Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tromboembolismo Venoso — ESVS 2021 · Parte 3.1

TVP: Diretrizes ESVS 2021 — Parte 3.1: Trombose Venosa Profunda de Extremidade Superior (TVPES)

TVPES (TVP de extremidade superior) pela ESVS 2021: classificação primária (trombose de esforço/Paget-Schroetter) vs. secundária (CVC/câncer), sinais e sintomas, D-dímeros e modalidades de imagem, anticoagulação em três fases com DOACs, remoção de trombo, cirurgia de descompressão do desfiladeiro torácico, reversão de sangramento, malignidade oculta e trombofilia.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 14 de junho de 2026🔄 Atualizado em 19 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: TVP primária de extremidade superior (Paget-Schroetter): jovem, atleta, veia subclávia/axilar. Conduta: CDT precoce + descompressão do desfiladeiro torácico em até 8 semanas (remoção da 1ª costela). TVP secundária a CVC: anticoagulação por 3 meses mantendo o cateter se funcional e necessário. DOACs são opção aceitável — ESVS 2021.

Com a Parte 2.11, encerramos o bloco dedicado aos principais cenários da TVP de membros inferiores e da TVS. Iniciamos agora a Parte 3 das diretrizes ESVS 2021, dedicada à Trombose Venosa Profunda de Extremidade Superior (TVPES) — uma entidade clínica distinta, com fatores de risco, modalidades diagnósticas e estratégias terapêuticas próprias, que vão desde a anticoagulação até a cirurgia de descompressão do desfiladeiro torácico.

Infográfico: Trombose Venosa Profunda de Extremidade Superior (TVPES) — Guia Prático para Especialistas, Diretrizes ESVS 2021. Mostra os sinais e sintomas cardinais (distensão venosa 100%, edema 93%, descoloração azulada 77%, dor agravada pelo exercício 66%), a classificação primária (trombose de esforço/Paget-Schroetter) vs. secundária (cateteres venosos centrais e câncer), a ultrassonografia como primeira escolha (Classe I, Nível C, sensibilidade 91%, especificidade 93%), a comparação entre modalidades de imagem (ultrassom Duplex, venografia e angio-TC/RM) e o manejo terapêutico (anticoagulação por 3 meses Classe I, Nível C, com HBPM, varfarina ou DOACs, papel dos DOACs como rivaroxabana e apixabana, remoção precoce do trombo não recomendada na maioria dos casos Classe III e trombólise em casos selecionados nas primeiras 2 semanas Classe IIb).
Diagnóstico, classificação, modalidades de imagem e manejo terapêutico da TVPES.

Assista: Trombose Venosa Profunda de Extremidade Superior (TVPES) — ESVS 2021

1. Definição, Classificação e Apresentação Clínica

A TVPES representa uma entidade clínica distinta, com desafios diagnósticos e terapêuticos específicos. Antes de investigar, é fundamental classificar:

TVPES Primária — Trombose de Esforço

Desencadeada por esforço físico intenso — a chamada Síndrome de Paget-Schroetter — afetando tipicamente atletas e trabalhadores braçais.

TVPES Secundária

Ligada a cateteres venosos centrais (CVC) e câncer.

Os sinais e sintomas cardinais — embora indicativos — não são suficientes, isoladamente, para confirmar ou excluir o diagnóstico:

Distensão Venosa

100%

Edema

93%

Descoloração Azulada

77%

Dor Agravada pelo Exercício

66%

2. Caminho Diagnóstico: D-dímeros e Modalidades de Imagem

D-dímeros: alta sensibilidade (~95%) e VPN de 99-100%, mas especificidade limitada (35-55%) — podem estar elevados em câncer, infecções e gravidez. Em pacientes idosos, recomenda-se o uso de pontos de corte ajustados pela idade.

Ultrassonografia (USG) como primeira escolha: recomendada como exame inicial (Classe I, Nível C), com sensibilidade de 91% e especificidade de 93%.

ModalidadeUso RecomendadoObservações
Ultrassom (Duplex)Inicial (Classe I, Nível C)Avalia a veia subclávia; alta acurácia
Venografia de ContrasteCasos inconclusivosHistoricamente padrão-ouro; hoje reservada para investigação inconclusiva ou planejamento de intervenções por cateter
Angio-TC / RM (VTC/VRM)Planejamento cirúrgicoÚtil para identificar compressões ósseas ou bandas fibrosas; a VRM (MRDTI) pode diferenciar trombos agudos recorrentes de crônicos persistentes

3. Anticoagulação: as Três Fases do Tratamento

A anticoagulação é o pilar do tratamento da TVPES, dividida em três fases:

Fase Inicial

Até 10 dias.

Fase Principal

Primeiros 3 meses.

Fase Estendida

Além de 3 meses.

AnticoagulanteTipoMecanismoDosagem
ApixabanaDOACInibidor direto do fator Xa10 mg 2x/dia (7 dias), depois 5 mg 2x/dia
RivaroxabanaDOACInibidor direto do fator Xa15 mg 2x/dia (3 semanas, com alimentos), depois 20 mg 1x/dia
EdoxabanaDOACInibidor direto do fator Xa60 mg 1x/dia, após ao menos 5 dias de anticoagulação parenteral
DabigatranaDOACInibidor direto do fator IIa150 mg 2x/dia, após ao menos 5 dias de anticoagulação parenteral
HBPMParenteralIndireto (via antitrombina)Ajustado pelo peso corporal; preferível em câncer

Anticoagulação por 3 meses (Classe I, Nível C): recomendada para todos os pacientes sem contraindicações, com HBPM, varfarina ou DOACs. Estudos com rivaroxabana e apixabana demonstram segurança e eficácia equivalentes à terapia convencional.

4. Estratégias de Remoção de Trombo

Remoção Precoce do Trombo (Classe III, Nível C): na maioria dos pacientes com TVPES primária sintomática, a remoção precoce do trombo não é recomendada.

Trombólise em Casos Selecionados (Classe IIb, Nível C): em pacientes jovens e ativos com TVPES severa, a Trombólise Direcionada por Cateter (CDT) ou a trombólise farmacomecânica podem ser consideradas nas primeiras 2 semanas, para reduzir a carga de trombo e o risco de SPT. O feedback de pacientes reforça que essas opções devem ser discutidas claramente, mesmo quando o benefício é incerto.

5. Cirurgia para Descompressão do Desfiladeiro Torácico

Ressecção da 1ª Costela (Classe IIb, Nível C): em pacientes com TVPES tratados com remoção precoce do trombo, a ressecção da 1ª costela pode ser considerada se houver evidência clara de síndrome do desfiladeiro torácico venoso — como na Síndrome de Paget-Schroetter — para prevenir recorrências causadas por fatores mecânicos persistentes.

6. Manejo de Sangramento e Reversão em Emergência

O uso de anticoagulantes exige prontidão para o manejo de eventos hemorrágicos. Os agentes de reversão específicos incluem:

AnticoagulanteAgente de Reversão
DabigatranaIdarucizumabe — antídoto específico (fragmento de anticorpo monoclonal), dose 5 g IV (2x 2,5 g)
Inibidores do fator Xa (Apixabana, Rivaroxabana)Andexanet Alfa — proteína rFXa modificada
Heparina Não Fracionada (HNF)Sulfato de Protamina — reversão completa
Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM)Sulfato de Protamina — reversão parcial (30-40%)
VKA / inibidores de Xa sem antídoto disponívelComplexo Protrombínico (PCC) — agente geral de reversão de emergência

7. Investigação de Malignidade Oculta e Trombofilia

Malignidade Oculta

Para TVPES não provocada, recomenda-se rastreamento limitado (anamnese, exame físico, exames laboratoriais básicos e triagem específica por sexo) — tomografias de corpo inteiro não demonstraram redução na mortalidade por câncer.

Trombofilia

O teste não é recomendado de rotina para episódios provocados. Deve ser considerado em casos não provocados, especialmente em pacientes jovens (abaixo de 45-50 anos) ou com forte história familiar de TEV. O teste para anticorpos antifosfolípides (APS) é relevante se a interrupção da anticoagulação estiver sendo considerada.

8. Perspectiva do Paciente e Seguimento

Pacientes com história de trombose valorizam a discussão sobre terapias de compressão e remoção precoce do trombo. Embora a evidência para compressão em extremidade superior seja menos robusta do que na inferior, a prática deve ser individualizada conforme o alívio dos sintomas.

Considerações Finais

A TVPES é uma entidade clínica distinta da TVP de membros inferiores, exigindo reconhecimento de sua classificação — primária (trombose de esforço/Paget-Schroetter) ou secundária (CVC e câncer) — investigação por ultrassom como primeira linha, e um plano de anticoagulação estruturado em três fases, preferencialmente com DOACs. A remoção precoce do trombo e a cirurgia de descompressão do desfiladeiro torácico permanecem reservadas a casos selecionados, sempre com decisão compartilhada. A investigação de malignidade oculta e trombofilia deve seguir critérios específicos, evitando rastreamentos extensivos sem benefício comprovado.

*Este texto tem caráter de revisão e atualização para profissionais de saúde, com base na diretriz internacional citada. Não substitui a avaliação clínica individualizada de cada paciente.

Ref: Kakkos SK, Gohel M, Baekgaard N, et al. Editor's Choice – European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2021;61(1):9-82.

Perguntas Frequentes

O que é a TVPES e como se diferencia em primária e secundária?
A Trombose Venosa Profunda de Extremidade Superior (TVPES) é uma entidade clínica distinta da TVP de membros inferiores. A forma primária — a Trombose de Esforço, ou Síndrome de Paget-Schroetter — é desencadeada por atividade física intensa, afetando tipicamente atletas e trabalhadores braçais. A forma secundária está ligada a fatores como cateteres venosos centrais (CVC) e câncer.
Quais são os sinais e sintomas mais característicos da TVPES?
Os sinais e sintomas cardinais são: distensão venosa (presente em 100% dos casos), edema (93%), descoloração azulada (77%) e dor agravada pelo exercício (66%). Embora indicativos, esses sintomas não são suficientes, isoladamente, para confirmar ou excluir o diagnóstico.
Qual o papel dos D-dímeros e do ultrassom no diagnóstico da TVPES?
Os D-dímeros têm alta sensibilidade (~95%) e VPN de 99-100%, mas especificidade limitada (35-55%) — podem estar elevados em câncer, infecções e gravidez, sendo recomendados pontos de corte ajustados pela idade em pacientes idosos. A ultrassonografia (Duplex) é a modalidade de primeira linha (Classe I, Nível C), com sensibilidade de 91% e especificidade de 93%. Venografia de contraste e angio-TC/RM são reservadas para casos inconclusivos ou planejamento de intervenção.
Como é estruturado o tratamento anticoagulante da TVPES?
A anticoagulação é o pilar do tratamento, dividida em três fases: inicial (até 10 dias), principal (primeiros 3 meses) e estendida (além de 3 meses). A anticoagulação por 3 meses é recomendada (Classe I) para todos os pacientes sem contraindicações, com HBPM, varfarina ou DOACs (apixabana, rivaroxabana, edoxabana ou dabigatrana). Estudos com rivaroxabana e apixabana demonstram segurança e eficácia equivalentes à terapia convencional.
Quando considerar a remoção precoce do trombo ou a cirurgia de descompressão do desfiladeiro torácico?
Na maioria dos pacientes com TVPES primária sintomática, a remoção precoce do trombo não é recomendada (Classe III, Nível C). Em pacientes jovens e ativos com TVPES severa, a trombólise pode ser considerada nas primeiras 2 semanas (Classe IIb, Nível C), com o objetivo de reduzir a carga de trombo e o risco de SPT. Já a ressecção da 1ª costela pode ser considerada nos pacientes tratados com remoção precoce do trombo, se houver evidência clara de síndrome do desfiladeiro torácico venoso (Classe IIb, Nível C), para prevenir recorrências por fatores mecânicos persistentes.
Quando investigar malignidade oculta ou trombofilia na TVPES?
Para TVPES não provocada, recomenda-se rastreamento limitado (anamnese, exame físico, exames laboratoriais básicos e triagem específica por sexo) — tomografias de corpo inteiro não reduzem a mortalidade por câncer. O teste de trombofilia não é recomendado de rotina para episódios provocados, devendo ser considerado em casos não provocados, especialmente em pacientes jovens (abaixo de 45-50 anos) ou com forte história familiar de TEV. O teste para anticorpos antifosfolípides é relevante se a interrupção da anticoagulação estiver sendo considerada.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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