Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2023 — E3

Quando Indicar CEA ou CAS na Estenose Carotídea Assintomática — ESVS 2023

As Diretrizes ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) definem três pilares obrigatórios para indicação de CEA no assintomático: estenose ≥60%, centro com morbimortalidade <3% e alto risco pelo ECST-2. O ACST-2 (3.625 pacientes) demonstrou que CEA e CAS têm eficácia similar a 5 anos, com menor risco perioperatório absoluto para a CEA.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 2026⏱ 13 min de leitura

Resposta direta: CEA ou CAS em assintomáticos é indicada quando: risco de AVC estimado >3%/ano com BMT, risco perioperatório <3%, e expectativa de vida >5 anos. O ACST-2 (3.625 pacientes) mostrou equivalência de CEA e CAS em assintomáticos de baixo risco cirúrgico. Em idosos >75 anos, CEA tem vantagem sobre CAS pelo menor risco de microembolização — ESVS 2023 E3.

Com risco de AVC de ~1%/ano com BMT moderna e mortalidade cirúrgica de <0,5%, a janela de benefício da CEA no assintomático existe — mas é estreita e exige paciente certo, centro certo e momento certo. A ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) define com precisão essa tríade, apoiada nos dados do ACST-2.

Infográfico: quando indicar CEA ou CAS na estenose assintomática — ESVS 2023 ACST-2

Os 3 Pilares da Indicação — ESVS 2023

Os três pilares devem ser satisfeitos simultaneamente para que a indicação de CEA seja justificada no assintomático:

①

Grau de Estenose

≥ 60% pelo NASCET

Documentada por Duplex validado, CTA ou ARM. Medida obrigatoriamente pelo método NASCET — não ECST.

Grau 1B
②

Qualidade do Centro

Morbimortalidade < 3%

AVC + morte a 30 dias — dado auditado e não estimado. Se o centro não monitora seus resultados, a indicação não é válida.

Grau 1A
③

Risco pelo ECST-2

Alto risco (≥1 fator)

Microembolização no TCD, silent infarcts, placa GSM <25, progressão ≥3 mm. Diferencial central em relação às SVS DCV 2022.

Grau 2B

Diferencial ESVS 2023 vs SVS DCV 2022: As diretrizes SVS DCV 2022 indicam CEA para estenose ≥70% + baixo risco cirúrgico (2 pilares). A ESVS 2023 exige adicionalmente a presença de fator de alto risco pelo ECST-2 — reconhecendo que a maioria dos assintomáticos com BMT moderna não se beneficia de intervenção.

ACST-2 — O Maior Trial de CEA vs CAS no Assintomático

3.625

Pacientes

Maior RCT CEA vs CAS no assintomático

130

Centros

33 países, seguimento mediano 5 anos

Lancet 2021

Publicação

Halliday et al.

DesfechoCEACASSignificância
AVC ou morte a 30 dias (perioperatório)1,4%2,0%p = 0,17 (NS)
AVC ipsilateral não-fatal a 5 anos2,2%2,5%NS
AVC fatal a 5 anos0,4%0,4%Idêntico
Qualquer AVC a 5 anos5,3%5,3%HR 1,00

Conclusão ESVS 2023 — CEA

Preferencial quando a anatomia é favorável — menor risco perioperatório absoluto (diferença de 0,6 pontos percentuais, embora não significativa no trial)

Conclusão ESVS 2023 — CAS

Aceitável em centros com experiência documentada — eficácia equivalente a longo prazo, indicado quando razões anatômicas ou clínicas desfavorecem a CEA

Quando o CAS Tem Papel no Assintomático

✅ Situações que favorecem CAS

✓Pescoço irradiado ou fibrose por cirurgia cervical prévia
✓Traqueostomia ou estenose tecnicamente alta
✓Alto risco cardíaco para anestesia geral (FE <30%, angina instável)
✓Arco aórtico tipo I, sem calcificação maciça
✓Recusa documentada do paciente à cirurgia aberta

❌ CAS NÃO deve ser escolha-padrão

✕Apenas por preferência operatória do intervencionista
✕Arco aórtico tipo III ou calcificação maciça
✕Tortuosidade significativa da carótida interna
✕Trombo flutuante ou placa instável visível
✕Acesso femoral impossível sem alternativa planejada

Pacientes Idosos (>75 Anos) — O Argumento da Expectativa de Vida

O benefício da CEA no assintomático materializa-se em 3–5 anos. Em pacientes com >75 anos e comorbidades, a expectativa de vida funcional pode ser insuficiente para compensar o risco cirúrgico imediato:

Idoso >75 anos · Sem comorbidades · Ativo funcionalmente

Avaliar pelos 3 pilares normalmente Idade não é contraindicação isolada

Idoso >75 anos · Comorbidades moderadas · (DM, HAS controlados)

Avaliar expectativa de vida ≥5 anos Se sim: indicação pelos pilares ESVS Se não: BMT isolada

Idoso >75 anos · Comorbidades graves · (IC avançada, câncer, demência)

BMT isolada preferencial Benefício cirúrgico improvável Focar em qualidade de vida

Vigilância Pós-Intervenção — CEA e CAS

Pós-CEA

1 mêsDuplex baseline pós-procedimento
6 mesesDuplex de controle
12 mesesDuplex anual
Reestenose ≥70%CAS como 1ª escolha para retratamento

Pós-CAS

1 mêsDuplex baseline pós-stent
6 mesesDuplex de controle
12 mesesDuplex anual
Reestenose in-stentAngioplastia com balão ou re-stenting

Algoritmo de Decisão — ESVS 2023

Estenose ≥60% + centro <3% morbimortalidade + ≥1 fator ECST-2 alto risco

CEA indicada (CAS se razão anatômica/clínica)

Grau 1B

Estenose ≥60% + centro <3% morbimortalidade + SEM fatores ECST-2

BMT otimizada + vigilância Duplex semestral/anual

Grau 2B

Estenose 50–59% assintomática (qualquer perfil)

BMT isolada — benefício cirúrgico não demonstrado

Qualquer estenose + centro >3% morbimortalidade

BMT isolada — risco cirúrgico supera benefício esperado

Paciente >75 anos + expectativa de vida <5 anos

BMT isolada — benefício cirúrgico improvável dentro da janela temporal

Grau 2C

Referências

  1. Naylor AR, Ricco JB, de Borst GJ, et al. Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease: 2023 Clinical Practice Guidelines of the ESVS. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2023;65(1):7-111.
  2. Halliday A, Bulbulia R, Naughten E, et al. Second asymptomatic carotid surgery trial (ACST-2). Lancet. 2021;398(10309):1467-81.
  3. Halliday A, Mansfield A, Marro J, et al. Prevention of disabling and fatal strokes by successful carotid endarterectomy in patients without recent neurological symptoms (ACST-1). Lancet. 2004;363(9420):1491-502.
  4. Kwolek CJ, Jaff MR, Leal JI, et al. Results of the ROADSTER multicenter trial of transcarotid stenting with dynamic flow reversal. J Vasc Surg. 2015;62(5):1227-34.
  5. Schermerhorn ML, Liang P, Dakour-Aridi H, et al. In-hospital outcomes of transcarotid artery revascularization and carotid endarterectomy in the VQI (ROADSTER-2). J Vasc Surg. 2020;72(5):1594-602.
  6. Executive Committee for the Asymptomatic Carotid Atherosclerosis Study. Endarterectomy for asymptomatic carotid artery stenosis (ACAS). JAMA. 1995;273(18):1421-8.

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Perguntas Frequentes

Quais são os critérios obrigatórios para indicar CEA na estenose carotídea assintomática pela ESVS 2023?
A ESVS 2023 define três pilares que devem ser satisfeitos simultaneamente: (1) Estenose ≥60% pelo NASCET documentada por Duplex validado ou CTA; (2) Centro com morbimortalidade perioperatória <3% (AVC+morte a 30 dias) — dado auditado e não estimado; (3) Paciente com alto risco de AVC pelo ECST-2, com presença de ao menos um fator de alto risco (microembolização no TCD, silent infarcts ipsilaterais, placa hipoecóica progressiva). A diferença em relação às diretrizes SVS DCV 2022 é a exigência explícita do terceiro pilar — a estenose isolada de ≥70% não é suficiente para indicação na ESVS 2023.
O que o ACST-2 mostrou sobre CEA vs CAS na estenose assintomática?
O ACST-2 foi o maior trial já realizado comparando CEA vs CAS no paciente assintomático: 3.625 pacientes, 130 centros em 33 países, com seguimento mediano de 5 anos. Os principais resultados: risco perioperatório a 30 dias — CEA 1,4% vs CAS 2,0% (diferença não significativa, p=0,17); AVC ipsilateral não-fatal a 5 anos — CEA 2,2% vs CAS 2,5% (não significativo). Conclusão da ESVS 2023: CEA é preferencial quando a anatomia é favorável, pois apresenta menor risco perioperatório absoluto; o CAS é aceitável em centros com experiência documentada, especialmente quando há razões anatômicas ou clínicas que desfavorecem a cirurgia aberta.
Quando o CAS (stenting carotídeo) tem papel na estenose assintomática?
O CAS tem papel no assintomático em situações anatômicas ou clínicas específicas que aumentam o risco da CEA aberta: (1) Pescoço irradiado ou com fibrose por cirurgia cervical prévia; (2) Traqueostomia presente ou estenose alta tecnicamente difícil; (3) Alto risco cardíaco para anestesia geral (fração de ejeção <30%, angina instável recente); (4) Anatomia favorável para stenting: arco aórtico tipo I, ausência de calcificação maciça, sem tortuosidade significativa. O CAS NÃO deve ser a escolha-padrão no assintomático apenas por preferência operatória — seu risco perioperatório absoluto permanece marginalmente maior que o da CEA em centros experientes.
A ESVS 2023 contraindica CEA em pacientes acima de 75 anos?
Não. A ESVS 2023 não contraindica CEA por idade isolada, mas reconhece que o benefício se materializa ao longo de 3–5 anos. Em pacientes >75 anos com comorbidades significativas — câncer ativo, insuficiência cardíaca avançada, demência — a expectativa de vida funcional pode ser insuficiente para compensar o risco cirúrgico imediato. A recomendação é avaliar individualmente com foco em: (1) expectativa de vida ≥5 anos; (2) ausência de comorbidades limitantes; (3) presença de fatores ECST-2 de alto risco que justifiquem o custo cirúrgico. O parâmetro-chave não é a idade cronológica, mas a expectativa de vida ajustada por qualidade.
Qual o cronograma de vigilância com Duplex após CEA ou CAS no assintomático?
A ESVS 2023 recomenda: Pós-CEA: Duplex em 1 mês (baseline pós-procedimento), 6 meses, 12 meses, depois anual. Pós-CAS: Duplex em 1 mês, 6 meses, 12 meses, depois anual (mesma frequência que a CEA). Critério de reestenose pós-CEA: velocidade sistólica ≥300 cm/s ou estenose ≥70% ao Duplex — indica consideração de retratamento (CAS como 1ª escolha para re-estenose pós-CEA). Reestenose in-stent após CAS: angioplastia com balão como opção preferencial; re-stenting em casos selecionados.
Como a estenose carotídea contralateral influencia a indicação cirúrgica no assintomático?
A estenose contralateral ≥70% ou a oclusão contralateral são fatores que aumentam o risco de AVC ipsilateral na estenose assintomática, pois reduzem a reserva de circulação colateral via polígono de Willis. Pela ESVS 2023, a oclusão contralateral é um fator de risco moderado no ECST-2 — pode contribuir para atingir o limiar de "alto risco" que justifica a indicação de intervenção. Além disso, em pacientes com doença bilateral, a sequência de tratamento deve ser cuidadosamente planejada: geralmente o lado sintomático (ou de maior estenose com placa vulnerável) é tratado primeiro, com intervalo mínimo de 4–6 semanas antes de intervir no contralateral.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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