. Não substitui a avaliação clínica individualizada de cada paciente.

Ref: Kakkos SK, Gohel M, Baekgaard N, et al. Editor's Choice – European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2021;61(1):9-82.

Perguntas Frequentes

O que é a Trombose Venosa Superficial (TVS) e por que ela compartilha a Tríade de Virchow com a TVP?
A TVS é a formação de um trombo em uma veia superficial, geralmente sobre uma veia varicosa, manifestando-se como um nódulo ou cordão doloroso, sensível, com vermelhidão e calor. Assim como a TVP, ela compartilha a Tríade de Virchow: aumento da atividade pró-coagulante no sangue, dano à parede da veia e fluxo venoso prejudicado (estase).
Qual a frequência de TVP oculta ou embolia pulmonar em pacientes com TVS?
Aproximadamente 25% dos pacientes com TVS já apresentam extensão para o sistema venoso profundo ou embolia pulmonar no momento do diagnóstico inicial. O risco de eventos tromboembólicos persiste por até 3 meses, sendo maior no primeiro mês.
Quais são os marcadores de alto risco na TVS que indicam necessidade de investigação mais ampla?
Os principais marcadores de alto risco são: extensão do trombo superior a 5 cm, localização na coxa, proximidade da junção safenofemoral ou poplítea inferior a 3 cm, e associação com câncer ou trombofilia.
Quando o WLUS deve ser realizado na suspeita de TVS, e por que bilateralmente?
O Ultrassom de Perna Inteira (WLUS) é recomendado (Classe I, Nível B) e deve ser realizado bilateralmente para determinar a extensão completa do trombo e excluir uma TVP assintomática, inclusive no membro contralateral. O CUS tradicional, focado em pontos específicos, pode não detectar TVS ou TVP distal.
Como é definido o tratamento anticoagulante da TVS conforme sua extensão e localização?
TVS menor que 5 cm e sem marcadores de alto risco: apenas observação, sem anticoagulação de rotina (Classe III, Nível C). TVS maior ou igual a 5 cm e a mais de 3 cm da junção: fondaparinux 2,5 mg por 45 dias (Classe I, Nível B) ou HBPM em dose intermediária por 45 dias (Classe IIa, Nível B). TVS a menos de 3 cm da junção com o sistema profundo: anticoagulação em dose terapêutica total (Classe I, Nível C), dada a proximidade perigosa.
A cirurgia tem papel no tratamento da TVS?
A intervenção cirúrgica aguda não é recomendada para tratar a TVS (Classe III, Nível C). A ablação de veias incompetentes pode ser considerada após mais de 3 meses, com estabilização da fase inflamatória (Classe IIa, Nível C). Em pacientes com características de muito alto risco, pode-se considerar estender o tratamento anticoagulante para 3 meses (Classe IIb, Nível C).

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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