Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS CI 2025 — F3

Exercício Supervisionado na Claudicação Intermitente: SET vs HET e Exercício Pós-Revascularização — SVS 2025

As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) posicionam o SET (Exercício Supervisionado) como primeira linha para claudicação intermitente com Grau 1A — a recomendação mais forte da série. LITE trial: caminhar até a dor é obrigatório. ERASE e IRONIC: revascularização não supera o exercício a longo prazo.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: O exercício supervisionado em esteira (SET) é a primeira linha de tratamento para claudicação intermitente — Grau 1A nas diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26). Protocolo: ≥3 sessões/semana, 30–60 min, por ≥12 semanas, na intensidade máxima tolerável. O exercício domiciliar com tecnologia (HET) é alternativa de Grau 1B. Trials GOALS, HONOR, NEXT Step e ERASE confirmam aumento de distância de caminhada e qualidade de vida.

A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) mantém o exercício supervisionado como primeira linha para claudicação — não como opção conservadora alternativa, mas como tratamento de eficácia comprovada com Grau 1A. E os dados de 5 anos mostram que a revascularização sem exercício não sustenta o ganho funcional.

Infográfico: exercício supervisionado na claudicação intermitente — SET vs HET — SVS 2025

Recomendações 5, 6 e 7 — SVS CI 2025

Recomendação 6 — SET como 1ª linha★ Grau 1 — RECOMENDAMOS | Evidência A — Mais forte da série

Em pacientes com claudicação intermitente, recomendamos um programa de exercício supervisionado (SET) consistindo em caminhada no mínimo 3 vezes por semana (30-60 min/sessão) por pelo menos 12 semanas como terapia de primeira linha.

Recomendação 5 — HET como alternativaGrau 1 — Recomendamos | Evidência B

Em pacientes com CI que completaram um programa de SET e/ou se recusam ou não conseguem participar de SET, recomendamos um programa de caminhada domiciliar (HET).

Recomendação 7 — Exercício pós-revascularizaçãoGrau 2 — Sugerimos | Evidência C

Para pacientes que foram revascularizados por CI, sugerimos a continuação da terapia por exercício pós-intervenção (SET ou HET).

Protocolo SET — O Elemento Crítico: Intensidade Até a Dor

Por que caminhar ATÉ a dor isquêmica é obrigatório

Protocolo correto (alta intensidade):

Caminhar até claudicação moderada-intensa (dor isquêmica)
Parar, descansar até melhora dos sintomas
Retomar — repetir o ciclo
Frequência: ≥3×/semana (ideal 5×/semana)
Duração: 30-60 min/sessão · Mínimo 12 semanas

Protocolo ineficaz (baixa intensidade):

Caminhar confortavelmente sem claudicar
Parar antes de atingir a dor
Evitar qualquer desconforto

LITE trial:

Baixa intensidade NÃO diferiu do grupo controle sem exercício — caminhada confortável é ineficaz para claudicação

Fisiopatologia: A dor isquêmica durante o exercício é o estímulo que dispara neoangiogênese, desenvolvimento de circulação colateral, melhora da eficiência mitocondrial muscular e redução da inflamação sistêmica. Sem atingir a isquemia, não há adaptação.

HET — O Que os Trials Ensinam sobre Exercício Domiciliar

GOALS TrialMelhora significativa a 6 e 12 meses

Componente COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (reuniões em grupo, metas progressivas, reforço comportamental) = chave do sucesso

→ HET com suporte cognitivo-comportamental é eficaz

HONOR TrialSem diferença vs controle a 9 meses

Tracker de atividade + coaching APENAS por telefone → insuficiente. Sem visitas presenciais, sem benefício mensurável

→ Algum contato presencial é necessário — não pode ser 100% remoto

NEXT Step TrialSET = HET estruturado > controles a 12 semanas

SET vs HET com tracker e metas → ambos superiores ao controle; sem superioridade de um sobre o outro

→ HET bem estruturado pode ser equivalente ao SET — mas precisa de estrutura

LITE TrialAlta intensidade >> Baixa intensidade = Controle

Alta intensidade (até a dor): superior em 6MWT, velocidade, SPPB. Baixa intensidade: NÃO diferiu do grupo sem exercício

→ Caminhar sem claudicar é ineficaz — a dor isquêmica é o estímulo necessário

Checklist — HET eficaz baseado em evidências

✅ Intensidade: caminhar ATÉ a dor isquêmica (não confortavelmente)

✅ Monitor de atividade (pedômetro, app ou wearable)

✅ Metas progressivas semanais com registro

✅ Componente cognitivo-comportamental (autoeficácia, reforço)

✅ Pelo menos algumas visitas presenciais periódicas

✅ Frequência: ≥5×/semana, até 50 min/sessão

Revascularização + Exercício — O Que os Trials de Longo Prazo Mostram

ERASE Trial (212 pacientes)

Comparação: Revasc endovascular + SET vs SET isolado

1 anoRevasc + SET superior ↑ MWD
5 anosSem diferença entre grupos

Grupo revasc: maior número total de procedimentos ao longo do seguimento

IRONIC Trial

Comparação: SET isolado vs Revasc + SET

✅ SET isolado = QoL superior (1 sub-escala SF-36)

⚠️ 5 anos: mortalidade e piora de MWD MAIORES no grupo revasc!

Cautela na interpretação: não era desfecho primário; possível viés de seleção

Meta-análise em rede — conclusão

Nenhum tratamento (SET, endovascular ou combinação) manteve melhora de MWD além de 2 anos vs controles. O ganho é real a curto-médio prazo, mas não se sustenta indefinidamente. Implicação: o exercício deve ser contínuo e crônico — não é um tratamento de cursa duração.

Referências

  1. Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
  2. McDermott MM, Spring B, Berger JS, et al. Effect of a home-based exercise intervention of low-intensity versus high-intensity exercise on walking ability in patients with peripheral artery disease (LITE trial). JAMA. 2021;325(13):1266-76.
  3. Fakhry F, Spronk S, van der Laan L, et al. Endovascular revascularization and supervised exercise for peripheral artery disease and intermittent claudication (ERASE trial). JAMA. 2015;314(18):1936-44.
  4. Nordanstig J, James S, Andersson M, et al. Mortality with Paclitaxel-Coated Devices in Peripheral Artery Disease (SWEDEPAD trial context). N Engl J Med. 2020;383(26):2538-46.
  5. Gardner AW, Parker DE, Montgomery PS, et al. Efficacy of quantified home-based exercise and supervised exercise in patients with intermittent claudication: a randomized controlled trial (HONOR trial). Circulation. 2011;123(5):491-8.
  6. Harwood AE, Totty JP, Broadbent E, et al. Group-mediated cognitive behavioral exercise therapy for patients with symptomatic peripheral arterial disease (GOALS trial). Vasc Med. 2018;23(4):347-54.

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Perguntas Frequentes

Por que o exercício supervisionado é recomendado com Grau 1A na claudicação?
O exercício supervisionado (SET) é a única intervenção para claudicação intermitente com Grau 1A na SVS 2025 — o nível mais alto de recomendação, baseado em múltiplos ensaios randomizados de alta qualidade. O SET melhora a distância máxima de caminhada (MWD), a capacidade funcional e a qualidade de vida de forma consistente e sustentada. Os mecanismos incluem: melhora da eficiência de extração de oxigênio pelo músculo esquelético, estímulo à neoangiogênese e desenvolvimento de circulação colateral, redução da inflamação sistêmica e melhora da função endotelial. Crucialmente, o SET produz esses benefícios sem o risco perioperatório das intervenções, e seus efeitos tendem a se manter com o treinamento contínuo.
Qual é o protocolo correto de exercício supervisionado para claudicação?
O protocolo recomendado pela SVS 2025 inclui: frequência mínima de 3 vezes por semana (idealmente 5×/semana), sessões de 30 a 60 minutos, duração de pelo menos 12 semanas. O elemento mais crítico é a INTENSIDADE: o paciente deve caminhar até induzir sintomas de claudicação — dor isquêmica de moderada a intensa — antes de parar para descanso, e depois retomar. Caminhar sem atingir a claudicação (baixa intensidade) NÃO produz os mesmos benefícios, como demonstrado pelo LITE trial. O SET deve ser realizado em laboratório de exercício supervisionado com monitoramento adequado.
Quando o exercício domiciliar (HET) é indicado na claudicação?
O HET (Home-based Exercise Therapy) é recomendado pela SVS 2025 com Grau 1B quando: (1) o paciente completou um programa de SET e continua em exercício; (2) o paciente se recusa ou não consegue participar de programa supervisionado; (3) há barreiras logísticas — distância, transporte, custo, horário. Para ser eficaz, o HET deve incluir: caminhada de alta intensidade (até a dor isquêmica), monitor de atividade (pedômetro ou app), componente cognitivo-comportamental (metas, reforço, check-ins), e pelo menos algumas visitas presenciais periódicas. Caminhar confortavelmente sem atingir a claudicação (baixa intensidade) não é um HET eficaz.
O exercício supervisionado é melhor que a revascularização na claudicação?
Para a maioria dos pacientes com claudicação, o SET como tratamento inicial é tão eficaz quanto a revascularização a longo prazo — e sem o risco perioperatório. O ERASE trial (212 pacientes) mostrou que revascularização endovascular + SET foi superior ao SET isolado em distância máxima de caminhada a 1 ano, mas essa diferença não se manteve aos 5 anos. O IRONIC trial identificou mortalidade e deterioração da MWD maiores no grupo que recebeu revascularização + SET comparado ao SET isolado a 5 anos. Uma meta-análise em rede mostrou que nenhum tratamento manteve melhora de MWD além de 2 anos. Esses dados reforçam o SET como primeira linha, com revascularização reservada para falha clínica após tentativa adequada.
Quais trials definem a eficácia do exercício domiciliar na claudicação?
Os principais trials que informam o HET na claudicação: GOALS trial — componente cognitivo-comportamental (grupos de apoio, metas progressivas, reforço comportamental) melhora resultados a 6 e 12 meses; HONOR trial — tracker de atividade + coaching telefônico isolado não foi superior ao controle, demonstrando que visitas presenciais são necessárias; NEXT Step trial — SET vs HET estruturado com tracker: ambos superiores a controles a 12 semanas, sem superioridade de um sobre o outro; LITE trial — alta intensidade (até a dor) claramente superior à baixa intensidade no HET; o grupo de baixa intensidade não diferiu do grupo controle sem exercício. Conclusão: HET com componente cognitivo-comportamental, alta intensidade e algum contato presencial pode ser equivalente ao SET.
Deve-se manter o exercício após revascularização na claudicação?
Sim. A SVS 2025 (Recomendação 7 — Grau 2C) sugere a continuação do exercício (SET ou HET) após revascularização, baseando-se na lógica de que a revascularização melhora o substrato anatômico para o exercício (mais fluxo = menos isquemia a cada passo), mas não trata a doença de base. Os dados mostram que exercício adjuvante após revascularização pode melhorar a MWD a curto-médio prazo. Entretanto, não há evidência de que a combinação seja superior ao exercício isolado no longo prazo. A principal mensagem: revascularização não substitui o exercício — são estratégias complementares.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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