Aneurisma de Poplítea na Isquemia Aguda: Algoritmo Rutherford e Trombólise
Diretrizes SVS 2022 — Rec 5 (Grau 1B): manejo da ALI por PAA estratificado por grau de Rutherford. Trombólise no I-IIa, cirurgia imediata no IIb, amputação no III. 895 casos, amputação 14%.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Isquemia aguda por trombose de PAA é emergência vascular. Estratificação por Rutherford: I (viável) = trombólise ou cirurgia eletiva; IIb (ameaçado) = trombólise CDT 12–24h ou trombectomia + bypass de urgência; III (irreversível) = amputação. Série de Kropman (895 casos): 14% de amputação no PAA com isquemia aguda. Fasciotomia preventiva indicada na reperfusão de membro IIb — SVS 2022 Rec 5.
A isquemia aguda de membro causada por aneurisma de artéria poplítea (PAA) é uma das emergências vasculares com pior prognóstico. Diferente da embolia cardíaca clássica, o PAA trombosado encontra um leito distal já comprometido por microembolização silenciosa crônica — tornando a recuperação do membro mais difícil e a margem de tempo para intervenção mais estreita.

Fisiopatologia: Por Que o PAA Causa Isquemia Tão Grave
O mecanismo da ALI por PAA difere fundamentalmente da embolia cardíaca:
- Microembolização crônica e silenciosa — fragmentos do trombo mural embolizam progressivamente os vasos tibiais por meses a anos antes do evento agudo
- Obliteração das colaterais — a trombose do aneurisma destrói os ramos geniculares que servem como circulação colateral
- Resultado: quando ocorre a oclusão aguda, o paciente não tem colateral nem outflow tibial funcional → isquemia grave desde o início
Dado de impacto: revisão sistemática de Kropman 2010 (895 casos de ALI por PAA): taxa de amputação precoce de 14%.
Recomendação 5 — Algoritmo por Grau de Rutherford (Grau 1B)
Rec 5 — Grau 1B (forte · evidência moderada)
O manejo da ALI por PAA deve ser estratificado pelo grau de Rutherford na apresentação. A conduta difere fundamentalmente entre os graus I-IIa, IIb e III.
Algoritmo Terapêutico por Grau de Rutherford
Rutherford Grau I (Viável) e Grau IIa (Ameaçado Leve)
Sensibilidade e força muscular preservadas. Sem risco imediato de perda.
Conduta SVS 2022 (Rec 5, Grau 1B):
- Trombólise ou intervenção farmacossomecânica para melhorar runoff tibiopedal
- Após recuperação do outflow → reparo definitivo do PAA (OPAR ou EPAR)
Evidência: Pulli 2006 — 64,5% dos grau I-IIa tiveram restauração de perviedade com trombólise pré-op · Huang 2007 (74 ALI) — perviedade 30d: 96% com lysis vs 80% sem (p<0,05) · Dorigo 2002 — salvamento com lysis + OPAR: 86% vs OPAR isolado 70%
Rutherford Grau IIb (Ameaçado Grave)
Déficit motor presente. Risco imediato de perda do membro. Janela estreita.
Conduta SVS 2022 (Rec 5, Grau 1B):
- Reparo imediato do PAA (OPAR ou EPAR) — sem retardar para trombólise
- + Tromboembolectomia cirúrgica ou farmacossomecânica adjunta para maximizar outflow tibiopedal
⚠️ ALERTA: Trombólise CONTRAINDICADA no Grau IIb como tratamento primário.
Marty 2002: paciente grau IIb submetido a trombólise evoluiu com rabdomiólise e morte. O retardo para reparo definitivo é inaceitável neste grau.
Rutherford Grau III (Inviável)
Membro sem salvamento possível. Anestesia de marmorização, rigidez muscular.
Conduta SVS 2022:
Amputação — qualquer tentativa de revascularização aumenta o risco de síndrome de reperfusão e morte.
Tabela-Resumo do Algoritmo
| Grau Rutherford | Apresentação | Conduta SVS 2022 |
|---|---|---|
| Grau I / IIa | Viável / ameaça leve · sem déficit motor | Trombólise → melhora runoff → reparo PAA |
| Grau IIb | Ameaça grave · déficit motor presente | Reparo imediato OPAR/EPAR + tromboembolectomia adjunta |
| Grau III | Inviável · rigidez, marmorização fixa | Amputação |
Evidências de Suporte
| Estudo | N | Resultado-chave |
|---|---|---|
| Kropman 2010 (revisão sistemática) | 895 ALI por PAA | Amputação precoce: 14% · Lysis + bypass: melhor perviedade 1 ano (sem diferença em amputação) |
| Pulli 2006 | 36 | Grau I-IIa: 64,5% restauração de perviedade com lysis pré-op |
| Huang 2007 | 74 ALI (24 com lysis) | Perviedade 30d grau II: 96% com lysis vs 80% sem |
| Dorigo 2002 | 24 | Salvamento: lysis + OPAR 86% vs OPAR isolado 70% |
| Marty 2002 ⚠️ | 13 | Lysis no grau IIb → rabdomiólise e morte em 1 caso |
Referências
- Farber A, Angle N, Avgerinos E, Dubois L, Eslami M, Geraghty P, et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2022;75(1 Suppl):109S–120S.
- Kropman RH, Schrijver AM, Kelder JC, Moll FL, de Vries JP. Clinical outcome of acute leg ischaemia due to thrombosed popliteal artery aneurysm: systematic review of 895 cases. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2010;39(4):452–7.
- Pulli R, Dorigo W, Troisi N, Pratesi G, Innocenti AA, Pratesi C. Surgical management of popliteal artery aneurysms. World J Surg. 2006;30(10):1958–67.
- Huang Y, Gloviczki P, Noel AA, Sullivan TM, Kalra M, Gullerud RE, et al. Early complications and long-term outcome after open surgical treatment of popliteal artery aneurysms. J Vasc Surg. 2007;45(4):706–15.
- Marty B, Wicky S, Ris HB, Mueller X, Fischer A, Hayoz D, et al. Success of thrombolysis as a predictor of outcome after bypass surgery in acute lower limb ischemia. J Vasc Surg. 2002;35(4):677–83.
- Dorigo W, Pulli R, Turini F, Pratesi G, Credi G, Innocenti AA, et al. Acute leg ischaemia from thrombosed popliteal artery aneurysms. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2002;23(3):251–4.
Tenho aneurisma de poplítea e quero entender o risco de isquemia aguda
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Perguntas Frequentes
Por que a isquemia aguda causada por PAA é mais grave que a embolia cardíaca?
Qual o papel da trombólise na isquemia aguda por PAA?
Qual a taxa de amputação na isquemia aguda por PAA?
Como a classificação de Rutherford orienta o tratamento na ALI por PAA?
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