Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS CI 2025 — F2

Antiagregação e DAPT na Claudicação Intermitente: AAS, Clopidogrel, Ticagrelor e Pós-Stent — SVS 2025

As Diretrizes SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) definem antiagregação isolada com Grau 1A — AAS, clopidogrel e ticagrelor são equivalentes. Após intervenção endovascular: DAPT (AAS + clopidogrel) por ≥1 mês (Grau 2C). O fluxograma integrado de decisão orienta a escolha da estratégia certa para cada paciente.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 18 de junho de 202611 min de leitura

Resposta direta: Antiagregação plaquetária isolada é mandatória em toda claudicação intermitente (Grau 1A — SVS 2025): AAS, clopidogrel ou ticagrelor são equivalentes em eficácia. DAPT (AAS + clopidogrel) por ≥1 mês após intervenção endovascular periférica (Grau 2C). Sem DAPT de longo prazo em claudicantes sem intervenção — risco de sangramento supera benefício.

Quando a dupla via com rivaroxabana não está indicada, qual antiagregante escolher? A SVS 2025 (Conte MS et al., J Vasc Surg 2025;82:303-26) responde com a recomendação mais forte da série — Grau 1A: AAS, clopidogrel e ticagrelor são opções equivalentes. E após um stent periférico: DAPT por pelo menos 1 mês.

Infográfico: antiagregação e DAPT na claudicação intermitente — SVS 2025

Recomendação 3 — Antiagregação Isolada (Grau 1A)

Recomendação 3 — Antiagregação isolada na CIGrau 1 — Recomendamos | Evidência A — A mais forte da série

Em pacientes com DAP e claudicação intermitente que não têm comorbidades de alto risco, estão em alto risco de sangramento ou são intolerantes à dupla via, recomendamos o uso de terapia antiplaquetária isolada — AAS 81-100mg/dia, clopidogrel 75mg/dia ou ticagrelor 90mg 2×/dia — para prevenção de longo prazo de eventos cardiovasculares.

AntiagreganteDoseMecanismoEvidência em DAPCusto relativo
AAS81-100mg/diaInibe COX-1 → ↓ tromboxano A₂Referência histórica — benefício em todos os leitos vascularesMuito baixo
Clopidogrel75mg/diaInibe receptor P2Y₁₂ do ADPCAPRIE: superioridade marginal vs AAS no subgrupo DAP (RRR 23,8%)Baixo-moderado
Ticagrelor90mg 2×/diaInibe P2Y₁₂ reversível, mais potentePEGASUS-TIMI: benefício em DAP + SCA prévia; dados específicos IC limitadosModerado-alto

★ Grau 1A = nível de evidência mais alto desta diretriz. Os três são igualmente recomendados — escolha por tolerância, histórico de eventos e custo.

CAPRIE — Clopidogrel vs AAS na DAP

19.185

Pacientes

3 grupos: AVC / IAM / DAP

Clopi 75mg vs AAS 325mg

Comparação

Seguimento de 1-3 anos

RRR 23,8%

Desfecho DAP

Maior benefício neste subgrupo

Implicação prática: Em pacientes com DAP/claudicação, o clopidogrel tem vantagem marginal sobre o AAS — especialmente se houver evento isquêmico periférico prévio. A diferença absoluta é pequena; o AAS continua sendo aceitável, especialmente quando o custo é uma barreira.

Recomendação 4 — DAPT Pós-Intervenção Endovascular (Grau 2C)

Recomendação 4 — DAPT pós-PVIGrau 2 — Sugerimos | Evidência C

Em pacientes submetidos a intervenção endovascular para CI, sugerimos o uso de DAPT (AAS 81-100mg + clopidogrel 75mg) por pelo menos 1 mês, em vez de antiagregante isolado, para reduzir o risco de trombose precoce.

Racional para DAPT Pós-PVI

  • Stent periférico ou superfície cruenta pós-PTA → risco de trombose aguda/subaguda
  • DAPT bloqueia dois mecanismos de ativação plaquetária (tromboxano + ADP)
  • Duração mínima de 1 mês: analogia com stent coronariano de metal nu
  • Sem dados específicos de alta qualidade para DAP — recomendação Grau 2C

Cronograma Pós-PVI

ImediatoIniciar DAPT (AAS + clopidogrel) no dia do procedimento ou 24h antes
1 mêsReavaliar: retornar à monoterapia OU iniciar dupla via se comorbidades de alto risco
Longo prazoMonoterapia (AAS ou clopidogrel) OU dupla via (rivaroxabana + AAS) conforme perfil de risco

Fluxograma Integrado de Decisão Antitrombótica na CI

1. Paciente foi revascularizado (cirurgia ou PVI)?

✅ SIM

DAPT (AAS + clopidogrel) ≥1 mês (Rec 4, Grau 2C)

Após 1 mês: avaliar risco CV → dupla via se alto risco (Rec 2, 2B) ou monoterapia

→ NÃO

Avaliar comorbidades de alto risco →

2. Tem IC cardíaca, DM, IR ou doença polivascular?

✅ SIM

Dupla via: rivaroxabana 2,5mg 2×/d + AAS (Rec 1, Grau 2B)

Apenas se baixo risco de sangramento

→ NÃO

Antiagregação isolada (Rec 3, Grau 1A)

AAS 81-100mg OU clopidogrel 75mg OU ticagrelor 90mg 2×/d — equivalentes

Regra geral: ALTO risco de sangramento → sempre antiagregação isolada (Grau 1A), independente das comorbidades. A dupla via e a DAPT são contraindicadas quando o risco de sangramento supera o benefício cardiovascular.

Referências

  1. Conte MS, Aulivola B, Barshes NR, et al. Society for Vascular Surgery Clinical Practice Guideline on the management of intermittent claudication: Focused update. J Vasc Surg. 2025;82(2):303-26.
  2. CAPRIE Steering Committee. A randomised, blinded, trial of clopidogrel versus aspirin in patients at risk of ischaemic events (CAPRIE). Lancet. 1996;348(9038):1329-39.
  3. Bonaca MP, Bhatt DL, Cohen M, et al. Long-term use of ticagrelor in patients with prior myocardial infarction (PEGASUS-TIMI 54). N Engl J Med. 2015;372(19):1791-800.
  4. Eikelboom JW, Connolly SJ, Bosch J, et al. Rivaroxaban with or without Aspirin in Stable Cardiovascular Disease (COMPASS). N Engl J Med. 2017;377(14):1319-30.
  5. Bonaca MP, Bauersachs RM, Anand SS, et al. Rivaroxaban in Peripheral Artery Disease after Revascularization (VOYAGER PAD). N Engl J Med. 2020;382(21):1994-2004.

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Perguntas Frequentes

Qual antiagregante plaquetário é preferido na claudicação intermitente pela SVS 2025?
A SVS 2025 (Recomendação 3 — Grau 1A) considera AAS 81-100mg/dia, clopidogrel 75mg/dia e ticagrelor 90mg duas vezes ao dia como opções equivalentes para prevenção de eventos cardiovasculares na claudicação intermitente. Não há evidência de superioridade de um sobre o outro especificamente em DAP com claudicação. Na prática, o clopidogrel 75mg/dia é frequentemente preferido em pacientes com intolerância ao AAS ou com evento isquêmico periférico/coronariano prévio, apoiado pelo trial CAPRIE que demonstrou vantagem marginal do clopidogrel sobre o AAS no subgrupo de DAP.
Quando usar DAPT após intervenção endovascular na claudicação?
A Recomendação 4 da SVS 2025 (Grau 2C) sugere o uso de DAPT — AAS 81-100mg + clopidogrel 75mg por dia — por pelo menos 1 mês após intervenção endovascular periférica para claudicação. A DAPT é indicada para prevenir trombose de stent ou oclusão precoce em superfícies cruentas pós-angioplastia. A duração mínima de 1 mês é baseada em analogia com stents coronarianos de metal nu, não em dados específicos de DAP. Após 1 mês, deve-se retornar à monoterapia antiagregante — ou transitar para dupla via antitrombótica (rivaroxabana + AAS) se o paciente tiver comorbidades de alto risco (Recomendação 2).
Qual a diferença entre DAPT e dupla via antitrombótica?
São estratégias com mecanismos, durações e indicações distintas. DAPT combina dois antiagregantes (AAS + clopidogrel) — ambos bloqueiam a ativação plaquetária por mecanismos diferentes. É usada por curto prazo (≥1 mês) após intervenção endovascular periférica para prevenir trombose de stent/superfície cruenta. A dupla via antitrombótica combina um anticoagulante de baixa dose (rivaroxabana 2,5mg) com um antiagregante (AAS) — mecanismos complementares que atuam na via coagulante e plaquetária simultaneamente. É para uso crônico em pacientes com DAP de alto risco cardiovascular (IC, DM, IR, polivascular).
O que mostrou o trial CAPRIE sobre clopidogrel vs AAS na DAP?
O CAPRIE randomizou 19.185 pacientes com AVC isquêmico recente, IAM recente ou doença arterial periférica para clopidogrel 75mg/dia vs AAS 325mg/dia. No desfecho primário composto (AVC + IAM + morte vascular), o clopidogrel foi marginalmente superior ao AAS (redução de risco relativo de 8,7%). A análise do subgrupo DAP mostrou o maior benefício relativo do clopidogrel neste grupo específico — com redução de risco de 23,8% comparado a AAS. Embora o número absoluto de eventos prevenidos seja pequeno, o CAPRIE fornece a base para preferir clopidogrel em pacientes com DAP, especialmente quando há evento isquêmico periférico prévio.
O ticagrelor tem papel na claudicação intermitente?
O ticagrelor 90mg duas vezes ao dia tem indicação da SVS 2025 como alternativa equivalente ao AAS e clopidogrel (Grau 1A) para prevenção CV na claudicação. A justificativa vem principalmente do PEGASUS-TIMI 54, que demonstrou benefício do ticagrelor 60mg 2×/dia + AAS em pacientes com IAM prévio — incluindo subgrupos com DAP concomitante. O ticagrelor é uma opção razoável especialmente em pacientes com claudicação E síndrome coronariana aguda prévia, onde o histórico coronariano justifica seu uso. O custo mais elevado e a necessidade de duas doses diárias são fatores a considerar no SDM.
Como montar o mapa de decisão antitrombótica completo na claudicação intermitente?
O mapa integrado da SVS 2025: Passo 1 — O paciente foi revascularizado recentemente? Se SIM: iniciar DAPT (AAS + clopidogrel) por ≥1 mês (Rec 4, 2C); se baixo risco de sangramento, transitar para dupla via após esse período (Rec 2, 2B). Se NÃO: avaliar comorbidades. Passo 2 — Tem IC, DM, IR ou doença polivascular? Se SIM + baixo risco de sangramento: dupla via rivaroxabana + AAS (Rec 1, 2B). Se NÃO ou alto risco de sangramento: antiagregação isolada (Rec 3, 1A) — AAS, clopidogrel ou ticagrelor (mesma eficácia, escolher por tolerância e custo).

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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