Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — N2

Trauma Vascular Cervical: Penetrante, BCVI e Abordagem Pan-Cervical

ESVS 2025 Recs 19–39: abordagem pan-cervical sem zonas I-III, AngioTC para todos sem indicação cirúrgica imediata (sensib. 97-100%), reconstrução da carótida preferida à ligadura, BCVI — antiagregação simples como primeira linha e stenting NÃO de rotina.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: Trauma penetrante cervical: AngioTC para TODOS sem indicação cirúrgica imediata (Rec 20, Classe I-B); reconstrução da carótida preferida à ligadura se tecnicamente viável (Rec 22, Classe I-C). BCVI: AngioTC incluindo vasos intracranianos (Rec 29, Classe I-B); antiagregação plaquetária simples como primeira linha (Rec 31, 37, Classe I-C); stenting de rotina NÃO recomendado (Rec 32, Classe IIIb-C). ESVS 2025.

O trauma vascular cervical engloba lesões penetrantes (ferimentos por arma branca ou de fogo) e lesões contusas (BCVI — Blunt Cervical Vascular Injury). As ESVS 2025 introduzem uma mudança fundamental: a abolição das zonas anatômicas cervicais I-III em favor de uma abordagem pan-cervical baseada em AngioTC — com sensibilidade e especificidade de 97–100%.

Abordagem Pan-Cervical — Fim das Zonas I-III

A classificação em zonas I-III foi desenvolvida antes da era da AngioTC. Com a tomografia angiográfica alcançando sensibilidade e especificidade de 97–100%, a abordagem pan-cervical — avaliação de todo o pescoço sem divisão em zonas — melhora o diagnóstico e reduz explorações cirúrgicas negativas.

🚨 Rec 19 (Classe I-C)

Hemorragia ativa ou hematoma cervical expansivo → exploração cirúrgica imediata sem aguardar imagem.

✅ Rec 20 (Classe I-B)

Todos SEM indicação cirúrgica imediata → AngioTC de todo o pescoço (sensibilidade 97–100%).

Trauma Penetrante — Carótida por Grau ESVS

Grau ESVSLesãoManejo
Grau 1Lesão intimalAntitrombótico + vigilância (Rec 21, IIb-C)
Grau 2Pseudoaneurisma contidoReparo urgente aberto ou stent graft
Grau 3Hemorragia livreReparo aberto emergência (Rec 22: reconstrução > ligadura)
Grau XOclusãoIndividualizado: reconstrução vs. ligadura vs. antitrombótico

Rec 22 (Classe I-C) — Reconstrução > Ligadura

Reconstrução da carótida comum ou interna é recomendada quando a fisiologia permite e é tecnicamente viável. Ligadura da CCA: mortalidade 21%; ICA: mortalidade 25%, déficit neurológico em 56% — versus reparo arterial com mortalidade de 7%.

BCVI — Trauma Cervical Contuso

Rastreamento — Critérios de Denver Modificados

Rec 28 (Classe IIIb-C)

Exame clínico isolado NÃO é recomendado para excluir lesão cervical vascular no trauma contuso.

Rec 29 (Classe I-B)

AngioTC incluindo vasos intracranianos é recomendada para todos com risco de BCVI (≥1 critério de Denver).

Principais critérios de Denver Modificados: fratura Le Fort II/III, fratura de mandíbula, fratura craniana complexa, TBI grave (GCS <6), fratura/subluxação cervical, near hanging, seat belt sign cervical com edema, TBI com lesão torácica.

Manejo do BCVI por Grau

GrauManejoRec / Classe
1Antiagregação simples + vigilânciaRec 31 / I-C
2Antiagregação + vigilância; stenting NÃO de rotinaRec 32 / IIIb-C (stenting)
3Reparo aberto ou stent graftRec 34 / I-C
X sem sintomasAntiagregação simplesRec 35 / IIa-C
X com sintomasIndividualizado (duração, infarto no TC)Rec 36 / IIa-C

⛔ Rec 32 (Classe IIIb-C) — Stenting NÃO de Rotina

Evidência atual indica que AVC e mortalidade podem ser maiores com stent do que com antiagregação isolada para BCVI Graus 1-2 sem sangramento ativo.

Antitrombóticos no BCVI: Antiagregação > Anticoagulação

Meta-análise: taxa de AVC similar entre antiagregação e anticoagulação no BCVI; sangramentos significativamente menores com antiagregação versus heparina (OR 0,16). Em politraumatizados com alto risco hemorrágico, a antiagregação é a escolha mais segura.

Rec 39 (Classe IIa-C) — Vigilância

AngioTC de controle em 1 semana e 3 meses para BCVI Graus 1 ou 2 em tratamento não-operatório com antiagregação.

Referência

Wahlgren CM, Riddez L, Orban P, et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Vascular Trauma. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;69:179–237.

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Perguntas Frequentes

Por que as zonas cervicais I-III foram abandonadas na ESVS 2025?
As zonas anatômicas I-III foram desenvolvidas antes da disponibilidade da AngioTC e visavam guiar a abordagem cirúrgica baseada na localização da lesão. Com a AngioTC alcançando sensibilidade e especificidade de 97–100%, a abordagem pan-cervical — sem divisão em zonas — melhora a acurácia diagnóstica, reduz explorações cirúrgicas negativas e permite planejamento endovascular mais preciso.
Quando ligar versus reconstruir a artéria carótida interna no trauma penetrante?
A reconstrução é recomendada sempre que tecnicamente viável e a fisiologia do paciente permitir (Rec 22, Classe I-C). A ligadura da carótida interna tem mortalidade de 25% e déficit neurológico pós-ligadura em 56% dos casos; o reparo arterial reduz a mortalidade para 7%. Em 12 dos 15 pacientes com déficit neurológico pré-operatório, o reparo arterial resultou em melhora neurológica.
Por que o stenting de rotina não é recomendado no BCVI?
A Rec 32 (Classe IIIb-C) contraindicou o stenting de rotina porque evidências atuais indicam que a taxa de AVC e mortalidade pode ser maior com stent do que com antiagregação isolada para BCVI Graus 1 e 2 sem sangramento ativo. O stenting pode ser considerado seletivamente para Grau 2 com pseudoaneurisma crescente ou sintomas neurológicos (Rec 33, Classe IIb-C).
Qual antitrombótico usar no BCVI: aspirina ou anticoagulação?
A antiagregação simples é preferida pela ESVS 2025. Uma meta-análise demonstrou que a taxa de AVC é similar entre antiagregação e anticoagulação no BCVI, mas os sangramentos são significativamente menores com antiagregação versus heparina (OR 0,16). Em pacientes politraumatizados com alto risco hemorrágico, a antiagregação é claramente a escolha mais segura.
Quais são os critérios de Denver modificados para rastreamento de BCVI?
Os critérios incluem: sinais (hemorragia arterial do pescoço/nariz/boca, sopro cervical <50 anos, hematoma cervical expansivo, déficit neurológico focal, AVC no TC) e fatores de risco (fratura Le Fort II/III, fratura de mandíbula, fratura craniana complexa, TBI grave GCS<6, fratura/subluxação cervical, near hanging, abrasão de cinto com edema cervical, TBI com lesão torácica, avulsão de couro cabeludo, fratura de costela superior). A presença de ≥1 critério indica AngioTC incluindo vasos intracranianos.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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