Imagem Vascular e Sistema GLASS na CLTI — GVG SVS/ESVS/WFVS 2019
Como o GLASS substitui o TASC na CLTI: TAP (trajeto arterial alvo baseado em angiossomos) + LBP (perviedade baseada no membro) resultam em 3 estágios de complexidade que guiam a escolha entre endovascular e bypass — Recomendações 3.7–5.1.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: GLASS (Global Limb Anatomic Staging System) substitui TASC na CLTI: combina TAP (trajeto arterial alvo) + LBP (perviedade baseada no membro) para guiar a escolha entre endovascular (GLASS I-II) e bypass (GLASS III com boa veia). DUS é a primeira linha; angioTC com subtração digital para planejamento detalhado. GLASS Stage III + boa veia autóloga: bypass com expectativa de perviedade superior.
O GLASS (Global Limb Anatomic Staging System) é a principal inovação metodológica das GVG 2019 para o planejamento da revascularização na CLTI. Ao contrário do TASC — desenvolvido para claudicação e baseado em segmentos isolados —, o GLASS integra toda a extensão da doença arterial desde o segmento de influxo até o pé, identifica o trajeto arterial preferencial em direção à ferida (TAP) e gradua a complexidade em três estágios que têm implicação direta na escolha entre endovascular e bypass.

Recomendações de Imagem Vascular (Recs 3.7–3.9)
Rec 3.7 (Grau 2B): DUS como modalidade de primeira linha na investigação anatômica da CLTI.
Rec 3.8 (Grau 2B): Realizar DUS, AngioTC ou AngioRM antes de arteriografia por cateter em todos os candidatos à revascularização.
Rec 3.9 (GPS): Imagem angiográfica de alta qualidade incluindo tornozelo e pé deve ser obtida em TODOS os candidatos à revascularização.
| Modalidade | Vantagens | Limitações | Indicação |
|---|---|---|---|
| DUS (Duplex Scan) | Sem contraste; sem radiação; avalia hemodinâmica; acessível | Operador-dependente; limitado em calcificação grave e obesidade | 1ª linha (Rec 3.7) |
| AngioTC multislice | Alta resolução; planejamento cirúrgico; excluir diagnósticos diferenciais | Radiação + contraste iodado; artefatos de calcificação | Definitivo pré-revascularização (Rec 3.8) |
| AngioRM (Gadolínio) | Sem radiação; boa visualização de vasos distais | Contraindicada em stents; menor disponibilidade; tempo de aquisição longo | Alternativa à AngioTC (Rec 3.8) |
| Foot MRA | Melhor visualização das artérias do pé | Alta resolução exige equipamento específico | Para planejamento de anastomose distal |
| Arteriografia por cateter | Padrão de planejamento endovascular; medida de gradiente; permite intervenção | Invasiva; risco de acidente vascular e contraste | Pré-intervenção; quando DUS/TC inconclusivo (Rec 3.9) |
O Sistema GLASS — Gradação Femoropoplítea e Infrapoplítea
O GLASS gradua separadamente os segmentos femoropoplíteo (FP) e infrapoplíteo (IP), identificando o TAP e combinando os graus em um estágio final de complexidade do membro (Stage I, II ou III).
Segmento Femoropoplíteo (FP)
| Grau | Critério |
|---|---|
| Grau 0 | Doença mínima (<50% estenose) |
| Grau 1 | Estenose focal moderada/única |
| Grau 2 | Oclusão focal <10 cm OU estenoses múltiplas moderadas |
| Grau 3 | Oclusão longa 10–20 cm OU estenose longa difusa |
| Grau 4 | Oclusão >20 cm OU doença difusa grave |
Segmento Infrapoplíteo (IP) — via TAP
| Grau | Critério |
|---|---|
| Grau 0 | Doença mínima (<50% no TAP) |
| Grau 1 | Estenose <1/3 do comprimento de cada segmento TAP |
| Grau 2 | Estenose ≥1/3 OU oclusão segmentar no TAP |
| Grau 3 | Oclusão difusa em 2 ou mais vasos tibiais/fibular no TAP |
FP grau 0-1 + IP grau 0-1. Endovascular preferido — resultados favoráveis esperados. Menor risco de complicações técnicas.
FP grau 2-3 e/ou IP grau 2. Endovascular ou bypass conforme perfil do paciente. Decisão compartilhada com WIfI e risco cirúrgico.
FP grau 4 e/ou IP grau 3. Bypass com veia autóloga preferido em risco médio. Endovascular em alto risco cirúrgico ou sem veia disponível.
TAP, LBP e Revascularização Guiada por Angiossomos (Rec 5.1)
O conceito de angiossomos — territórios vasculares cutâneos alimentados por artérias específicas — é fundamental para identificar o TAP e planejar a revascularização que maximiza a perfusão direta da ferida.
- Hálux e antepé medial → Artéria tibial anterior (dorsal do pé)
- Antepé lateral → Artéria peroneira (ramos perfurantes)
- Calcâneo e retropé medial → Artéria tibial posterior (calcanhar medial)
- Calcâneo lateral → Artéria peroneira (ramos calcaneares laterais)
- Planta do pé → Artéria tibial posterior (plantar medial e lateral)
O desfecho primário em CLTI não é a perviedade do enxerto ou stent isolado, mas sim a manutenção de fluxo adequado até o pé — seja pelo TAP revascularizado ou por colaterais.
- ✓ Enxerto ocluído + colaterais suficientes = LBP mantida (membro salvo)
- ✗ Enxerto pérvio + doença distal progressiva = LBP perdida (amputação)
Referência
Conte MS, Bradbury AW, Kolh P, White JV, Dick F, Fitridge R, Mills JL, Ricco JB, Suresh KR, Murad MH; GVG Writing Group. Global vascular guidelines on the management of chronic limb-threatening ischemia. J Vasc Surg. 2019;69(6 Suppl):3S-125S. DOI: 10.1016/j.jvs.2019.02.016
Perguntas Frequentes
Por que o GLASS foi criado se já existia o TASC para classificar a doença arterial periférica?
O que é o TAP (Target Artery Path) e como ele é definido?
Quais são os estágios GLASS e o que eles significam para a escolha do tratamento?
Qual exame de imagem deve ser solicitado primeiro na investigação anatômica da CLTI?
Como a revascularização guiada por angiossomos melhora os resultados em CLTI?
O que é LBP (Limb-Based Patency) e por que ela é mais relevante que a perviedade do enxerto isolado?
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