Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS AAP 2022 — G1

Aneurisma de Artéria Poplítea: Rastreamento e Indicações de Reparo

Diretrizes SVS 2022 — Rec 1 (Grau 1B): rastreamento bilateral e triagem de AAA. Rec 2 (Grau 1B): reparo do PAA assintomático ≥20mm. História natural e fatores preditores.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: Aneurisma de artéria poplítea (PAA) ≥20mm assintomático: reparo eletivo indicado (SVS 2022, Grau 1B) pelo alto risco de isquemia aguda por trombose ou embolização. Rastreamento bilateral obrigatório (25% são bilaterais) e triagem de AAA concomitante (30–40% têm AAA associado). História natural: 40% apresentam complicações isquêmicas sem tratamento em 5 anos.

O aneurisma de artéria poplítea (PAA) é o aneurisma arterial periférico mais comum, responsável por 70% de todos os aneurismas fora do território aorto-ilíaco e cerebral. Acomete predominantemente homens (95%), na sexta e sétima décadas, e apresenta alta taxa de bilateralidade e associação com aneurisma de aorta — o que torna o rastreamento sistemático indispensável.

Infográfico: Aneurisma de Poplítea — Rastreamento e Indicações de Reparo SVS 2022

Definição e Epidemiologia

O PAA é definido como diâmetro acima de 15 mm ou pelo menos 1,5 vez o diâmetro normal da artéria contralateral. A poplítea normal mede 5 a 9 mm (1 a 2 mm maior nos homens). Representa 70% dos aneurismas periféricos, com 95% dos casos em homens, pico na 6ª–7ª décadas.

A presença de PAA bilateral ocorre em aproximadamente 50% dos casos (Dawson 1997, >1.600 casos; Tsilimparis 2013, >2.600 casos). Aneurisma de aorta abdominal concomitante é encontrado em 36 a 38% dos pacientes.

Recomendação 1 — Rastreamento (Grau 1B)

Rec 1 — Grau 1B (forte · evidência moderada)

Todo paciente com diagnóstico de PAA deve ser rastreado para: (1) PAA contralateral e (2) aneurisma de aorta abdominal.

Dado que 50% dos casos são bilaterais e que quase 40% têm AAA associado, o rastreamento ativo é custo-efetivo e clinicamente obrigatório. O eco duplex é o exame de eleição, com acurácia próxima a 100%.

História Natural do PAA

Taxas de crescimento por tamanho

Diâmetro inicialCrescimento anualFatores aceleradores
<20 mm0,3–1,5 mm/anoDiâmetro inicial (OR 5,53) · Trombo mural (OR 4,00)
20–30 mm~3 mm/ano
>30 mm~3,7 mm/ano

Fonte: Cousins 2018 (87 PAAs); análise multivariável.

Risco de complicações ao longo da vida

  • 14–24% tornam-se sintomáticos em 1 a 2 anos (Lowell 1994, 161 PAAs)
  • 31–68% desenvolvem complicações ao longo da vida
  • Dawson 1994: 42 PAAs assintomáticos → 24% com complicações em 1 ano e 68% em 5 anos
  • Com ≥1 fator de risco (tamanho >2 cm, trombo, runoff ruim): complicações em 91,7% vs 37,5% sem fator (p<0,05)
  • Ausência de pulsos tibiais = preditor forte de complicação

Mecanismo das complicações

Os sintomas resultam principalmente de isquemia aguda ou crônica por embolização distal para os vasos tibiais, com ou sem trombose do aneurisma. A progressão para trombose do PAA está associada a obstrução de inflow e/ou outflow. Pacientes com PAA trombosado frequentemente apresentam isquemia grave porque:

  • A circulação colateral é destruída pela trombose aguda
  • Microembolia silenciosa crônica já obstruiu progressivamente os vasos tibiais antes do evento agudo

Apresentações menos comuns incluem ruptura (rara), compressão venosa com DVT, edema, e neuropatia compressiva.

Recomendação 2 — Indicação de Reparo no PAA Assintomático (Grau 1B e 2C)

Rec 2A — Grau 1B (forte · evidência moderada)

PAA assintomático ≥20 mm → reparo recomendado para reduzir risco de tromboembolismo e perda de membro.

Rec 2B — Grau 2C (fraco · evidência baixa)

Pacientes de alto risco cirúrgico → diferir reparo até ≥30 mm, especialmente na ausência de trombo mural.

✅ Indicação Grau 1B

  • PAA ≥20 mm assintomático
  • Expectativa de vida adequada
  • Risco cirúrgico aceitável

⚠️ Diferimento possível (Grau 2C)

  • Alto risco cirúrgico
  • Ausência de trombo mural
  • Diâmetro <30 mm
  • Monitoramento anual obrigatório

Diagnóstico por Imagem

ExameAcuráciaIndicação principal
Eco Duplex (DUS)~100%Diagnóstico, rastreamento, medida do trombo
AngioTC / AngioRMAltaExtensão proximal/distal, inflow, outflow, planejamento cirúrgico
Arteriografia digitalAltaALI (trombólise), avaliação de alvo distal para bypass, EPAR

Manejo Clínico Otimizado

Embora não haja estudos específicos para PAA, o controle de fatores de risco aterosclerótico é indicado pela associação frequente com DAP:

  • Cessação do tabagismo
  • Controle de hipertensão, dislipidemia e diabetes
  • Estatinas e antiagregantes: indicados pela doença sistêmica associada

Importante: nenhum estudo demonstrou que estatinas, anticoagulantes ou betabloqueadores modificam diretamente a história natural do PAA (crescimento ou risco de trombose). O único estudo avaliando medicamentos e crescimento de PAA não encontrou correlação, mas a amostra foi insuficiente para conclusões definitivas.

Referências

  1. Farber A, Angle N, Avgerinos E, Dubois L, Eslami M, Geraghty P, et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2022;75(1 Suppl):109S–120S.
  2. Dawson I, Sie R, van Baalen JM, van Bockel JH. Asymptomatic popliteal aneurysm: elective operation versus conservative follow-up. Br J Surg. 1994;81(10):1504–7.
  3. Cousins RS, West CA, Makhoul RG, Bhatti AF, Sumpio BE, Dardik A, et al. Natural history of asymptomatic popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2018;67(3):899–903.
  4. Lowell RC, Gloviczki P, Hallett JW Jr, Naessens JM, Maus TP, Cherry KJ Jr, et al. Popliteal artery aneurysms: the risk of nonoperative management. Ann Vasc Surg. 1994;8(1):14–23.
  5. Tsilimparis N, Hanack U, Yousefi S, Alevizakos P, Reith W, Rogge A, et al. Thrombus in popliteal aneurysm: does it matter? J Vasc Surg. 2013;57(4):1083–8.

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Perguntas Frequentes

Como é definido o aneurisma de artéria poplítea?
O aneurisma de artéria poplítea (PAA) é definido como diâmetro acima de 15 mm ou pelo menos 1,5 vez o diâmetro normal da artéria contralateral. A artéria poplítea normal mede 5 a 9 mm, sendo em geral 1 a 2 mm maior nos homens.
Por que fazer rastreamento bilateral quando o diagnóstico é feito em apenas uma perna?
Porque aproximadamente 50% dos pacientes com PAA têm comprometimento bilateral. Além disso, 36 a 38% apresentam aneurisma de aorta abdominal (AAA) concomitante. Pela alta prevalência, a SVS 2022 recomenda rastreamento bilateral de poplítea e de aorta abdominal em todo paciente diagnosticado com PAA (Rec 1, Grau 1B).
Qual o risco de um PAA assintomático desenvolver complicações?
Estudos mostram que 14 a 24% dos PAAs assintomáticos tornam-se sintomáticos em 1 a 2 anos, e 31 a 68% desenvolvem complicações ao longo da vida. Quando há trombo mural associado, o risco de complicação atinge 91,7%, comparado a 37,5% sem trombo.
A partir de qual diâmetro o PAA assintomático deve ser reparado?
A SVS 2022 recomenda reparo para PAA assintomático ≥20 mm (Rec 2, Grau 1B) para reduzir o risco de tromboembolismo e perda de membro. Em pacientes de alto risco cirúrgico, o reparo pode ser postergado até ≥30 mm, especialmente na ausência de trombo mural (Grau 2C).
Quais exames são utilizados no diagnóstico do PAA?
O eco duplex (DUS) é o exame de escolha, com acurácia próxima a 100%. A angiotomografia e a angiorressonância permitem avaliar extensão, inflow e outflow para planejamento cirúrgico. A arteriografia digital é reservada para casos de isquemia aguda, planejamento de trombólise ou avaliação de alvo distal para bypass aberto.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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