Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS CI 2025 — F4

Revascularização na Claudicação Intermitente: Shared Decision-Making, MACE, MALE e Preditores de Risco — SVS 2025

As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) definem o SDM como obrigatório antes de qualquer revascularização: mortalidade, MACE, MALE, ganho funcional e durabilidade. 70-80% melhoram sem intervir. Bypass tem 2× mais MACE que endovascular. Preditores individuais determinam o risco real de cada paciente.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: A decisão de revascularizar claudicação deve envolver o paciente (Shared Decision Making): mortalidade, MACE, MALE, ganho funcional e QoL como desfechos. 70–80% dos claudicantes melhoram sem revascularização. MACE é 2× mais frequente com bypass vs endovascular (SVS 2025, Recomendação 5). Revascularização femoropoplítea só após falha de SET por ≥3 meses em pacientes com limitação funcional significativa.

A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) alerta: a revascularização por claudicação está aumentando nos EUA — mas 70-80% dos pacientes melhoram sem intervenção, e quando ela falha, o prognóstico do membro pode piorar. Este post define quando operar, como discutir riscos reais com o paciente e por que ABI isolado não é indicação.

Infográfico: revascularização na claudicação — SDM, MACE, MALE, preditores de risco — SVS 2025

O Contexto — Por Que Essa Diretriz é Necessária

42%

das revascularizações periféricas no VQI (2010-2019) realizadas para indicação de claudicação intermitente

>40%

dos pacientes que operam por claudicação ainda são fumantes ativos no momento da intervenção (VQI)

70-80%

dos pacientes com CI ficam estáveis ou melhoram ao longo do tempo SEM intervenção

História Natural da CI — O Risco Real é Cardiovascular, Não do Membro

Prognóstico do Membro (sem intervenção)

Estáveis ou melhoram70-80%
Progressão para CLTI<5% a 21%
Amputação/ano<1%

Mortalidade de Longo Prazo

5 anos30%
10 anos50%
15 anos70%

Causa: predominantemente cardiovascular (IAM + AVC) — 2,5× maior que população geral

Shared Decision-Making — Recomendações 8 e 9 (Best Practice Statements)

Rec 8 — O que DEVE ser discutido no SDMBest Practice Statement
💀

Mortalidade

Perioperatória e de longo prazo

🫀

MACE

Morte CV + AVC + IAM a 30 dias

🦵

MALE

Amputação + reintervenção maior + ALI

🚶

Ganho funcional

MWD esperada e capacidade para atividades

QoL e durabilidade

Por quanto tempo o resultado se manterá

Rec 9 — Fatores individuais que modificam o riscoBest Practice Statement
DM, CAD, CHF, DPOC — aumentam MACE significativamente
Revascularização prévia do membro — aumenta MALE (HR 1,8)
Complexidade anatômica: doença multilevel, oclusões longas, infrapoplítea
Cirurgia aberta vs endovascular: bypass tem 2× mais MACE

Preditores de MACE e MALE — Dados do VQI e Meta-análises

Preditores de MACE

Bypass = 2× mais MACE que endovascular (CVA + IAM)

Idade > 65 anos
HR 3,3(IC 1,7–9,3)
Insuficiência cardíaca (CHF)
HR 3,0(IC 0,5–17,9)
Doença coronariana (CAD)
HR 2,7(IC 1,7–4,3)
DPOC / COPD
HR 2,2(IC 1,2–4,0)
Diabetes mellitus
HR 1,3(IC 1,2–1,4)
Diálise
↑ Risco()

Preditores de MALE

Qualquer amputação pós-revasc por CI = FALHA ABSOLUTA

Doença/tto infrapoplíteo
HR 2,2(IC 1,5–3,2)
Oclusão total crônica
↑ Risco
Lesão >10-20cm
↑ Risco
Revascularização prévia
HR 1,8(IC 1,2–2,6)
DM mal controlado
HR 1,7(IC 1,1–2,5)
Doença bilateral
↑ Risco

Recomendação 10 — CONTRA Revascularização por Achados de Imagem/ABI

Recomendação 10 — Contraindicação formalGrau 1 — Recomendamos CONTRA | Evidência C

Recomendamos contra a realização de revascularização em pacientes com DAP assintomática ou claudicação baseada exclusivamente em medidas hemodinâmicas (ABI) ou achados de imagem. Não há evidência de que a intervenção em lesões específicas modifique a progressão da doença aterosclerótica no membro.

NÃO revascularizar apenas por:

ABI baixo sem claudicação lifestyle-limiting
Estenose ≥70% em imagem sem sintomas significativos
Progressão de placa na vigilância sem piora clínica
Claudicação leve que não limita atividades importantes

Indicação CORRETA para revascularização:

Claudicação lifestyle-limiting que impede atividades essenciais do paciente
Após falha de OMT adequado (mínimo 3 meses)
Após tentativa de exercício supervisionado
Com discussão completa de riscos e durabilidade no SDM

Por que a falha importa: Uma intervenção que falha tecnicamente (trombose, reestenose precoce, oclusão) pode criar um leito distal pior do que aquele existente antes da intervenção — transformando uma claudicação benigna em CLTI com risco de amputação. O risco perioperatório não é zero nem na era endovascular. A indicação precisa ser justificada pelo benefício individual, não por achados anatômicos.

Referências

  1. Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
  2. Leclerc A, Bhatt DL, Conte MS, et al. Intermittent claudication revascularization: trends, volume, and outcomes. J Vasc Surg. 2021;74(1):228-37.
  3. Goodney PP, Travis LL, Nallamothu BK, et al. Variation in the use of lower extremity vascular procedures for critical limb ischemia. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2012;5(1):94-102.
  4. Norgren L, Hiatt WR, Dormandy JA, et al. Inter-Society Consensus for the Management of Peripheral Arterial Disease (TASC II). J Vasc Surg. 2007;45(Suppl S):S5-67.
  5. Fakhry F, Spronk S, van der Laan L, et al. Endovascular revascularization and supervised exercise for peripheral artery disease and intermittent claudication (ERASE trial). JAMA. 2015;314(18):1936-44.
  6. Hirsch AT, Haskal ZJ, Herzer NR, et al. ACC/AHA 2005 Practice Guidelines for the management of patients with peripheral arterial disease. Circulation. 2006;113(11):e463-654.

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Perguntas Frequentes

Qual é a história natural da claudicação intermitente sem revascularização?
A história natural da claudicação intermitente é benigna para o membro: 70-80% dos pacientes permanecem estáveis ou melhoram ao longo do tempo sem intervenção. A progressão para isquemia crítica de membro (CLTI) é variável, estimada entre <5% e 21% dependendo da população e do tempo de seguimento. O risco de amputação é inferior a 1% por ano na claudicação estável sem intervenção. O risco cardiovascular sistêmico, entretanto, é substancial: esses pacientes têm mortalidade 2,5 vezes maior que a população geral pela mesma faixa etária, com risco de IAM ou AVC muito superior ao risco de amputação do membro.
O que deve ser discutido com o paciente no shared decision-making antes da revascularização para claudicação?
A SVS 2025 (Recomendações 8 e 9 — Best Practice Statements) define que a conversa de SDM deve obrigatoriamente incluir: (1) Mortalidade perioperatória; (2) MACE — mortalidade cardiovascular, AVC e IAM a 30 dias; (3) MALE — amputação, reintervenção maior e isquemia aguda de membro; (4) Ganho funcional esperado — distância de caminhada e capacidade para atividades do dia a dia; (5) QoL — qualidade de vida esperada após a intervenção; (6) Durabilidade do procedimento — com quantos anos o paciente pode precisar de reintervenção. Além disso, deve-se discutir fatores de risco individuais que modificam esses desfechos: DM, CAD, CHF, COPD, revascularização prévia e complexidade anatômica.
Quais são os preditores de MACE após revascularização para claudicação?
O MACE (mortalidade cardiovascular + AVC + IAM a 30 dias) após revascularização para IC tem incidência de 2-4% ao ano, com bypass cirúrgico apresentando o dobro de eventos que a revascularização endovascular (principalmente por maior taxa de AVCs e IAMs). Os preditores independentes identificados no VQI e meta-análises são: idade >65 anos (HR 3,3; IC 1,7-9,3), insuficiência cardíaca (HR 3,0; IC 0,5-17,9), doença coronariana (HR 2,7; IC 1,7-4,3), DPOC (HR 2,2; IC 1,2-4,0) e diabetes mellitus (HR 1,3; IC 1,2-1,4). Diálise também é fator de risco adicional. Esses dados são fundamentais para o SDM — um paciente com CHF + CAD + COPD tem risco de MACE muito elevado com bypass aberto.
Quais são os preditores de MALE após revascularização para claudicação?
O MALE (amputação acima do tornozelo ou reintervenção maior) é um marcador de segurança crucial para revascularização em CI: qualquer amputação após intervenção para claudicação é considerada falha ABSOLUTA, pois a história natural da CI tem risco de amputação <1%/ano sem intervenção. Os principais preditores de MALE são: DM mal controlado (HR 1,7; IC 1,1-2,5), revascularização prévia do membro (HR 1,8; IC 1,2-2,6), doença ou tratamento infrapoplíteo (HR 2,2; IC 1,5-3,2) e oclusão total crônica (vs estenose). Esses preditores devem ser explicitamente discutidos com o paciente antes de qualquer intervenção.
Por que a SVS 2025 recomenda CONTRA a revascularização por achados de ABI ou imagem isoladamente?
A Recomendação 10 (Grau 1C) contraindicamos revascularização baseada apenas em índice tornozelo-braço baixo ou em estenoses identificadas na imagem sem sintomas limitantes de qualidade de vida. As razões: (1) Não há evidência que a intervenção modifique a progressão da doença aterosclerótica no membro; (2) A falha da intervenção pode deteriorar o prognóstico do membro para algo pior do que a história natural sem tratamento; (3) A indicação correta é a claudicação lifestyle-limiting — que limita significativamente as atividades importantes para o paciente — após falha de OMT e exercício. Uma estenose de 70% em um paciente sem claudicação significativa não é indicação de revascularização.
Qual a mortalidade de longo prazo em pacientes com claudicação intermitente?
A mortalidade de longo prazo em pacientes com CI e DAP é substancial: 30% a 5 anos, 50% a 10 anos e 70% a 15 anos. Esse risco é aproximadamente 2,5 vezes maior que o de uma população com a mesma faixa etária sem DAP. A causa principal é cardiovascular — IAM e AVC — não complicações do membro. Isso reforça a importância de tratar o paciente com CI como alto risco cardiovascular, priorizando a otimização médica (antitrombóticos, estatinas, controle pressórico) como eixo central do tratamento, independente de qualquer decisão sobre revascularização.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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