TVP no Pós-Operatório: O Perigo Invisível das Cirurgias
Entenda o tromboembolismo venoso, a principal causa de morte evitável em hospitais, e como a prevenção salva vidas.

Assista à explicação do Dr. Mauricio:
Ao se preparar para uma cirurgia, a maioria das pessoas foca no procedimento em si. Porém, existe um risco silencioso que exige atenção redobrada: o Tromboembolismo Venoso (TEV), considerado a principal causa de morte evitável em pacientes hospitalizados.
1. O que é o TEV e por que é tão grave?
O TEV engloba duas condições graves: a Trombose Venosa Profunda (TVP), que é a formação de um coágulo nas veias profundas das pernas, e a Embolia Pulmonar (EP), que ocorre quando esse coágulo se desprende e atinge os pulmões.
Números Alarmantes
120 mil
mortes/ano no Brasil
10 milhões
de casos/ano no mundo
1 morte
a cada 37 segundos (Ocidente)
O TEV mata mais que câncer de mama, câncer de próstata e AIDS somados.
2. Quem está em Risco? O Perigo por Tipo de Cirurgia
O risco aumenta significativamente com a idade (especialmente após os 40 anos) e varia conforme o tipo de procedimento realizado sem a devida prevenção:
50%
Ortopedia
Prótese de quadril e joelho
37%
Oncologia
Cirurgias abdominais e pélvicas
20%
Cirurgia Geral
Procedimentos abdominais
Outros fatores que elevam o risco:
• Obesidade (risco dobrado)
• Câncer ativo
• Imobilização > 72 horas
• Uso de hormônios
• Histórico pessoal ou familiar de trombose
• Idade acima de 40 anos
3. Como o Médico Avalia o Risco? A Escala de Caprini
A Escala de Caprini é a ferramenta usada para calcular o risco individual de cada paciente. Ela pontua diversos critérios e classifica em níveis de risco:
Risco Muito Baixo
Caminhada precoce (deambulação).
Risco Baixo
Profilaxia mecânica (meias de compressão).
Risco Moderado
Medicamentos anticoagulantes (heparinas).
Alto Risco
Medicamentos + métodos mecânicos combinados.
4. Estratégias de Prevenção: Os 2 Pilares
💊 Profilaxia Medicamentosa
Anticoagulantes que impedem a formação de coágulos:
- Heparina (HNF): Via subcutânea, antes e depois da cirurgia.
- Enoxaparina (HBPM): Reduz o risco de TVP em 59% e de embolia pulmonar fatal em 63%.
- Anticoagulantes orais (DOACs): Rivaroxabana, apixabana — usados em ortopedia.
🦵 Profilaxia Mecânica
Indicada quando há risco de sangramento ou como complemento:
- Meias de compressão graduada: Melhoram o retorno venoso.
- Compressão pneumática intermitente: Dispositivos que inflam/desinflam nas pernas (> 18h/dia).
- Deambulação precoce: Caminhar o mais cedo possível após a cirurgia.
5. Casos que Exigem Atenção Redobrada
Pacientes Obesos
Risco dobrado de trombose. A maioria dos eventos ocorre após a alta hospitalar. Podem necessitar de doses maiores e profilaxia estendida por cerca de 10 dias.
Pacientes com Câncer
Em cirurgias abdominais/pélvicas por câncer, a TVP chega a 29%. A prevenção deve ser mantida por até 4 semanas após a cirurgia.
Cirurgias Ortopédicas de Grande Porte
Em artroplastias de joelho e quadril, a proteção deve durar no mínimo 10 a 14 dias, podendo chegar a 42 dias.
Prevenir é o Melhor Caminho
O risco de TEV é maior nas primeiras 12 semanas após a cirurgia, mas pode persistir por até um ano. Se você tem uma cirurgia agendada, converse com seu médico sobre o seu escore de risco e as medidas preventivas.
*Este texto tem caráter informativo. O diagnóstico e tratamento devem ser individualizados pelo Cirurgião Vascular.
Perguntas Frequentes
O que é tromboembolismo venoso (TEV)?
Qual o risco de trombose após uma cirurgia?
O que é a Escala de Caprini?
Por quanto tempo dura a prevenção após a cirurgia?
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