Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2020 — M3

Trombólise e Técnicas Endovasculares na Isquemia Aguda de Membro — ESVS 2020 (M3)

CDT intra-arterial é alternativa válida para Rutherford IIa (Rec 24, Classe I-A). Trombólise IV NÃO recomendada (Rec 22, Classe III-A). rtPA ou uroquinase (Rec 27, Classe I-A); acesso guiado por US (Rec 26, Classe I-A). Sem heparina sistêmica (Rec 29). Aspiração, PMT e EKOS. Recs 22–33 — ESVS 2020.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: CDT intra-arterial é alternativa válida à cirurgia para Rutherford IIa com Classe I, Nível A de evidência (Rec 24 — STILE, TOPAS). Trombólise IV sistêmica NÃO é recomendada (Rec 22, Classe III-A). rtPA ou uroquinase para CDT (Rec 27, Classe I-A); acesso guiado por US (Rec 26, Classe I-A). SEM heparina sistêmica contínua (Rec 29, Classe III-B — RR sangramento 2,19) e SEM monitoração de fibrinogênio (Rec 28, Classe III-B). ESVS 2020.

Rutherford IIa, sem déficit motor. A ESVS 2020 tem uma resposta com Nível A de evidência: CDT intra-arterial é equivalente à cirurgia em sobrevida livre de amputação a 1 ano — e ainda existem duas recomendações Classe III (contraindicações absolutas) que muitos centros violam por hábito. As Recomendações 22–33 das Diretrizes ESVS 2020 (Björck M et al., EJVES 2020;59:173–218) definem o protocolo endovascular baseado em evidências.

Infográfico: Trombólise e Técnicas Endovasculares na IAM ESVS 2020. CDT por Rutherford, protocolo rtPA, sem heparina sistêmica, aspiração PMT EKOS.
Trombólise e Técnicas Endovasculares na IAM (Recs 22–33). Björck M et al. ESVS 2020. Eur J Vasc Endovasc Surg 2020;59:173–218.

Trombólise Sistêmica IV — NÃO Recomendada (Rec 22)

Rec 22 (Classe III, Nível A):

Para pacientes com IAM, trombólise intravenosa NÃO é recomendada.

Berridge et al. 1991; Saroukhani et al. 2015; Robertson et al. 2013

Dois ECRs comparando rtPA intra-arterial vs. intravenoso: rtPA IA foi superior em recuperação completa (n=16/20 vs. 9/20, p=0,048) com mais complicações hemorrágicas na via IV.

CDT (Trombólise Dirigida por Cateter) por Grau de Rutherford (Recs 23–25)

RecRecomendaçãoClasseNível
23Para pacientes com IAM Grau I (claudicação aguda), CDT percutânea NÃO é recomendadaIIIB
24Para pacientes com IAM Grau IIa, CDT deve ser considerada como alternativa à cirurgiaIA
25Para pacientes com IAM Grau IIb, CDT pode ser considerada se iniciada prontamente, combinada com aspiração ou trombectomiaIIbB

Técnica da CDT: Acesso e Agentes Fibrinolíticos (Recs 26–27)

RecRecomendaçãoClasseNível
26Guia ultrassonográfico para acesso arterial é recomendado em pacientes com IAM submetidos a terapia endovascular — reduz tentativas (OR 0,24), punção venosa (OR 0,18) e sangramentos (OR 0,41)IA
27Para CDT na IAM, rtPA (alteplase) ou uroquinase são recomendados — eficácia semelhante; dose rtPA: 0,25–1,0 mg/h; máximo 40 mg totalIA

Monitoração e o que NÃO Fazer (Recs 28–32)

RecRecomendaçãoClasseNível
28Monitoração rotineira do fibrinogênio plasmático durante CDT para IAM NÃO é recomendada — sem correlação comprovada com sangramento graveIIIB
29Heparinização sistêmica terapêutica contínua durante CDT na IAM NÃO é recomendada — RR de sangramento grave 2,19 (IC 95% 1,13–4,24) no TOPAS trialIIIB
30Durante CDT na IAM, monitoração de sinais vitais, sítio de acesso e condição clínica do membro é recomendadaIC
31Em casos de sangramento grave durante CDT na IAM, é recomendado que a trombólise seja interrompidaIC
32Em casos de sangramento menor durante CDT na IAM, a continuação do tratamento após avaliação risco/benefício deve ser consideradaIIaC

Outras Técnicas Endovasculares (Rec 33)

RecRecomendaçãoClasseNível
33Para IAM, aspiração de trombo e trombectomia mecânica devem ser consideradasIIaC

Cirurgia vs. CDT — Evidências dos ECRs

EstudoNSobrevida livre amputação 1 anoSangramento graveAVC
TOPAS I (1994)114EquivalenteCDT > CirurgiaEquivalente
TOPAS II (1998)54465% vs. 70% (NS)11,8% vs. 5,1%1,5% vs. 1,5%
STILE trial (1994)393NRCDT 5,6% vs. Cirurgia 0,7%Equivalente

Meta-análise de 5 ECRs: sobrevida livre de amputação a 1 ano equivalente; mais sangramentos e embolia distal com CDT; mais complicações cardíacas com cirurgia. Swedish Vascular Registry (3.365 pacientes propensity-matched): endovascular com melhor mortalidade 30 dias (6,7% vs. 11,1%) e sobrevida a 5 anos (HR 0,78, IC 0,70–0,86).

Perguntas Frequentes

Cirurgia ou CDT: qual escolher para Rutherford IIa e IIb?
Para Rutherford IIa (marginalmente ameaçado), a CDT é uma alternativa válida à cirurgia com evidência de Classe I, Nível A (Rec 24) — baseada no STILE trial (1994), TOPAS (1996/1998) e Enezate et al. (2017). Meta-análise de 5 ECRs mostra sobrevida livre de amputação a 1 ano equivalente entre CDT e cirurgia, porém com mais complicações hemorrágicas na CDT (incluindo AVC hemorrágico) e mais complicações cardíacas na cirurgia. A escolha depende de: (1) tempo disponível — CDT é mais lenta (12–24h de infusão); (2) experiência do centro; (3) causa da oclusão — embolia responde melhor à CDT que trombose de bypass, e bypass de prótese responde melhor que de veia; (4) anatomia — oclusões > 30 cm tendem a responder melhor à CDT. Para Rutherford IIb (imediatamente ameaçado), a CDT pode ser considerada se iniciada imediatamente e combinada com aspiração ou trombectomia mecânica (Rec 25, Classe IIb-B), mas a urgência frequentemente favorece a cirurgia aberta como mais rápida. O Swedish Vascular Registry (3.365 pacientes) mostrou que tratamento endovascular inicial foi associado a melhor mortalidade a 30 dias (6,7% vs. 11,1%) e melhor sobrevida a 5 anos (HR 0,78).
Por que heparina sistêmica é contraindicada durante CDT?
A Recomendação 29 (Classe III, Nível B) contraindicita a heparinização sistêmica terapêutica contínua durante CDT. A evidência vem do TOPAS trial: uso de UFH sistêmica com alvo de TTPa 1,5–2× o basal foi associado a risco relativo de sangramento grave de RR 2,19 (IC 95% 1,13–4,24). Uma explicação fisiopatológica: a CDT já promove um estado de hipocoagulabilidade local e sistêmica pelo consumo de fibrinogênio e outros fatores de coagulação; adicionar heparina sistêmica aumenta o risco hemorrágico sem benefício adicional demonstrado. A prática corrente é: flush com baixa dose de UFH pelo introdutor para manter permeabilidade do cateter, sem infusão sistêmica contínua — mas mesmo esse flush não tem evidência robusta de benefício.
Por que o monitoramento rotineiro do fibrinogênio não é recomendado durante CDT?
A Recomendação 28 (Classe III, Nível B) contraindica o monitoramento rotineiro do fibrinogênio plasmático durante CDT para guiar a dose ou parar a infusão. O raciocínio: quatro estudos controlados (STILE, PRO-urokinase, Hull 2006, Poorthuis 2017) não encontraram correlação consistente entre queda do fibrinogênio e complicações hemorrágicas graves. Apenas valores muito baixos (< 1,0 ou < 1,5 g/L) em alguns estudos foram associados a maior risco de qualquer sangramento, mas a revisão sistemática concluiu que o valor preditivo do fibrinogênio para sangramento grave não está comprovado. A monitoração dos sinais vitais, da condição do membro (Rec 30) e do acesso vascular é mais clinicamente relevante que o fibrinogênio para identificar complicações durante CDT.
Qual a diferença entre aspiração de trombo, PMT e CDT e quando indicar cada um?
São técnicas complementares com indicações distintas na IAM. CDT (catheter-directed thrombolysis): infusão de rtPA ou uroquinase diretamente no trombo via cateter percutâneo; dissolve o coágulo em 12–24h; preferida para trombos maduros (> 7–14 dias) e bypass de prótese ocluída. Taxa de sucesso técnico 80–90%. Aspiração de trombo (ADAPT — direct aspiration first pass technique): sucção direta do coágulo com cateter de grande bore; rápida (minutos); efetiva para trombo recente (< 14 dias) em artérias de calibre adequado; reduz ou elimina necessidade de CDT. PMT (pharmacomechanical thrombectomy — Rotarex, AngioJet): fragmentação mecânica do trombo combinada ou não com trombolítico; alto sucesso técnico, menor duração de internação, mas requer artérias de calibre suficiente (risco de hemólise, hipercalemia e insuficiência renal nas artérias tibiais). A Recomendação 33 (Classe IIa-C) estabelece que aspiração e trombectomia mecânica devem ser consideradas como complemento ou alternativa à CDT em casos selecionados.
A trombólise acelerada por ultrassom (EKOS) é superior à CDT padrão?
Não há evidência atual que suporte superioridade clínica da trombólise acelerada por ultrassom (sistema EKOS EndoWave) sobre CDT padrão na IAM. O ultrassom de alta frequência e baixa intensidade loosens fibrin strands e aumenta a permeabilidade para o agente trombolítico in vitro, acelerando a lise teórica do coágulo. Em um RCT com urokinase intracoronária + EKOS vs. urokinase padrão, a trombólise foi acelerada — porém ocorreram 2 hemorragias intracranianas (7,1%), sendo uma fatal, no grupo EKOS. Estudos não-randomizados com Rotarex comparado ao EKOS mostraram maior sucesso técnico e menor internação com Rotarex. A ESVS 2020 não emite recomendação forte para o uso de EKOS na IAM, e os dados disponíveis não justificam seu uso rotineiro dado o custo e o perfil de segurança.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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