Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS CI 2025 — F5

Intervenção Infrapoplítea e Dispositivos Drug-Eluting na Claudicação Intermitente — SVS 2025

As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) encerram a série com dois dados que mudam a prática: 28% dos PVI para CI incluem tibial — sem evidência, com HR de amputação 4,6. E para femoropoplítea >5cm: BMS/DCB/DES superam o PBA. Paclitaxel: seguro (FDA 2023). Encerramento da série SVS CI 2025.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: Revascularização de vasos infrapoplíteos é CONTRAINDICADA na claudicação pura (Grau 2C — SVS 2025, Rec 11): risco de amputação aumentado em 4,6× em um estudo retrospectivo. Para doença femoropoplítea >5cm, BMS/DCB/DES superam angioplastia simples (Grau 1B, Rec 12). Paclitaxel em DCB/DES considerado seguro conforme reanálise FDA 2023.

Dois dados que deveriam mudar a prática: primeiro, 28% das intervenções por claudicação incluem artérias tibiais — sem nenhuma evidência que suporte isso, com risco de amputação 4,6 vezes maior. Segundo, para lesões femoropoplíteas acima de 5 cm, o balão simples não é suficiente. A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) é clara nos dois.

Infográfico: infrapoplítea e dispositivos drug-eluting na claudicação — SVS 2025 — encerramento da série

Recomendação 11 — CONTRA Intervenção Infrapoplítea na Claudicação (Grau 2C)

Recomendação 11 — Infrapoplítea na CIGrau 2 — Sugerimos CONTRA | Evidência C

Em pacientes com CI sem sinais de CLTI, sugerimos contra o uso de revascularização infrapoplítea — seja isolada OU em combinação com intervenção mais proximal — devido à falta de evidência de benefício e ao potencial de dano.

28%

dos PVI para CI incluíam tratamento tibial (Medicare 2017-2019)

Crescendo sem evidência

HR 4,6

risco de amputação com tratamento infrapoplíteo (IC 3,5–5,9)

vs sem intervenção tibial

20%

apenas — livres de claudicação a 2 anos com FP + tibial (VQI)

Limiar SVS: >50% = mínimo

Impacto da Intervenção Infrapoplítea na CI — Dados Comparativos

DesfechoSem infrapoplíteaCom infrapoplíteaHR
MALEReferência↑↑2,2 (IC 1,5–3,2)
AmputaçãoReferência↑↑↑4,6 (IC 3,5–5,9)
ReintervençãoReferência1,2 (IC 1,1–1,4)

Exceção admitida: Estenose grave do tronco tibioperonier que compromete tecnicamente o resultado da intervenção proximal — deve ser avaliada ANTES de iniciar qualquer PVI por CI.

Recomendação 12 — BMS/DCB/DES vs PBA para Femoropoplítea >5cm (Grau 1B)

Recomendação 12 — Dispositivos drug-eluting na FPGrau 1 — Recomendamos | Evidência B

Em pacientes com CI selecionados para intervenção endovascular em doença femoropoplítea com lesões maiores que 5 cm, recomendamos o uso de BMS ou dispositivos drug-eluting (DCB ou DES) em vez de PBA para reduzir o risco de reestenose e necessidade de reintervenção.

ComparaçãoTLR (dispositivo)TLR (PBA)ReduçãoContexto
DCB vs PBA8–15%17–28%~50%Lesões curtas a intermediárias — ensaios randomizados
DES vs PBA/BMS4,5–9%17%~60%Lesões de qualquer comprimento — meta-análise
BMS vs PBA~12%17–28%~30-40%Lesões >5cm — superior ao PBA; inferior a DCB/DES
PBA vs BMS~17%~17%SemelhanteLesões <5cm — BMS NÃO supera PBA neste subgrupo

⚠️ Limitação importante: TLR como desfecho

O TLR (reintervenção na lesão-alvo) é um endpoint regulatório — não captura patência anatômica nem ganho funcional. Em estudos de IC, a taxa de liberdade de TLR é 20-30% maior que a patência objetiva. Muitos pacientes com reestenose/oclusão pós-PVI podem escolher não se reinterverir. O TLR subestima a frequência de falha e superestima a durabilidade percebida das intervenções.

A Controvérsia do Paclitaxel — Resolvida

2018

Katsanos et al. — meta-análise

Possível sinal de mortalidade tardia com dispositivos paclitaxel — gerou suspensão ampla de indicações

2020

SWEDEPAD — trial prospectivo randomizado (Nordanstig et al.)

Sem diferença de mortalidade entre paclitaxel vs controle em seguimento de até 3 anos

2021-22

Meta-análise de dados individuais de pacientes

Sem excesso de mortalidade com paclitaxel em análise de dados individuais de múltiplos trials

2023

FDA — declaração após análise extensa

"Os dados acumulados NÃO indicam que o uso de dispositivos revestidos com paclitaxel está associado a risco aumentado de mortalidade tardia." DCB e DES com paclitaxel: seguros para uso clínico.

O que NÃO Funciona — Práticas Sem Evidência

Aterectomia rotineira

Sem benefício claro vs PBA ou outras alternativas em termos de patência, reintervenção ou desfechos funcionais. Custo adicional sem retorno.

Reintervenção por reestenose assintomática pós-PVI

Restenose pós-PVI assintomática tem história natural benigna. Não há evidência de benefício de tratamento não-clinicamente guiado (baseado apenas em imagem).

Litotripsia intravascular (IVL) ou IVUS de rotina

Dados insuficientes — promissores em cenários específicos (calcificação severa), mas sem evidência para uso rotineiro em claudicação.

Bypass tibial para claudicação

Resultados inferiores ao bypass poplíteo para todos os desfechos. Análise de registro recente confirma: evitar tibial como alvo em CI.

Série SVS CI 2025 — Encerramento

5 posts · 12 recomendações · Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26

F1

Dupla via: Rivaroxabana + AAS

F2

AAS/Clopi/Ticagrelor + DAPT

F3

SET Grau 1A vs HET

F4

SDM + MACE + MALE

F5

Tibial CONTRA + DCB/DES

Referências

  1. Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
  2. Nordanstig J, James S, Andersson M, et al. Mortality with Paclitaxel-Coated Devices in Peripheral Artery Disease (SWEDEPAD trial). N Engl J Med. 2020;383(26):2538-46.
  3. Katsanos K, Spiliopoulos S, Kitrou P, et al. Risk of death following application of paclitaxel-coated balloons and stents in the femoropopliteal artery of the leg. J Am Heart Assoc. 2018;7(24):e011245.
  4. Rocha-Singh KJ, Duval S, Jaff MR, et al. Mortality and paclitaxel-coated devices: an individual patient data meta-analysis. Circulation. 2020;141(23):1859-69.
  5. Tepe G, Laird J, Schneider P, et al. Drug-coated balloon versus standard percutaneous transluminal angioplasty for the treatment of superficial femoral and popliteal peripheral artery disease: 12-month results from the IN.PACT SFA randomized trial. Circulation. 2015;131(5):495-502.
  6. Dake MD, Ansel GM, Jaff MR, et al. Paclitaxel-eluting stents show superiority to balloon angioplasty and bare metal stents in femoropopliteal disease: twelve-month Zilver PTX randomized study results. Circ Cardiovasc Interv. 2011;4(5):495-504.

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Perguntas Frequentes

Por que a SVS 2025 recomenda CONTRA a intervenção infrapoplítea na claudicação?
A Recomendação 11 (Grau 2C) contraindicamos intervenção infrapoplítea (tibial ou peroneal) para claudicação porque: (1) Não há trials randomizados ou estudos que comprovem segurança ou eficácia dessas intervenções em CI; (2) Apenas 20% dos pacientes com IC que receberam PVI femoropoplítea + tibial estavam livres de claudicação a 2 anos no VQI — abaixo do limiar de 50% exigido pela SVS como benchmark mínimo; (3) O risco de MALE com tratamento infrapoplíteo é HR 2,2 e o risco de amputação é HR 4,6 — a intervenção tibial transforma uma claudicação benigna (amputação <1%/ano) em alto risco de amputação. A decisão de tocar a tibial deve ser explicitada ANTES do procedimento, não durante.
Qual a escala do problema das intervenções tibiais desnecessárias para claudicação?
Os dados de sinistralidade são alarmantes: uma análise de dados Medicare de 2017 a 2019 mostrou que 28% de todos os procedimentos vasculares periféricos para claudicação incluíam tratamento de artérias tibiais — percentual que cresceu significativamente sem qualquer expansão da evidência que justifique essa prática. A SVS identifica que esse padrão parece ser guiado por hábito local, especialidade do médico ou viés de treinamento, não por evidência. O tratamento infrapoplíteo na claudicação é uma prática que piora o prognóstico do membro sem evidência de benefício sintomático.
Quando usar DCB ou DES em vez de balão simples (PBA) na claudicação?
A Recomendação 12 (Grau 1B) indica o uso de BMS, DCB ou DES em vez de PBA para lesões femoropoplíteas com mais de 5 cm de comprimento, para reduzir o risco de reestenose e necessidade de reintervenção. Para lesões menores que 5 cm, PBA é comparável a BMS — não há benefício claro de stent primário. Os dados de eficácia: DCB vs PBA para lesões intermediárias — TLR 8-15% (DCB) vs 17-28% (PBA); DES vs BMS/PBA — TLR 4,5-9% (DES) vs 17% (PBA). Não há evidência que um dispositivo (BMS, DCB ou DES) seja superior aos outros — a recomendação engloba todos como equivalentes e superiores ao PBA em lesões >5cm.
Os dispositivos com paclitaxel (DCB e DES) são seguros?
Sim. Apesar da controvérsia gerada em 2018 por uma meta-análise que sugeriu possível sinal de mortalidade tardia com paclitaxel, a evidência acumulada subsequentemente é tranquilizadora: o trial prospectivo SWEDEPAD não encontrou sinal de mortalidade; uma meta-análise de dados individuais de pacientes não identificou excesso de mortalidade; múltiplos estudos observacionais de grande escala foram consistentes na ausência do sinal; e o FDA (em declaração de 2023 após análise adicional extensa) concluiu que os dados acumulados NÃO indicam que o uso de dispositivos com paclitaxel está associado a risco de mortalidade tardia. DCB e DES com paclitaxel podem ser utilizados com segurança conforme indicações clínicas.
A aterectomia tem papel no tratamento da claudicação intermitente?
Não como estratégia de rotina. A SVS 2025 não encontrou evidência de que a aterectomia seja superior ao PBA ou a outras alternativas (BMS, DCB, DES) para o tratamento da claudicação. Os estudos disponíveis não demonstraram benefício claro em termos de patência, reintervenção ou desfechos funcionais. O custo adicional da aterectomia, somado à ausência de evidência de superioridade, não justifica seu uso rotineiro. Pode haver situações específicas (p. ex., calcificação maciça que impede abertura do balão, anatomia particular) em que a aterectomia seja usada como adjunto, mas como estratégia primária para claudicação não é recomendada.
Qual o papel da cirurgia aberta no tratamento da claudicação intermitente?
A cirurgia aberta permanece com papel relevante em cenários específicos. Para doença aorto-ilíaca difusa: o bypass aortobifemoral ou aortoilíaco é um tratamento durável com excelentes resultados a longo prazo em pacientes com boa condição clínica. Para doença femoropoplítea complexa ou longa: o bypass com veia safena autóloga é eficaz para doença longa, oclusões extensas ou recidiva após PVI. Operações híbridas: combinação de endarterectomia femoral + PVI proximal ou distal é comum para doença multilevel em centros experientes. A SVS 2025 reconhece que a maioria dos dados novos (desde 2015) foca em PVI, o que não diminui o papel da cirurgia aberta — simplesmente reflete os padrões de pesquisa atuais. Estudos comparativos entre abordagens abertas e endovasculares para padrões definidos de doença são necessários.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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