Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tromboembolismo Venoso — ESVS 2021 · Parte 2.10

TVP: Diretrizes ESVS 2021 — Parte 2.10: Phlegmasia Alba Dolens e Cerulea Dolens

Phlegmasia alba dolens e cerulea dolens pela ESVS 2021: fisiopatologia, comparação entre os dois quadros, riscos da anticoagulação isolada (mortalidade até 40%, amputação até 50%), benefício da remoção de trombo, manejo de emergência e princípios de anticoagulação com DOACs.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 14 de junho de 202614 min de leitura

Na Parte 2.9, vimos o extremo "leve" do espectro da TVP — a trombose distal de panturrilha. Encerramos esta etapa da série com o extremo oposto: a phlegmasia alba dolens e a phlegmasia cerulea dolens, apresentações raras, mas potencialmente catastróficas, que exigem reconhecimento imediato e, com frequência, remoção urgente do trombo para preservar o membro.

Infográfico: Phlegmasia Alba Dolens e Cerulea Dolens — Diretrizes ESVS 2021. Mostra a fisiopatologia da phlegmasia cerulea dolens (obstrução total do efluxo venoso por oclusão das veias femoral comum e ilíaca externa), os riscos da anticoagulação isolada (mortalidade até 40%, amputação até 50%), o benefício da remoção de trombo (trombólise/trombectomia reduzindo a síndrome pós-trombótica vs. anticoagulação isolada sem benefício comparável), a comparação entre phlegmasia alba dolens e cerulea dolens, e o manejo inicial e avançado (heparina, elevação, ressuscitação volêmica, CDT ou trombectomia cirúrgica).
Fisiopatologia, comparação entre os quadros, riscos da anticoagulação isolada e manejo de emergência da phlegmasia.

Assista: TVP Distal de Panturrilha e Phlegmasia — ESVS 2021

1. Fisiopatologia e Apresentação Clínica da Phlegmasia Cerulea Dolens

A phlegmasia cerulea dolens (PCD) representa o extremo mais grave do espectro da TVP, exigindo reconhecimento imediato:

Obstrução Total do Efluxo

Oclusão das veias femoral comum e ilíaca externa, bloqueando todas as vias de drenagem — profundas, superficiais e colaterais.

Manifestações Clínicas

Edema maciço, dor intensa e cianose — a clássica "perna azul".

Comprometimento Hemodinâmico

Pode evoluir para comprometimento hemodinâmico e isquemia crítica do membro.

Diferentemente da TVP convencional — em que a resolução depende, em parte, da fibrinólise endógena — na phlegmasia a carga trombótica somada à obstrução mecânica completa pode ser demasiado grave para que a anticoagulação isolada previna a perda do membro ou complicações fatais.

2. Phlegmasia Alba Dolens vs. Phlegmasia Cerulea Dolens

Ambos os quadros fazem parte de um mesmo espectro de gravidade, mas com diferenças essenciais para o reconhecimento e a tomada de decisão:

CaracterísticaPhlegmasia Alba DolensPhlegmasia Cerulea Dolens
ApresentaçãoPerna pálida, edema, dorPerna azulada/arroxeada, dor isquêmica súbita
ObstruçãoVeias profundas principaisTotal: profundas + superficiais + colaterais
GravidadeAlta, semelhante à TVP iliofemoralCrítica — emergência vascular
Risco principalSíndrome pós-trombóticaChoque, gangrena, amputação, óbito

3. O Risco da Anticoagulação Isolada

Emergência Vascular

Quando tratada apenas com anticoagulação, a phlegmasia cerulea dolens carrega risco de mortalidade de até 40% e de amputação de até 50%.

4. O Benefício da Remoção de Trombo

Trombólise / Trombectomia

Associada à redução da síndrome pós-trombótica e à maior chance de preservação do membro, especialmente na phlegmasia cerulea dolens.

Anticoagulação Isolada

Sem benefício comparável na redução da SPT diante da obstrução grave do efluxo venoso.

5. Manejo de Emergência: Medidas Iniciais e Remoção de Trombo

Diante de um quadro de phlegmasia, as medidas iniciais devem ser instituídas sem demora:

Heparina (HNF/HBPM)

Iniciar prontamente para conter a propagação do trombo.

Elevação Agressiva do Membro

Reduz o edema e favorece o retorno venoso.

Ressuscitação Volêmica

Indicada nos casos com comprometimento hemodinâmico.

Remoção de Trombo

CDT ou trombectomia cirúrgica podem reduzir a perda do membro nos casos de phlegmasia cerulea dolens.

Imagem Adicional

TC ou RM podem complementar o ultrassom, mas não devem atrasar o tratamento de emergência.

6. Princípios Farmacológicos da Anticoagulação: DOACs

Em comparação com os antagonistas da vitamina K (AVK), os anticoagulantes orais diretos (DOACs) são preferidos por apresentarem menor risco de sangramento maior (RR 0,61) e de hemorragia intracraniana (RR 0,37).

AnticoagulanteEsquema Posológico
Apixabana10 mg, 2x/dia, por 7 dias; depois 5 mg, 2x/dia
Rivaroxabana15 mg, 2x/dia, por 3 semanas (com alimento); depois 20 mg, 1x/dia
Edoxabana / DabigatranaRequerem pelo menos 5 dias de anticoagulação parenteral antes do início da via oral

7. Riscos de Sangramento e Reversão em Emergência

O risco de sangramento é maior nos primeiros 3 meses de tratamento. A HBPM apresenta menor risco de sangramento maior do que a HNF.

AnticoagulanteAgente de Reversão
DabigatranaIdarucizumabe (5 g IV)
Inibidores do fator Xa (Apixabana, Rivaroxabana)Andexanet alfa ou, se indisponível, Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP)

Em emergências hemorrágicas, o reconhecimento rápido do anticoagulante em uso e do respectivo agente de reversão é essencial para a segurança do paciente.

Considerações Finais

No espectro que vai da TVP distal à phlegmasia, o foco do especialista se desloca: na TVP distal, o desafio é equilibrar detecção e sobretratamento; na phlegmasia, o foco passa a ser a preservação da viabilidade do membro por meio da desobstrução do efluxo venoso. Em ambos os extremos, o Escore de Wells, o ultrassom adequado e a decisão compartilhada continuam sendo a base do manejo, sempre apoiados em anticoagulação bem estruturada e, quando indicado, em estratégias de remoção do trombo.

*Este texto tem caráter de revisão e atualização para profissionais de saúde, com base na diretriz internacional citada. Não substitui a avaliação clínica individualizada de cada paciente.

Ref: Kakkos SK, Gohel M, Baekgaard N, et al. Editor's Choice – European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2021;61(1):9-82.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a phlegmasia cerulea dolens?
A phlegmasia cerulea dolens (PCD) ocorre por oclusão das veias femoral comum e ilíaca externa, levando ao bloqueio completo de todas as vias de drenagem venosa — profundas, superficiais e colaterais. Manifesta-se com edema maciço, dor intensa e cianose ('perna azul'), podendo evoluir para comprometimento hemodinâmico e isquemia crítica do membro.
Qual a diferença entre phlegmasia alba dolens e cerulea dolens?
Na phlegmasia alba dolens, a obstrução afeta principalmente as veias profundas principais, resultando em uma perna pálida, edemaciada e dolorosa — gravidade alta, semelhante à de uma TVP iliofemoral extensa. Já na phlegmasia cerulea dolens, a obstrução é total (profunda, superficial e colateral), levando a uma perna azulada/arroxeada com dor isquêmica súbita — uma verdadeira emergência vascular, com risco de choque, gangrena, amputação e óbito.
Por que a anticoagulação isolada pode não ser suficiente na phlegmasia cerulea dolens?
Diferente da TVP convencional, em que a resolução depende em parte da fibrinólise endógena, na phlegmasia a carga trombótica somada à obstrução mecânica completa do efluxo venoso pode ser demasiado grave para que a anticoagulação isolada previna a perda do membro. Estudos apontam mortalidade de até 40% e amputação de até 50% quando o tratamento se limita à anticoagulação.
Quais são as medidas iniciais no manejo da phlegmasia cerulea dolens?
O manejo inicial inclui o início pronto de heparina (HNF ou HBPM), elevação agressiva do membro para reduzir o edema e favorecer o retorno venoso, e ressuscitação volêmica nos casos com comprometimento hemodinâmico. Estratégias de remoção de trombo, como trombólise dirigida por cateter (CDT) ou trombectomia cirúrgica, podem reduzir a perda do membro. TC ou RM podem complementar o ultrassom, mas não devem atrasar o tratamento de emergência.
Quais DOACs são preferidos e como devem ser dosados no tratamento da TVP?
Os DOACs são preferidos em relação aos antagonistas da vitamina K (AVK) por apresentarem menor risco de sangramento maior (RR 0,61) e de hemorragia intracraniana (RR 0,37). A apixabana é usada na dose de 10 mg 2x/dia por 7 dias, seguida de 5 mg 2x/dia; a rivaroxabana, 15 mg 2x/dia por 3 semanas (com alimento), seguida de 20 mg 1x/dia. Edoxabana e dabigatrana requerem ao menos 5 dias de anticoagulação parenteral antes do início da via oral.
Como reverter o efeito anticoagulante de um DOAC em uma emergência hemorrágica?
Para a dabigatrana, o agente de reversão é o idarucizumabe (5 g IV). Para os inibidores do fator Xa (apixabana e rivaroxabana), utiliza-se o andexanet alfa ou, se indisponível, o Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP). O risco de sangramento é maior nos primeiros 3 meses de tratamento, e a HBPM apresenta menor risco de sangramento maior do que a HNF.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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