Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tratamento Clínico

O Remédio que Você Toma Pode Estar Inchando Suas Pernas

Uma revisão de 2024 do New England Journal of Medicine traz uma nova forma de entender a Insuficiência Venosa Crônica — incluindo uma lista de remédios comuns que pioram o inchaço e um alerta sobre os diuréticos.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 12 de junho de 202611 min de leitura

Você termina o dia com a sensação de que suas pernas pesam quilos extras? Nota que as bordas das meias deixam sulcos profundos na pele, ou que o inchaço nos tornozelos só cede depois de uma noite de descanso? Muitos pacientes hesitam em buscar ajuda, temendo que essas queixas sejam “meramente estéticas”. Mas esses sintomas são sinais biológicos importantes — e uma revisão publicada em dezembro de 2024 no New England Journal of Medicine (NEJM), pelos Drs. Eri Fukaya e Raghu Kolluri, traz achados que podem mudar a forma como você — e seu médico — encaram o inchaço nas pernas.

Infográfico: Insuficiência Venosa Crônica — mecanismo da hipertensão venosa, impacto em 73% das mulheres e 56% dos homens, tabela de medicamentos que causam inchaço e os 4 pilares do tratamento não cirúrgico
Infográfico — Insuficiência Venosa Crônica: entenda e cuide da saúde das suas pernas

Mais que “Vasinhos”: o que é a Insuficiência Venosa Crônica?

A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) não é apenas uma questão de aparência — é um espectro clínico que vai dos pequenos “vasinhos” até alterações graves na pele e feridas abertas (úlceras). Existe uma distinção técnica importante: a Doença Venosa Crônica engloba qualquer distúrbio das veias das pernas. Já a Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é o termo reservado para os estágios avançados, onde já há edema (inchaço), alterações na coloração da pele ou úlceras.

73%

das mulheres são afetadas pela doença venosa crônica ao longo da vida

56%

dos homens também são afetados — influenciado por genética, idade e estilo de vida

A Batalha Celular e a “Bomba” Muscular

As veias das pernas são reservatórios que transportam o sangue contra a gravidade. Esse fluxo depende de válvulas unidirecionais e da força da bomba muscular da panturrilha — quando você caminha, os músculos pressionam as veias, empurrando o sangue para cima. Quando há falha nesse sistema, ocorre a hipertensão venosa.

O que o NEJM 2024 enfatiza é o que acontece no nível celular:

  • Disfunção endotelial: o revestimento interno das veias inflama.

  • Desequilíbrio redox: a pressão excessiva rompe o equilíbrio de redução-oxidação nas células, gerando um estresse químico que degrada os tecidos e causa o vazamento de glóbulos vermelhos para a pele.

  • A “bomba” falhando: se a panturrilha está fraca ou o tornozelo está rígido (devido a artrite ou cirurgias prévias), o sangue fica estagnado, alimentando esse ciclo de inflamação.

Sinais de Alerta: o que Observar no Espelho e no Consultório

O diagnóstico de IVC é, antes de tudo, clínico. Além do peso e das cãibras, a ciência descreve cinco sinais característicos na pele:

Hiperpigmentação

Manchas acastanhadas (depósito de hemossiderina) na “área da polaina”, entre o tornozelo e a panturrilha.

Atrophie Blanche

Pequenas áreas cicatriciais brancas e lisas, cercadas por pontos vermelhos.

Corona Phlebectatica

Um “leque” de veias minúsculas e dilatadas na lateral do pé ou tornozelo.

Lipodermatosclerose

A pele torna-se endurecida e tensa, quase como se o tecido estivesse “plastificado”.

Sinal de Stemmer

Impossibilidade de pinçar a pele no dorso do segundo dedo do pé, indicando que o sistema linfático também está sobrecarregado.

O exame ideal: a avaliação física deve ser feita com você em , para que a gravidade revele o refluxo venoso. Um detalhe de autoridade: o médico costuma colocar a mão na sua panturrilha enquanto você movimenta o pé, para avaliar a força da sua “bomba muscular”.

Dois Vilões Escondidos: Obesidade e Apneia do Sono

Além da genética, da idade e da gravidez, o NEJM 2024 destaca dois fatores funcionais que muitas vezes passam despercebidos:

Obesidade

O excesso de gordura abdominal aumenta a pressão interna do abdômen, agindo como um bloqueio físico que impede o sangue de subir das pernas de volta ao coração.

Apneia Obstrutiva do Sono — o “efeito vácuo”

Quando a via aérea se fecha durante o sono, o esforço respiratório gera uma pressão intratorácica negativa que “puxa” o retorno de sangue com mais força, sobrecarregando o lado direito do coração — e isso aparece como inchaço nas pernas durante o dia.

Atenção: Seu Remédio Pode Estar Inchando Suas Pernas

Muitas vezes, o inchaço não é causado pelas veias, mas por remédios tomados para outras condições. Veja os mecanismos descritos pelo NEJM 2024:

Classe de MedicamentoExemplos ComunsMecanismo do Inchaço
Bloqueadores de CálcioAnlodipino, NifedipinoVasodilatação (abre demais os vasos)
GabapentinoidesGabapentina, PregabalinaVasodilatação
Anti-inflamatórios (AINEs)Ibuprofeno, DiclofenacoRetenção de sódio e água pelos rins
HormôniosEstrogênio, TestosteronaRetenção renal de sódio
QuimioterápicosDocetaxel, CisplatinaAumento da permeabilidade vascular ou dano linfático

🚨 Alerta crítico: diuréticos

O NEJM 2024 faz um alerta severo: diuréticos não devem ser a primeira linha de tratamento para o inchaço venoso, embora sejam frequentemente prescritos por erro. Se o seu inchaço é causado por uma falha nas veias ou por outro medicamento (como o anlodipino), o diurético pode reduzir o volume de sangue no corpo sem tratar a causa real — podendo até ser prejudicial.

Os 4 Pilares do Tratamento Não Cirúrgico

A ciência moderna prioriza a função sobre a estrutura. O tratamento da IVC baseia-se em quatro pilares:

  1. 1

    Redução da hipertensão central: tratar a apneia do sono e perder peso não é apenas estética — é desobstruir o caminho para o sangue voltar ao coração.

  2. 2

    Terapia de compressão: meias ou bandagens aplicam pressão externa para neutralizar a pressão interna das veias.

  3. 3

    Elevação das pernas: elevar os membros acima do nível do coração ajuda a gravidade a drenar os fluidos acumulados.

  4. 4

    Exercícios de panturrilha e pé: fortalecer os músculos e garantir que o tornozelo se mova bem é a forma mais eficaz de "bombear" o sangue de volta ao coração.

💡 Dica de especialista: nem toda meia elástica é igual

Meias de longo alongamento (elásticas tradicionais) podem parecer apertadas demais ao descansar. Já as de curto alongamento são ideais para quem caminha: oferecem baixa pressão em repouso e alta pressão durante o movimento — sendo mais confortáveis e eficazes para controlar o edema no dia a dia.

Quando o Procedimento é Necessário?

Procedimentos como laser, radiofrequência ou escleroterapia são indicados quando há falhas estruturais graves detectadas no ultrassom Doppler, ou quando os sintomas não cedem com o tratamento conservador.

A lição de ouro: a cirurgia trata a parte estrutural (a veia doente), mas os hábitos tratam a parte funcional (como o sangue se movimenta). Sem o manejo funcional — peso, exercício e compressão — a doença estrutural tende a retornar.

Plano de Ação: Por Onde Começar Hoje

A IVC é uma condição crônica que exige parceria entre médico e paciente. Para começar hoje:

  1. 1

    Mova-se: se você trabalha sentado, faça 10 flexões de tornozelo a cada hora.

  2. 2

    Avalie o sono: se você ronca ou acorda cansado, investigue a apneia do sono.

  3. 3

    Revisão de farmácia: leve sua lista de remédios ao cirurgião vascular para verificar se algum deles está "inflando" suas pernas.

  4. 4

    Diagnóstico preciso: peça um ultrassom Doppler para avaliar o tempo de refluxo e a anatomia venosa.

Pernas que incham não são “normais”

O inchaço nas pernas tem causas — algumas nas próprias veias, outras na farmácia, no sono ou no peso. A boa notícia é que a ciência mais recente aponta para soluções acessíveis, que começam muito antes de qualquer procedimento. Procure uma avaliação vascular para descobrir qual combinação de fatores está por trás do seu inchaço — e qual dos 4 pilares precisa de mais atenção no seu caso.

Perguntas Frequentes

Quais remédios podem causar ou piorar o inchaço nas pernas?
Segundo a revisão de 2024 do New England Journal of Medicine (NEJM), várias classes de medicamentos de uso comum podem causar ou agravar o edema de pernas: bloqueadores de cálcio (anlodipino, nifedipino) e gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) por vasodilatação excessiva; anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco) e hormônios (estrogênio, testosterona) por retenção de sódio e água pelos rins; e quimioterápicos (docetaxel, cisplatina) por aumento da permeabilidade vascular ou dano linfático. Se você usa algum desses remédios e notou inchaço novo, vale levar a lista de medicamentos para o cirurgião vascular avaliar.
Por que diuréticos não são a primeira escolha para inchaço nas pernas, segundo o NEJM 2024?
Porque, na maioria das vezes, o inchaço nas pernas não é causado por excesso de volume sanguíneo, e sim por uma falha localizada — nas válvulas das veias (insuficiência venosa) ou efeito colateral de outro medicamento (como o anlodipino). Nesses casos, o diurético reduz o volume de sangue no corpo todo sem corrigir a causa real, podendo até ser prejudicial — causando desidratação, alterações de eletrólitos e piora da função renal sem aliviar o inchaço local.
O que é Insuficiência Venosa Crônica (IVC) e qual a diferença para "Doença Venosa Crônica"?
Doença Venosa Crônica é um termo amplo que engloba qualquer alteração das veias das pernas — desde os pequenos "vasinhos" (telangiectasias) até as varizes. Já a Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é reservada para os estágios mais avançados, quando já existe hipertensão venosa com consequências visíveis: edema (inchaço), alterações na coloração e textura da pele ou úlceras. Ou seja, toda IVC é doença venosa crônica, mas nem toda doença venosa crônica chega a ser IVC.
Quais sinais na pele indicam que a insuficiência venosa está avançando?
A revisão do NEJM destaca cinco sinais clássicos: Hiperpigmentação (manchas acastanhadas na "área da polaina", entre o tornozelo e a panturrilha, causadas pelo depósito de hemossiderina); Atrophie Blanche (pequenas áreas cicatriciais brancas e lisas, cercadas por pontos vermelhos); Corona Phlebectatica (um leque de veias minúsculas dilatadas na lateral do pé ou tornozelo); Lipodermatosclerose (pele endurecida e tensa, como "plastificada"); e o Sinal de Stemmer (impossibilidade de pinçar a pele no dorso do segundo dedo do pé, sugerindo comprometimento linfático associado).
A apneia do sono pode causar inchaço nas pernas?
Sim — e é um mecanismo pouco conhecido. Quando a via aérea se fecha durante o sono, o esforço respiratório contra essa obstrução gera uma pressão negativa dentro do tórax, que "puxa" o sangue de volta ao coração com mais força, sobrecarregando o lado direito do coração ao longo da noite. O resultado aparece no dia seguinte: inchaço nas pernas. Tratar a apneia obstrutiva do sono — assim como tratar a obesidade — é considerado, pelo NEJM 2024, parte do tratamento da hipertensão venosa, mesmo sem qualquer procedimento nas veias.
Quais são os 4 pilares do tratamento não cirúrgico da IVC, segundo o NEJM 2024?
São eles: (1) Redução da hipertensão central — tratar apneia do sono e obesidade, que sobrecarregam o retorno venoso; (2) Terapia de compressão — meias ou faixas elásticas, preferindo as de curto alongamento para quem caminha; (3) Elevação das pernas acima do nível do coração, para a gravidade ajudar a drenar o excesso de líquido; e (4) Exercícios de panturrilha e tornozelo, que fortalecem a "bomba muscular" responsável por empurrar o sangue de volta ao coração. Procedimentos como laser, radiofrequência ou escleroterapia tratam a parte estrutural (a veia doente), mas sem esses 4 pilares funcionais, a doença tende a retornar.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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