Amputação, Tratamentos Não-Revasculares e Vigilância Pós-op na CLTI — GVG SVS/ESVS/WFVS 2019
Simpatectomia, prostanoides e OHB: sem evidência em isquemia grave. Terapia gênica: apenas em trials registrados. Amputação primária em membro disfuncional. Antiagregante + estatina permanentes. PSV >300 cm/s = reintervenção no enxerto venoso. Offloading obrigatório — Recs 7, 8, 9, 10.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Amputação primária indicada em membro disfuncional (contratura, necrose extensa, gangrena seca sem dor) ou quando revascularização é tecnicamente impossível. Tratamentos sem evidência em CLTI: simpatectomia lombar, prostanoides rotineiros, oxigênio hiperbárico e terapia gênica/celular fora de ensaios clínicos. Vigilância pós-revascularização: DUS com 1, 6 e 12 meses — reestenose precoce indica reintervenção — CLTI 2019.
A parte final das GVG 2019 responde às perguntas que os cirurgiões vasculares mais evitam formular: quando a amputação é a decisão certa? Quais tratamentos não-revasculares realmente funcionam — e quais a diretriz recomenda evitar? E depois da revascularização, como monitorar enxertos e manter o membro salvo a longo prazo? As seções 7, 8, 9 e 10 fornecem respostas estruturadas e baseadas em evidências para essas questões.

Tratamentos Não-Revasculares — O que NÃO Funciona (Seção 7)
| Intervenção | Rec | Grau | Conclusão e Referência |
|---|---|---|---|
| Simpatectomia lombar | 7.2 | 2C | NÃO usar — sem benefício demonstrado. [Karanth 2016] |
| Prostanoides (rotineiro) | 7.4 | 2B | NÃO rotineiramente. Uso seletivo apenas em dor refratária sem opção de EBR. [Vietto 2018] |
| Drogas vasoativas / ancrod | 7.5 | 1C | NÃO usar — sem eficácia estabelecida. [Smith 2012] |
| OHB em isquemia grau 2–3 | 7.6 | 1B | NÃO em isquemia grave. DAMO2CLES: sem benefício em cicatrização. [Santema 2018] |
| Terapia angiogênica (células/genes) | 8.1 | 1B | APENAS em trials clínicos registrados e rigorosos. [Abu Dabrh 2015] |
- SCS (Estimulação Medular) — Rec 7.1 (Grau 2B): Considerar em dor em repouso refratária com perda tecidual minor e sem opção de EBR.
- IPC (Compressão Pneumática Intermitente) — Rec 7.3 (Grau 2B): Considerar em pacientes selecionados sem opção de EBR.
DAMO2CLES (Santema et al. 2018): maior ECR de OHB em pé diabético (n=120). Sem diferença em cicatrização de feridas, salvamento do membro ou qualidade de vida em 1 ano vs placebo. A recomendação GVG 2019 Grau 1B contra OHB em isquemia grau 2–3 reflete esse resultado.
Amputações — Quando e Como (Seção 9, Recs 9.1–9.7)
| Situação | Conduta | Rec / Grau |
|---|---|---|
| >2 raios digitais comprometidos, especialmente hálux | Considerar amputação transmetatarsal | 9.1 / 2C |
| Membro disfuncional, paciente acamado ou vida muito curta | Amputação PRIMÁRIA após decisão compartilhada | 9.2 / 1C |
| Falha de reconstrução, sem mais opções, dor/sepse controlada | Amputação SECUNDÁRIA | 9.3 / 2C |
| Alta probabilidade de reabilitação com membro de nível inferior | Revascularizar para reduzir nível (AKA → BKA) | 9.4 / 2C |
| Decisão de amputar tomada | Equipe multidisciplinar de reabilitação obrigatória | 9.6 / 1C |
| Pós-amputação de qualquer nível | Monitorar membro contralateral ao menos anualmente | 9.7 / 1C |
Amputação primária não é fracasso — é a decisão certa no momento certo
Em pacientes com membro disfuncional irreversível, acamados, com expectativa de vida muito curta ou com risco perioperatório proibitivo, a amputação primária com reabilitação precoce resulta em melhor qualidade de vida do que tentativas repetidas de revascularização. A decisão compartilhada, com envolvimento do paciente, familiares e equipe multidisciplinar, é o alicerce dessa conduta.
BMT e Vigilância Pós-Revascularização (Seção 10, Recs 10.1–10.15)
Tratamento Farmacológico Permanente
Antiagregante + estatina PERMANENTES após qualquer revascularização
Cessação tabágica obrigatória pós-revascularização
DAPT por 6–24 meses após bypass protético infrainguinal
DAPT por ao menos 1 mês após intervenção endovascular infrainguinal
Vigilância por DUS de Enxertos
Intervir se PSV >300 cm/s OU razão PSV >3,5 no enxerto venoso. [Mills 2001]
- • 1 mês pós-procedimento
- • 3 meses
- • 6 meses
- • Anual após o 1º ano
Offloading mecânico em TODOS com feridas pedais. Calçados terapêuticos e monitoramento pós-cicatrização.
Referência
Conte MS, Bradbury AW, Kolh P, White JV, Dick F, Fitridge R, Mills JL, Ricco JB, Suresh KR, Murad MH; GVG Writing Group. Global vascular guidelines on the management of chronic limb-threatening ischemia. J Vasc Surg. 2019;69(6 Suppl):3S-125S. DOI: 10.1016/j.jvs.2019.02.016
Perguntas Frequentes
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) está indicada na CLTI com isquemia grave?
A terapia com células-tronco ou genes é uma opção para pacientes com CLTI sem opção de revascularização?
Quando a amputação primária é a melhor opção na CLTI?
Quais medidas farmacológicas são obrigatórias após qualquer revascularização na CLTI?
Qual é o critério de DUS para indicar reintervenção em enxerto venoso de membro inferior?
O offloading mecânico é obrigatório no manejo de feridas do pé em CLTI?
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