Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2023 — E5

CEA na Estenose Carotídea Sintomática: Técnica, Anestesia, Patch e Complicações — ESVS 2023

As Diretrizes ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) tomam posição técnica baseada em evidências: patch Grau 1A (Cochrane: -52% AVC, -74% reestenose), anestesia local ou geral sem diferença (GALA trial, 3.526 pacientes), shunting seletivo por critérios intraoperatórios e protocolo de vigilância de complicações.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: GALA trial (3.526 pacientes): anestesia local e geral são equivalentes em desfechos de AVC/morte na CEA. Patch (fechamento com remendo — Cochrane): reduz AVC perioperatório em 52% e reestenose em 74% vs sutura primária. Shunt seletivo guiado por monitoramento neurológico intraoperatório é preferido ao shunt de rotina — ESVS 2023 E5.

A técnica importa na CEA. A ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) toma posição com base em metanálises Cochrane e no maior trial de anestesia já realizado: patch sempre (Grau 1A), anestesia pela preferência do time, shunting seletivo por critérios fisiológicos. Entenda o racional e as evidências.

Infográfico: técnica de CEA — GALA trial, Cochrane patch, shunting seletivo — ESVS 2023

CEA Convencional vs Eversão — Equivalência com Perfis Diferentes

CEA Convencional

Arteriotomia longitudinal + remoção da placa + fechamento com patch

Vantagens

  • Acesso a placa longa ou que se estende além da bifurcação
  • Facilidade técnica para inserção de shunt
  • Maior controle em placa calcificada ou complexa

Limitações

  • Sutura lateral → maior risco de kinking tardio
  • Depende do patch para fechamento adequado

CEA por Eversão

Transecção oblíqua na bifurcação + eversão da íntima + reimplante

Vantagens

  • Sem sutura lateral → menor risco de kinking tardio
  • Menor tempo de clampeamento em mãos experientes
  • Anatomia final mais fisiológica

Limitações

  • Dificulta o uso de shunt (se necessário)
  • Controle limitado em placas muito longas

ESVS 2023: Ambas as técnicas são equivalentes em desfechos (AVC, morte, reestenose). A escolha deve ser baseada no treinamento do cirurgião e nas características anatômicas da placa — não existe técnica universalmente superior.

GALA Trial — O Maior Estudo sobre Anestesia na CEA

3.526

Pacientes

Maior RCT sobre anestesia em CEA

95

Centros

Hospitais em 24 países

Lancet 2008

Publicação

Lewis et al.

Anestesia Local

4,8%

AVC/IAM/morte 30d

=

Anestesia Geral

4,8%

AVC/IAM/morte 30d

Sem diferença estatística — p = NS

Anestesia Local — Vantagens

  • → Monitoramento neurológico em tempo real (fala durante clampeamento)
  • → Menor instabilidade hemodinâmica
  • → Sem complicações de intubação

Anestesia Geral — Vantagens

  • → Conforto para o paciente (ansioso ou claustrofóbico)
  • → Campo operatório quieto para o cirurgião
  • → Maior controle em complicações intraoperatórias

ESVS 2023: Escolha baseada em preferência local, experiência do time anestésico e preferência do paciente.

Patch de Fechamento — Evidência Grau 1A pela Cochrane

Grau 1A — Use sempreMetanálise Cochrane 2021

AVC Perioperatório

Sem patch
2,1%
Com patch
1,0%

↓ 52% de redução relativa

Reestenose ≥50% a 1 ano

Sem patch
5,3%
Com patch
1,4%

↓ 74% de redução relativa

Veia Safena

+ Mais fisiológica, menor reação inflamatória

Morbidade da coleta, risco de dilatação tardia

PTFE (ePTFE)

+ Zero infecção, disponível, sem morbidade de coleta

Mais rígido, pode ter trombose precoce se diâmetro <6mm

Dacron

+ Amplamente disponível, baixo custo

Maior reação inflamatória que PTFE, risco de infecção

Shunting Seletivo — Quando o Cérebro Precisa de Perfusão

O shunting rotineiro não demonstrou superioridade sobre o seletivo. O shunting nunca (não usar em nenhum caso) não é recomendado. A ESVS 2023 recomenda shunting seletivo baseado em critérios fisiológicos intraoperatórios:

Stump pressure < 50 mmHg

Pressão residual no coto da carótida interna após clampeamento — indica perfusão colateral insuficiente pelo polígono de Willis

Alteração de EEG ou PESS

Eletroencefalograma ou potenciais evocados somatossensitivos — isquemia cortical detectada após clampeamento

Déficit neurológico na vigília

Paciente sob anestesia locoregional apresenta déficit ao teste motor durante clampeamento — critério mais específico

TCD: queda de velocidade > 50%

Doppler transcraniano monitora ACM ipsilateral — queda após clampeamento indica fluxo colateral inadequado

A presença de qualquer um desses critérios indica inserção de shunt.

Complicações — Prevenção e Conduta Imediata

🧠

AVC Perioperatório

Mecanismo: Origem embólica em 80% dos casos (placa, trombo, ar)

Prevenção: Use patch, minimize manipulação da placa antes do clampeamento, shunt seletivo quando indicado

Conduta: TCD intraoperatório alerta; angiografia urgente se déficit pós-operatório

🗣️

Lesão do Nervo Hipoglosso (XII)

Mecanismo: Tração ou transecção durante dissecção — causa desvio da língua

Prevenção: Identificar o nervo antes de tracionar ventralmente a carótida

Conduta: 90% recuperam em 3–6 meses; fonoaudiologia se disfagia

📢

Lesão do Nervo Vago (X)

Mecanismo: Dissecção posterolateral — causa rouquidão e bradicardia

Prevenção: Cuidado na dissecção posterior à carótida comum

Conduta: Avaliação otorrinolaringológica; maioria melhora em 3–6 meses

🔴

Hematoma Cervical

Mecanismo: Sangramento da loja cirúrgica com compressão de vias aéreas

Prevenção: Hemostasia rigorosa; não fechar drenagem sob tensão

Conduta: Drenar emergencialmente se compressão de vias aéreas — NÃO esperar TC

💥

Síndrome de Hiperperfusão

Mecanismo: Perda de autorregulação após revascularização brusca

Prevenção: Controlar PA <150 mmHg nas 48h pós-CEA

Conduta: Cefaleia intensa + PA elevada = alerta para AVC hemorrágico; TC urgente

Referências

  1. Naylor AR, Ricco JB, de Borst GJ, et al. Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease: 2023 Clinical Practice Guidelines of the ESVS. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2023;65(1):7-111.
  2. Lewis SC, Warlow CP, Bodenham AR, et al. General anaesthesia versus local anaesthesia for carotid surgery (GALA): a multicentre, randomised controlled trial. Lancet. 2008;372(9656):2132-42.
  3. Rerkasem A, Rothwell PM. Patch angioplasty versus primary closure for carotid endarterectomy. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(4):CD000160.
  4. Paraskevas KI, Robertson V, Saratzis AN, et al. An updated systematic review and meta-analysis of outcomes following eversion vs. conventional carotid endarterectomy in randomised controlled trials and observational studies. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2018;55(4):465-73.
  5. Brott TG, Hobson RW 2nd, Howard G, et al. Stenting versus endarterectomy for treatment of carotid-artery stenosis (CREST). N Engl J Med. 2010;363(1):11-23.
  6. Jansen C, Moll FL, Vermeulen FE, et al. Continuous transcranial Doppler ultrasonography and electroencephalography during carotid endarterectomy: a multimodal monitoring study. Anesth Analg. 1993;77(3):460-5.

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Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre CEA convencional e CEA por eversão?
Na CEA convencional, realiza-se uma arteriotomia longitudinal na carótida comum e interna, remove-se a placa, e o fechamento é feito com patch. Na CEA por eversão, realiza-se uma transecção oblíqua na bifurcação carotídea, a carótida interna é "eversa" (virada de dentro para fora) para remoção da placa, e depois reposicionada. A eversão tem como vantagem a ausência de sutura lateral (menor risco de kinking tardio) e o menor tempo de clampeamento. A convencional facilita o uso de shunt e dá mais controle em placas longas ou complexas. A ESVS 2023 considera as duas técnicas equivalentes em desfechos — a escolha deve ser baseada no treinamento do cirurgião.
O que mostrou o GALA Trial sobre anestesia na CEA?
O GALA (General Anaesthesia versus Local Anaesthesia for Carotid Surgery) randomizou 3.526 pacientes em 95 hospitais para anestesia geral vs locoregional. O desfecho primário (AVC, infarto do miocárdio ou morte a 30 dias) foi idêntico: 4,8% em ambos os grupos. A anestesia locoregional tem a vantagem de permitir monitoramento neurológico em tempo real (o cirurgião fala com o paciente durante o clampeamento), menor instabilidade hemodinâmica e ausência de complicações de intubação. A anestesia geral oferece maior conforto para o paciente e campo operatório quieto para o cirurgião. A ESVS 2023 recomenda que a escolha seja baseada na preferência local, experiência do time e preferência do paciente.
Por que a ESVS 2023 recomenda patch de fechamento com Grau 1A?
A metanálise Cochrane (2021) comparando fechamento primário vs patch na CEA demonstrou: sem patch — AVC perioperatório 2,1% e reestenose ≥50% a 1 ano em 5,3%; com patch — AVC perioperatório 1,0% (redução de 52%) e reestenose 1,4% (redução de 74%). A superioridade do patch foi consistente independente do material (veia safena, PTFE ou Dacron). A ESVS 2023 classifica essa recomendação como Grau 1A — aplique patch rotineiramente em todos os pacientes.
Quais são os critérios para inserir shunt durante a CEA?
A ESVS 2023 recomenda shunting seletivo baseado em critérios intraoperatórios, pois o shunting rotineiro não demonstrou superioridade. Os critérios para inserir shunt são: (1) Stump pressure <50 mmHg — pressão residual no coto da carótida interna após clampeamento; (2) Alteração de EEG ou potenciais evocados somatossensitivos (PESS) após clampeamento; (3) Déficit neurológico na vigília (paciente sob anestesia locoregional apresenta déficit ao teste motor durante clampeamento); (4) TCD mostrando queda de velocidade >50% após clampeamento. A presença de qualquer um desses critérios indica inserção de shunt.
Quais são as principais complicações da CEA e como preveni-las?
As principais complicações são: (1) AVC perioperatório: em 80% dos casos tem origem embólica — prevenção: use patch, minimize a manipulação da placa antes do clampeamento, aplique shunt seletivo quando indicado; (2) Lesão do nervo hipoglosso (XII): identificar antes de tracionar ventralmente — recuperação em 90% dos casos em 3–6 meses; (3) Lesão do nervo vago (X): bradicardia e rouquidão — cuidado na dissecção posterolateral; (4) Hematoma cervical: hemostasia rigorosa — drenar emergencialmente se houver compressão de vias aéreas (não esperar TC); (5) Síndrome de hiperperfusão: controlar PA <150 mmHg nas 48h pós-CEA — cefaleia intensa + PA elevada = sinal de alerta para AVC hemorrágico.
Qual o papel do TCD no monitoramento intraoperatório da CEA?
O Doppler transcraniano intraoperatório monitora a artéria cerebral média ipsilateral durante a CEA. Ele detecta: (1) Microêmbolos durante a dissecção e manipulação da placa; (2) Queda de velocidade >50% após clampeamento — critério para inserção de shunt; (3) Hiperfluxo após a reabertura — marcador de síndrome de hiperperfusão. O TCD é o método mais sensível para detecção de microembolização intraoperatória. O EEG monitora a função cortical global e detecta isquemia por baixo fluxo. Os dois métodos são complementares — centros com alta volume tendem a usar pelo menos um deles rotineiramente.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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