CEA vs Stenting Carotídeo Transfemoral (TF-CAS) na Estenose Carotídea Sintomática — SVS DCV 2022 G2
O SVS DCV 2022 Guideline 2 (AbuRahma et al., J Vasc Surg 2022;75:4S-22S) emite a recomendação mais forte da série: CEA é recomendada sobre TF-CAS em pacientes de baixo e médio risco com estenose sintomática >50% (Grau 1A). EVA-3S, SPACE, ICST e CREST demonstraram consistentemente menor risco perioperatório com CEA. O TCAR surge como alternativa para alto risco cirúrgico.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: CEA é recomendada sobre TF-CAS em estenose carotídea sintomática >50% em pacientes de baixo e médio risco cirúrgico (Grau 1A — SVS DCV 2022 G2). TF-CAS é aceito em alto risco cirúrgico (Grau 2B). O CREST trial (2.502 pacientes) demonstrou equivalência de CEA e CAS em desfecho composto, mas CAS com mais AVC e CEA com mais IAM perioperatório.
O Guideline 2 das Diretrizes SVS DCV 2022 (AbuRahma et al., J Vasc Surg 2022;75(1S):4S-22S) emite a recomendação mais forte da série: CEA sobre TF-CAS (Grau 1A — evidência alta). Quatro ensaios randomizados, 4.754 pacientes, resultado consistente. O TCAR (Transcarotid Artery Revascularization) emerge como terceira via para pacientes de alto risco cirúrgico.

Recomendação 2.1 — SVS DCV 2022
Recomendamos CEA sobre TF-CAS em pacientes de baixo e médio risco cirúrgico com estenose carotídea sintomática >50%.
Comparação: CEA × TF-CAS × TCAR
| Critério | CEA | TF-CAS | TCAR |
|---|---|---|---|
| AVC perioperatório (30 dias) | 3,2% | 6,0% | 0,6% |
| Grau de recomendação SVS | 1A (preferido) | Não preferido | Alto risco cirúrgico |
| Acesso | Incisão cervical | Femoral → arco aórtico | Incisão cervical baixa |
| Proteção cerebral | Shunt seletivo | Filtro distal | Fluxo reverso contínuo |
| Risco de lesão de nervos | < 5% | Mínimo | < CEA |
| Indicação principal | Baixo/médio risco | Não recomendado como 1ª linha | Alto risco anatômico/fisiológico |
Ensaios Randomizados — 4.754 Pacientes Sintomáticos
EVA-3S
Favorece CEA527 pacientes
AVC 30d: 3,9% (CEA) vs 9,6% (CAS)
RR qualquer AVC ou morte: 2,5 (IC 95%: 1,2-5,1)
SPACE
Favorece CEA1.200 pacientes
Interrompido — impossível provar não-inferioridade do CAS
AVC ipsilateral 30d: 6,84% (CAS) vs 6,34% (CEA)
ICST
Favorece CEA1.713 pacientes
AVC ou morte 30d: 7,7% (CAS) vs 4,1% (CEA)
Risco com CAS mais que o dobro do grupo CEA
CREST
Favorece CEA2.502 pacientes
AVC+morte 30d: 6,0% (CAS) vs 3,2% (CEA)
HR 1,89 (IC 95%: 1,11-3,21; P <0,02)
TCAR — Quando Preferir ao TF-CAS e à CEA
ROADSTER-1 e ROADSTER-2 — Resultados
AVC/morte 30d (por protocolo)
0,6%
Resultado vs TF-CAS
Superior
Resultado vs CEA
Comparável
Indicações para TCAR (alto risco anatômico/fisiológico):
NASCET e ECST — A Base para a Indicação de CEA no Sintomático
Antes de comparar CEA vs CAS, é fundamental entender por que a CEA é superior ao tratamento clínico isolado no sintomático — estabelecido pelos dois maiores trials históricos:
NASCET — North American Symptomatic CEA Trial
Estenose >70%:
AVC a 2 anos — RRR 65%, ARR 17%
Estenose 50–69%: CEA 15,7% vs clínico 22,2% a 5 anos — benefício menor, mas significativo
ECST — European Carotid Surgery Trial
Resultados a 3 anos:
AVC a 3 anos — ARR 11,6%
Conclusão: O benefício da CEA e o risco sem cirurgia aumentam linearmente com o grau de estenose
Resultados do Mundo Real — Registros VQI e VSNE
Uma preocupação legítima é se os resultados dos RCTs — conduzidos em centros de excelência com operadores altamente selecionados — se reproduzem na prática real. Os dados registrais respondem isso:
VQI (Vascular Quality Initiative) — 52.000 procedimentos
CEA 2,3% vs CAS 3,6% (stroke+morte, sintomáticos de alto risco pelo Medicare)
HR 2,23 (IC 95%: 1,58–3,15; p<0,001) favorecendo CEA. Taxa 2× maior com CAS na população geral e no coorte propensity-matched.
Vascular Study Group of New England (VSNE)
CEA 1,6% vs CAS 5,1% (stroke+morte, sintomáticos)
Diferença ainda maior que nos RCTs — reflete menor experiência operacional com CAS no mundo real vs centros dos trials.
VQI — Análise TCAR vs TF-CAS (3.286 pacientes propensity-matched)
TCAR 1,6% vs TF-CAS 3,1% (stroke+morte intra-hospitalar)
RR 0,51 (IC 95%: 0,37–0,72) — TCAR reduz risco em 49% vs TF-CAS em contexto de mundo real.
Análise de longo prazo (pooled EVA-3S + SPACE + ICST + CREST — 4.754 pacientes): Risco de AVC ou morte a 120 dias — CEA 5,5% vs CAS 8,7% (diferença 3,2%; IC 95%: 1,7–4,7). Após os 120 dias iniciais, as curvas convergem — taxa anual ipsilateral: CEA 0,60% vs CAS 0,64% (sem diferença). Conclusão: ambos são igualmente duráveis a longo prazo, mas a CEA tem vantagem no período perioperatório.
Referências
- AbuRahma AF, Avgerinos ED, Chang RW, et al. Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines for management of extracranial cerebrovascular disease. J Vasc Surg. 2022;75(1S):4S-22S.
- Barnett HJ, Taylor DW, Eliasziw M, et al. Benefit of carotid endarterectomy in patients with symptomatic moderate or severe stenosis (NASCET). N Engl J Med. 1998;339(20):1415-25.
- Mas JL, Chatellier G, Beyssen B, et al. Endarterectomy versus stenting in patients with symptomatic severe carotid stenosis (EVA-3S). N Engl J Med. 2006;355(16):1660-71.
- International Carotid Stenting Study investigators. Carotid artery stenting compared with endarterectomy in patients with symptomatic carotid stenosis (ICST). Lancet. 2010;375(9719):985-97.
- Brott TG, Hobson RW 2nd, Howard G, et al. Stenting versus endarterectomy for treatment of carotid-artery stenosis (CREST). N Engl J Med. 2010;363(1):11-23.
- Kwolek CJ, Jaff MR, Leal JI, et al. Results of the ROADSTER multicenter trial of transcarotid stenting with dynamic flow reversal. J Vasc Surg. 2015;62(5):1227-34.
- Schermerhorn ML, Liang P, Dakour-Aridi H, et al. In-hospital outcomes of transcarotid artery revascularization and carotid endarterectomy in the VQI (ROADSTER-2). J Vasc Surg. 2020;72(5):1594-602.
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Perguntas Frequentes
Por que a CEA é preferida ao stenting carotídeo transfemoral no paciente sintomático?
O que é o TCAR e quando está indicado?
O que mostrou o NASCET sobre CEA vs tratamento clínico no sintomático?
Quais critérios definem alto risco cirúrgico para considerar CAS em vez de CEA?
Quando o stenting carotídeo (TF-CAS ou TCAR) pode ser preferido à CEA?
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