Trauma Aórtico Torácico: BTAI, TEVAR e Saída Torácica
ESVS 2025 Recs 40–60: BTAI — controle de PA 90-110 mmHg, Grau 1 não-operatório, Grau 2 alto risco TEVAR urgente (<24h), Grau 3 TEVAR imediato. TEVAR: mortalidade 7,6% vs. reparo aberto 15,2%, paraplegia 0% vs. 5,6%. RM para vigilância a longo prazo.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: BTAI: controle de PA 90–110 mmHg + FC <100 (Rec 40, Classe I-C). Grau 1 → não-operatório. Grau 2 sem alto risco → TEVAR >24h; Grau 2 com fatores de alto risco → TEVAR <24h (Rec 47, Classe I-C). Grau 3 → reparo imediato. Raio-X NÃO exclui BTAI (Rec 42, IIIb-C). TEVAR preferido: mortalidade 7,6% vs. 15,2% e paraplegia 0% vs. 5,6% com reparo aberto. ESVS 2025.
O trauma aórtico torácico contuso (BTAI) tem mortalidade pré-hospitalar de até 80%, mas os pacientes que chegam vivos ao hospital têm prognóstico significativamente melhor com tratamento adequado. As ESVS 2025 consolidam o TEVAR como tratamento de escolha — com mortalidade e taxa de paraplegia significativamente menores que o reparo aberto — e definem um algoritmo por grau baseado no risco de ruptura iminente.
Epidemiologia e Imagem
BTAI ocorre em desaceleração → forças de cisalhamento na transição aorta móvel-fixa. Isthmo aórtico em 80–90% dos casos. Dos pacientes admitidos vivos: ~40% Grau 1, ~50% Grau 2, ~10% Grau 3.
⛔ Rec 42 (Classe IIIb-C)
Raio-X de tórax NÃO é recomendado para excluir BTAI — sensibilidade baixa, alargamento mediastinal inespecífico.
✅ Rec 43 (Classe I-B)
AngioTC recomendada para diagnóstico e caracterização do BTAI — sensibilidade quase 100%, VPN 100%, acurácia 99,7%.
Controle Hemodinâmico — Rec 40 (Classe I-C)
Para BTAI não-tratado:
PA sistólica 90–110 mmHg + FC <100 bpm com beta-bloqueadores IV e monitorização cardiovascular rigorosa. Exceção: choque hipovolêmico ou TBI concomitante.
Classificação BTAI e Manejo por Grau
| Grau ESVS | Equivalente SVS | Lesão | Manejo | Rec |
|---|---|---|---|---|
| Grau 1 | SVS I+II | Intimal/intramural | Não-operatório + AngioTC 48-72h | 44 / I-C |
| Grau 2 | SVS III | Pseudoaneurisma contido | TEVAR tardio (>24h) ou urgente (<24h) se alto risco | 46-47 / IIa-I-C |
| Grau 3 | SVS IV | Ruptura livre | Reparo operatório imediato (TEVAR ou aberto) | 48 / I-C |
Rec 47 (Classe I-C) — TEVAR Urgente <24h para Grau 2 com Fatores de Alto Risco
Fatores de alto risco (Tabela 10): grande hematoma mediastinal • hemotórax esquerdo • coarctação aórtica • grande pseudoaneurisma • PAS <90 mmHg • TBI
Na ausência desses fatores: TEVAR tardio (>24h) é seguro — estudo AAST: mortalidade 5,8% tardio vs. 16,5% precoce (p=0,034).
TEVAR vs. Reparo Aberto
| Desfecho | TEVAR | Reparo Aberto | p |
|---|---|---|---|
| Mortalidade hospitalar | 7,6% | 15,2% | 0,008 |
| Paraplegia | 0% | 5,6% | 0,003 |
| AVC | 0,8% | 5,3% | <0,05 |
Meta-análise de 699 procedimentos. Reparo aberto reservado para anatomia desfavorável para stent graft (Rec 54, Classe I-A). Perfusão aórtica distal ativa obrigatória no reparo aberto (Rec 55, Classe I-A).
Artéria Subclávia Esquerda e Seguimento
Rec 51 (IIIa-C) — Sem Revascularização Rotineira
Revascularização rotineira da subclávia esquerda NÃO indicada quando cobertura é necessária para ancoragem do stent.
Rec 52 (I-C) — Revascularizar se Risco Isquêmico
Revascularizar quando há risco de comprometimento da perfusão cerebral, cardíaca (IMA esquerda) ou medular.
Vigilância após TEVAR por BTAI
Rec 56 (I-C): AngioTC ou RM em 1 mês → RM em 1 ano → RM anual ≥5 anos. Rec 58 (I-C): RM é o método de imagem preferido para vigilância a longo prazo — evitar radiação e contraste cumulativos.
Referência
Wahlgren CM, Riddez L, Orban P, et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Vascular Trauma. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;69:179–237.
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Perguntas Frequentes
Por que o raio-X de tórax não pode excluir trauma aórtico torácico?
Quais são os fatores de alto risco que indicam TEVAR urgente (<24h) para BTAI Grau 2?
Por que o TEVAR é preferido ao reparo aberto no BTAI?
Quando é necessário revascularizar a artéria subclávia esquerda no TEVAR por BTAI?
Qual exame é recomendado para vigilância a longo prazo após TEVAR por BTAI?
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