Diretrizes SVS 2020 para Aneurismas Viscerais — Parte 5: SMAA, Ramos Intestinais e PDAA/GDAA
SMAA: tratar TODOS os tamanhos (Grade 1A). Artéria cólica: todo tamanho. PDAA/GDAA: todos os casos não complicados — coil embolização de eleição. Síndrome do ligamento arcuato mediano. Encerramento das diretrizes SVS 2020.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

Aneurisma de Artéria Mesentérica Superior (SMAA)
SMAAs representam ~3% dos aneurismas viscerais (95 casos na revisão SVS). São o único tipo tratado com recomendação Grade 1A para todos os tamanhos — tanto verdadeiros quanto pseudoaneurismas. Isso reflete a importância crítica da AMS para a perfusão intestinal e a ausência de circulação colateral confiável.
Tratar TODOS os SMAAs verdadeiros e pseudoaneurismas — independente do tamanho
Único tipo de aneurisma visceral com esse nível máximo de evidência para todos os tamanhos (sem limiar mínimo).
CTA como ferramenta diagnóstica de escolha.
Grade 1 · B
Arteriografia mesentérica para delineamento de anatomia no planejamento do reparo de SMAA.
Grade 1 · B
Reparar todos os SMAAs verdadeiros e pseudoaneurismas assim que o diagnóstico for feito — independente do tamanho.
Grade 1 (Forte) · A ★
Dissecção de SMAA: observação cuidadosa a menos que sintomas refratários se desenvolvam.
Grade 2 (Fraco) · B
Abordagem endovascular-first em todos os SMAAs se anatomicamente viável.
Grade 1 (Forte) · B
Rastreio de aneurismas intra-abdominais concomitantes em pacientes sem CTA anterior.
Grade 2 · B
Vigilância anual com CTA em pacientes pós-cirurgia de SMAA.
Grade 2 · B

Aneurismas Jejunais, Ileais e Cólicos
São raros — apenas 15 casos na revisão SVS. Podem estar associados a vasculite (especialmente poliarterite nodosa) e são potencialmente múltiplos. A artéria cólica tem indicação de tratamento em qualquer tamanho; jejunal e ileal têm limiar de 2 cm.
CTA como ferramenta diagnóstica de escolha.
Grade 1 · B
MRA não contrastada em alto risco de radiação ou IRC.
Grade 1 · C
Arteriografia para casos emergenciais com ruptura (preoperatório) e eletivamente para planejamento.
Grade 1 · B
Rastreio de vasculite com marcadores inflamatórios de rotina em todos os pacientes com aneurismas jejunais, ileais e cólicos.
Grade 2 · C
| Rec. | Situação | Grade | Evidência |
|---|---|---|---|
| 2.1 | Jejunal/ileal >2 cm: intervenção eletiva | 1 (Forte) | B |
| 2.2 | Qualquer jejunal/ileal/cólico com sintomas ou ruptura + pseudoaneurismas mesentéricos: emergência | 1 (Forte) | A ★ |
| 2.1* | Artéria cólica: tratar TODO tamanho | 1 (Forte) | B |
| 3.3 | Jejunal/ileal/cólico assintomático associado a poliarterite nodosa: tratamento médico | 2 (Fraco) | B |
Rec. 3.1 — Cirurgia aberta para ligação ou excisão em casos onde laparotomia está sendo considerada para hematoma.
Grade 2 · B
Rec. 3.2 — Embolização endovascular em casos de aneurisma de artéria jejunal, ileal e cólica.
Grade 2 · B

Aneurismas Pancreaticoduodenal (PDAA) e Gastroduodenal (GDAA)
PDAA e GDAA representam ~8% dos aneurismas viscerais (226 casos na série SVS). São tratados na mesma seção por compartilharem anatomia adjacente, etiologia (frequentemente relacionados à estenose/oclusão celíaca e síndrome do ligamento arcuato mediano) e estratégias de tratamento similares.
Síndrome do Ligamento Arcuato Mediano (SLAM)
Quando o ligamento arcuato mediano do diafragma comprime o tronco celíaco, as artérias gastroduodenal e pancreaticoduodenal se hipertrofiam como colaterais compensatórias — tornando-se aneurismáticas por hiperperfusão. A resolução da SLAM é parte essencial do tratamento nesses casos.
CTA como ferramenta diagnóstica de escolha.
Grade 1 · B
Se estenose celíaca suspeita: duplex adicional para avaliar se é hemodinamicamente significativa.
Grade 2 · C
Tratar TODOS os GDAA e PDAA não complicados independente do tamanho — pelo risco de ruptura.
Grade 1 (Forte) · B
Coil embolização como tratamento de escolha para aneurismas intactos e rotos.
Grade 1 (Forte) · B
Quando coil não é viável: stenting coberto ou stent-assistido coil embolização como alternativa.
Grade 2 · C
Embolização com agentes líquidos (transcateter) como alternativa para GDAA e PDAA.
Grade 2 · C
Reconstrução cirúrgica aberta se necessária para preservar o fluxo.
Grade 2 · B
Concomitância com estenose/oclusão celíaca: considerar reconstrução da artéria celíaca.
Grade 2 · B
Imagem pós-tratamento endovascular de GDAA e PDAA para excluir fluxo persistente pelo saco.
Grade 1 (Forte) · B ★

Resumo Geral — Limiares e Recomendações SVS 2020
| Artéria | Limiar eletivo | Pseudo qualquer tamanho | Emergência rota | Tratamento 1ª linha |
|---|---|---|---|---|
| Renal (RAA) | >3 cm | ✓ | Grade 1B | Endovascular/Aberta/Ex vivo |
| Esplênica (SAA) | >3 cm (+ mulher idade fértil qualquer tamanho) | ✓ | Grade 1A ★ | Embolização endovascular |
| Celíaca (CAA) | >2 cm | ✓ | Grade 1A ★ | Endovascular se viável |
| Gástrica/Gastroepiploica | TODOS os tamanhos | ✓ | Grade 1B | Embolização endovascular |
| Hepática (HAA) | >2 cm (pseudo: imediato) | ✓ (imediato) | Grade 1A ★ | Endovascular-first (Grade 1A) |
| Mesentérica Superior (SMAA) | TODOS os tamanhos | ✓ | Grade 1A ★ | Endovascular-first |
| Jejunal/Ileal | >2 cm | ✓ | Grade 1A ★ | Embolização/Cirurgia |
| Cólica | TODOS os tamanhos | ✓ | Grade 1A ★ | Embolização/Cirurgia |
| Pancreaticoduodenal (PDAA) | TODOS os tamanhos | ✓ | Grade 1B | Coil embolização |
| Gastroduodenal (GDAA) | TODOS os tamanhos | ✓ | Grade 1B | Coil embolização |
★ Grade 1A = Forte, Evidência Alta — mais alto nível GRADE
Referência
Chaer RA, Abularrage CJ, Coleman DM, Eslami MH, Kashyap VS, Rockman C, Murad MH. The Society for Vascular Surgery clinical practice guidelines on the management of visceral aneurysms. J Vasc Surg. 2020;72(1S):3S–39S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.01.039
Perguntas Frequentes
Por que o SMAA é o único aneurisma visceral com Grade 1A para tratar TODOS os tamanhos?
A dissecção de SMAA é tratada da mesma forma que o aneurisma verdadeiro?
Quando tratar aneurismas de artérias jejunais, ileais e cólicas?
O que é a síndrome do ligamento arcuato mediano e qual sua relação com PDAA/GDAA?
Qual a primeira linha de tratamento para PDAA e GDAA?
Qual o seguimento após tratamento endovascular de PDAA/GDAA?
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