Aneurisma de Artéria Poplítea: Rastreamento e Indicações de Reparo
Diretrizes SVS 2022 — Rec 1 (Grau 1B): rastreamento bilateral e triagem de AAA. Rec 2 (Grau 1B): reparo do PAA assintomático ≥20mm. História natural e fatores preditores.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Aneurisma de artéria poplítea (PAA) ≥20mm assintomático: reparo eletivo indicado (SVS 2022, Grau 1B) pelo alto risco de isquemia aguda por trombose ou embolização. Rastreamento bilateral obrigatório (25% são bilaterais) e triagem de AAA concomitante (30–40% têm AAA associado). História natural: 40% apresentam complicações isquêmicas sem tratamento em 5 anos.
O aneurisma de artéria poplítea (PAA) é o aneurisma arterial periférico mais comum, responsável por 70% de todos os aneurismas fora do território aorto-ilíaco e cerebral. Acomete predominantemente homens (95%), na sexta e sétima décadas, e apresenta alta taxa de bilateralidade e associação com aneurisma de aorta — o que torna o rastreamento sistemático indispensável.

Definição e Epidemiologia
O PAA é definido como diâmetro acima de 15 mm ou pelo menos 1,5 vez o diâmetro normal da artéria contralateral. A poplítea normal mede 5 a 9 mm (1 a 2 mm maior nos homens). Representa 70% dos aneurismas periféricos, com 95% dos casos em homens, pico na 6ª–7ª décadas.
A presença de PAA bilateral ocorre em aproximadamente 50% dos casos (Dawson 1997, >1.600 casos; Tsilimparis 2013, >2.600 casos). Aneurisma de aorta abdominal concomitante é encontrado em 36 a 38% dos pacientes.
Recomendação 1 — Rastreamento (Grau 1B)
Rec 1 — Grau 1B (forte · evidência moderada)
Todo paciente com diagnóstico de PAA deve ser rastreado para: (1) PAA contralateral e (2) aneurisma de aorta abdominal.
Dado que 50% dos casos são bilaterais e que quase 40% têm AAA associado, o rastreamento ativo é custo-efetivo e clinicamente obrigatório. O eco duplex é o exame de eleição, com acurácia próxima a 100%.
História Natural do PAA
Taxas de crescimento por tamanho
| Diâmetro inicial | Crescimento anual | Fatores aceleradores |
|---|---|---|
| <20 mm | 0,3–1,5 mm/ano | Diâmetro inicial (OR 5,53) · Trombo mural (OR 4,00) |
| 20–30 mm | ~3 mm/ano | |
| >30 mm | ~3,7 mm/ano |
Fonte: Cousins 2018 (87 PAAs); análise multivariável.
Risco de complicações ao longo da vida
- 14–24% tornam-se sintomáticos em 1 a 2 anos (Lowell 1994, 161 PAAs)
- 31–68% desenvolvem complicações ao longo da vida
- Dawson 1994: 42 PAAs assintomáticos → 24% com complicações em 1 ano e 68% em 5 anos
- Com ≥1 fator de risco (tamanho >2 cm, trombo, runoff ruim): complicações em 91,7% vs 37,5% sem fator (p<0,05)
- Ausência de pulsos tibiais = preditor forte de complicação
Mecanismo das complicações
Os sintomas resultam principalmente de isquemia aguda ou crônica por embolização distal para os vasos tibiais, com ou sem trombose do aneurisma. A progressão para trombose do PAA está associada a obstrução de inflow e/ou outflow. Pacientes com PAA trombosado frequentemente apresentam isquemia grave porque:
- A circulação colateral é destruída pela trombose aguda
- Microembolia silenciosa crônica já obstruiu progressivamente os vasos tibiais antes do evento agudo
Apresentações menos comuns incluem ruptura (rara), compressão venosa com DVT, edema, e neuropatia compressiva.
Recomendação 2 — Indicação de Reparo no PAA Assintomático (Grau 1B e 2C)
Rec 2A — Grau 1B (forte · evidência moderada)
PAA assintomático ≥20 mm → reparo recomendado para reduzir risco de tromboembolismo e perda de membro.
Rec 2B — Grau 2C (fraco · evidência baixa)
Pacientes de alto risco cirúrgico → diferir reparo até ≥30 mm, especialmente na ausência de trombo mural.
✅ Indicação Grau 1B
- PAA ≥20 mm assintomático
- Expectativa de vida adequada
- Risco cirúrgico aceitável
⚠️ Diferimento possível (Grau 2C)
- Alto risco cirúrgico
- Ausência de trombo mural
- Diâmetro <30 mm
- Monitoramento anual obrigatório
Diagnóstico por Imagem
| Exame | Acurácia | Indicação principal |
|---|---|---|
| Eco Duplex (DUS) | ~100% | Diagnóstico, rastreamento, medida do trombo |
| AngioTC / AngioRM | Alta | Extensão proximal/distal, inflow, outflow, planejamento cirúrgico |
| Arteriografia digital | Alta | ALI (trombólise), avaliação de alvo distal para bypass, EPAR |
Manejo Clínico Otimizado
Embora não haja estudos específicos para PAA, o controle de fatores de risco aterosclerótico é indicado pela associação frequente com DAP:
- Cessação do tabagismo
- Controle de hipertensão, dislipidemia e diabetes
- Estatinas e antiagregantes: indicados pela doença sistêmica associada
Importante: nenhum estudo demonstrou que estatinas, anticoagulantes ou betabloqueadores modificam diretamente a história natural do PAA (crescimento ou risco de trombose). O único estudo avaliando medicamentos e crescimento de PAA não encontrou correlação, mas a amostra foi insuficiente para conclusões definitivas.
Referências
- Farber A, Angle N, Avgerinos E, Dubois L, Eslami M, Geraghty P, et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2022;75(1 Suppl):109S–120S.
- Dawson I, Sie R, van Baalen JM, van Bockel JH. Asymptomatic popliteal aneurysm: elective operation versus conservative follow-up. Br J Surg. 1994;81(10):1504–7.
- Cousins RS, West CA, Makhoul RG, Bhatti AF, Sumpio BE, Dardik A, et al. Natural history of asymptomatic popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2018;67(3):899–903.
- Lowell RC, Gloviczki P, Hallett JW Jr, Naessens JM, Maus TP, Cherry KJ Jr, et al. Popliteal artery aneurysms: the risk of nonoperative management. Ann Vasc Surg. 1994;8(1):14–23.
- Tsilimparis N, Hanack U, Yousefi S, Alevizakos P, Reith W, Rogge A, et al. Thrombus in popliteal aneurysm: does it matter? J Vasc Surg. 2013;57(4):1083–8.
Fui diagnosticado com aneurisma de poplítea e quero entender as opções de tratamento
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Perguntas Frequentes
Como é definido o aneurisma de artéria poplítea?
Por que fazer rastreamento bilateral quando o diagnóstico é feito em apenas uma perna?
Qual o risco de um PAA assintomático desenvolver complicações?
A partir de qual diâmetro o PAA assintomático deve ser reparado?
Quais exames são utilizados no diagnóstico do PAA?
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