Bypass vs Endovascular na CLTI Infrainguinal: WIfI × GLASS × Veia — GVG 2019
A matriz de decisão WIfI × GLASS × disponibilidade de veia define a estratégia infrainguinal. Bypass com veia autóloga preferido em GLASS III + risco médio. Endovascular em GLASS I-II ou alto risco. Angiossomos, adjuntos à PBA e imagem intraoperatória obrigatória — Recs 6.32–6.42.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Bypass com veia autóloga (safena magna) é indicado em CLTI com risco médio, WIfI Stage 4 e GLASS Stage III — Rec 6.40, Grau 1B (CLTI 2019, Almasri 2018 metanálise). Endovascular preferido em GLASS I-II ou risco cirúrgico elevado. Angiossomos guiam a revascularização direta em feridas do pé. Veia autóloga tem perviedade superior ao PTFE em posição infrapoplítea (primária 5 anos: 69% vs 38% — BASIL trial).
A decisão entre bypass e endovascular na doença infrainguinal na CLTI não é binária — é uma matriz tridimensional que integra WIfI Stage (gravidade da ameaça ao membro), GLASS Stage (complexidade anatômica da doença femoropoplítea e infrapoplítea) e a disponibilidade de veia autóloga como conduto. As GVG 2019 formalizam essa matriz em 11 recomendações (Recs 6.32–6.42) que cobrem pacientes de risco médio e alto, técnica endovascular, bypass, adjuntos e imagem intraoperatória.

Matriz de Decisão Infrainguinal — Risco Médio
| WIfI Stage | GLASS Stage | Veia Autóloga | Conduta Preferida |
|---|---|---|---|
| Stage 4 (ameaça avançada) | III | Disponível | BYPASS COM VEIA AUTÓLOGA — 1ª escolha |
| Stage 4 (ameaça avançada) | I–II | Qualquer | ENDOVASCULAR |
| Stage 4 (ameaça avançada) | III | Indisponível | ENDOVASCULAR (protético apenas se sem outra opção) |
| Stage 2–3 (intermediária) | I–II | Qualquer | ENDOVASCULAR |
| Stage 2–3 (intermediária) | III | Disponível | Decisão compartilhada: bypass vs endovascular |
Pacientes de Alto Risco Cirúrgico (Recs 6.33–6.37 — Grau 2B)
Em pacientes de alto risco (mortalidade operatória ≥5% ou sobrevida 2 anos ≤50%), o endovascular é preferido quando tecnicamente factível em todos os estágios de ameaça ao membro — incluindo WIfI Stage 4 com GLASS III. A cirurgia aberta pode ser considerada seletivamente em alto risco + GLASS III + falha endovascular prévia documentada (Rec 6.37, Grau 2C).
Veia Autóloga — O Conduto Insubstituível (Recs 6.40–6.41)
Rec 6.40 (Grau 1B): Veia autóloga como conduto preferencial para bypass infrainguinal na CLTI. [Almasri et al. 2018 — meta-análise de 154 estudos comparativos]
Rec 6.41 (Grau 2C): EVITAR conduto não-autólogo exceto se veia autóloga indisponível E endovascular não é tecnicamente possível.
Rec 6.42 (Grau 1C): Imagem intraoperatória OBRIGATÓRIA ao completar bypass aberto — DUS intraop, arteriografia de conclusão ou angioscopia. [Mills 1992; Bandyk 1994]
- Veia safena magna ipsilateral invertida ou in situ
- Veia safena magna contralateral
- Veia safena parva
- Veias do braço (basílica, cefálica, braquial)
- Veia esplénica ou mesentérica (raramente)
- • PTFE abaixo do joelho: perviedade 3 anos inferior à veia
- • Dacron infrapoplíteo: pior resultado que PTFE
- • Veia criopreservada: resultados decepcionantes
- • Biológico (bovino): reestenose frequente abaixo do joelho
Adjuntos ao Endovascular e Revascularização por Angiossomos (Recs 6.38–6.39)
Rec 6.38 (Grau 2C): Revascularização guiada por angiossomos em feridas do médio e retropé quando tecnicamente viável. [Azuma 2012; Biancari 2014]
Rec 6.39 (Grau 2B): Adjuntos à PBA (stents, DCB, DES) em resultado inadequado ou doença GLASS FP Grau 2–4.
Angiossomos e revascularização direta vs indireta
- • Restabelece fluxo na artéria que alimenta a ferida
- • Melhores taxas de cicatrização e salvamento
- • Preferida quando tecnicamente possível
- • Restabelece fluxo em artéria proximal ao angiosoma da ferida
- • Resultados típicamente inferiores à direta
- • Aceitável quando revascularização direta não é factível
Referência
Conte MS, Bradbury AW, Kolh P, White JV, Dick F, Fitridge R, Mills JL, Ricco JB, Suresh KR, Murad MH; GVG Writing Group. Global vascular guidelines on the management of chronic limb-threatening ischemia. J Vasc Surg. 2019;69(6 Suppl):3S-125S. DOI: 10.1016/j.jvs.2019.02.016
Perguntas Frequentes
Quando o bypass com veia autóloga é preferido ao endovascular na CLTI infrainguinal?
Em quais situações o endovascular é a melhor opção na CLTI infrainguinal?
O que são 'adjuntos à PBA' e quando devem ser usados?
Por que a veia autóloga é obrigatória como conduto de primeira escolha no bypass infrainguinal?
O que é a revascularização guiada por angiossomos e ela melhora resultados?
Por que a imagem intraoperatória é obrigatória ao completar um bypass infrainguinal?
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