Dupla Via Antitrombótica na Claudicação Intermitente: Rivaroxabana + AAS — SVS 2025
As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) recomendam rivaroxabana 2,5mg 2×/dia + AAS 81-100mg (Grau 2B) para claudicação intermitente com ≥1 comorbidade de alto risco. COMPASS e VOYAGER PAD definem quando — e para quem — indicar a dupla via antitrombótica.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Rivaroxabana 2,5mg 2×/dia + AAS 81–100mg (COMPASS e VOYAGER PAD): reduz MACE e MALE em claudicantes de alto risco cardiovascular (Grau 2B — SVS 2025). Indicada em: DAOP + doença coronariana ou cerebrovascular estável, ou DAOP multilevel. Contraindicada com anticoagulação plena. O COMPASS trial (27.395 pacientes) mostrou redução de 26% em MACE com a dupla via antiplaquetária + rivaroxabana baixa dose.
A Diretriz SVS 2025 para Claudicação Intermitente (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) introduz a dupla via antitrombótica como estratégia formal para pacientes com claudicação e alto risco cardiovascular — não dois antiagregantes, mas um anticoagulante de baixa dose (rivaroxabana) somado a um antiagregante (AAS). COMPASS e VOYAGER PAD definem quando indicar.

Dupla Via vs DAPT — Conceito Fundamental
Dupla Via Antitrombótica
Rivaroxabana 2,5mg 2×/dia
Inibidor do Fator Xa → ação anticoagulante de baixa intensidade
AAS 81–100mg/dia
Inibidor de tromboxano A₂ → ação antiagregante plaquetária
= Dois mecanismos distintos — proteção sinérgica
DAPT — Dupla Antiagregação
AAS 81–100mg/dia
Inibidor de tromboxano A₂
Clopidogrel 75mg/dia
Inibidor P2Y₁₂ → ação antiagregante plaquetária
= Dois antiagregantes — uso perioperatório (≥1 mês pós-PVI)
Recomendações 1 e 2 — SVS CI 2025
Em pacientes com DAP e claudicação intermitente que apresentam ≥1 comorbidade de alto risco (IC cardíaca, DM, insuficiência renal ou doença polivascular) e não estão em alto risco de sangramento, sugerimos o uso de rivaroxabana 2,5mg 2×/dia + AAS 81-100mg/dia (vs AAS isolado) para reduzir risco de morte cardiovascular, AVC e IAM.
Em pacientes submetidos a revascularização cirúrgica ou endovascular para DAP sintomática incluindo CI, que não estão em alto risco de sangramento, sugerimos rivaroxabana 2,5mg 2×/dia + AAS 81-100mg/dia (vs AAS isolado) para reduzir risco de morte CV, AVC, IAM, isquemia aguda de membro e amputação vascular.
Comorbidades de Alto Risco — Quem Indica
✅ Indicar dupla via — ≥1 critério presente
Insuficiência cardíaca (IC)
Qualquer grau de disfunção ventricular esquerda documentada — fator de risco independente para mortalidade CV em DAP
Diabetes mellitus
Aumenta risco de eventos isquêmicos de membro e cardiovasculares — subgrupo com maior benefício relativo nos trials
Insuficiência renal
TFG reduzida associada a maior risco cardiovascular e de MALE — verificar TFG >15 mL/min para uso seguro da rivaroxabana
Doença polivascular
DAP + doença coronariana E/OU doença cerebrovascular — aterosclerose sistêmica com risco muito elevado de eventos
❌ NÃO indicar dupla via
Base de Evidência — COMPASS e VOYAGER PAD
COMPASS Trial
Contexto: DAP + alto risco CV, sem revascularização recente
Regime: Rivaroxabana 2,5mg 2×/d + AAS vs AAS isolado
Desfechos no subgrupo DAP:
↓ Morte CV + AVC + IAM
↓ Isquemia aguda de membro
↓ Amputação vascular
VOYAGER PAD Trial
N: 6.564 pacientes pós-revascularização para DAP
Regime: Rivaroxabana 2,5mg 2×/d + AAS vs AAS isolado
Morte CV + AVC + IAM + ALI + amputação
HR 0,85 (IC 95%: 0,76-0,96) · NNT ≈ 38
Implementação Prática
Dose e Regime
- →Rivaroxabana 2,5mg — 1 comprimido de manhã + 1 à noite
- →AAS 81-100mg — 1 comprimido/dia (pode ser com rivaroxabana da manhã)
- →Total: 3 comprimidos/dia em regime fixo
Monitoramento
- →Não requer monitoramento de INR ou anti-Xa
- →Avaliar função renal a cada 6-12 meses (TFG)
- →Revisar risco de sangramento anualmente
- →Atentar para interações com inibidores fortes de CYP3A4/P-gp
Suspensão pré-procedimento
- →Procedimentos eletivos de alto risco: suspender 24h antes
- →Procedimentos de baixo risco: manter ou suspender 12h
- →Retomar: 6-12h após hemostasia assegurada
- →Não requer anticoagulação ponte
Referências
- Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
- Eikelboom JW, Connolly SJ, Bosch J, et al. Rivaroxaban with or without Aspirin in Stable Cardiovascular Disease (COMPASS). N Engl J Med. 2017;377(14):1319-30.
- Bonaca MP, Bauersachs RM, Anand SS, et al. Rivaroxaban in Peripheral Artery Disease after Revascularization (VOYAGER PAD). N Engl J Med. 2020;382(21):1994-2004.
- Anand SS, Caron F, Eikelboom JW, et al. Major adverse limb events and mortality in patients with peripheral artery disease: the COMPASS Trial. J Am Coll Cardiol. 2018;71(20):2306-15.
- Ricco JB, Fanelli F, Cohnert T, et al. Clinical Practice Guidelines of the European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2024 on antithrombotic therapy in peripheral vascular disease. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2024.
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Perguntas Frequentes
O que é a dupla via antitrombótica na claudicação intermitente?
Quais são as comorbidades de alto risco que indicam a dupla via na claudicação?
O que mostrou o COMPASS trial sobre rivaroxabana na DAP?
O que mostrou o VOYAGER PAD sobre dupla via após revascularização?
Quando NÃO usar a dupla via antitrombótica na claudicação?
Qual a diferença entre dupla via antitrombótica e DAPT na DAP?
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