Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 3: Aneurisma Celíaco (CAA) e Gástrico/Gastroepiploico
CAA: mortalidade próxima de 100% na ruptura, limiar >2 cm, avaliação obrigatória da circulação colateral. Gástrico/gastroepiploico: tratamento de TODOS os tamanhos, embolização endovascular de primeira linha.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

Aneurisma de Artéria Celíaca (CAA)
Os CAAs representam ~3% de todos os aneurismas viscerais (87 casos na revisão SVS). Embora relativamente raros, têm importância clínica extrema por sua localização proximal e pela mortalidade catastrófica na ruptura — que se aproxima de 100% nas séries históricas. CAAs são associados a outros aneurismas viscerais em 40% dos casos e a aneurismas aórticos em 18–20%.
CAA — Diagnóstico
CTA como ferramenta diagnóstica inicial de escolha.
Grade 2 · B
MRA em pacientes com IRC pré-existente limitando uso de contraste iodado.
Grade 2 · B
Arteriografia quando estudos não-invasivos não demonstraram adequadamente o fluxo colateral relevante ou quando intervenção endovascular está planejada.
Grade 2 · C
CAA — Critérios de Intervenção
| Rec. | Situação | Grade | Evidência |
|---|---|---|---|
| 2.1 | CAA roto → intervenção emergencial | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.2 | Pseudoaneurisma não roto qualquer tamanho → tratar | 1 (Forte) | B |
| 2.3 | Verdadeiro >2 cm com crescimento ou sintomas → tratar | 1 (Forte) | C |
| 2.4 | Verdadeiro <2 cm, estável, assintomático → observar | 2 (Fraco) | C |
CAA — Tratamento e Circulação Colateral
CAA roto descoberto em laparotomia: ligação se circulação colateral hepática suficiente documentada.
Grade 2 · C
CAA roto diagnosticado em imagem, paciente estável: cirurgia aberta ou endovascular conforme anatomia.
Grade 1 · B
Tratamento eletivo: abordagem endovascular se anatomicamente viável; pode envolver cirurgia, endovascular ou laparoscópica.
Grade 2 · B
Avaliação obrigatória da AMS, artéria gastroduodenal e demais colaterais na CTA ou arteriografia pré-operatória.
Grade 2 · B
Circulação colateral celíaca — avaliar ANTES de intervir
A necessidade de revascularização depende da localização do aneurisma e da natureza da circulação mesentérica colateral. A ligação da artéria celíaca é viável em até 35% dos casos cirúrgicos quando a colateral via AMS → gastroduodenal está adequada. Endotecnicamente, a ausência de zona de ancoragem proximal pode limitar o uso de coils — nesses casos, plugs endovasculares permitem oclusão mais controlada do eixo celíaco.
Aneurismas Gástrico e Gastroepiploico
Esses aneurismas representam 4–5% de todos os viscerais, com predominância masculina (3:1). São etiologicamente ligados principalmente à displasia fibromuscular, arteriolise medial segmentar e inflamação periarterial. A artéria gástrica é 10 vezes mais comum que a gastroepiploica.
dos aneurismas gástrico/gastroepiploico se apresentam com RUPTURA
Sangramento GI é mais comum que ruptura intraperitoneal (razão 2:1) — mas ambas são emergências cirúrgicas.
Rec. 2.1 — Tratamento de TODOS os aneurismas gástrico e gastroepiploico de QUALQUER tamanho.
Grade 1 (Forte) · B — Único tipo visceral sem limiar de tamanho para intervenção.
Rec. 3.1 — Embolização endovascular para tratamento de primeira linha.
Grade 1 (Forte) · B — Literatura atual apoia cateter-embolização como novo padrão de cuidado.
- • Imagem axial abdominal para aneurismas concomitantes (Grade 2, B)
- • CTA de cabeça, pescoço e tórax se arteriolise medial segmentar suspeita (Grade 2, C)
- • Vigilância a cada 12–24 meses com imagem axial se arteriolise medial segmentar (transformação arterial rápida) — Grade 2, B
- • Pós-embolização: vigilância a cada 1–2 anos para reperfusão — Grade 2, C
Aneurismas Gástrico e Gastroepiploico — Guia Visual

Referência
Chaer RA et al. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039
Perguntas Frequentes
Por que o aneurisma celíaco tem mortalidade próxima de 100% na ruptura?
Qual o limiar de tamanho para tratar aneurisma celíaco?
Por que a circulação colateral é tão importante no CAA?
Por que os aneurismas gástricos e gastroepiploicos são tratados em qualquer tamanho?
O que é arteriolise medial segmentar e como se relaciona com aneurismas gástricos?
A embolização endovascular é segura para aneurismas gástricos e gastroepiploicos?
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