Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Arterial

EVAR: A Revolução Minimamente Invasiva no Tratamento do Aneurisma da Aorta

De cirurgias agressivas a um reparo por dentro do vaso, com recuperação rápida — mas que exige vigilância para o resto da vida.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 12 de junho de 202612 min de leitura

Como cirurgiões vasculares, costumamos dizer que o Aneurisma da Aorta Abdominal (AAA) é um “inimigo silencioso”: ele dilata sem causar dor ou qualquer sinal externo, até que a ruptura se torna um evento catastrófico, com altíssima taxa de mortalidade. Por décadas, a única resposta foi uma cirurgia agressiva de grande porte. Hoje, vivemos a era do EVAR (Reparo Endovascular de Aneurisma) — uma revolução que trocou grandes cicatrizes por pequenos acessos na virilha. Mas essa tecnologia vem com uma responsabilidade que muitos pacientes não conhecem.

Infográfico: EVAR — comparação entre cirurgia aberta (grande corte abdominal, UTI, recuperação demorada) e EVAR (pequeno furo na virilha, recuperação rápida), Lei de Laplace e comparação entre Angio-TC e Ultrassom com Contraste na vigilância pós-EVAR
Infográfico — EVAR: de cirurgias agressivas a um reparo por dentro do vaso

O “Inimigo Silencioso” na Aorta

O AAA é definido tecnicamente como uma dilatação focal e permanente da aorta — a maior artéria do corpo — que atinge um diâmetro pelo menos 50% maior que o normal, geralmente ultrapassando os 3 centímetros. O grande perigo está na sua natureza insidiosa: a aorta vai se dilatando sem causar dor ou qualquer sinal externo. Sem intervenção, essa dilatação pode progredir até a ruptura.

O perfil de risco é bem definido: homens (mais afetados que mulheres), pessoas acima de 65 anos, hipertensos e, de longe o principal fator de risco, fumantes ou ex-fumantes.

Já discutimos a fundo o rastreamento, os fatores de risco e os critérios de indicação cirúrgica no nosso guia completo sobre o Aneurisma de Aorta. Aqui, vamos aprofundar especificamente na tecnologia que revolucionou o tratamento: o EVAR.

A Física do Problema: Por que o Aneurisma é Perigoso?

Para explicar aos pacientes por que um vaso dilatado é um risco, utilizamos a Lei de Laplace. Imagine a aorta como um tubo pressurizado: a tensão (o estresse) na parede do vaso aumenta conforme o raio aumenta e a parede fica mais fina.

É um ciclo vicioso: quanto mais o aneurisma cresce, maior é a pressão exercida sobre sua parede, mesmo que a pressão arterial do paciente esteja controlada. Com o tempo, a parede sofre um processo inflamatório e se torna frágil.

🚨 O ponto mais fraco: os “blebs”

Estudos avançados mostram que a ruptura geralmente ocorre em pontos específicos chamados “blebs” — pequenas bolhas ou saliências ainda mais finas dentro do próprio aneurisma. Funcionam como o ponto mais fraco de uma câmara de ar prestes a estourar.

Cirurgia Aberta vs. EVAR: o Grande Salto Tecnológico

Até a década de 90, o tratamento era exclusivamente a cirurgia aberta. A diferença entre os dois métodos é comparável a uma revolução:

CaracterísticaCirurgia Aberta (Tradicional)EVAR (Moderno)
AcessoGrande incisão no abdômen (laparotomia)Pequenos acessos pela virilha (artérias femorais)
ProcedimentoClampeamento aórtico (interrupção do fluxo) e mobilização das víscerasInserção de uma endoprótese por dentro do vaso
Impacto no corpoAlto estresse cardiovascular e grande perda de sangueMinimamente invasivo e baixo impacto sistêmico
RecuperaçãoLongo tempo em UTI e internação prolongadaRecuperação rápida, muitas vezes com alta em 48h

O EVAR funciona como um novo “cano” interno: inserimos uma endoprótese que sela a área doente, fazendo com que o sangue passe por dentro da prótese e pare de pressionar as paredes frágeis do aneurisma.

Um Marco na História: Parodi, Palmaz e Barone

A história do EVAR é um exemplo de coragem e inovação. Em 1990, o cirurgião argentino Juan Carlos Parodi realizou o primeiro procedimento bem-sucedido no mundo. Ele foi motivado pelo trauma de ver pacientes falecerem devido à agressividade da cirurgia aberta.

Parodi não estava sozinho. Ele uniu forças com o radiologista Julio Palmaz (inventor do stent) e o engenheiro Hector Barone para criar uma “gaiola de metal” revestida de tecido.

O resultado foi histórico

Enquanto o paciente da cirurgia aberta do dia vizinho lutava pela vida na UTI, o paciente de Parodi — um idoso com graves problemas de pulmão — estava acordado e jantando tranquilamente em seu quarto de hospital poucas horas após o procedimento.

A Vida Após o Procedimento: o Fenômeno do “Catch-up”

É aqui que entra a nossa responsabilidade como especialistas em comunicação: o EVAR é fantástico no curto prazo, mas ele não é “instalar e esquecer”. Grandes estudos clínicos, como o EVAR-1 e o DREAM, trouxeram um alerta importante chamado fenômeno de “catch-up” (recuperação) na mortalidade.

⚠️ A vantagem desaparece sem acompanhamento

Embora o EVAR salve mais vidas nos primeiros 30 dias após a cirurgia, essa vantagem de sobrevivência em relação à cirurgia aberta tende a desaparecer entre 1 e 3 anos se não houver um acompanhamento rigoroso. Isso acontece porque a prótese pode se deslocar ou apresentar pequenos vazamentos ao longo do tempo. Por isso, a vigilância para o resto da vida é inegociável.

Entendendo as “Endofugas” (Endoleaks)

As endofugas são vazamentos de sangue que voltam para o saco do aneurisma, mantendo a pressão e o risco de ruptura. Classificamos em cinco tipos:

  1. 1

    Tipo I: falha no selamento nas extremidades da prótese. É perigoso e exige correção imediata.

  2. 2

    Tipo II: o sangue volta por pequenos vasos laterais. É o tipo mais comum e, na maioria das vezes, apenas observamos.

  3. 3

    Tipo III: falha mecânica ou desconexão da prótese. É grave e requer reparo rápido.

  4. 4

    Tipo IV: porosidade do tecido da prótese (geralmente resolve-se sozinho).

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    Tipo V (Endotensão): o tipo mais misterioso, onde o aneurisma cresce mesmo sem vazamentos visíveis nos exames tradicionais.

Exames de Acompanhamento: a Ascensão do Ultrassom com Contraste

A Angiotomografia sempre foi o padrão, mas ela traz o peso da radiação acumulada e do contraste que pode agredir os rins (nefrotoxicidade). Por isso, estamos migrando para o Ultrassom com Contraste de Microbolhas (CEUS).

Angio-TC

  • Padrão histórico de acompanhamento
  • Usa radiação ionizante acumulativa
  • Contraste iodado: risco de nefrotoxicidade
  • Detectou 20 vazamentos em estudo comparativo

Ultrassom com Contraste (CEUS)

  • Sem radiação e seguro para os rins
  • Mais sensível para endoleaks tipo II
  • Detectou 12 vazamentos no mesmo estudo
  • Pode ser repetido com a frequência necessária

Uma metanálise robusta com 1.773 pacientes provou que o ultrassom com contraste é tão eficaz quanto a tomografia para detectar vazamentos graves. Mais do que isso: o estudo mostrou que o ultrassom é significativamente mais sensível para detectar vazamentos internos (endoleaks tipo II), deixando passar muito menos diagnósticos que a tomografia poderia perder. É uma forma mais segura e precisa de cuidarmos do seu futuro.

Quando Operar? As Regras de Segurança

Seguimos diretrizes internacionais rigorosas (SBACV e ESVS) para decidir o momento certo de intervir:

55 mm

limiar de indicação cirúrgica em homens

50 mm

limiar de indicação cirúrgica em mulheres

As normas de 2024: volume importa

Além do tamanho, a segurança depende de onde o procedimento é feito. As normas mais recentes de 2024 recomendam que o paciente busque centros de excelência que realizem pelo menos 30 cirurgias de aorta por ano, mantendo um equilíbrio de 15 cirurgias abertas e 15 procedimentos endovasculares (EVAR). Esse equilíbrio garante que a equipe médica tenha habilidade técnica para lidar com qualquer complexidade ou complicação.

Tecnologia com Responsabilidade

O EVAR é, sem dúvida, um triunfo da medicina que nos permitiu trocar grandes cicatrizes por pequenos acessos. No entanto, o sucesso dessa tecnologia depende de uma parceria entre médico e paciente. O paciente de EVAR é alguém que vive com total qualidade e segurança, desde que mantenha o compromisso de realizar seu acompanhamento por imagem periodicamente. A tecnologia nos deu o caminho; a disciplina nos garante o destino.

Perguntas Frequentes

O que é o EVAR e em que ele difere da cirurgia aberta?
EVAR (Endovascular Aneurysm Repair, ou Reparo Endovascular de Aneurisma) é a técnica que trata o aneurisma de aorta "por dentro do vaso": através de pequenos acessos nas artérias da virilha, inserimos uma endoprótese — uma "gaiola de metal" revestida de tecido — que se ancora dentro da aorta e sela a área doente. O sangue passa a fluir por dentro da prótese e deixa de pressionar a parede frágil do aneurisma. A cirurgia aberta tradicional, por outro lado, exige uma grande incisão abdominal, clampeamento da aorta e substituição física do trecho doente por uma prótese costurada — muito mais invasiva, com internação prolongada em UTI.
Por que o aneurisma de aorta é perigoso? O que são os "blebs"?
A explicação está na Lei de Laplace: a tensão na parede de um tubo pressurizado aumenta conforme o raio aumenta e a parede fica mais fina. É um ciclo vicioso — quanto mais o aneurisma cresce, maior a pressão sobre sua parede, mesmo com a pressão arterial controlada. Com o tempo, a parede se inflama e fica frágil. A ruptura geralmente ocorre em pontos específicos chamados "blebs": pequenas bolhas ou saliências ainda mais finas dentro do próprio aneurisma, que funcionam como o ponto mais fraco de uma câmara de ar prestes a estourar.
Quem inventou o EVAR e quando foi feito o primeiro procedimento?
Em 1990, o cirurgião argentino Juan Carlos Parodi realizou o primeiro EVAR bem-sucedido do mundo, motivado pelo trauma de ver pacientes morrerem pela agressividade da cirurgia aberta. Ele uniu forças com o radiologista Julio Palmaz (inventor do stent) e o engenheiro Hector Barone para criar a primeira endoprótese — uma "gaiola de metal" revestida de tecido. O resultado foi histórico: enquanto o paciente da cirurgia aberta do quarto vizinho lutava na UTI, o paciente de Parodi — um idoso com graves problemas pulmonares — estava acordado e jantando tranquilamente em seu quarto poucas horas depois.
O que é o fenômeno do "catch-up" após o EVAR?
É um alerta importante revelado por grandes estudos clínicos como o EVAR-1 e o DREAM: embora o EVAR salve mais vidas nos primeiros 30 dias após a cirurgia (menor mortalidade perioperatória), essa vantagem de sobrevivência em relação à cirurgia aberta tende a desaparecer entre 1 e 3 anos — daí o nome "catch-up" (recuperação/equiparação). Isso acontece porque a prótese pode se deslocar ou apresentar pequenos vazamentos (endoleaks) ao longo do tempo. Por isso, a vigilância por imagem para o resto da vida não é opcional: é parte do tratamento.
O que são as endofugas (endoleaks) e quais os 5 tipos?
Endofugas são vazamentos de sangue que voltam para o saco do aneurisma, mantendo a pressão e o risco de ruptura mesmo após o EVAR. Classificamos em 5 tipos: Tipo I — falha no selamento nas extremidades da prótese (perigoso, exige correção imediata); Tipo II — sangue retornando por pequenos vasos laterais (o mais comum, geralmente apenas observado); Tipo III — falha mecânica ou desconexão da prótese (grave, requer reparo rápido); Tipo IV — porosidade do tecido da prótese (geralmente resolve-se sozinho); e Tipo V (endotensão) — o aneurisma cresce mesmo sem vazamento visível nos exames tradicionais.
Como é feito o acompanhamento após o EVAR e quando operar?
Seguimos as diretrizes da SBACV e ESVS: a indicação cirúrgica ocorre quando o aneurisma atinge 55 mm em homens ou 50 mm em mulheres. As normas de 2024 recomendam ainda que o procedimento seja realizado em centros de excelência que façam pelo menos 30 cirurgias de aorta por ano, em equilíbrio entre cirurgias abertas e EVAR. Para a vigilância pós-EVAR, a Angiotomografia é o padrão histórico, mas traz radiação acumulada e contraste nefrotóxico. Por isso estamos migrando para o Ultrassom com Contraste de Microbolhas (CEUS) — uma metanálise com 1.773 pacientes mostrou que ele é tão eficaz quanto a tomografia para vazamentos graves, e ainda mais sensível para detectar endoleaks tipo II, sem radiação e sem agredir os rins.

Doença arterial exige avaliação precoce.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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