Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tratamento Térmico

Laser de Safena (EVLA)

A ablação térmica endovenosa por laser fecha a veia safena por dentro, sem cortes e sem anestesia geral. Entenda o mecanismo, as indicações, a segurança e o que esperar da recuperação.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 07 de junho de 2026🔄 Atualizado em 15 de junho de 2026

Por décadas, o único tratamento para a safena doente era arrancá-la cirurgicamente — com cortes, anestesia geral e semanas de repouso. A Ablação Térmica Endovenosa por Laser (EVLA) mudou esse paradigma: a veia é fechada por dentro, sem ser removida, sem bisturi, com retorno ao trabalho em até 7 dias. É o tratamento de primeira linha nas principais diretrizes médicas mundiais.

Infográfico: Laser de Safena vs. Cirurgia Tradicional — comparativo de procedimento, recuperação e eficiência

Cirurgia convencional: cortes, pontos, 14–30 dias de repouso. Laser (EVLA): micro punção, sem pontos, retorno em 2–7 dias.

Assista: Como Funciona o Laser de Safena

1. Como o Laser Fecha a Veia por Dentro

Ao contrário da cirurgia tradicional, onde a veia é removida mecanicamente por cortes com bisturi, o laser trata a veia in situ — dentro do próprio corpo. O objetivo não é "desobstruir" o vaso, mas fechá-lo definitivamente para interromper o refluxo sanguíneo. O procedimento segue três mecanismos em sequência:

1️⃣

Acesso Percutâneo

Uma micro punção guiada por ultrassom introduz uma fibra óptica fina na veia — sem cortes, sem bisturi, sem pontos.

2️⃣

Efeito Fototérmico

A energia do laser é absorvida pela hemoglobina e pela água da parede venosa, convertendo-se em calor — que desnatura o colágeno e destrói o revestimento interno (endotélio).

3️⃣

Fechamento Definitivo

A veia se contrai imediatamente. Com o tempo, o organismo a transforma em um cordão fibroso inerte, gradualmente reabsorvido pelo corpo.

2. Os Dois Pilares da Segurança: Tumescência e Doppler

Para que o EVLA seja seguro e eficaz, dois componentes são indispensáveis em todo o procedimento:

💉 Anestesia Tumescente

Uma solução de soro gelado e anestésico é injetada ao redor da veia antes do laser. Ela cria um "colchão" protetor que isola o calor, protegendo pele e nervos vizinhos contra queimaduras. O volume de líquido também comprime a veia contra a fibra, tornando a ablação mais eficiente e reduzindo a inflamação pós-operatória. O paciente permanece acordado e comunicativo — sem raquidiana, sem anestesia geral.

🔬 Ultrassom Doppler Colorido

É a "bússola" do cirurgião. O mapeamento pré-operatório identifica exatamente onde está o refluxo, mede o diâmetro da veia e sua profundidade em relação à pele. Durante o procedimento, guia a introdução da fibra óptica com precisão milimétrica. Sem o ultrassom, o risco de falha terapêutica ou lesões acidentais seria significativamente maior.

3. Quem Pode — e Quem Não Pode — Fazer o Laser

O EVLA é indicado para varizes sintomáticas e calibrosas classificadas como CEAP C2 a C6 — que incluem dor, peso nas pernas, câimbras noturnas, dermatite ocre (manchas escuras) e úlceras ativas. É especialmente vantajoso para idosos, obesos e pacientes com condições cardíacas, pois dispensa anestesia geral ou raquidiana.

Contraindicações

GrauCondiçãoJustificativa
🚫 AbsolutaTrombose Venosa Profunda AgudaA veia superficial pode estar servindo como via de retorno para o sangue
🚫 AbsolutaDoença Arterial Grave (DAOP)A falta de circulação arterial impede a cicatrização
🚫 AbsolutaInfecção Local AtivaRisco de disseminação da infecção pelas punções
🚫 AbsolutaGravidezRiscos ao feto; as varizes podem melhorar naturalmente após o parto
⚠️ RelativaLimitação de Mobilidade (Acamados)Caminhar é essencial no pós-operatório para evitar trombose
⚠️ RelativaCoagulopatias GravesRisco aumentado de sangramentos indesejados

4. Laser vs. Cirurgia Convencional: A Diferença na Prática

A experiência do paciente submetido ao laser é drasticamente superior à da cirurgia clássica de retirada da safena:

Critério❌ Cirurgia Convencional✅ Laser EVLA
TraumaGrande — veia arrancada, rompendo vasos vizinhosMínimo — veia fechada internamente sem ser removida
CicatrizesIncisões visíveis com pontosMicro punção sem pontos (como uma injeção)
HematomasExtensos, arroxeados e dolorososRaros e muito localizados
AnestesiaGeral ou RaquidianaLocal com Tumescência — paciente acordado
HospitalizaçãoNecessária (com pernoite)Ambulatorial — walk in, walk out
Recuperação14 a 30 dias de repouso2 a 7 dias para retorno às atividades

5. Pós-Operatório: O que Fazer nos Primeiros Dias

O paciente sai do procedimento caminhando — isso não é opcional. A deambulação imediata é fundamental para estimular a circulação profunda e prevenir trombose. As orientações principais:

🚶 Caminhada Imediata

Iniciada ao sair do consultório. Ativa a bomba muscular da panturrilha, estimula o retorno venoso profundo e reduz o risco de EHIT. Evite apenas atividades de alto impacto nas primeiras semanas.

🧦 Meias Elásticas Obrigatórias

O uso contínuo nas primeiras semanas reduz o inchaço, comprime a veia tratada para facilitar sua absorção e previne o acúmulo de sangue na área ablacionada.

☀️ Proteção Solar — 60 Dias

Evitar exposição solar direta nas pernas por cerca de 60 dias é crucial para prevenir manchas permanentes causadas pela hemossiderina depositada durante a absorção da veia.

6. Segurança: A Classificação e Tratamento da EHIT (AVF/SVS)

Embora o perfil de segurança do laser seja altíssimo, existe uma complicação específica chamada EHIT (Endothermal Heat-Induced Thrombosis) — uma extensão do coágulo formado pelo calor da ablação para dentro da veia profunda contígua à veia tratada. Em 2021, o American Venous Forum (AVF) e a Society for Vascular Surgery (SVS) publicaram uma diretriz conjunta que unificou as classificações anteriormente usadas em um único sistema, com recomendações de conduta graduadas pelo nível de evidência científica (sistema GRADE).

Infográfico: Classificação e Tratamento da Trombose Induzida por Calor Endovenoso (EHIT) — sistema unificado do American Venous Forum (AVF) e da Society for Vascular Surgery (SVS), com as classes Ia, Ib, II, III e IV, seus achados ao ultrassom e as recomendações de conduta por grau de evidência (GRADE)
Classificação e tratamento da EHIT — sistema unificado AVF/SVS. Fonte: Kabnick et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, janeiro de 2021.

A EHIT é detectada por um ultrassom de controle realizado entre o 3º e o 7º dia após o procedimento, com o paciente em pé — a posição deitada aumenta a chance de resultados falso-positivos. A maioria dos casos surge nessa janela, embora, raramente, possa aparecer até 4 semanas depois. Estudos mostram que a EHIT ocorre em até 3% das ablações, sendo de 3 a 4 vezes mais frequente que uma TVP "clássica" não relacionada ao procedimento — que, isoladamente, acontece em menos de 1% dos casos.

Classe EHIT (AVF/SVS 2021)Achado no UltrassomConduta Recomendada
IaCoágulo restrito à veia tratada, periférico à veia epigástrica superficialSem tratamento e sem necessidade de novo ultrassom de controle Grau 2C
IbCoágulo restrito à veia tratada, central até a junção com a veia profunda (sem invadi-la)Conduta individualizada; pode-se considerar acompanhamento clínico Grau 2C
IICoágulo invade a veia profunda, ocupando menos de 50% do seu diâmetroSem tratamento imediato; ultrassom semanal até resolução. Em pacientes de alto risco, considerar antiagregante ou anticoagulante Grau 2C
IIICoágulo invade a veia profunda, ocupando mais de 50% do seu diâmetroAnticoagulação plena, com ultrassom semanal até retração ou resolução do coágulo Grau 1B
IVTrombose oclusiva da veia profunda, contígua à veia tratadaTratamento individualizado, seguindo as diretrizes internacionais (CHEST) para TVP Grau 1A

Fatores de Risco e Prevenção

⚠️ Fatores Associados a Maior Risco

  • Veia safena com diâmetro aumentado (os limiares descritos na literatura variam de 8 a 11 mm)
  • Histórico pessoal de trombose venosa profunda (TVP) ou tromboflebite superficial
  • Escore de risco trombótico elevado (ex: escore de Caprini)
  • Sexo masculino e idade acima de 65 anos foram associados em alguns estudos, mas com evidência inconsistente entre as séries publicadas

🛡️ Estratégias de Prevenção

  • Iniciar a ablação a mais de 2,5 cm da junção com a veia profunda — associado a uma tendência de menor incidência de EHIT
  • Profilaxia química (ex: heparina de baixo peso molecular) em pacientes selecionados, conforme avaliação individual de risco-benefício
  • Profilaxia mecânica com meias de compressão, ajustada ao perfil de cada paciente
  • Deambulação (caminhada) imediata após o procedimento

A diretriz AVF/SVS classifica a evidência sobre fatores de risco e prevenção como de qualidade baixa (Grau 2C): os achados são inconsistentes entre os estudos, e nenhuma medida isolada comprovou redução significativa da incidência de EHIT. Por isso, a indicação de profilaxia química ou mecânica é sempre individualizada, considerando o perfil de risco de cada paciente.

💡 Por que o ultrassom de controle é indispensável

A EHIT relevante (classes II a IV) é incomum quando o protocolo — incluindo a distância adequada de ablação e a deambulação precoce — é seguido corretamente, mas só é detectável pelo ultrassom. A ausência de sintomas não exclui sua presença, e há relatos de embolia pulmonar mesmo em casos classificados como classe II. O exame entre o 3º e o 7º dia pós-operatório, com o paciente em pé, é o padrão de segurança obrigatório em qualquer centro que realize ablação endovenosa.

Fonte: Kabnick LS, Sadek M, Bjarnason H, et al. Classification and treatment of endothermal heat-induced thrombosis: Recommendations from the American Venous Forum and the Society for Vascular Surgery. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2021;9(1):6-22.

Perguntas Frequentes

O laser de safena (EVLA) dói?
O procedimento é realizado com anestesia tumescente — uma solução de soro gelado e anestésico injetada ao redor da veia. O paciente permanece acordado e comunicativo durante todo o processo, sem necessidade de anestesia geral ou raquidiana. Durante a ablação, pode-se sentir leve pressão ou aquecimento. No pós-operatório imediato, a região pode ficar sensível e com hematomas discretos por alguns dias.
Qual a diferença entre o laser de safena e a cirurgia tradicional?
Na cirurgia tradicional (fleboextração), a veia safena é literalmente arrancada por meio de cortes com bisturi — o que causa hematomas extensos, dor intensa e exige 14 a 30 dias de repouso. No laser (EVLA), a veia é fechada internamente por energia fototérmica, sem ser removida. O acesso é feito por uma micro punção (como uma injeção), sem pontos, com retorno às atividades em 2 a 7 dias.
Quem pode fazer o laser de safena?
O EVLA é indicado para pacientes com varizes sintomáticas classificadas como CEAP C2 a C6 — isso inclui dor, peso nas pernas, câimbras, alterações de pele (dermatite ocre) e úlceras ativas. É especialmente vantajoso para idosos, obesos e pacientes com condições cardíacas, pois dispensa anestesia geral. O mapeamento por Eco-Doppler define se a safena é candidata ao tratamento.
O que é a EHIT e qual o risco real?
EHIT (Endothermal Heat-Induced Thrombosis) é a extensão do coágulo formado pelo calor da ablação para dentro da veia profunda contígua à veia tratada. Estudos mostram que ocorre em até 3% dos procedimentos — uma taxa de 3 a 4 vezes maior que a de TVP 'clássica' não relacionada (que ocorre em menos de 1% dos casos). Para detectá-la, é feito um ultrassom de controle entre o 3º e o 7º dia, com o paciente em pé. Pela classificação unificada do American Venous Forum e da Society for Vascular Surgery (2021): classes Ia e Ib (coágulo restrito à veia superficial) geralmente não exigem tratamento; classe II (invade menos de 50% da veia profunda) é acompanhada semanalmente e pode exigir antiagregante ou anticoagulante em casos selecionados; classe III (mais de 50%) exige anticoagulação plena; classe IV (oclusão total da veia profunda) é tratada como uma trombose venosa profunda clássica. A incidência de EHIT clinicamente relevante é baixa quando o protocolo de segurança é seguido corretamente.
Preciso usar meia elástica após o laser?
Sim — o uso de meias elásticas medicinais é obrigatório nas primeiras semanas após o procedimento. Elas reduzem o inchaço, comprimem a veia tratada para facilitar sua absorção e previnem o acúmulo de sangue na área ablacionada. Além disso, é essencial evitar exposição solar direta nas pernas por cerca de 60 dias para prevenir manchas permanentes na pele.
O laser de safena é definitivo? As varizes podem voltar?
A taxa de oclusão da veia safena com EVLA é superior a 95% em 5 anos nas principais diretrizes. Porém, como a insuficiência venosa crônica é uma doença progressiva e genética, outras veias podem desenvolver refluxo ao longo do tempo. O acompanhamento anual com Eco-Doppler detecta novas insuficiências antes que se tornem sintomáticas, permitindo intervenções menos invasivas e preservando os resultados.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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