Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretrizes SVS 2020 · Parte 2

Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 2: Aneurisma de Artéria Esplênica (SAA)

O mais nuançado dos aneurismas viscerais: ruptura Grade 1A, mortalidade fetal 90% na gravidez, critérios distintos para verdadeiro vs. pseudoaneurisma, embolização endovascular e considerações sobre esplenectomia.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202612 min min de leitura
Infográfico Geral — Aneurismas Viscerais SVS 2020: classificação, epidemiologia e critérios de tratamento
Infográfico — Aneurisma de Artéria Esplênica (SAA): diagnóstico, critérios de intervenção e tratamento — SVS 2020

SAA — Epidemiologia e Relevância Clínica

O aneurisma de artéria esplênica (SAA) é o 2º mais comum dos aneurismas viscerais (775 casos na revisão sistemática SVS, ~27%). O diagnóstico incidental pelo uso crescente de imagens seccionais é a principal razão para o aumento das notificações. Classicamente pensados como incomuns, SAAs estão sendo diagnosticados com frequência crescente.

25%
Mortalidade geral na ruptura de SAA
80–90%
Mortalidade materna/fetal na ruptura durante gravidez
20–50%
Das rupturas de SAA ocorrem durante a gestação

Verdadeiro vs. Pseudoaneurisma — distinção fundamental

Aneurisma Verdadeiro

  • • Ruptura na apresentação: 3,1%
  • • Frequentemente assintomático e incidental
  • • Crescimento lento (0,06 cm/ano)
  • • Degenerativo/aterosclerótico, ou FMD
  • • Tamanho é preditor de risco (limiar 3 cm)

Pseudoaneurisma

  • • Ruptura na apresentação: 76,3%
  • • Sintomáticos na maioria dos casos
  • • Crescimento rápido
  • • Causa: pancreatite, trauma, iatrogênico
  • • Tamanho NÃO é preditor confiável → tratar todos

SAA — Diagnóstico e Avaliação

1.1

CTA como ferramenta diagnóstica inicial de escolha (cortes de 1 mm quando disponíveis).

Grade 1 · C

1.2

MRA em pacientes com IRC pré-existente limitando uso de contraste iodado.

Grade 1 · C

1.3

Arteriografia quando estudos não-invasivos não demonstraram suficientemente o fluxo colateral relevante ou quando intervenção endovascular está planejada.

Grade 1 · B

SAA — Critérios de Intervenção

Rec.SituaçãoGradeEvidência
2.1SAA roto → intervenção emergencial1 (Forte)A ★
2.2Pseudoaneurisma não roto qualquer tamanho → tratar1 (Forte)B
2.3Verdadeiro em mulher de idade fértil qualquer tamanho → tratar1 (Forte)B
2.4Verdadeiro ≥3 cm com crescimento ou sintomas → tratar1 (Forte)C
2.5Verdadeiro <3 cm, estável, assintomático → observar2 (Fraco)C

★ Única recomendação Grade 1A na série SAA

A intervenção emergencial para SAA roto é a recomendação com maior nível de evidência de toda a seção — Grade 1 (Forte), Evidência A (Alta). Isso reflete a mortalidade de 25% na ruptura e a urgência do tratamento cirúrgico ou endovascular imediato.

SAA — Opções de Tratamento

3.1

SAA roto descoberto em laparotomia: ligação com ou sem esplenectomia dependendo da localização.

Grade 2 · B

3.2

SAA roto diagnosticado em imagem pré-operatória: tratamento com cirurgia aberta ou técnica endovascular conforme anatomia e condição clínica.

Grade 2 · B

3.3

Tratamento eletivo: abordagem endovascular se anatomicamente viável (pode envolver cirurgia aberta, endovascular ou laparoscópica).

Grade 2 · B

3.4

A artéria esplênica não requer rotineiramente preservação ou revascularização.

Grade 2 · C

3.5

SAA distal adjacente ao hilo: técnicas cirúrgicas abertas incluindo possível esplenectomia (preocupação com isquemia de órgão-alvo endovascular).

Grade 2 · C

3.6

Gestantes com SAA: decisões individualizadas independente do tamanho — considerar morbidade para mãe e feto.

Não graduada (melhor prática)

Embolização endovascular — resultados

  • • Coil isolado: 75% dos casos
  • • Combinado com outra técnica: 11%
  • • Exclusão completa: 97–98% (Cleveland + Mayo)
  • • Infartos órgão-alvo: 6 em 48 procedimentos (todos no leito esplênico)

Vacinação obrigatória se esplenectomia

  • Streptococcus pneumoniae
  • Haemophilus influenzae tipo B
  • Neisseria meningitidis
  • • Urgência: no 14º dia pós-op
  • • Eletivo: 14 dias ANTES da intervenção

SAA — Rastreio e Seguimento

Rec. 4.1 — Rastreio de outros aneurismas intra-abdominais, intratorácicos, intracranianos e arteriais periféricos em pacientes com SAA.

Grade 2 · B — SAAs podem ser múltiplos ou concomitantes a outros aneurismas viscerais (3,3% dos casos) e não viscerais (14,3%) na mesma série.

Rec. 5.1 — Observação não operatória: vigilância anual com TC ou ultrassom para avaliar crescimento.

Grade 2 · B — Média de 2,1 cm no grupo de observação da Mayo Clinic; apenas 10% com crescimento (0,06 cm/ano); nenhuma ruptura nas séries.

Rec. 5.2 — Pós-endovascular: vigilância periódica com CTA, US ou RM para avaliar endoleak ou reperfusão do aneurisma.

Grade 2 · B — Recanalizações de 18–30% em duas séries. Trombose do saco não exclui definitivamente o aneurisma da circulação arterial.

Referência

Chaer RA et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039

Perguntas Frequentes

Por que pseudoaneurismas esplênicos têm indicação cirúrgica em qualquer tamanho?
Pseudoaneurismas viscerais têm risco de ruptura significativamente maior que aneurismas verdadeiros. Em série de Pitton et al. com 233 pacientes e 253 aneurismas viscerais, a taxa de ruptura na apresentação foi 76,3% para pseudoaneurismas vs. 3,1% para verdadeiros. Não houve diferença significativa de tamanho entre rotos e não rotos — demonstrando que o tamanho não é preditor confiável de ruptura para pseudoaneurismas. Por isso, todos os pseudoaneurismas esplênicos em pacientes com risco operatório aceitável devem ser tratados independentemente de tamanho (Grade 1, Forte, B).
Qual o risco da gestação para aneurismas esplênicos?
O risco é devastador. A mortalidade materna em ruptura de SAA é 80% e a fetal é 90%. A gestação está associada a 20–50% de todas as rupturas de SAA. SAAs em mulheres jovens têm tendência particular à ruptura, especialmente no 3º trimestre — presumivelmente devido a alterações hemodinâmicas (aumento de débito cardíaco, volume sanguíneo) e hormonais que fragilizam a parede arterial. Por isso, qualquer SAA verdadeiro em mulher de idade fértil deve ser tratado independentemente de tamanho (Grade 1, Forte, B) — idealmente antes de uma eventual gestação.
Como distinguir SAA verdadeiro de pseudoaneurisma na imagem?
Na CTA: pseudoaneurismas tipicamente se associam a trauma, pancreatite ou procedimento intervencionista prévio — apresentam alterações inflamatórias perilesionais e irregularidade da parede arterial. Aneurismas verdadeiros tendem a ter morfologia mais regular, frequentemente com calcificação na parede. Clinicamente: pseudoaneurismas são sintomáticos na maioria dos casos (dor, febre); verdadeiros são frequentemente assintomáticos e encontrados incidentalmente. Essa distinção é fundamental pois os critérios de intervenção são completamente diferentes.
Por que a artéria esplênica não requer reconstrução/revascularização na maioria dos casos?
A artéria esplênica tem abundante circulação colateral — as artérias gástricas curtas mantêm a perfusão esplênica mesmo após ligadura proximal e distal do aneurisma. Portanto, a ligadura simples (com ou sem esplenectomia) é viável para a maioria dos casos (Rec. 3.4, Grade 2C). A revascularização da artéria esplênica distal geralmente não é necessária. Exceção: SAA distal adjacente ao hilo esplênico, onde técnicas cirúrgicas abertas incluindo possível esplenectomia são preferidas às endovasculares, pelo risco de isquemia de órgão-alvo (incluindo infarto esplênico e pancreatite).
Qual a taxa de sucesso da embolização endovascular para SAA?
A embolização endovascular é altamente eficaz: coiling foi usado isoladamente em 75% dos casos e em combinação com outra técnica em 11%. A exclusão completa do fluxo dentro do saco aneurismático em imagem de acompanhamento foi de 97% na experiência da Cleveland Clinic e 98% na Mayo Clinic. Infartos de órgão-alvo foram identificados em 6 pacientes (todos dentro do leito esplênico) em série de 48 procedimentos endovasculares para pseudoaneurismas. A síndrome pós-embolização (dor, febre, sintomas sistêmicos) pode ocorrer com ablação esplênica endoluminal.
Quando a esplenectomia está indicada no tratamento de SAA?
A esplenectomia não é rotineira — apenas quando indicada pela localização do aneurisma. Está mais indicada em: (1) SAA distal adjacente ao hilo esplênico (preocupação com isquemia de órgão-alvo por endovascular); (2) SAA roto descoberto em laparotomia (ligation com ou sem esplenectomia dependendo da localização — Rec. 3.1, Grade 2B); (3) Aneurismas micóticos; (4) SAA em contexto de gravidez. Quando esplenectomia está planejada, vacinação anti-pneumocócica, anti-meningocócica e anti-Haemophilus influenzae tipo B deve ser realizada no dia 14 pós-operatório ou 14 dias ANTES da intervenção eletiva.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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