Tratamento Inicial e Cirurgia Aberta na Isquemia Aguda de Membro — ESVS 2020 (M2)
Heparina IV 5.000 UI bolus imediata (Rec 9), tromboembolectomia de Fogarty com cateter guiado por fio (Rec 16), angiografia de conclusão obrigatória (Rec 18), enxerto venoso para bypass infrainguinal (Rec 17) e teatro híbrido. Recomendações 9–21 — ESVS 2020.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Heparina IV 5.000 UI bolus imediata (Rec 9, Classe I-C), oxigênio e analgesia; transferência para centro vascular 24/7 (Rec 13, Classe I-B). Embolectomia de Fogarty com cateter guiado por fio (Rec 16, Classe IIa-C); angiografia de conclusão OBRIGATÓRIA — trombo residual em até 34% dos casos (Rec 18, Classe I-C). Enxerto venoso preferido para bypass infrainguinal (Rec 17, Classe IIa-C). Teatro híbrido para doença subjacente residual (Rec 14/21). ESVS 2020.
O diagnóstico foi feito: Rutherford IIB, membro ameaçado. As decisões dos próximos 60 minutos determinam o desfecho. As Recomendações 9–21 das Diretrizes ESVS 2020 (Björck M et al., EJVES 2020;59:173–218) estabelecem com precisão o manejo inicial imediato, a técnica cirúrgica ideal e os cuidados que reduzem perda do membro — desde a primeira dose de heparina até a angiografia de conclusão.

Manejo Inicial Imediato (Recs 9–12)
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 9 | Heparina IV é recomendada em pacientes com IAM aguardando revascularização — 5.000 UI bolus (ou 70–100 UI/kg), seguido de infusão contínua monitorada por TTPa | I | C |
| 10 | Oxigênio suplementar é recomendado em pacientes com IAM aguardando revascularização | I | C |
| 11 | Analgesia adequada e reidratação IV são recomendadas em pacientes com IAM aguardando revascularização | I | C |
| 12 | Em pacientes com IAM tratados por cirurgia aberta, análogos de prostaciclina IV podem ser considerados durante e após a revascularização | IIb | B |
Tomada de Decisão e Transferência (Recs 13–14)
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 13 | Pacientes diagnosticados com IAM em centros não-vasculares devem ser transferidos para centro vascular capaz de oferecer o espectro completo de intervenções abertas e endovasculares, com urgência proporcional à gravidade da isquemia | I | B |
| 14 | Pacientes com IAM devem ter acesso a teatro híbrido com arco cirúrgico e equipe capaz de oferecer tratamento aberto ou endovascular completo em um único procedimento | I | C |
Tromboembolectomia Cirúrgica (Recs 15–16)
A técnica de Fogarty (introduzida em 1962) permanece o padrão para IAM por embolia em artéria previamente normal. A incisão femoral única cobre ilíaca unilateral, femoral e profunda. Para oclusões abaixo do joelho, o acesso poplíteo direto é necessário — arteriotomia transversa é preferida para evitar estenose na sutura.
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 15 | Para tromboembolectomia cirúrgica na IAM, anestesia regional ou local pode ser utilizada, mas sempre com anestesista presente | IIb | C |
| 16 | Para tromboembolectomia cirúrgica na IAM, o uso de cateter over-the-wire sob controle fluoroscópico deve ser considerado — menos trauma, abordagem seletiva de tibiais, melhor clearance | IIa | C |
Bypass Cirúrgico e Enxertos Ocluídos (Recs 17, 20)
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 17 | Para bypass infrainguinal na IAM, a preferência pelo uso de enxerto venoso deve ser considerada | IIa | C |
| 20 | Para IAM causada por oclusão de bypass, a identificação e tratamento da causa da oclusão do enxerto é recomendada | I | C |
Imagem de Conclusão e Trombo Residual (Recs 18–19, 21)
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 18 | Para pacientes submetidos a cirurgia aberta e endovascular na IAM, angiografia de conclusão é recomendada | I | C |
| 19 | Para trombo residual após cirurgia aberta na IAM, trombólise local intra-operatória pode ser considerada | IIb | C |
| 21 | Após revascularização aberta na IAM, tratamento endovascular simultâneo de lesões de entrada ou saída deve ser considerado | IIa | C |
Mensagem central do M2:
Heparina IV imediata (não espere exames), cateter guiado por fio (menos trauma, mais seletividade), angiografia de conclusão sem exceção (trombo residual em 34%), e tratamento das lesões subjacentes no mesmo ato (teatro híbrido). A IAM contemporânea é a combinação de múltiplas intervenções no mesmo procedimento.
Perguntas Frequentes
Qual a dose correta de heparina inicial na IAM e por que não esperar para anticoagular?
Por que o cateter de Fogarty guiado por fio é preferido ao cateter convencional?
A angiografia de conclusão é sempre obrigatória após embolectomia?
Quando indicar bypass cirúrgico em vez de embolectomia na IAM?
O que é tratamento híbrido e quando tem vantagem na IAM?
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