Trauma Vascular Abdominal e Fraturas de Bacia: REBOA, Hematomas Retroperitoneais e Protocolo Pélvico
Laparotomia imediata: instabilidade hemodinâmica + FAST positivo (1B). AngioTC: padrão diagnóstico para estáveis (1A). REBOA zona III: controle do sangramento pélvico como ponte (2C). Hematomas: zona 1 sempre explorar; zona 3 contuso estável — não explorar. Manobras de Mattox, Cattell-Braasch e Pringle. Protocolo pélvico: tamponamento pré-peritoneal + fixação externa + angioembolização. Diretriz SBACV/SBAIT 2023.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Laparotomia imediata: instabilidade + FAST positivo (1B). AngioTC: padrão-ouro para estáveis (1A). REBOA zona III: controle pélvico provisório (2C). Hematomas: zona 1 penetrante/contuso → sempre explorar; zona 2 contuso estável → expectante; zona 3 contuso estável → NÃO explorar. Manobras: Mattox (zona esquerda), Cattell-Braasch (zona direita), Pringle (triade portal). Protocolo pélvico: 1) reduzir volume (cinto/lençóis); 2) tamponamento pré-peritoneal; 3) fixação externa; 4) angioembolização se indicada.
O trauma vascular abdominal continua sendo desafiador: vasos calibrosos, acesso difícil e mortalidade elevada. A angiotomografia revolucionou o diagnóstico. O REBOA mudou o controle hemorrágico no instável pélvico. E o protocolo integrado para fraturas de bacia — tamponamento, fixação e angioembolização — é hoje o padrão das grandes séries de trauma.

Laparotomia vs Investigação com Imagem
Laparotomia IMEDIATA (1B)
- • Instabilidade hemodinâmica + FAST positivo ou lavado peritoneal
- • Trauma abdominal penetrante instável
- • Sinais de peritonite ou evisceração
AngioTC ANTES da cirurgia
- • Estável com suspeita de lesão vascular: AngioTC (1A) — padrão-ouro
- • Ultrassom: triagem de líquido (FAST) — NÃO diagnóstico vascular (1B)
- • Tratamento não operatório possível em AAST 1-3 sem extravasamento (2C)
REBOA e Controle Endovascular Abdominal
REBOA — Zona III: controle pélvico provisório (2C)
- • Insuflação de balão na aorta zona III (pélvica) = controle temporário do sangramento pélvico
- • Alternativa ao clampeamento supracelíaco cirúrgico no instável extremo
- • Ponte para o tratamento definitivo — não substitui a cirurgia
- • Endoclampe: controle de segmentos de difícil acesso intraoperatório (VCI retro-hepática)
Hematomas Retroperitoneais — Quando Explorar?
| Zona | Penetrante | Contuso | Grau |
|---|---|---|---|
| Zona 1 (central — aorta/VMS) | SEMPRE explorar | SEMPRE explorar | 1B |
| Zona 2 (lateral — renal) | Explorar | Explorar SE expansão ou pulsatilidade | 1B |
| Zona 3 (pélvica) | Verificar ilíacas | NÃO explorar (se estável) | 1B |
Manobras de exposição (1B): Mattox (zona 2 esquerda + aorta infrarrenal) | Cattell-Braasch (zona 2 direita + VCI infrarrenal) | Pringle (triade portal) | Acesso anterior transperitoneal (VCI infrarrenal)
Protocolo Hemostático para Fraturas de Bacia
Reduzir o volume pélvico imediatamente
Cinto pélvico específico ou lençóis como dispositivo provisório (1C). Primeira medida em qualquer fratura pélvica instável.
Tamponamento pré-peritoneal
Compressas no espaço pré-peritoneal — controla plexos venosos pélvicos (1B). Pode preceder a fixação da fratura.
Fixação externa da fratura
Redução do volume pélvico + controle hemorrágico (1B). Considerar fixação precoce pela equipe de ortopedia.
Angioembolização
Indicações (1C): instabilidade após exclusão de outros focos; extravasamento na AngioTC; >60 anos; hematoma >500 mL estimado. Mais efetiva quando o sangramento é de origem arterial.
Olá! Vi o artigo sobre trauma vascular abdominal e protocolo pélvico (SBACV 2023) e gostaria de discutir um caso com cirurgião vascular.
Dr. Maurício Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em MaringáCRM-PR 21589 · Atendimento com hora marcada
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Perguntas Frequentes
Quando indicar laparotomia sem investigação com imagem no trauma abdominal vascular?
Como funciona o REBOA no trauma vascular abdominal?
Quais hematomas retroperitoneais devem ser explorados no trauma?
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