Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 4: Aneurisma de Artéria Hepática (HAA)
HAA: seção com maior número de recomendações Grade 1A — pseudoaneurismas tratados imediatamente, HAA sintomático em qualquer tamanho, verdadeiro >2 cm. Endovascular-first Grade 1A. Intra vs. extra-hepático.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295


HAA — Epidemiologia e Relevância
O aneurisma de artéria hepática (HAA) é o 3º mais comum dos aneurismas viscerais (359 casos, ~13% da revisão SVS) e o 2º mais comumente reportado na literatura. A incidência real é desconhecida — estimada em 0,002% entre os 2 milhões de pacientes da Mayo Clinic entre 1980–1986. A maioria é diagnosticada incidentalmente na 6ª década de vida.
Pseudoaneurisma Hepático (25–80%)
- • Causa: trauma, iatrogênico (biópsia, CPRE, drenagem)
- • Sintomáticos na maioria → hemobilia, hemorragia GI
- • Ruptura: evento frequente, sem história natural benigna
- • Imagem: irregularidade da parede, contexto inflamatório
HAA Verdadeiro
- • Diagnóstico incidental, 6ª década, predominância 3:2 masculina
- • 27% cresceram sem ruptura em 68 meses (Mayo Clinic)
- • Taxa de ruptura variável: 14–80% (séries retrospectivas)
- • Causas não ateroscleróticas: FMD, vasculite, infecção, colagenovasculares
HAA — Diagnóstico
CTA como ferramenta diagnóstica de escolha.
Grade 1 · B
Arteriografia mesentérica para planejamento pré-operatório em pacientes considerados para intervenção.
Grade 1 · B
Dado o extenso sistema de colaterais via artéria gastroduodenal e ramos gástricos direitos, tanto a ligação cirúrgica quanto a embolização endovascular podem ser feitas nessas artérias. Para avaliar adequadamente as colaterais, arteriografia seletiva e CTA de alta resolução são recomendadas.
HAA — Critérios de Intervenção
★ HAA tem o maior número de recomendações Grade 1A da série inteira
Isso reflete a combinação de alto risco de ruptura (especialmente para pseudoaneurismas) e excelentes resultados do tratamento eletivo (0% mortalidade na mesma série que reportou 30% de mortalidade na ruptura).
| Rec. | Situação | Grade | Evidência |
|---|---|---|---|
| 2.1 | Todo pseudoaneurisma hepático qualquer tamanho → reparar assim que diagnosticado | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.2a | HAA sintomático qualquer tamanho → reparar | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.2b | HAA assintomático >2 cm sem comorbidade significativa → reparar | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.2b | HAA crescendo >0,5 cm/ano → reparar | 1 (Forte) | C |
| 2.2b | HAA com comorbidades importantes: reparar se >5,0 cm | 1 (Forte) | B |
| 2.3 | HAA com vasculopatia ou vasculite qualquer tamanho → reparar | 1 (Forte) | C |
| 2.3 | HAA em paciente com culturas positivas (infecção) → reparar | 1 (Forte) | C |
HAA — Opções de Tratamento
Rec. 3.1 — Abordagem endovascular-first em todos os HAAs se anatomicamente viável (mantendo circulação arterial hepática).
Grade 1 (Forte) · A ★ — Nível máximo de evidência
Rec. 3.2 — HAA extrahepático: técnicas abertas e endovasculares para manter a circulação hepática.
Grade 1 (Forte) · A ★
Rec. 3.3 — HAA intrahepático: coil embolização da artéria afetada. HAA intrahepático grande: ressecção do lobo para evitar necrose hepática significativa.
Grade 1 (Forte) · B (coil) / C (ressecção lobular)
Extra-hepático (75–80%)
- • Solitary em 92% dos casos
- • Objetivo: excluir o aneurisma mantendo fluxo hepático
- • Opções: stent graft de exclusão ou embolização com colateralização adequada via artéria gastroduodenal
- • Cirurgia aberta: resecção + interposição ou bypass
Intra-hepático (20–25%)
- • Duplo suprimento hepático permite embolização mais segura
- • Coil embolização seletiva do ramo afetado — 1ª escolha
- • Grande aneurisma: risco de necrose extensa → considerar ressecção lobular
- • Múltiplos HAAs: acompanhamento rigoroso após cada embolização
HAA — Rastreio e Seguimento
Imagem axial abdominal para rastrear aneurismas intra-abdominais concomitantes em pacientes sem CTA anterior ao diagnóstico.
Grade 2 · B
CTA ou RM de cabeça, pescoço e tórax para pacientes com causas não ateroscleróticas de HAA.
Grade 2 · B
Seguimento anual com CTA ou TC sem contraste para observar pacientes com HAA assintomático.
Grade 2 · B
Referência
Chaer RA et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039
Perguntas Frequentes
Por que todos os pseudoaneurismas hepáticos devem ser reparados imediatamente ao diagnóstico?
Qual o limiar para tratar HAA verdadeiro assintomático?
Endovascular-first para HAA — quando e por quê Grade 1A?
Como tratar HAA intrahepático?
Quais causas não ateroscleróticas de HAA requerem investigação adicional?
Qual a apresentação clínica clássica do HAA?
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