Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — N1

Princípios Gerais do Trauma Vascular: Ressuscitação e Sistema ESVS

ESVS 2025 Recs 1–18: damage control + transfusão balanceada 1:1:1, ácido tranexâmico (CRASH-2) para todos os sangramentos graves, REBOA NÃO de rotina, AngioTC como primeira linha e sistema de gradação ESVS Graus 1–3/X estruturando toda a tomada de decisão.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: Damage control + transfusão balanceada (Rec 4, Classe I-A) + ácido tranexâmico precoce para TODOS os sangramentos graves (Rec 5, Classe I-A — CRASH-2). REBOA NÃO é recomendado como abordagem de rotina (Rec 8, Classe IIIb-B). AngioTC é a primeira linha de imagem em pacientes estáveis (Rec 10, Classe I-C). Sistema de gradação ESVS Graus 1–3/X estrutura toda a tomada de decisão — ESVS 2025.

As Diretrizes ESVS 2025 sobre Trauma Vascular compilam 105 recomendações baseadas em evidências para o manejo de lesões vasculares em todos os territórios. Esta primeira parte (Recs 1–18) estabelece os princípios organizacionais, o novo sistema de gradação unificado para trauma arterial e os protocolos de ressuscitação — incluindo a contraindicação do REBOA de rotina, uma das mudanças mais impactantes desta edição.

Epidemiologia e Organização do Serviço

O trauma vascular representa 2–5% de todas as admissões traumáticas e tem distribuição anatômica bem definida: extremidades 44% (membros superiores 26%, inferiores 18%), torso 49% (abdome 25%, tórax 24%) e pescoço 10%. Em conflitos militares e atentados terroristas, as taxas de lesão vascular chegam a 30%.

Rec 1 (Classe I-C) — Equipe 24/7

Equipe disponível 24h/7d, competente em controle de hemorragia e em cirurgia aberta e endovascular.

Rec 3 (Classe I-C) — Teatro Híbrido

Teatro híbrido com capacidade combinada para todo paciente traumatizado com lesão vascular — obrigatório em centros de trauma.

Sistema de Gradação ESVS para Trauma Arterial

A principal inovação desta diretriz é um sistema de gradação unificado, aplicável a todas as artérias, que substitui as gradações heterogêneas anteriores por território:

Grau ESVSDescriçãoExemplosManejo Geral
Grau 1Lesão parcial da parede — contorno externo normalFlap intimal, hematoma intramuralObservação ± antitrombóticos
Grau 2Lesão completa — hemorragia contidaPseudoaneurisma, fístula AVReparo urgente (geralmente endovascular)
Grau 3Lesão completa — hemorragia não contida, livreTransecção, rupturaReparo de emergência (geralmente aberto)
Grau XOclusão — sem fluxo distalTrombose, transecção com espasmoEmergência se membro/órgão salvável

Ressuscitação Damage Control

Rec 4 (Classe I-A) — Transfusão Balanceada

Damage control + protocolos de transfusão maciça com proporção 1:1:1 (plasma:plaquetas:hemácias). Hipotensão permissiva: PAS 80–90 mmHg até controle cirúrgico (exceto TBI).

Ácido Tranexâmico — Rec 5 (Classe I-A)

✅ Para TODOS os pacientes com sangramentos graves por trauma vascular

Dose: 1g IV em 10 minutos + 1g IV em 8 horas

CRASH-2 trial (n=20.211): ↓mortalidade geral (RR 0,91) e ↓morte por hemorragia (RR 0,85). Administrar o mais precocemente possível — após 3 horas da lesão, pode ser prejudicial.

Torniquete Pré-Hospitalar — Rec 6 (Classe I-C)

Indicado para todos os pacientes com sangramento não controlado de extremidade quando compressão local e packing são insuficientes. Aplicar o mais distal possível e registrar a hora de aplicação. A heparina não está indicada especificamente por causa do torniquete (Rec 7, Classe IIIa-C).

REBOA — Rec 8 (Classe IIIb-B): NÃO de Rotina

⛔ REBOA de rotina NÃO é recomendado para hemorragia torácica exsanguinante

RCT recente: mortalidade em 90 dias 54% (REBOA) vs. 42% (controle) (OR 1,58; IC 0,72–3,52)

Complicações vasculares de acesso: 8% (IC 5–13%). Indicações, tempo de oclusão e treinamento necessitam análise adicional.

Imagem Diagnóstica — Recs 9–11

🚨 Instável → Sala Cirúrgica Imediata

Rec 9 (Classe I-C): Pacientes hemodinamicamente instáveis não indicados para AngioTC → transferência imediata para sala de cirurgia.

✅ Estável → AngioTC Primeiro

Rec 10 (Classe I-C): AngioTC (arterial + venosa) como primeira linha — sensibilidade e especificidade próximas de 100%.

Rec 11 (Classe IIIb-C)

NÃO é recomendado evitar ou postergar a AngioTC por medo de nefropatia por contraste em trauma vascular potencialmente ameaçador à vida ou ao membro.

Restauração do Fluxo e Técnicas Cirúrgicas — Recs 12–18

RecClasseRecomendação
12I-CRestauração do fluxo arterial inline, temporária ou definitiva, deve ser priorizada
13I-CReparo primário definitivo é preferido sobre soluções temporárias
14I-CShunts temporários quando reparo definitivo não é viável por fisiologia ou padrão de lesão
15IIa-CConverter shunt para reparo definitivo o mais cedo possível, idealmente no mesmo procedimento
16I-CEnxertos de interposição curtos recomendados em trauma vascular necessitando reconstrução
17IIb-CEnxertos protéticos sintéticos podem ser considerados para reparo vascular definitivo de emergência
18IIa-CEnxertos venosos para reconstrução de lesões arteriais necessitando condutos bypass mais longos

Referência

Wahlgren CM, Riddez L, Orban P, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Vascular Trauma. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;69:179–237. DOI: 10.1016/j.ejvs.2024.12.018

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Perguntas Frequentes

Por que o REBOA não é mais recomendado de rotina no trauma vascular?
Um RCT recente demonstrou que o REBOA de rotina para hemorragia torácica exsanguinante NÃO reduziu mortalidade — ao contrário, 54% dos pacientes no grupo REBOA morreram em 90 dias versus 42% no grupo controle (OR 1,58). Além disso, a taxa de complicações vasculares de acesso foi de 8%. A Rec 8 (Classe IIIb-B) da ESVS 2025 contraindicou o REBOA como abordagem de rotina. Isso não significa abandono da técnica, mas seleção criteriosa de pacientes.
Qual a dose do ácido tranexâmico no trauma vascular?
1g IV em bolus em 10 minutos + 1g IV em infusão nas 8 horas seguintes. Deve ser administrado o mais precocemente possível — preferencialmente na fase pré-hospitalar. Após 3 horas da lesão, o benefício desaparece e pode ser prejudicial. O CRASH-2 trial (n=20.211) demonstrou redução de mortalidade geral (RR 0,91) e de morte por hemorragia (RR 0,85), sem aumento de eventos oclusivos vasculares.
O que é o sistema de gradação ESVS para trauma arterial e por que foi criado?
O sistema ESVS unifica a classificação de lesões arteriais em 4 graus aplicável a todas as artérias: Grau 1 (lesão parcial da parede, contorno externo normal), Grau 2 (lesão completa contida — pseudoaneurisma ou FAV), Grau 3 (lesão completa com hemorragia livre) e Grau X (oclusão sem fluxo distal). Foi criado para substituir as gradações heterogêneas por artéria que dificultavam comparações e padronização do tratamento.
Quando usar shunt temporário em vez de reparo definitivo no trauma vascular?
O shunt temporário é indicado quando o reparo definitivo não é imediatamente viável por fisiologia comprometida (tríade letal: coagulopatia, hipotermia, acidose), por trauma ortopédico concomitante que requer estabilização prévia, ou quando o cirurgião está realizando uma laparotomia de controle de dano e não tem condições técnicas para reconstrução vascular completa. A Rec 15 orienta converter o shunt para reparo definitivo o mais cedo possível, idealmente no mesmo procedimento.
Quando indicar AngioTC versus sala cirúrgica direta no trauma vascular?
Pacientes hemodinamicamente instáveis sem resposta ao manejo inicial devem ir diretamente para a sala cirúrgica sem aguardar AngioTC (Rec 9, Classe I-C). Pacientes estáveis ou com resposta transitória devem ser investigados com AngioTC com contraste (arterial + venosa) como primeira linha — sensibilidade e especificidade próximas de 100% para lesão vascular (Rec 10, Classe I-C). Não se deve postergar a AngioTC por medo de nefropatia por contraste em trauma ameaçador à vida ou ao membro (Rec 11, Classe IIIb-C).

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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