Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Prevenção Cirúrgica

Escore de Caprini: A Avaliação de Risco de Trombose que Pode Salvar Sua Vida Antes da Cirurgia

Um coágulo pode se formar silenciosamente durante uma cirurgia. O Escore de Caprini calcula o seu risco individual e define a proteção certa para você.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202610 min de leitura

Toda cirurgia carrega um risco invisível: a formação de coágulos dentro das veias. Isso acontece porque a imobilidade, a anestesia e o próprio trauma cirúrgico ativam o sistema de coagulação do sangue. O Escore de Caprini é a ferramenta que permite ao seu médico calcular exatamente qual é o seu risco individual — e prescrever a proteção certa, nem a mais, nem a menos.

Infográfico — Avaliação de Risco de Trombose: Por que é Vital Antes da sua Cirurgia? Escore de Caprini, categorias de risco e profilaxia recomendada

O Perigo Silencioso da Cirurgia: o TEV

O tromboembolismo venoso (TEV) é o nome médico para duas condições que andam juntas:

Trombose Venosa Profunda (TVP)

Um coágulo que se forma dentro de uma veia profunda — geralmente na panturrilha ou na coxa. Pode causar dor e inchaço na perna, mas frequentemente é completamente silencioso.

Embolia Pulmonar (EP)

O coágulo se solta, viaja pela corrente sanguínea e bloqueia uma artéria nos pulmões. Pode causar falta de ar súbita, dor no peito e, nos casos mais graves, é fatal em minutos.

📊 Um número que assusta:

Estima-se que 10% de todas as mortes dentro de hospitais sejam causadas por embolia pulmonar — e aproximadamente um terço dessas mortes ocorre após procedimentos cirúrgicos.

A boa notícia é que o TEV pós-operatório é amplamente evitável. O problema é que a proteção certa depende do risco de cada paciente — e esse risco varia enormemente de pessoa para pessoa.

Por que a Cirurgia Aumenta o Risco de Coágulos?

Três mecanismos acontecem ao mesmo tempo durante uma cirurgia — o que os médicos chamam de Tríade de Virchow:

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Sangue lento

A anestesia e a imobilidade fazem o sangue circular mais devagar nas veias das pernas — ambiente ideal para coágulos se formarem.

Sangue mais coagulável

O próprio trauma cirúrgico ativa proteínas da coagulação no sangue. É uma resposta natural do corpo para parar o sangramento — mas que pode ir longe demais.

🔬
Lesão na parede da veia

Instrumentos cirúrgicos, torniquetes e retrações podem lesionar as paredes das veias, criando pontos onde o coágulo se agarra.

Quanto maior a duração da cirurgia, maior a exposição a esses três fatores — e maior o risco. Mas isso é apenas parte da equação. A outra parte são as características individuais do próprio paciente.

O que é o Escore de Caprini?

Criado em 1991 pelo Dr. Joseph Caprini, o Escore de Risco de Caprini (CRS) é hoje a ferramenta de avaliação de risco de TEV mais validada do mundo — aplicada em mais de 5 milhões de pacientes e testada em mais de 250 ensaios clínicos.

Funciona assim: o médico passa por uma lista de mais de 40 fatores de risco do paciente — desde a idade e o peso até o histórico de coágulos na família — e atribui pontos a cada fator presente. O total de pontos define o nível de risco e, consequentemente, o tipo e a duração da proteção necessária.

💡 O conceito central:

Nem todo paciente precisa da mesma profilaxia. Um paciente jovem, saudável, submetido a uma cirurgia rápida precisa de uma proteção simples. Já um paciente idoso, com histórico de trombose, fazendo uma cirurgia longa, precisa de anticoagulantes por semanas. O Escore de Caprini define exatamente isso — a proteção certa, para a pessoa certa, na dose certa.

Como o Risco é Calculado? A Pontuação

Cada fator de risco recebe uma pontuação de acordo com o quanto ele aumenta a chance de trombose. Veja os principais:

1 Ponto— Risco Leve

Idade entre 41 e 60 anos · IMC acima de 25 kg/m² (sobrepeso) · Cirurgia de pequeno porte planejada · Veias varicosas visíveis · Pernas inchadas · Infarto do miocárdio · Insuficiência cardíaca · Uso de anticoncepcional ou terapia hormonal · Gravidez ou pós-parto recente · Tabagismo atual

2 Pontos— Risco Moderado

Idade entre 61 e 74 anos · Cirurgia de grande porte (mais de 45 minutos) · Câncer atual ou passado · Restrição ao leito por mais de 72 horas · Gesso ou imobilização · Acesso venoso central (cateter) · Quimioterapia recente · Diabetes dependente de insulina

3 Pontos— Risco Alto

Idade de 75 anos ou mais · Histórico pessoal de TVP ou embolia pulmonar · Histórico familiar de coágulos (trombose) · Exame de sangue positivo para trombofilias (Factor V de Leiden, síndrome antifosfolípide, etc.)

5 Pontos— Risco Muito Alto (por fator isolado)

Cirurgia de substituição de quadril ou joelho · Fratura de quadril, pelve ou perna · Lesão grave na medula espinhal com paralisia · AVC (derrame) recente

Atenção, mulheres: Uso de anticoncepcional oral, terapia de reposição hormonal, gravidez, pós-parto ou histórico de abortos espontâneos de repetição somam pontos adicionais importantes — e devem ser sempre informados ao médico antes da cirurgia.

O que Cada Pontuação Significa — e Qual Proteção Você Recebe

Após somar todos os pontos, o paciente é classificado em uma categoria de risco. Cada categoria tem um protocolo de prevenção definido:

PontuaçãoNível de RiscoProteção RecomendadaPor Quanto Tempo
0MínimoCaminhar cedo e com frequência após a cirurgiaInternação
1 – 2BaixoMeias de compressão OU heparina preventiva (escolhe um)Internação
3 – 4ModeradoMeias de compressão E heparina preventiva (os dois juntos)Internação
5 – 8AltoMeias de compressão E heparina preventiva7 a 10 dias no total
≥ 9AltíssimoMeias de compressão E heparina preventiva30 dias no total (após a alta)

⚠️ O grupo de risco "Super-Alto" (escore acima de 8)

Pesquisadores da Universidade de Michigan identificaram que pacientes com escore acima de 8 têm até 20 vezes mais chance de desenvolver trombose do que pacientes de baixo risco. Para esse grupo, a proteção com heparina deve continuar por 30 dias após a cirurgia — mesmo depois da alta hospitalar.

Resultados Reais: O que Acontece Quando o Escore é Usado

Os números falam por si só. No Boston Medical Center — um dos maiores hospitais universitários dos EUA —, a implementação obrigatória do Escore de Caprini no sistema eletrônico de prontuários produziu resultados impressionantes:

84%
de redução nos casos de TVP pós-operatória
(de 1,9% para 0,3%)
55%
de redução nos casos de embolia pulmonar
(de 1,1% para 0,5%)
US$ 3M
economizados em 2 anos ao evitar complicações e reinternações

Esses resultados não são exceção. O Escore de Caprini foi validado em estudos com mais de 8.200 pacientes e está presente nas diretrizes nacionais de profilaxia de TVP de múltiplos países, incluindo guias da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

O que Esperar na Sua Consulta Pré-Operatória

Antes da sua cirurgia, o cirurgião vascular ou o anestesista pode aplicar o Escore de Caprini como parte da avaliação. Para tornar esse processo mais preciso, é importante que você informe:

  • Histórico de TVP ou embolia pulmonar (em você ou em familiares próximos)
  • Diagnóstico de trombofilia (sangue que coagula fácil) ou exames de coagulação alterados
  • Todos os remédios em uso — especialmente anticoncepcionais, hormônios e anticoagulantes
  • Histórico de câncer, mesmo que já tratado
  • Cirurgias anteriores e se teve alguma complicação de coágulo
  • Mobilidade atual: você anda sem dificuldade? Fica muito tempo sentado ou deitado?

Com essas informações, o cálculo do escore será mais preciso — e a proteção que você receberá será personalizada para o seu perfil real de risco.

O que Acontece se a Trombose Não For Prevenida?

Mesmo quando o paciente sobrevive a um episódio agudo de TEV e recebe tratamento, as consequências podem ser permanentes:

> 20%
Recorrência

Mais de 1 em cada 5 pacientes que teve TEV pode ter um novo episódio — especialmente se o fator de risco original não for tratado.

~50%
Síndrome Pós-Trombótica

Metade dos pacientes com TVP desenvolve dor crônica, inchaço persistente e, em casos graves, úlceras nas pernas que não cicatrizam.

~4%
Hipertensão Pulmonar Crônica

Após embolia pulmonar, alguns pacientes desenvolvem pressão elevada permanente nos pulmões, com falta de ar crônica e limitação física severa.

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Perguntas Frequentes

Quando o Escore de Caprini é realizado?
O ideal é que seja feito em três momentos: antes da cirurgia (consulta pré-operatória), logo após a operação (internação) e no momento da alta hospitalar. Isso porque o risco pode mudar — por exemplo, se a cirurgia durou mais que o esperado ou se surgiu alguma complicação durante o procedimento.
Tenho varizes. Isso aumenta meu risco no Escore de Caprini?
Sim. Veias varicosas visíveis somam 1 ponto no escore. Embora seja uma pontuação pequena, ela se soma a outros fatores como idade, tipo de cirurgia e histórico familiar. Pacientes com varizes que vão operar devem, portanto, ter o escore cuidadosamente calculado.
O que é a heparina preventiva e por que ela é prescrita?
Heparina é um medicamento que reduz a capacidade do sangue de formar coágulos. Em doses preventivas (profiláticas), ela é segura e muito eficaz — estudos mostram redução de 70% a 93% nos casos de trombose pós-operatória. Geralmente é aplicada sob a pele (subcutânea), uma vez ao dia, e o risco de sangramento nessa dose é muito baixo.
Posso recusar a heparina preventiva antes da cirurgia?
Sim, o paciente sempre tem o direito de recusar. Mas é importante entender o risco: dependendo da sua pontuação no Escore de Caprini, abrir mão da profilaxia pode aumentar significativamente a chance de desenvolver uma trombose — que pode ser silenciosa, mas também pode causar embolia pulmonar grave. A decisão deve sempre ser tomada em conversa aberta com o cirurgião.
As meias de compressão são obrigatórias mesmo se eu receber heparina?
Em pacientes de risco moderado, alto e altíssimo, sim. A combinação de compressão mecânica (meias ou botas pneumáticas) com heparina é mais eficaz do que cada uma isolada. As meias comprimem as veias das pernas e evitam que o sangue fique parado — um dos principais gatilhos da formação de coágulos durante a imobilidade cirúrgica.
O que é a síndrome pós-trombótica?
É uma complicação crônica que afeta cerca de metade dos pacientes que desenvolvem trombose venosa profunda sem profilaxia adequada. Causa dor nas pernas, inchaço persistente, sensação de peso e, em casos graves, úlceras varicosas de difícil cicatrização. É exatamente para evitar esse tipo de sequela a longo prazo que a avaliação pré-operatória de risco é tão importante.
Cirurgias pequenas como lipoaspiração ou laparoscopia também precisam do Escore de Caprini?
Sim. A duração da cirurgia (mesmo que curta), a anestesia geral e o período de imobilização já são fatores de risco. Procedimentos como lipoaspiração, abdominoplastia e laparoscopia têm histórico de casos de embolia pulmonar justamente porque muitos pacientes jovens e aparentemente saudáveis não recebem profilaxia por serem considerados "baixo risco" sem avaliação formal.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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