Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretrizes SVS 2020 · Parte 4

Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 4: Aneurisma de Artéria Hepática (HAA)

HAA: seção com maior número de recomendações Grade 1A — pseudoaneurismas tratados imediatamente, HAA sintomático em qualquer tamanho, verdadeiro >2 cm. Endovascular-first Grade 1A. Intra vs. extra-hepático.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202613 min min de leitura
Infográfico Geral — Aneurismas Viscerais SVS 2020: classificação, epidemiologia e critérios de tratamento
Infográfico — Aneurisma de Artéria Hepática (HAA): diagnóstico, critérios de intervenção e tratamento — SVS 2020

HAA — Epidemiologia e Relevância

O aneurisma de artéria hepática (HAA) é o 3º mais comum dos aneurismas viscerais (359 casos, ~13% da revisão SVS) e o 2º mais comumente reportado na literatura. A incidência real é desconhecida — estimada em 0,002% entre os 2 milhões de pacientes da Mayo Clinic entre 1980–1986. A maioria é diagnosticada incidentalmente na 6ª década de vida.

75–80%
Extra-hepáticos (acesso mais direto)
25–80%
São pseudoaneurismas (causas traumáticas)
30%
Mortalidade na ruptura (uma série)
0%
Mortalidade no reparo eletivo (mesma série)

Pseudoaneurisma Hepático (25–80%)

  • • Causa: trauma, iatrogênico (biópsia, CPRE, drenagem)
  • • Sintomáticos na maioria → hemobilia, hemorragia GI
  • • Ruptura: evento frequente, sem história natural benigna
  • • Imagem: irregularidade da parede, contexto inflamatório

HAA Verdadeiro

  • • Diagnóstico incidental, 6ª década, predominância 3:2 masculina
  • • 27% cresceram sem ruptura em 68 meses (Mayo Clinic)
  • • Taxa de ruptura variável: 14–80% (séries retrospectivas)
  • • Causas não ateroscleróticas: FMD, vasculite, infecção, colagenovasculares

HAA — Diagnóstico

1.1

CTA como ferramenta diagnóstica de escolha.

Grade 1 · B

1.2

Arteriografia mesentérica para planejamento pré-operatório em pacientes considerados para intervenção.

Grade 1 · B

Dado o extenso sistema de colaterais via artéria gastroduodenal e ramos gástricos direitos, tanto a ligação cirúrgica quanto a embolização endovascular podem ser feitas nessas artérias. Para avaliar adequadamente as colaterais, arteriografia seletiva e CTA de alta resolução são recomendadas.

HAA — Critérios de Intervenção

★ HAA tem o maior número de recomendações Grade 1A da série inteira

Isso reflete a combinação de alto risco de ruptura (especialmente para pseudoaneurismas) e excelentes resultados do tratamento eletivo (0% mortalidade na mesma série que reportou 30% de mortalidade na ruptura).

Rec.SituaçãoGradeEvidência
2.1Todo pseudoaneurisma hepático qualquer tamanho → reparar assim que diagnosticado1 (Forte)A ★
2.2aHAA sintomático qualquer tamanho → reparar1 (Forte)A ★
2.2bHAA assintomático >2 cm sem comorbidade significativa → reparar1 (Forte)A ★
2.2bHAA crescendo >0,5 cm/ano → reparar1 (Forte)C
2.2bHAA com comorbidades importantes: reparar se >5,0 cm1 (Forte)B
2.3HAA com vasculopatia ou vasculite qualquer tamanho → reparar1 (Forte)C
2.3HAA em paciente com culturas positivas (infecção) → reparar1 (Forte)C

HAA — Opções de Tratamento

Rec. 3.1 — Abordagem endovascular-first em todos os HAAs se anatomicamente viável (mantendo circulação arterial hepática).

Grade 1 (Forte) · A ★ — Nível máximo de evidência

Rec. 3.2 — HAA extrahepático: técnicas abertas e endovasculares para manter a circulação hepática.

Grade 1 (Forte) · A ★

Rec. 3.3 — HAA intrahepático: coil embolização da artéria afetada. HAA intrahepático grande: ressecção do lobo para evitar necrose hepática significativa.

Grade 1 (Forte) · B (coil) / C (ressecção lobular)

Extra-hepático (75–80%)

  • • Solitary em 92% dos casos
  • • Objetivo: excluir o aneurisma mantendo fluxo hepático
  • • Opções: stent graft de exclusão ou embolização com colateralização adequada via artéria gastroduodenal
  • • Cirurgia aberta: resecção + interposição ou bypass

Intra-hepático (20–25%)

  • • Duplo suprimento hepático permite embolização mais segura
  • • Coil embolização seletiva do ramo afetado — 1ª escolha
  • • Grande aneurisma: risco de necrose extensa → considerar ressecção lobular
  • • Múltiplos HAAs: acompanhamento rigoroso após cada embolização

HAA — Rastreio e Seguimento

4.1

Imagem axial abdominal para rastrear aneurismas intra-abdominais concomitantes em pacientes sem CTA anterior ao diagnóstico.

Grade 2 · B

4.2

CTA ou RM de cabeça, pescoço e tórax para pacientes com causas não ateroscleróticas de HAA.

Grade 2 · B

5.1

Seguimento anual com CTA ou TC sem contraste para observar pacientes com HAA assintomático.

Grade 2 · B

Referência

Chaer RA et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039

Perguntas Frequentes

Por que todos os pseudoaneurismas hepáticos devem ser reparados imediatamente ao diagnóstico?
Os pseudoaneurismas hepáticos têm alta propensão à ruptura e mortalidade antecedente significativa — por isso a recomendação é Grade 1 Forte, Evidência A (mais alto nível possível). A maioria dos pseudoaneurismas hepáticos resulta de trauma, lesão iatrogênica ou procedimento percutâneo (biópsia hepática, CPRE, drenagem de abscesso) — tornando-os sintomáticos na apresentação com hemobilia ou hemorragia GI. Ao contrário dos aneurismas verdadeiros com história natural mais benigna, o pseudoaneurisma não tem zona segura de observação.
Qual o limiar para tratar HAA verdadeiro assintomático?
Para pacientes sem comorbidade significativa: reparo se HAA >2 cm (Grade 1A) ou se crescer >0,5 cm/ano (Grade 1C). Para pacientes com comorbidades importantes: reparo se HAA >5 cm (Grade 1B). O raciocínio: Abbas et al. (Mayo Clinic) recomendaram observação cuidadosa para <5 cm em alto risco e reparo >2 cm apenas em baixo risco — considerando que 27% mostraram crescimento sem ruptura em 68 meses. O limiar de 2 cm é agressivo mas justificado pelo alto custo de uma ruptura (30% de mortalidade em uma série) vs. 0% de mortalidade em reparo eletivo.
Endovascular-first para HAA — quando e por quê Grade 1A?
A abordagem endovascular-first é recomendada Grade 1A quando é anatomicamente viável e mantém a circulação arterial hepática. O motivo do nível máximo de evidência: morbidade é significativamente pior com cirurgia aberta comparada ao endovascular (dados retrospectivos consistentes), e as técnicas endovasculares têm evolução tecnológica que amplia as indicações. Para aneurismas extrahepáticos (75–80% dos HAAs), a manutenção da circulação hepática é obrigatória — obtida por stent graft ou embolização com adequada colateralização via artéria gastroduodenal.
Como tratar HAA intrahepático?
Para HAA intrahepático: coil embolização da artéria afetada (Grade 1B). Para grandes HAAs intrahepáticos: ressecção do lobo hepático envolvido para evitar necrose hepática significativa (Grade 1C). A embolização intrahepática pode ser realizada com segurança porque a circulação hepática tem duplo suprimento (arterial + portal). Contudo, grandes aneurismas com múltiplos ramos afetados podem resultar em necrose extensa se embolizados sem planejamento cuidadoso — nesses casos a ressecção lobular é mais segura.
Quais causas não ateroscleróticas de HAA requerem investigação adicional?
HAAs com causa não aterosclerótica requerem investigação mais ampla (Grade 2B — CTA de cabeça, pescoço e tórax). As principais causas não ateroscleróticas incluem: displasia fibromuscular, vasculite (PAN, Wegener, Takayasu), lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Osler-Weber-Rendu, Marfan e Ehlers-Danlos. Essas condições têm risco significativamente maior de ruptura — pacientes com FMD e poliarterite nodosa respondem por 50% dos HAAs rotos em uma série. Endocardite bacteriana foi historicamente a causa mais comum antes do tratamento adequado com antibióticos.
Qual a apresentação clínica clássica do HAA?
HAAs são diagnosticados incidentalmente na 6ª década de vida, com predomínio masculino 3:2. A tríade clássica de Quincke (para HAA roto) inclui: dor abdominal, hemobilia e icterícia obstrutiva — embora raramente presente completa. HAA verdadeiro tem história natural mais benigna: apenas 27% mostraram crescimento sem ruptura em série da Mayo Clinic em 68 meses, com taxa de ruptura de 14–80% (variação ampla pela natureza retrospectiva dos estudos). Pseudoaneurismas são sintomáticos na maioria — hemobilia ou sangramento GI são as apresentações mais comuns.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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