Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2020 — M5

IAM em Casos Especiais: Oclusão Aórtica Aguda, Membro Superior e Pediatria — ESVS 2020 (M5)

Oclusão aórtica aguda bilateral: revascularização urgente com UTI (Recs 54–55). Membro superior: embolectomia braquial sob anestesia local; AC isolada NÃO se ameaçado (Rec 57, Classe III-C). Crianças < 2 anos: heparina conservadora, salvamento 88% (Rec 58, Classe I-C). Recs 52–61 — ESVS 2020.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: Oclusão aórtica aguda bilateral: revascularização imediata (Rec 54, Classe I-C) com anestesiologia e UTI para IRI bilateral (Rec 55). Membro superior: embolectomia braquial sob anestesia local; AC isolada NÃO se membro ameaçado (Rec 57, Classe III-C). Crianças < 2 anos: heparina conservadora primeiro — 75 UI/kg IV bolus, TTPa 55–85 seg, salvamento 88% (Rec 58, Classe I-C). ESVS 2020.

A IAM não é uma doença uniforme. Três cenários especiais exigem abordagem fundamentalmente diferente da IAM de membro inferior por embolia ou trombose: a oclusão aórtica aguda com isquemia bilateral, a isquemia de membro superior, e a IAM em crianças. As Recomendações 52–61 das Diretrizes ESVS 2020 (Björck M et al., EJVES 2020;59:173–218) endereçam cada um com recomendações específicas e baseadas em evidências.

Infográfico: Oclusão Aórtica Aguda, Membro Superior e Pediatria na IAM ESVS 2020. OAA saddle embolus, embolectomia braquial, heparina crianças < 2 anos.
Casos Especiais de IAM (Recs 52–61). Björck M et al. ESVS 2020. Eur J Vasc Endovasc Surg 2020;59:173–218.

Registros e Melhoria de Qualidade (Recs 52–53)

RecRecomendaçãoClasseNível
52Resultados após IAM devem ser monitorados em registros vasculares, usando variáveis desenvolvidas especificamente para essa população (processo Delphi — 23 variáveis mínimas)IC
53Projetos de melhoria de qualidade e benchmarking para IAM devem ser considerados para comparação entre centros e identificação de boas práticasIIaC

Oclusão Aórtica Aguda (OAA) com Isquemia Bilateral (Recs 54–55)

A OAA é condição rara (incidência: 3,8/1.000.000/ano na Suécia) e de alta mortalidade (20% a 30 dias, amputação em 9%). Causas: trombose in situ (64%), êmbolo em sela cardíaco (21%), enxerto ou stent ocluído (15%). A IRI bilateral simultânea é o principal fator de mortalidade.

RecRecomendaçãoClasseNível
54Para IAM secundária a oclusão aórtica aguda, revascularização urgente é recomendada — opções: tromboembolectomia (32%), CDT (22%), bypass axilo-bifemoral (19%), bypass aorto-bifemoral (18%)IC
55Para IAM por OAA, colaboração estreita com anestesiologistas e intensivistas é recomendada para reduzir complicações da lesão de isquemia-reperfusão bilateralIC

Isquemia Aguda de Membro Superior (Recs 56–57)

A IAM de membro superior é predominantemente embólica (>80%) — FA e trombo ventricular são as causas mais comuns. É menos grave que a de membro inferior pela melhor circulação colateral. Causas raras: síndrome do desfiladeiro torácico, arterite, trombofilia, radiação, aneurisma de subclávia.

RecRecomendaçãoClasseNível
56Para IAM de membro superior, imagem pré-operatória é recomendada, salvo embolia típica com membro imediatamente ameaçado e pulso axiliar/braquial proximal palpável — DUS ou AngioTCIC
57Para IAM de membro superior ameaçado ou com função do membro importante para qualidade de vida, anticoagulação conservadora solitária NÃO é recomendadaIIIC

O tratamento de escolha é a embolectomia braquial sob anestesia local (com anestesista presente). CDT via abordagem femoral tem risco específico de êmbolo cerebral — fenômeno de "whirlpool embolism" quando o coágulo se desloca proximalmente ao retirar o cateter. CDT por acesso braquial ipsilateral é preferível quando necessária.

Isquemia Aguda de Membro em Crianças (Recs 58–61)

IAM pediátrica: 26–85/100.000 admissões. Causas: iatrogênica (cateterização femoral ou umbilical, 85–95% em neonatos); trauma penetrante em crianças maiores (50–80%). IAM por aterosclerose é rara na infância.

RecRecomendaçãoClasseNível
58Para crianças < 2 anos com IAM, manejo conservador inicial com heparina é recomendado — Bolus 75 UI/kg IV; manutenção 28 UI/kg/h (<1 ano) ou 20 UI/kg/h (>1 ano); TTPa 55–85 seg; salvamento 88%; mortalidade 7%IC
59Para cateterização femoral em crianças, guia ultrassonográfico e exame pós-procedimento para detecção precoce de complicações devem ser consideradosIIaC
60Para crianças sem melhora após manejo conservador com heparina, trombólise, trombectomia ou bypass podem ser consideradosIIbC
61Em crianças em idade escolar com "mão rosada sem pulso" após fratura supracondiliana do úmero, watchful waiting pode ser considerado como alternativa à exploração cirúrgica imediataIIbC

Resumo das mensagens da Série M (ESVS 2020):

  • 🔴 M1: Rutherford + AngioTC definem a urgência. CK e mioglobina NÃO orientam a decisão.
  • 🔴 M2: Heparina imediata + Fogarty guiado por fio + angiografia de conclusão obrigatória.
  • 🔴 M3: CDT = cirurgia para IIa (Classe I-A). SEM heparina sistêmica e SEM fibrinogênio (ambos Classe III-B).
  • 🔴 M4: Aneurisma poplíteo = bypass venoso (NÃO stent). SC = fasciotomia em até 2 horas.
  • 🔴 M5: OAA = urgência máxima + UTI. Membro superior = embolectomia braquial. Criança < 2 anos = heparina primeiro.

Perguntas Frequentes

O que é oclusão aórtica aguda em sela e por que tem mortalidade tão alta?
A oclusão aórtica aguda (OAA) com isquemia bilateral dos membros inferiores é uma emergência de alta mortalidade — 20% a 30 dias — causada pela oclusão simultânea das duas artérias ilíacas comuns. O "êmbolo em sela" (saddle embolus) é a imagem clássica: um grande trombo de origem cardíaca (geralmente FA com trombo no átrio esquerdo ou trombo ventricular após IAM) que se aloja exatamente na bifurcação aórtica, ocluindo ambas as ilíacas. Em série sueca de 715 pacientes tratados em 21 anos, a distribuição etiológica foi: trombose in situ (64%), embolia cardíaca (21%) e enxerto/stent ocluído (15%). A alta mortalidade se deve à síndrome de isquemia-reperfusão bilateral: quando ambos os membros inferiores com grande massa muscular são reperfundidos simultaneamente, o volume de substâncias tóxicas liberadas (potássio, mioglobina, radicais livres) é enorme e pode precipitar parada cardíaca, insuficiência renal aguda grave e ARDS. A colaboração de anestesiologistas e intensivistas desde a entrada (Rec 55) é fundamental para manejo perioperatório desta reperfusão sistêmica devastadora.
A isquemia de membro superior sempre precisa de cirurgia ou pode ser tratada com anticoagulação isolada?
Depende do grau de isquemia. Para Rutherford IIa sem déficit motor, anticoagulação isolada com revisão a cada poucos dias pode ser tentada, especialmente em idosos frágeis ou quando o membro não está imediatamente ameaçado. No entanto, a Recomendação 57 (Classe III, Nível C) contraindica anticoagulação solitária quando o membro está ameaçado ou quando a função do membro é importante para a qualidade de vida do paciente — em muitos pacientes a mão dominante, a capacidade de trabalhar ou cuidar de si mesmo dependem da função completa do braço. A embolectomia braquial sob anestesia local tem excelentes resultados funcionais a longo prazo e deve ser o tratamento preferido nesses casos. CDT é uma opção com evidência apenas em séries de casos; CDT via femoral tem risco específico de êmbolo cerebral ao retirar o cateter (whirlpool embolism), portanto acesso braquial ipsilateral é preferível quando necessário. As causas raras (síndrome do desfiladeiro torácico em jovens, arterite, radiação, aneurisma de subclávia) devem ser investigadas antes da intervenção quando a apresentação é atípica.
Por que não operar toda criança com IAM e quando a heparina conservadora falha?
Em neonatos e lactentes (< 2 anos), a mortalidade cirúrgica é alta, os vasos são de calibre muito pequeno para abordagem direta, e os dados disponíveis mostram que o manejo conservador com heparina resulta em salvamento do membro em 88% e mortalidade global de 7% (Rec 58, Classe I-C). O tratamento conservador com heparina sistêmica é a primeira linha nessa faixa etária. A dose é: 75 UI/kg bolus IV, seguido de 28 UI/kg/h se < 1 ano, ou 20 UI/kg/h se entre 1 e 2 anos, com alvo de TTPa 55–85 segundos. Monitoração regular com DUS após cateterização femoral é recomendada (Rec 59, Classe IIa-C). A falha do tratamento conservador — sem melhora clínica do membro após 24–48h de heparina em doses terapêuticas — indica considerar trombólise sistêmica ou local, trombectomia mecânica ou bypass (Rec 60, Classe IIb-C). Em crianças maiores com IAM por trauma, a indicação cirúrgica é mais liberal desde o início, dado que a causa é mecânica (lesão arterial penetrante ou contusa) e a reserva colateral é diferente da IAM iatrogênica do neonato.
O que é "mão rosada pulseless" e por que watchful waiting é adequado?
A "mão rosada sem pulso" (pulseless pink hand) ocorre após fratura supracondiliana do úmero na criança em idade escolar — condição em que o pulso radial desaparece após a fratura (espasmo arterial ou tração/compressão da artéria braquial pelo fragmento fraturado), mas o membro permanece perfundido por colaterais (mão rosada, capillar refill normal, temperatura adequada). A Recomendação 61 (Classe IIb-C) estabelece que watchful waiting pode ser considerado como alternativa à exploração cirúrgica imediata nesses casos. Em revisão sistemática de fraturas supracondilianas, o espasmo arterial ou a compressão transitória resolve-se em 24–48h após a redução e imobilização da fratura na maioria dos casos — o pulso radial retorna espontaneamente em 70–80% sem necessidade de exploração vascular. A exploração cirúrgica é indicada quando: o membro desenvolve sinais de isquemia progressiva (Rutherford IIA ou IIB), após 1 semana sem retorno do pulso apesar de redução adequada da fratura, ou quando há sinais de síndrome compartimental do antebraço.
Por que registros vasculares são importantes na IAM e quais variáveis devem ser registradas?
A Recomendação 52 (Classe I-C) estabelece que resultados após IAM devem ser monitorados em registros vasculares usando variáveis específicas desenvolvidas para essa população. A justificativa é prática: dados do Vascunet (colaboração internacional de registros vasculares) e do VQI norte-americano mostram que 10–14% de todos os procedimentos vasculares são realizados por IAM, mas os registros gerais não capturavam adequadamente as variáveis relevantes para qualidade de cuidado nessa emergência. O processo Delphi desenvolvido pelo grupo ESVS 2020 identificou 23 variáveis mínimas para registros de IAM, incluindo: tempo de sintoma a hospital, tempo de hospital a sala operatória, classificação de Rutherford na admissão, etiologia da oclusão, técnica de revascularização, desfechos a 30 dias (mortalidade, amputação, fasciotomia) e a 1 ano. Benchmarking entre centros usando essas variáveis — Rec 53 (Classe IIa-C) — permite identificar centros com resultados superiores e boas práticas passíveis de disseminação.

Quer uma segunda opinião?

Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

Leia também

Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular

Agendar pelo WhatsApp