Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS DCV 2022 — D1

Estenose Carotídea Assintomática: Quando Indicar a Endarterectomia Carotídea (CEA)?

O SVS DCV 2022 Guideline 1 (AbuRahma et al., J Vasc Surg 2022;75:4S-22S) recomenda CEA com tratamento clínico maximizado sobre tratamento clínico isolado para prevenção de AVC a longo prazo em pacientes assintomáticos com estenose ≥70% e baixo risco cirúrgico (Grau 1B). O risco perioperatório <3% é condição obrigatória para o benefício.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: A SVS DCV 2022 recomenda CEA sobre tratamento clínico máximo para estenose carotídea assintomática ≥70% em pacientes de baixo risco cirúrgico (Grau 1B). Deve ser realizada em centros com morbimortalidade perioperatória <3%. Rastreamento por Duplex scan é recomendado em assintomáticos com fatores de risco — SVS DCV 2022 Guideline 1.

O Guideline 1 das Diretrizes SVS DCV 2022 (AbuRahma et al., J Vasc Surg 2022;75(1S):4S-22S) aborda a indicação de endarterectomia carotídea (CEA) no paciente assintomático de baixo risco cirúrgico. A questão central: CEA ou tratamento clínico maximizado? A recomendação é forte (Grau 1B), baseada nos ensaios ACAS e ACST, com uma condição inegociável: risco perioperatório <3%.

Infográfico: estenose carotídea assintomática — CEA vs tratamento clínico — SVS DCV 2022 G1

Recomendação 1.1 — SVS DCV 2022

Guideline 1.1Grau 1B — Forte / Evidência Moderada

Em pacientes de baixo risco cirúrgico com aterosclerose assintomática da bifurcação carotídea e estenose >70% (documentada por duplex ultrassom validado ou CTA/angiografia), recomendamos CEA associada ao tratamento clínico maximizado em vez do tratamento clínico máximo isolado para prevenção de AVC e morte a longo prazo.

Critérios de Indicação

Critérios que FAVORECEM a CEA

Estenose carotídea≥ 70%
Risco cirúrgicoBaixo
Expectativa de vida≥ 5 anos
Risco perioperatório estimado< 3%
DocumentaçãoDuplex validado ou CTA/angio

Situações que CONTRAINDICAM a CEA

Risco perioperatório > 3%
Expectativa de vida < 5 anos
AVC recente incapacitante ipsilateral
Oclusão carotídea completa
Comorbidades graves (cardíaca, pulmonar)
Recusa do paciente após informação completa

Base de Evidência — ACAS e ACST

ACAS — Asymptomatic Carotid Atherosclerosis Study

N: 1.662 pacientes, estenose >60% assintomática

Comparação: CEA + AAS vs AAS isolado

Desfecho primário (5 anos):

Grupo CEA5,1%
Grupo clínico11,0%

Redução de risco: 53% (IC 95%: 22-72%)

ACST — Asymptomatic Carotid Surgery Trial

N: 3.120 pacientes, estenose assintomática

Comparação: CEA imediata vs tratamento clínico

Desfecho (5 anos):

Grupo CEA4,1%
Grupo clínico10,0%

IC 95%: 4,0-7,8% | 10 anos: 13,3% vs 17,9%

Tratamento Clínico Maximizado — Obrigatório em Todos os Casos

💊

Antiagregação

AAS 100mg/dia ou clopidogrel 75mg/dia

📉

Estatina alta potência

Alvo LDL < 70 mg/dL

🩺

Anti-hipertensivo

Alvo PA < 130/80 mmHg

🚭

Cessação tabágica

Maior fator de risco modificável

O ACST demonstrou que pacientes em uso de terapia hipolipemiante no braço CEA apresentaram menor incidência de AVC (0,7% vs 1,3% ao ano; P <0,0001) em relação aos sem terapia. O tratamento clínico moderno pode reduzir — mas não eliminar — o benefício adicional da CEA.

Algoritmo de Decisão

Estenose ≥70% + baixo risco cirúrgico + expectativa ≥5 anos

CEA + tratamento clínico maximizado

Grau 1B

Estenose 50-69% assintomática

Decisão individualizada; tratamento clínico preferível na maioria

Estenose <50% assintomática

Tratamento clínico maximizado isolado

Qualquer estenose + alto risco cirúrgico

Tratamento clínico maximizado; evitar CEA

Oxford Vascular Study — Risco por Grau de Estenose com BMT Contemporânea

Howard et al. conduziram um estudo de coorte prospectivo (Oxford Vascular Study) com 2.354 pacientes consecutivos para avaliar o risco de AVC ipsilateral com a melhor terapia clínica contemporânea, estratificado pelo grau de estenose assintomática:

Estenose 50 a &lt;70%

0%

AVC ipsilateral a 5 anos

154 pacientes — nenhum AVC ipsilateral em 5 anos com BMT contemporânea

Estenose 70 a 99%

14,6%

AVC ipsilateral a 5 anos

53 pacientes — risco ipsilateral substancial mesmo com BMT contemporânea

Estenose 80 a 99%

18,3%

AVC ipsilateral a 5 anos

34 pacientes — risco ainda maior no subgrupo de estenose mais grave

Implicação clínica: Na revisão sistemática de 56 estudos (13.717 pacientes), o risco de AVC ipsilateral foi linearmente associado ao grau de estenose (p<0,0001). Pacientes com estenose 70-99% tiveram OR 2,1 para AVC ipsilateral vs estenose 50-69% (p<0,0001). Os autores concluíram que o benefício da CEA pode ter sido subestimado nos pacientes com estenose grave (>70%), especialmente no subgrupo 80-99%.

Impacto das Estatinas no ACST — Evidência Direta

Com terapia hipolipemiante

Grupo CEA

0,7%/ano

Grupo clínico

1,3%/ano

Diferença menor — benefício da CEA reduzido com estatinas

Sem terapia hipolipemiante

Grupo CEA

1,8%/ano

Grupo clínico

3,3%/ano

Diferença maior — CEA com maior benefício absoluto sem estatinas

Conclusão: A BMT moderna (com estatinas de alta potência) reduz o risco de AVC no assintomático e diminui o benefício marginal da CEA. Isso fundamenta a posição mais criteriosa da ESVS 2023, que exige fatores de alto risco pelo ECST-2 além da estenose — diferente desta diretriz SVS DCV 2022, que usa apenas estenose ≥70% + baixo risco cirúrgico.Ver ESVS 2023 E3 →

Questões em Aberto — Trials em Andamento

CREST-2

Compara CEA + BMT vs BMT isolada e CAS + BMT vs BMT isolada em pacientes assintomáticos com estenose ≥70%.

Questão central: a BMT contemporânea é equivalente ou superior à CEA no assintomático? Resultados esperados nos próximos anos.

SPACE-2

Compara CEA vs CAS vs BMT isolada em pacientes assintomáticos — desenhado para responder o que os trials dos anos 1990 não puderam.

Encerrado precocemente por dificuldade de recrutamento — o paradoxo dos trials modernos: à medida que a BMT melhora, os pacientes relutam em ser randomizados.

Referências

  1. AbuRahma AF, Avgerinos ED, Chang RW, et al. Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines for management of extracranial cerebrovascular disease. J Vasc Surg. 2022;75(1S):4S-22S.
  2. Executive Committee for the Asymptomatic Carotid Atherosclerosis Study. Endarterectomy for asymptomatic carotid artery stenosis. JAMA. 1995;273(18):1421-8.
  3. Halliday A, Mansfield A, Marro J, et al. Prevention of disabling and fatal strokes by successful carotid endarterectomy in patients without recent neurological symptoms (ACST-1). Lancet. 2004;363(9420):1491-502.
  4. Halliday A, Harrison M, Hayter E, et al. 10-year stroke prevention after successful carotid endarterectomy for asymptomatic stenosis (ACST-1). Lancet. 2010;376(9746):1074-84.
  5. Howard VJ, Meschia JF, Lal BK, et al. Carotid artery intima-media thickness, stenosis, and cardiovascular risk in a diverse US population (CARES). JAMA Cardiol. 2022;7(7):721-9.
  6. Naylor AR, Ricco JB, de Borst GJ, et al. Editor's Choice — Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease: 2017 Clinical Practice Guidelines of the ESVS. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2018;55(1):3-81.

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Perguntas Frequentes

Qual o grau de estenose para indicar CEA no paciente assintomático?
O SVS DCV 2022 recomenda CEA para estenose carotídea ≥70% documentada por duplex ultrassom validado ou CTA/angiografia, em pacientes assintomáticos de baixo risco cirúrgico (Grau 1B). Para estenoses entre 50-69%, os benefícios são mais modestos e a indicação deve ser individualizada. O ACAS demonstrou superioridade da CEA sobre tratamento antiagregante para estenoses >60% (5,1% vs 11,0% de AVC a 5 anos, redução de risco agregada de 53%). A estenose deve ser medida por critérios hemodinâmicos ao duplex (velocidade sistólica de pico ≥125 cm/s para ≥50%; velocidade sistólica de pico ≥230 cm/s e diastólica final ≥100 cm/s para ≥70%).
O que define baixo risco cirúrgico para indicação de CEA no assintomático?
O critério fundamental é que o risco perioperatório combinado de AVC e morte deve ser <3% para que haja benefício da CEA sobre o tratamento clínico. Pacientes de baixo risco apresentam: ausência de cardiopatia grave, ausência de doença pulmonar obstrutiva severa, sem histórico de radioterapia cervical, anatomia carotídea favorável, pescoço acessível e sem cirurgia cervical prévia. Pacientes de risco intermediário ou alto — aqueles com comorbidades significativas, anatomia desfavorável ou expectativa de vida <5 anos — têm indicação mais questionável. O ACAS recomendava CEA para pacientes <80 anos desde que a taxa esperada de AVC e mortalidade do cirurgião fosse <3%.
O que mostram o ACAS e ACST sobre CEA na estenose assintomática?
O ACAS (Asymptomatic Carotid Atherosclerosis Study) randomizou 1.662 pacientes com estenose assintomática >60% para CEA vs terapia antiagregante. Demonstrou superioridade da CEA: 5,1% de AVC nos pacientes cirúrgicos vs 11,0% nos clínicos em 5 anos (IC 95%: 22-72%). O ACST (Asymptomatic Carotid Surgery Trial) randomizou 3.120 pacientes para CEA imediata vs tratamento clínico. Mostrou vantagem da CEA em limitar AVC e morte a 5 anos (4,1% vs 10%; IC 95%: 4,0-7,8%). Os resultados de longo prazo do ACST (Halliday et al.) confirmaram a efetividade aos 10 anos: taxas perioperatórias e de AVC a 10 anos foram significativamente menores no grupo CEA (13,3% vs 17,9%). A validade desses estudos no cenário atual de tratamento clínico moderno (estatinas de alta potência) é questionada — os ensaios SPACE-II e CREST-2 foram desenhados para responder essa questão.
Qual o papel do tratamento clínico maximizado na estenose carotídea assintomática?
O tratamento clínico maximizado é o eixo central do manejo da estenose carotídea assintomática — mesmo quando a CEA é indicada, deve ser mantido concomitantemente. Inclui: antiagregação plaquetária (AAS ou clopidogrel), estatina de alta potência (alvo LDL <70 mg/dL), controle rigoroso da pressão arterial (alvo <130/80 mmHg), cessação do tabagismo e controle glicêmico. O ACST revelou que pacientes em uso de terapia hipolipemiante no braço CEA apresentaram menor incidência de AVC (0,7% vs 1,3% anualmente; P <0,0001) em relação aos que não utilizavam. A questão de se o tratamento clínico moderno — incluindo estatinas de alta potência — é equivalente ou superior à CEA ainda não foi definitivamente respondida por ensaios bem desenhados e financiados prospectivos.
Quando NÃO indicar CEA na estenose carotídea assintomática?
A CEA não está indicada nas seguintes situações: (1) Pacientes de risco cirúrgico intermediário ou alto cuja taxa perioperatória estimada de AVC e morte supera 3%; (2) Expectativa de vida <5 anos — o benefício da CEA é acumulado ao longo do tempo e não compensa o risco cirúrgico imediato; (3) Estenose <70% sem fatores de risco adicionais — o benefício é marginal e o risco pode superar o ganho; (4) Oclusão carotídea completa — CEA tecnicamente inviável; (5) AVC recente incapacitante ipsilateral — risco de transformação hemorrágica perioperatória; (6) Recusa do paciente após informação completa sobre riscos e benefícios. Para pacientes de alto risco cirúrgico, o TF-CAS ou o TCAR podem ser considerados, mas a evidência de benefício sobre o tratamento clínico máximo é ainda menos robusta.
Qual o papel do TCAR e do stenting carotídeo (CAS) no paciente assintomático?
O papel do TCAR (Transcarotid Artery Revascularization) e do TF-CAS (transfemoral carotid artery stenting) em pacientes assintomáticos é limitado pela ausência de evidência robusta comparando essas técnicas ao tratamento clínico maximizado. Não existem ensaios randomizados grandes comparando TCAR vs melhor tratamento clínico em assintomáticos — diferente do cenário do TF-CAS vs CEA (CREST, EVA-3S, SPACE, ICST). O SVS DCV 2022 não emite recomendação formal sobre TCAR ou CAS vs tratamento clínico em assintomáticos. A indicação de revascularização por via endovascular em assintomáticos deve ser restrita a centros com experiência e no contexto de protocolos clínicos. A decisão deve priorizar o benefício clínico individual sobre a preferência técnica.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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