Trauma Vascular Abdominal: Aorta, Ilíacas, Mesentéricas, Renais e Veias
ESVS 2025 Recs 61–81: hematoma retroperitoneal — instável explorar, estável AngioTC; aorta Grau 3 reparo aberto; ilíacas — embolização da interna (Classe I-B); artérias renais — NÃO revascularizar rim desvascularizado unilateral; VCI — ligadura se reparo não-viável.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Hematoma retroperitoneal instável → exploração cirúrgica imediata (Rec 62, Classe I-C); estável → AngioTC (Rec 63, Classe I-C). Aorta abdominal Grau 3 → reparo aberto como primeira linha (Rec 65, Classe I-C). Ilíaca interna → embolização endovascular para sangramento pélvico (Rec 71, Classe I-B). NÃO revascularizar rim desvascularizado unilateral (Rec 74, Classe IIIb-C). VCI: ligação se reparo não-viável (Rec 79, Classe I-C). ESVS 2025.
O trauma vascular abdominal envolve lesões de alta mortalidade em aorta, artérias ilíacas, mesentéricas, renais, veia cava inferior e veias portais. As ESVS 2025 estruturam o manejo com base no status hemodinâmico, na estabilidade do hematoma retroperitoneal e no grau de lesão ESVS — com algoritmos claros para cada território vascular.
Hematoma Retroperitoneal — Recs 61–63
🚨 Exploração Imediata (Rec 62, I-C)
Paciente instável OU hematoma retroperitoneal expansivo, pulsátil ou sangrando ativamente.
✅ Não-Exploratório + AngioTC (Rec 63, I-C)
Paciente estável E hematoma estável (não-expansivo, não-pulsátil, sem sangramento ativo).
Acessos cirúrgicos: rotação visceral medial direita (aorta suprarenal + infrarenal) ou esquerda (aorta celíaca, rins esquerdos).
Aorta Abdominal — Recs 64–68
| Grau | Manejo | Rec |
|---|---|---|
| Grau 1 | Não-operatório + antitrombóticos | 64 / I-C |
| Grau 2 | Stent graft endovascular (em paciente estável) | 67 / IIa-C |
| Grau 3 | Reparo aberto como primeira linha + enxerto sintético | 65 / I-C |
Material sintético é recomendado para reconstrução aórtica de emergência mesmo com contaminação entérica concomitante (Rec 66, Classe I-C). Oversizing 20–30% para EVAR de emergência feito durante hipotensão (Rec 68, Classe IIa-C).
Artérias Ilíacas — Recs 69–71
Rec 71 (Classe I-B) — Embolização Pélvica
Embolização endovascular da ilíaca interna ou ramos é o padrão estabelecido no trauma pélvico com sangramento ativo ou sinais de extravasamento por imagem.
| Grau | Manejo | Rec |
|---|---|---|
| Grau 3 (laparotomia) | Reparo cirúrgico primário / enxerto sintético / shunt vascular | 69 / I-C |
| Grau 2-3 (estável) | Stent graft endovascular — menos infecção, menor mortalidade | 70 / IIa-C |
Artérias Mesentéricas — Recs 72–73
AMS — Grau X (Rec 72, IIb-C)
Stent ou stent graft endovascular pode ser considerado para restaurar precocemente perfusão intestinal.
AIM — Ligadura (Rec 73, I-C)
Ligadura recomendada — circulação colateral mesentérica excelente (artéria de Drummond).
Artérias Renais — Recs 74–78
⛔ Rec 74 (Classe IIIb-C) — NÃO Revascularizar
Revascularização de rim desvascularizado unilateral identificado na AngioTC NÃO é recomendada — o tempo de isquemia quente impossibilita recuperação renal.
| Cenário | Manejo | Rec |
|---|---|---|
| Grau 3 instável | Ligadura da artéria renal ± nefrectomia | 76 / I-C |
| Grau 2 estável | Stent graft endovascular | 77 / IIa-C |
| Bilateral ou rim solitário salvável | Reparo aberto ou endovascular | 78 / I-C |
VCI e Veias Abdominais — Recs 79–81
Mortalidade do trauma de VCI: 30–70% dependendo do nível (infrarenal = melhor prognóstico).
| Situação | Conduta | Rec |
|---|---|---|
| Reparo não facilmente viável | Ligação da VCI — aceitável para infrarenal | 79 / I-C |
| Paciente estável + hematoma estável | Não-operatório + imagem de seguimento | 80 / IIa-C |
| Shunting atriovcaval | NÃO indicado | 81 / IIIa-C |
Referência
Wahlgren CM, Riddez L, Orban P, et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Vascular Trauma. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;69:179–237.
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Dr. Maurício Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em MaringáCRM-PR 21589 · Atendimento com hora marcada
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Perguntas Frequentes
Quando explorar versus não explorar o hematoma retroperitoneal na laparotomia de emergência?
Por que não se deve revascularizar o rim desvascularizado unilateral no trauma?
Qual é o papel da embolização endovascular na hemorragia pélvica por trauma?
Quando ligar versus reparar a veia cava inferior no trauma?
Stent graft vs. reparo aberto na ilíaca de emergência: quando usar cada um?
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