Intervenção Infrapoplítea e Dispositivos Drug-Eluting na Claudicação Intermitente — SVS 2025
As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) encerram a série com dois dados que mudam a prática: 28% dos PVI para CI incluem tibial — sem evidência, com HR de amputação 4,6. E para femoropoplítea >5cm: BMS/DCB/DES superam o PBA. Paclitaxel: seguro (FDA 2023). Encerramento da série SVS CI 2025.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Revascularização de vasos infrapoplíteos é CONTRAINDICADA na claudicação pura (Grau 2C — SVS 2025, Rec 11): risco de amputação aumentado em 4,6× em um estudo retrospectivo. Para doença femoropoplítea >5cm, BMS/DCB/DES superam angioplastia simples (Grau 1B, Rec 12). Paclitaxel em DCB/DES considerado seguro conforme reanálise FDA 2023.
Dois dados que deveriam mudar a prática: primeiro, 28% das intervenções por claudicação incluem artérias tibiais — sem nenhuma evidência que suporte isso, com risco de amputação 4,6 vezes maior. Segundo, para lesões femoropoplíteas acima de 5 cm, o balão simples não é suficiente. A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) é clara nos dois.

Recomendação 11 — CONTRA Intervenção Infrapoplítea na Claudicação (Grau 2C)
Em pacientes com CI sem sinais de CLTI, sugerimos contra o uso de revascularização infrapoplítea — seja isolada OU em combinação com intervenção mais proximal — devido à falta de evidência de benefício e ao potencial de dano.
28%
dos PVI para CI incluíam tratamento tibial (Medicare 2017-2019)
Crescendo sem evidência
HR 4,6
risco de amputação com tratamento infrapoplíteo (IC 3,5–5,9)
vs sem intervenção tibial
20%
apenas — livres de claudicação a 2 anos com FP + tibial (VQI)
Limiar SVS: >50% = mínimo
Impacto da Intervenção Infrapoplítea na CI — Dados Comparativos
| Desfecho | Sem infrapoplítea | Com infrapoplítea | HR |
|---|---|---|---|
| MALE | Referência | ↑↑ | 2,2 (IC 1,5–3,2) |
| Amputação | Referência | ↑↑↑ | 4,6 (IC 3,5–5,9) |
| Reintervenção | Referência | ↑ | 1,2 (IC 1,1–1,4) |
Exceção admitida: Estenose grave do tronco tibioperonier que compromete tecnicamente o resultado da intervenção proximal — deve ser avaliada ANTES de iniciar qualquer PVI por CI.
Recomendação 12 — BMS/DCB/DES vs PBA para Femoropoplítea >5cm (Grau 1B)
Em pacientes com CI selecionados para intervenção endovascular em doença femoropoplítea com lesões maiores que 5 cm, recomendamos o uso de BMS ou dispositivos drug-eluting (DCB ou DES) em vez de PBA para reduzir o risco de reestenose e necessidade de reintervenção.
| Comparação | TLR (dispositivo) | TLR (PBA) | Redução | Contexto |
|---|---|---|---|---|
| DCB vs PBA | 8–15% | 17–28% | ~50% | Lesões curtas a intermediárias — ensaios randomizados |
| DES vs PBA/BMS | 4,5–9% | 17% | ~60% | Lesões de qualquer comprimento — meta-análise |
| BMS vs PBA | ~12% | 17–28% | ~30-40% | Lesões >5cm — superior ao PBA; inferior a DCB/DES |
| PBA vs BMS | ~17% | ~17% | Semelhante | Lesões <5cm — BMS NÃO supera PBA neste subgrupo |
⚠️ Limitação importante: TLR como desfecho
O TLR (reintervenção na lesão-alvo) é um endpoint regulatório — não captura patência anatômica nem ganho funcional. Em estudos de IC, a taxa de liberdade de TLR é 20-30% maior que a patência objetiva. Muitos pacientes com reestenose/oclusão pós-PVI podem escolher não se reinterverir. O TLR subestima a frequência de falha e superestima a durabilidade percebida das intervenções.
A Controvérsia do Paclitaxel — Resolvida
Katsanos et al. — meta-análise
Possível sinal de mortalidade tardia com dispositivos paclitaxel — gerou suspensão ampla de indicações
SWEDEPAD — trial prospectivo randomizado (Nordanstig et al.)
Sem diferença de mortalidade entre paclitaxel vs controle em seguimento de até 3 anos
Meta-análise de dados individuais de pacientes
Sem excesso de mortalidade com paclitaxel em análise de dados individuais de múltiplos trials
FDA — declaração após análise extensa
"Os dados acumulados NÃO indicam que o uso de dispositivos revestidos com paclitaxel está associado a risco aumentado de mortalidade tardia." DCB e DES com paclitaxel: seguros para uso clínico.
O que NÃO Funciona — Práticas Sem Evidência
Aterectomia rotineira
Sem benefício claro vs PBA ou outras alternativas em termos de patência, reintervenção ou desfechos funcionais. Custo adicional sem retorno.
Reintervenção por reestenose assintomática pós-PVI
Restenose pós-PVI assintomática tem história natural benigna. Não há evidência de benefício de tratamento não-clinicamente guiado (baseado apenas em imagem).
Litotripsia intravascular (IVL) ou IVUS de rotina
Dados insuficientes — promissores em cenários específicos (calcificação severa), mas sem evidência para uso rotineiro em claudicação.
Bypass tibial para claudicação
Resultados inferiores ao bypass poplíteo para todos os desfechos. Análise de registro recente confirma: evitar tibial como alvo em CI.
Série SVS CI 2025 — Encerramento
5 posts · 12 recomendações · Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26
F1
Dupla via: Rivaroxabana + AAS
F2
AAS/Clopi/Ticagrelor + DAPT
F3
SET Grau 1A vs HET
F4
SDM + MACE + MALE
F5
Tibial CONTRA + DCB/DES
Referências
- Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
- Nordanstig J, James S, Andersson M, et al. Mortality with Paclitaxel-Coated Devices in Peripheral Artery Disease (SWEDEPAD trial). N Engl J Med. 2020;383(26):2538-46.
- Katsanos K, Spiliopoulos S, Kitrou P, et al. Risk of death following application of paclitaxel-coated balloons and stents in the femoropopliteal artery of the leg. J Am Heart Assoc. 2018;7(24):e011245.
- Rocha-Singh KJ, Duval S, Jaff MR, et al. Mortality and paclitaxel-coated devices: an individual patient data meta-analysis. Circulation. 2020;141(23):1859-69.
- Tepe G, Laird J, Schneider P, et al. Drug-coated balloon versus standard percutaneous transluminal angioplasty for the treatment of superficial femoral and popliteal peripheral artery disease: 12-month results from the IN.PACT SFA randomized trial. Circulation. 2015;131(5):495-502.
- Dake MD, Ansel GM, Jaff MR, et al. Paclitaxel-eluting stents show superiority to balloon angioplasty and bare metal stents in femoropopliteal disease: twelve-month Zilver PTX randomized study results. Circ Cardiovasc Interv. 2011;4(5):495-504.
Suas pernas estão te preocupando?
Dr. Maurício Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em MaringáCRM-PR 21589 · Atendimento com hora marcada
Agendar pelo WhatsAppOu ligue: (44) 99129-7111
Perguntas Frequentes
Por que a SVS 2025 recomenda CONTRA a intervenção infrapoplítea na claudicação?
Qual a escala do problema das intervenções tibiais desnecessárias para claudicação?
Quando usar DCB ou DES em vez de balão simples (PBA) na claudicação?
Os dispositivos com paclitaxel (DCB e DES) são seguros?
A aterectomia tem papel no tratamento da claudicação intermitente?
Qual o papel da cirurgia aberta no tratamento da claudicação intermitente?
Quer uma segunda opinião?
Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.
Leia também
Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular
Agendar pelo WhatsApp