Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 2: Aneurisma de Artéria Esplênica (SAA)
O mais nuançado dos aneurismas viscerais: ruptura Grade 1A, mortalidade fetal 90% na gravidez, critérios distintos para verdadeiro vs. pseudoaneurisma, embolização endovascular e considerações sobre esplenectomia.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295


SAA — Epidemiologia e Relevância Clínica
O aneurisma de artéria esplênica (SAA) é o 2º mais comum dos aneurismas viscerais (775 casos na revisão sistemática SVS, ~27%). O diagnóstico incidental pelo uso crescente de imagens seccionais é a principal razão para o aumento das notificações. Classicamente pensados como incomuns, SAAs estão sendo diagnosticados com frequência crescente.
Verdadeiro vs. Pseudoaneurisma — distinção fundamental
Aneurisma Verdadeiro
- • Ruptura na apresentação: 3,1%
- • Frequentemente assintomático e incidental
- • Crescimento lento (0,06 cm/ano)
- • Degenerativo/aterosclerótico, ou FMD
- • Tamanho é preditor de risco (limiar 3 cm)
Pseudoaneurisma
- • Ruptura na apresentação: 76,3%
- • Sintomáticos na maioria dos casos
- • Crescimento rápido
- • Causa: pancreatite, trauma, iatrogênico
- • Tamanho NÃO é preditor confiável → tratar todos
SAA — Diagnóstico e Avaliação
CTA como ferramenta diagnóstica inicial de escolha (cortes de 1 mm quando disponíveis).
Grade 1 · C
MRA em pacientes com IRC pré-existente limitando uso de contraste iodado.
Grade 1 · C
Arteriografia quando estudos não-invasivos não demonstraram suficientemente o fluxo colateral relevante ou quando intervenção endovascular está planejada.
Grade 1 · B
SAA — Critérios de Intervenção
| Rec. | Situação | Grade | Evidência |
|---|---|---|---|
| 2.1 | SAA roto → intervenção emergencial | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.2 | Pseudoaneurisma não roto qualquer tamanho → tratar | 1 (Forte) | B |
| 2.3 | Verdadeiro em mulher de idade fértil qualquer tamanho → tratar | 1 (Forte) | B |
| 2.4 | Verdadeiro ≥3 cm com crescimento ou sintomas → tratar | 1 (Forte) | C |
| 2.5 | Verdadeiro <3 cm, estável, assintomático → observar | 2 (Fraco) | C |
★ Única recomendação Grade 1A na série SAA
A intervenção emergencial para SAA roto é a recomendação com maior nível de evidência de toda a seção — Grade 1 (Forte), Evidência A (Alta). Isso reflete a mortalidade de 25% na ruptura e a urgência do tratamento cirúrgico ou endovascular imediato.
SAA — Opções de Tratamento
SAA roto descoberto em laparotomia: ligação com ou sem esplenectomia dependendo da localização.
Grade 2 · B
SAA roto diagnosticado em imagem pré-operatória: tratamento com cirurgia aberta ou técnica endovascular conforme anatomia e condição clínica.
Grade 2 · B
Tratamento eletivo: abordagem endovascular se anatomicamente viável (pode envolver cirurgia aberta, endovascular ou laparoscópica).
Grade 2 · B
A artéria esplênica não requer rotineiramente preservação ou revascularização.
Grade 2 · C
SAA distal adjacente ao hilo: técnicas cirúrgicas abertas incluindo possível esplenectomia (preocupação com isquemia de órgão-alvo endovascular).
Grade 2 · C
Gestantes com SAA: decisões individualizadas independente do tamanho — considerar morbidade para mãe e feto.
Não graduada (melhor prática)
Embolização endovascular — resultados
- • Coil isolado: 75% dos casos
- • Combinado com outra técnica: 11%
- • Exclusão completa: 97–98% (Cleveland + Mayo)
- • Infartos órgão-alvo: 6 em 48 procedimentos (todos no leito esplênico)
Vacinação obrigatória se esplenectomia
- • Streptococcus pneumoniae
- • Haemophilus influenzae tipo B
- • Neisseria meningitidis
- • Urgência: no 14º dia pós-op
- • Eletivo: 14 dias ANTES da intervenção
SAA — Rastreio e Seguimento
Rec. 4.1 — Rastreio de outros aneurismas intra-abdominais, intratorácicos, intracranianos e arteriais periféricos em pacientes com SAA.
Grade 2 · B — SAAs podem ser múltiplos ou concomitantes a outros aneurismas viscerais (3,3% dos casos) e não viscerais (14,3%) na mesma série.
Rec. 5.1 — Observação não operatória: vigilância anual com TC ou ultrassom para avaliar crescimento.
Grade 2 · B — Média de 2,1 cm no grupo de observação da Mayo Clinic; apenas 10% com crescimento (0,06 cm/ano); nenhuma ruptura nas séries.
Rec. 5.2 — Pós-endovascular: vigilância periódica com CTA, US ou RM para avaliar endoleak ou reperfusão do aneurisma.
Grade 2 · B — Recanalizações de 18–30% em duas séries. Trombose do saco não exclui definitivamente o aneurisma da circulação arterial.
Referência
Chaer RA et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039
Perguntas Frequentes
Por que pseudoaneurismas esplênicos têm indicação cirúrgica em qualquer tamanho?
Qual o risco da gestação para aneurismas esplênicos?
Como distinguir SAA verdadeiro de pseudoaneurisma na imagem?
Por que a artéria esplênica não requer reconstrução/revascularização na maioria dos casos?
Qual a taxa de sucesso da embolização endovascular para SAA?
Quando a esplenectomia está indicada no tratamento de SAA?
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