Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
GVG CLTI 2019 — H6

Amputação, Tratamentos Não-Revasculares e Vigilância Pós-op na CLTI — GVG SVS/ESVS/WFVS 2019

Simpatectomia, prostanoides e OHB: sem evidência em isquemia grave. Terapia gênica: apenas em trials registrados. Amputação primária em membro disfuncional. Antiagregante + estatina permanentes. PSV >300 cm/s = reintervenção no enxerto venoso. Offloading obrigatório — Recs 7, 8, 9, 10.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202615 min min de leitura

Resposta direta: Amputação primária indicada em membro disfuncional (contratura, necrose extensa, gangrena seca sem dor) ou quando revascularização é tecnicamente impossível. Tratamentos sem evidência em CLTI: simpatectomia lombar, prostanoides rotineiros, oxigênio hiperbárico e terapia gênica/celular fora de ensaios clínicos. Vigilância pós-revascularização: DUS com 1, 6 e 12 meses — reestenose precoce indica reintervenção — CLTI 2019.

A parte final das GVG 2019 responde às perguntas que os cirurgiões vasculares mais evitam formular: quando a amputação é a decisão certa? Quais tratamentos não-revasculares realmente funcionam — e quais a diretriz recomenda evitar? E depois da revascularização, como monitorar enxertos e manter o membro salvo a longo prazo? As seções 7, 8, 9 e 10 fornecem respostas estruturadas e baseadas em evidências para essas questões.

Infográfico: Amputação, Tratamentos Não-Revasculares e Vigilância Pós-op na CLTI — GVG SVS/ESVS/WFVS 2019. Box vermelho: O que NÃO funciona — simpatectomia lombar (sem benefício, Karanth 2016), prostanoides de rotina (evitar, Vietto 2018), OHB em isquemia grave (não usar, Santema 2018), terapia gênica/celular (apenas em trials, Abu Dabrh 2015). Tabela de amputação por situação clínica. Protocolo de vigilância com DUS: PSV >300 cm/s = reintervenção (1B). Antiagregante + estatina permanentes (1A).
O que funciona e o que não funciona além da revascularização na CLTI — GVG SVS/ESVS/WFVS 2019.

Tratamentos Não-Revasculares — O que NÃO Funciona (Seção 7)

IntervençãoRecGrauConclusão e Referência
Simpatectomia lombar7.22CNÃO usar — sem benefício demonstrado. [Karanth 2016]
Prostanoides (rotineiro)7.42BNÃO rotineiramente. Uso seletivo apenas em dor refratária sem opção de EBR. [Vietto 2018]
Drogas vasoativas / ancrod7.51CNÃO usar — sem eficácia estabelecida. [Smith 2012]
OHB em isquemia grau 2–37.61BNÃO em isquemia grave. DAMO2CLES: sem benefício em cicatrização. [Santema 2018]
Terapia angiogênica (células/genes)8.11BAPENAS em trials clínicos registrados e rigorosos. [Abu Dabrh 2015]
Intervenções que PODEM ser consideradas
  • SCS (Estimulação Medular) — Rec 7.1 (Grau 2B): Considerar em dor em repouso refratária com perda tecidual minor e sem opção de EBR.
  • IPC (Compressão Pneumática Intermitente) — Rec 7.3 (Grau 2B): Considerar em pacientes selecionados sem opção de EBR.
OHB — por que não em isquemia grave

DAMO2CLES (Santema et al. 2018): maior ECR de OHB em pé diabético (n=120). Sem diferença em cicatrização de feridas, salvamento do membro ou qualidade de vida em 1 ano vs placebo. A recomendação GVG 2019 Grau 1B contra OHB em isquemia grau 2–3 reflete esse resultado.

Amputações — Quando e Como (Seção 9, Recs 9.1–9.7)

SituaçãoCondutaRec / Grau
>2 raios digitais comprometidos, especialmente háluxConsiderar amputação transmetatarsal9.1 / 2C
Membro disfuncional, paciente acamado ou vida muito curtaAmputação PRIMÁRIA após decisão compartilhada9.2 / 1C
Falha de reconstrução, sem mais opções, dor/sepse controladaAmputação SECUNDÁRIA9.3 / 2C
Alta probabilidade de reabilitação com membro de nível inferiorRevascularizar para reduzir nível (AKA → BKA)9.4 / 2C
Decisão de amputar tomadaEquipe multidisciplinar de reabilitação obrigatória9.6 / 1C
Pós-amputação de qualquer nívelMonitorar membro contralateral ao menos anualmente9.7 / 1C

Amputação primária não é fracasso — é a decisão certa no momento certo

Em pacientes com membro disfuncional irreversível, acamados, com expectativa de vida muito curta ou com risco perioperatório proibitivo, a amputação primária com reabilitação precoce resulta em melhor qualidade de vida do que tentativas repetidas de revascularização. A decisão compartilhada, com envolvimento do paciente, familiares e equipe multidisciplinar, é o alicerce dessa conduta.

BMT e Vigilância Pós-Revascularização (Seção 10, Recs 10.1–10.15)

Tratamento Farmacológico Permanente

Rec 10.1 — 1A

Antiagregante + estatina PERMANENTES após qualquer revascularização

Rec 10.2 — 1A

Cessação tabágica obrigatória pós-revascularização

Rec 10.3 — 2B

DAPT por 6–24 meses após bypass protético infrainguinal

Rec 10.4 — 2C

DAPT por ao menos 1 mês após intervenção endovascular infrainguinal

Vigilância por DUS de Enxertos

Rec 10.10 — 1B

Intervir se PSV >300 cm/s OU razão PSV >3,5 no enxerto venoso. [Mills 2001]

Protocolo de DUS pós-bypass
  • • 1 mês pós-procedimento
  • • 3 meses
  • • 6 meses
  • • Anual após o 1º ano
Recs 10.14–10.15 — 1A

Offloading mecânico em TODOS com feridas pedais. Calçados terapêuticos e monitoramento pós-cicatrização.

Referência

Conte MS, Bradbury AW, Kolh P, White JV, Dick F, Fitridge R, Mills JL, Ricco JB, Suresh KR, Murad MH; GVG Writing Group. Global vascular guidelines on the management of chronic limb-threatening ischemia. J Vasc Surg. 2019;69(6 Suppl):3S-125S. DOI: 10.1016/j.jvs.2019.02.016

Perguntas Frequentes

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) está indicada na CLTI com isquemia grave?
Não — a GVG 2019 recomenda que a OHB NÃO deve ser utilizada em pacientes com CLTI e isquemia grave (WIfI isquemia grau 2–3) — Rec 7.6, Grau 1B. O estudo DAMO2CLES (Santema et al., 2018) — o maior ECR em OHB para pé diabético — não demonstrou benefício em cicatrização ou salvamento do membro. A OHB pode ter um papel adjunto limitado em pacientes selecionados com perda tecidual (WIfI wound grau 1–2) e isquemia leve (grau 1), mas a evidência é insuficiente para recomendação geral.
A terapia com células-tronco ou genes é uma opção para pacientes com CLTI sem opção de revascularização?
Não como prática clínica estabelecida. As GVG 2019 recomendam que a terapia angiogênica (células-tronco, genes) seja realizada APENAS em trials clínicos rigorosos e registrados (Rec 8.1, Grau 1B). A revisão sistemática de Abu Dabrh et al. (2015) não encontrou benefício claro em salvamento do membro ou cicatrização nas séries existentes. Esses tratamentos permanecem experimentais e não devem ser oferecidos fora do contexto de pesquisa.
Quando a amputação primária é a melhor opção na CLTI?
A amputação primária (Rec 9.2, Grau 1C) é a abordagem mais adequada quando o membro está disfuncional (contratura em flexão irreversível, paralisia, ausência de sensibilidade), quando o paciente está acamado ou com expectativa de vida muito curta, e quando o risco-benefício da revascularização é desfavorável. A decisão deve ser compartilhada com o paciente e a equipe multidisciplinar. Importante: a amputação primária não é 'desistir do paciente' — é a decisão correta para protegê-lo de intervenções desnecessárias e garantir reabilitação precoce.
Quais medidas farmacológicas são obrigatórias após qualquer revascularização na CLTI?
A GVG 2019 recomenda antiagregante plaquetário + estatina de forma PERMANENTE após qualquer revascularização por CLTI (Rec 10.1, Grau 1A — Abbruzzese 2004). Cessação tabágica deve ser retomada ou intensificada (Rec 10.2, Grau 1A). Em bypass protético infrainguinal, DAPT (terapia antiplaquetária dupla) por 6–24 meses (Rec 10.3, Grau 2B). Após intervenção endovascular infrainguinal, DAPT por ao menos 1 mês (Rec 10.4, Grau 2C).
Qual é o critério de DUS para indicar reintervenção em enxerto venoso de membro inferior?
A GVG 2019 recomenda intervir no enxerto venoso quando a PSV (peak systolic velocity) medida no DUS for superior a 300 cm/s OU quando a razão PSV no enxerto / PSV no segmento normal for superior a 3,5 (Rec 10.10, Grau 1B — Mills 2001). Esses limiares identificam estenoses hemodinamicamente significativas que, se não tratadas, evoluem para trombose do enxerto. O DUS de vigilância de enxertos venosos deve ser realizado em 1 mês, 3 meses, 6 meses e anualmente após o primeiro ano.
O offloading mecânico é obrigatório no manejo de feridas do pé em CLTI?
Sim — a GVG 2019 recomenda offloading mecânico em TODOS os pacientes com CLTI e feridas pedais como Grau 1A (Rec 10.14 — Elraiyah 2016). O offloading reduz a pressão mecânica sobre a ferida, previne progressão e facilita a cicatrização. O gesso de contato total (Total Contact Cast — TCC) é o padrão-ouro para feridas plantares; botas removíveis são alternativa com maior aderência. A orientação sobre calçados terapêuticos e monitoramento de inflamação no pé cicatrizado é igualmente recomendada como Grau 1A (Rec 10.15).

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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