IAM em Casos Especiais: Oclusão Aórtica Aguda, Membro Superior e Pediatria — ESVS 2020 (M5)
Oclusão aórtica aguda bilateral: revascularização urgente com UTI (Recs 54–55). Membro superior: embolectomia braquial sob anestesia local; AC isolada NÃO se ameaçado (Rec 57, Classe III-C). Crianças < 2 anos: heparina conservadora, salvamento 88% (Rec 58, Classe I-C). Recs 52–61 — ESVS 2020.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Oclusão aórtica aguda bilateral: revascularização imediata (Rec 54, Classe I-C) com anestesiologia e UTI para IRI bilateral (Rec 55). Membro superior: embolectomia braquial sob anestesia local; AC isolada NÃO se membro ameaçado (Rec 57, Classe III-C). Crianças < 2 anos: heparina conservadora primeiro — 75 UI/kg IV bolus, TTPa 55–85 seg, salvamento 88% (Rec 58, Classe I-C). ESVS 2020.
A IAM não é uma doença uniforme. Três cenários especiais exigem abordagem fundamentalmente diferente da IAM de membro inferior por embolia ou trombose: a oclusão aórtica aguda com isquemia bilateral, a isquemia de membro superior, e a IAM em crianças. As Recomendações 52–61 das Diretrizes ESVS 2020 (Björck M et al., EJVES 2020;59:173–218) endereçam cada um com recomendações específicas e baseadas em evidências.

Registros e Melhoria de Qualidade (Recs 52–53)
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 52 | Resultados após IAM devem ser monitorados em registros vasculares, usando variáveis desenvolvidas especificamente para essa população (processo Delphi — 23 variáveis mínimas) | I | C |
| 53 | Projetos de melhoria de qualidade e benchmarking para IAM devem ser considerados para comparação entre centros e identificação de boas práticas | IIa | C |
Oclusão Aórtica Aguda (OAA) com Isquemia Bilateral (Recs 54–55)
A OAA é condição rara (incidência: 3,8/1.000.000/ano na Suécia) e de alta mortalidade (20% a 30 dias, amputação em 9%). Causas: trombose in situ (64%), êmbolo em sela cardíaco (21%), enxerto ou stent ocluído (15%). A IRI bilateral simultânea é o principal fator de mortalidade.
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 54 | Para IAM secundária a oclusão aórtica aguda, revascularização urgente é recomendada — opções: tromboembolectomia (32%), CDT (22%), bypass axilo-bifemoral (19%), bypass aorto-bifemoral (18%) | I | C |
| 55 | Para IAM por OAA, colaboração estreita com anestesiologistas e intensivistas é recomendada para reduzir complicações da lesão de isquemia-reperfusão bilateral | I | C |
Isquemia Aguda de Membro Superior (Recs 56–57)
A IAM de membro superior é predominantemente embólica (>80%) — FA e trombo ventricular são as causas mais comuns. É menos grave que a de membro inferior pela melhor circulação colateral. Causas raras: síndrome do desfiladeiro torácico, arterite, trombofilia, radiação, aneurisma de subclávia.
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 56 | Para IAM de membro superior, imagem pré-operatória é recomendada, salvo embolia típica com membro imediatamente ameaçado e pulso axiliar/braquial proximal palpável — DUS ou AngioTC | I | C |
| 57 | Para IAM de membro superior ameaçado ou com função do membro importante para qualidade de vida, anticoagulação conservadora solitária NÃO é recomendada | III | C |
O tratamento de escolha é a embolectomia braquial sob anestesia local (com anestesista presente). CDT via abordagem femoral tem risco específico de êmbolo cerebral — fenômeno de "whirlpool embolism" quando o coágulo se desloca proximalmente ao retirar o cateter. CDT por acesso braquial ipsilateral é preferível quando necessária.
Isquemia Aguda de Membro em Crianças (Recs 58–61)
IAM pediátrica: 26–85/100.000 admissões. Causas: iatrogênica (cateterização femoral ou umbilical, 85–95% em neonatos); trauma penetrante em crianças maiores (50–80%). IAM por aterosclerose é rara na infância.
| Rec | Recomendação | Classe | Nível |
|---|---|---|---|
| 58 | Para crianças < 2 anos com IAM, manejo conservador inicial com heparina é recomendado — Bolus 75 UI/kg IV; manutenção 28 UI/kg/h (<1 ano) ou 20 UI/kg/h (>1 ano); TTPa 55–85 seg; salvamento 88%; mortalidade 7% | I | C |
| 59 | Para cateterização femoral em crianças, guia ultrassonográfico e exame pós-procedimento para detecção precoce de complicações devem ser considerados | IIa | C |
| 60 | Para crianças sem melhora após manejo conservador com heparina, trombólise, trombectomia ou bypass podem ser considerados | IIb | C |
| 61 | Em crianças em idade escolar com "mão rosada sem pulso" após fratura supracondiliana do úmero, watchful waiting pode ser considerado como alternativa à exploração cirúrgica imediata | IIb | C |
Resumo das mensagens da Série M (ESVS 2020):
- 🔴 M1: Rutherford + AngioTC definem a urgência. CK e mioglobina NÃO orientam a decisão.
- 🔴 M2: Heparina imediata + Fogarty guiado por fio + angiografia de conclusão obrigatória.
- 🔴 M3: CDT = cirurgia para IIa (Classe I-A). SEM heparina sistêmica e SEM fibrinogênio (ambos Classe III-B).
- 🔴 M4: Aneurisma poplíteo = bypass venoso (NÃO stent). SC = fasciotomia em até 2 horas.
- 🔴 M5: OAA = urgência máxima + UTI. Membro superior = embolectomia braquial. Criança < 2 anos = heparina primeiro.
Perguntas Frequentes
O que é oclusão aórtica aguda em sela e por que tem mortalidade tão alta?
A isquemia de membro superior sempre precisa de cirurgia ou pode ser tratada com anticoagulação isolada?
Por que não operar toda criança com IAM e quando a heparina conservadora falha?
O que é "mão rosada pulseless" e por que watchful waiting é adequado?
Por que registros vasculares são importantes na IAM e quais variáveis devem ser registradas?
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