Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS AAP 2022 — G3

Aneurisma de Poplítea na Isquemia Aguda: Algoritmo Rutherford e Trombólise

Diretrizes SVS 2022 — Rec 5 (Grau 1B): manejo da ALI por PAA estratificado por grau de Rutherford. Trombólise no I-IIa, cirurgia imediata no IIb, amputação no III. 895 casos, amputação 14%.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: Isquemia aguda por trombose de PAA é emergência vascular. Estratificação por Rutherford: I (viável) = trombólise ou cirurgia eletiva; IIb (ameaçado) = trombólise CDT 12–24h ou trombectomia + bypass de urgência; III (irreversível) = amputação. Série de Kropman (895 casos): 14% de amputação no PAA com isquemia aguda. Fasciotomia preventiva indicada na reperfusão de membro IIb — SVS 2022 Rec 5.

A isquemia aguda de membro causada por aneurisma de artéria poplítea (PAA) é uma das emergências vasculares com pior prognóstico. Diferente da embolia cardíaca clássica, o PAA trombosado encontra um leito distal já comprometido por microembolização silenciosa crônica — tornando a recuperação do membro mais difícil e a margem de tempo para intervenção mais estreita.

Infográfico: Aneurisma de Poplítea na Isquemia Aguda — Algoritmo Rutherford SVS 2022

Fisiopatologia: Por Que o PAA Causa Isquemia Tão Grave

O mecanismo da ALI por PAA difere fundamentalmente da embolia cardíaca:

  1. Microembolização crônica e silenciosa — fragmentos do trombo mural embolizam progressivamente os vasos tibiais por meses a anos antes do evento agudo
  2. Obliteração das colaterais — a trombose do aneurisma destrói os ramos geniculares que servem como circulação colateral
  3. Resultado: quando ocorre a oclusão aguda, o paciente não tem colateral nem outflow tibial funcional → isquemia grave desde o início

Dado de impacto: revisão sistemática de Kropman 2010 (895 casos de ALI por PAA): taxa de amputação precoce de 14%.

Recomendação 5 — Algoritmo por Grau de Rutherford (Grau 1B)

Rec 5 — Grau 1B (forte · evidência moderada)

O manejo da ALI por PAA deve ser estratificado pelo grau de Rutherford na apresentação. A conduta difere fundamentalmente entre os graus I-IIa, IIb e III.

Algoritmo Terapêutico por Grau de Rutherford

🟢

Rutherford Grau I (Viável) e Grau IIa (Ameaçado Leve)

Sensibilidade e força muscular preservadas. Sem risco imediato de perda.

Conduta SVS 2022 (Rec 5, Grau 1B):

  1. Trombólise ou intervenção farmacossomecânica para melhorar runoff tibiopedal
  2. Após recuperação do outflow → reparo definitivo do PAA (OPAR ou EPAR)

Evidência: Pulli 2006 — 64,5% dos grau I-IIa tiveram restauração de perviedade com trombólise pré-op · Huang 2007 (74 ALI) — perviedade 30d: 96% com lysis vs 80% sem (p<0,05) · Dorigo 2002 — salvamento com lysis + OPAR: 86% vs OPAR isolado 70%

🟠

Rutherford Grau IIb (Ameaçado Grave)

Déficit motor presente. Risco imediato de perda do membro. Janela estreita.

Conduta SVS 2022 (Rec 5, Grau 1B):

  1. Reparo imediato do PAA (OPAR ou EPAR) — sem retardar para trombólise
  2. + Tromboembolectomia cirúrgica ou farmacossomecânica adjunta para maximizar outflow tibiopedal

⚠️ ALERTA: Trombólise CONTRAINDICADA no Grau IIb como tratamento primário.

Marty 2002: paciente grau IIb submetido a trombólise evoluiu com rabdomiólise e morte. O retardo para reparo definitivo é inaceitável neste grau.

🔴

Rutherford Grau III (Inviável)

Membro sem salvamento possível. Anestesia de marmorização, rigidez muscular.

Conduta SVS 2022:

Amputação — qualquer tentativa de revascularização aumenta o risco de síndrome de reperfusão e morte.

Tabela-Resumo do Algoritmo

Grau RutherfordApresentaçãoConduta SVS 2022
Grau I / IIaViável / ameaça leve · sem déficit motorTrombólise → melhora runoff → reparo PAA
Grau IIbAmeaça grave · déficit motor presenteReparo imediato OPAR/EPAR + tromboembolectomia adjunta
Grau IIIInviável · rigidez, marmorização fixaAmputação

Evidências de Suporte

EstudoNResultado-chave
Kropman 2010 (revisão sistemática)895 ALI por PAAAmputação precoce: 14% · Lysis + bypass: melhor perviedade 1 ano (sem diferença em amputação)
Pulli 200636Grau I-IIa: 64,5% restauração de perviedade com lysis pré-op
Huang 200774 ALI (24 com lysis)Perviedade 30d grau II: 96% com lysis vs 80% sem
Dorigo 200224Salvamento: lysis + OPAR 86% vs OPAR isolado 70%
Marty 2002 ⚠️13Lysis no grau IIb → rabdomiólise e morte em 1 caso

Referências

  1. Farber A, Angle N, Avgerinos E, Dubois L, Eslami M, Geraghty P, et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2022;75(1 Suppl):109S–120S.
  2. Kropman RH, Schrijver AM, Kelder JC, Moll FL, de Vries JP. Clinical outcome of acute leg ischaemia due to thrombosed popliteal artery aneurysm: systematic review of 895 cases. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2010;39(4):452–7.
  3. Pulli R, Dorigo W, Troisi N, Pratesi G, Innocenti AA, Pratesi C. Surgical management of popliteal artery aneurysms. World J Surg. 2006;30(10):1958–67.
  4. Huang Y, Gloviczki P, Noel AA, Sullivan TM, Kalra M, Gullerud RE, et al. Early complications and long-term outcome after open surgical treatment of popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2007;45(4):706–15.
  5. Marty B, Wicky S, Ris HB, Mueller X, Fischer A, Hayoz D, et al. Success of thrombolysis as a predictor of outcome after bypass surgery in acute lower limb ischemia. J Vasc Surg. 2002;35(4):677–83.
  6. Dorigo W, Pulli R, Turini F, Pratesi G, Credi G, Innocenti AA, et al. Acute leg ischaemia from thrombosed popliteal artery aneurysms. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2002;23(3):251–4.

Tenho aneurisma de poplítea e quero entender o risco de isquemia aguda

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Perguntas Frequentes

Por que a isquemia aguda causada por PAA é mais grave que a embolia cardíaca?
Porque o PAA causa embolização distal silenciosa e crônica antes do evento agudo, destruindo progressivamente o leito tibial. Quando ocorre a trombose aguda do aneurisma, o paciente já não tem colaterais nem outflow adequado. Na embolia cardíaca, o leito vascular distal costuma estar íntegro, o que permite melhor resultado do tratamento.
Qual o papel da trombólise na isquemia aguda por PAA?
A trombólise está indicada nos graus de Rutherford I e IIa quando há obstrução severa dos vasos tibiopedais, para melhorar o runoff antes do reparo definitivo do PAA. No grau IIb (isquemia grave), a trombólise é contraindicada — há relato de rabdomiólise e morte. No grau III (membro inviável), a amputação é a única conduta.
Qual a taxa de amputação na isquemia aguda por PAA?
A revisão sistemática de Kropman 2010, com 895 casos de ALI causada por PAA, demonstrou taxa de amputação precoce de 14%. A trombólise pré-operatória seguida de bypass melhorou a perviedade em 1 ano, mas não alterou a taxa de amputação em comparação à trombectomia cirúrgica isolada.
Como a classificação de Rutherford orienta o tratamento na ALI por PAA?
Grau I (viável) e IIa (ameaçado leve) com outflow comprometido: trombólise ou intervenção farmacossomecânica para recuperar runoff → reparo definitivo. Grau IIb (ameaçado grave): cirurgia imediata (OPAR ou EPAR) + tromboembolectomia ou farmacossomecânica adjunta para maximizar outflow. Grau III (inviável): amputação.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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