Revascularização na Claudicação Intermitente: Shared Decision-Making, MACE, MALE e Preditores de Risco — SVS 2025
As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) definem o SDM como obrigatório antes de qualquer revascularização: mortalidade, MACE, MALE, ganho funcional e durabilidade. 70-80% melhoram sem intervir. Bypass tem 2× mais MACE que endovascular. Preditores individuais determinam o risco real de cada paciente.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: A decisão de revascularizar claudicação deve envolver o paciente (Shared Decision Making): mortalidade, MACE, MALE, ganho funcional e QoL como desfechos. 70–80% dos claudicantes melhoram sem revascularização. MACE é 2× mais frequente com bypass vs endovascular (SVS 2025, Recomendação 5). Revascularização femoropoplítea só após falha de SET por ≥3 meses em pacientes com limitação funcional significativa.
A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) alerta: a revascularização por claudicação está aumentando nos EUA — mas 70-80% dos pacientes melhoram sem intervenção, e quando ela falha, o prognóstico do membro pode piorar. Este post define quando operar, como discutir riscos reais com o paciente e por que ABI isolado não é indicação.

O Contexto — Por Que Essa Diretriz é Necessária
42%
das revascularizações periféricas no VQI (2010-2019) realizadas para indicação de claudicação intermitente
>40%
dos pacientes que operam por claudicação ainda são fumantes ativos no momento da intervenção (VQI)
70-80%
dos pacientes com CI ficam estáveis ou melhoram ao longo do tempo SEM intervenção
História Natural da CI — O Risco Real é Cardiovascular, Não do Membro
Prognóstico do Membro (sem intervenção)
Mortalidade de Longo Prazo
Causa: predominantemente cardiovascular (IAM + AVC) — 2,5× maior que população geral
Shared Decision-Making — Recomendações 8 e 9 (Best Practice Statements)
Mortalidade
Perioperatória e de longo prazo
MACE
Morte CV + AVC + IAM a 30 dias
MALE
Amputação + reintervenção maior + ALI
Ganho funcional
MWD esperada e capacidade para atividades
QoL e durabilidade
Por quanto tempo o resultado se manterá
Preditores de MACE e MALE — Dados do VQI e Meta-análises
Preditores de MACE
Bypass = 2× mais MACE que endovascular (CVA + IAM)
Preditores de MALE
Qualquer amputação pós-revasc por CI = FALHA ABSOLUTA
Recomendação 10 — CONTRA Revascularização por Achados de Imagem/ABI
Recomendamos contra a realização de revascularização em pacientes com DAP assintomática ou claudicação baseada exclusivamente em medidas hemodinâmicas (ABI) ou achados de imagem. Não há evidência de que a intervenção em lesões específicas modifique a progressão da doença aterosclerótica no membro.
NÃO revascularizar apenas por:
Indicação CORRETA para revascularização:
Por que a falha importa: Uma intervenção que falha tecnicamente (trombose, reestenose precoce, oclusão) pode criar um leito distal pior do que aquele existente antes da intervenção — transformando uma claudicação benigna em CLTI com risco de amputação. O risco perioperatório não é zero nem na era endovascular. A indicação precisa ser justificada pelo benefício individual, não por achados anatômicos.
Referências
- Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
- Leclerc A, Bhatt DL, Conte MS, et al. Intermittent claudication revascularization: trends, volume, and outcomes. J Vasc Surg. 2021;74(1):228-37.
- Goodney PP, Travis LL, Nallamothu BK, et al. Variation in the use of lower extremity vascular procedures for critical limb ischemia. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2012;5(1):94-102.
- Norgren L, Hiatt WR, Dormandy JA, et al. Inter-Society Consensus for the Management of Peripheral Arterial Disease (TASC II). J Vasc Surg. 2007;45(Suppl S):S5-67.
- Fakhry F, Spronk S, van der Laan L, et al. Endovascular revascularization and supervised exercise for peripheral artery disease and intermittent claudication (ERASE trial). JAMA. 2015;314(18):1936-44.
- Hirsch AT, Haskal ZJ, Herzer NR, et al. ACC/AHA 2005 Practice Guidelines for the management of patients with peripheral arterial disease. Circulation. 2006;113(11):e463-654.
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Perguntas Frequentes
Qual é a história natural da claudicação intermitente sem revascularização?
O que deve ser discutido com o paciente no shared decision-making antes da revascularização para claudicação?
Quais são os preditores de MACE após revascularização para claudicação?
Quais são os preditores de MALE após revascularização para claudicação?
Por que a SVS 2025 recomenda CONTRA a revascularização por achados de ABI ou imagem isoladamente?
Qual a mortalidade de longo prazo em pacientes com claudicação intermitente?
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