Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Doenças Vasculares

Trombofilia: Entendendo o Equilíbrio do Sangue

Por que algumas pessoas têm o sangue com maior tendência a coagular? Entenda as causas, os tipos, quem deve investigar e como se proteger.

A trombofilia é uma condição em que o equilíbrio natural do sangue se rompe, facilitando a formação de coágulos. Este guia explica de forma clara o que acontece no corpo, quais são os tipos, quem deve investigar e como conviver com segurança.

Infográfico completo sobre Trombofilia: Tríade de Virchow, tipos hereditários e adquiridos, sinais de alerta e prevenção

Assista: Trombofilia Explicada em Vídeo

1. A Tríade de Virchow: Por que a Trombose Acontece?

A formação de um coágulo patológico depende de três fatores que atuam juntos. A trombofilia age principalmente no primeiro pilar — a composição do sangue — mas interage com os demais:

Hipercoagulabilidade

O sangue "grosso" — alterações na composição sanguínea. É o foco da trombofilia: mutações genéticas, câncer, uso de estrogênio.

Estase Venosa

Fluxo sanguíneo lento — imobilização prolongada, viagens longas, internações, repouso pós-cirúrgico.

Lesão Endotelial

Dano na parede dos vasos — cirurgias, traumas, cateteres venosos, inflamação sistêmica.

2. Tipos de Trombofilia

As trombofilias são divididas em dois grandes grupos: hereditárias (genéticas) e adquiridas.

2.1 Trombofilias Hereditárias

Resultam de mutações genéticas que alteram proteínas da coagulação. Você nasce com elas.

Mutação do Fator V de Leiden

A causa hereditária mais comum. O Fator V se torna resistente à Proteína C Ativada. Heterozigotos têm risco 5-7x maior de trombose; homozigotos, até 80x maior.

Mutação da Protrombina (G20210A)

Excesso de produção de protrombina no sangue, aumentando o risco de tromboembolismo venoso em 2-3x.

Deficiência de Antitrombina III

Considerada a mais trombogênica das hereditárias. Pode causar resistência à heparina, pois o medicamento depende da antitrombina para agir.

Deficiências de Proteína C e Proteína S

Essas proteínas inativam os fatores Va e VIIIa. Sua deficiência aumenta o risco de trombose em cerca de 10x. A deficiência de Proteína C pode causar necrose cutânea com o uso de varfarina.

E a Mutação MTHFR?

O consenso médico atual indica que a mutação MTHFR isolada (C677T e A1298C) não possui associação forte com trombose. O que importa clinicamente são os níveis de homocisteína, que podem ser controlados com vitaminas do complexo B e ácido fólico.

2.2 Trombofilias Adquiridas

Surgem ao longo da vida, associadas a doenças autoimunes ou outras condições.

Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF)

Doença autoimune com um "paradoxo laboratorial": o sangue parece demorar a coagular no tubo de ensaio, mas é altamente trombótico no corpo. Pode causar tromboses arteriais e complicações na gravidez.

Trombofilia do Câncer (Síndrome de Trousseau)

Tumores secretam substâncias pró-coagulantes. Uma trombose "sem causa aparente" pode ser o primeiro sinal de um câncer oculto.

Outras Condições

Síndrome Nefrótica (perda de antitrombina pela urina) e Obesidade (estado inflamatório crônico com altos níveis de PAI-1, impedindo a quebra natural de coágulos).

3. Sinais de Alerta: TVP e Embolia Pulmonar

A trombofilia se manifesta através de dois eventos principais:

🦵 Trombose Venosa Profunda (TVP)

Coágulo em veias profundas, geralmente nas pernas ou pelve.

  • • Inchaço em apenas uma perna
  • • Dor profunda tipo cãibra
  • • Calor e vermelhidão local

Complicação tardia: Síndrome Pós-Trombótica — inchaço crônico e úlceras venosas.

🫁 Embolia Pulmonar (TEP)

Emergência médica — o coágulo viaja até os pulmões.

  • • Falta de ar súbita
  • • Dor no peito ao respirar
  • • Tosse com sangue
  • • Taquicardia e desmaio

Atenção: Procure o pronto-socorro imediatamente se apresentar esses sintomas.

4. Trombofilia e Saúde da Mulher

Os hormônios femininos (estrogênio e progesterona) interagem diretamente com a coagulação. Em portadoras de trombofilia, essa interação exige atenção redobrada.

Anticoncepção: O Que é Seguro?

O estrogênio oral estimula fatores de coagulação no fígado. Em portadoras de Fator V de Leiden, a pílula combinada pode multiplicar o risco de trombose em até 35 vezes.

Método ContraceptivoPerfil de Segurança
Pílula Combinada / Anel / Adesivo⛔ Contraindicado (Alto Risco)
DIU de Cobre ou Prata✅ Altamente Seguro
DIU Hormonal (Mirena/Kyleena)✅ Seguro
Implante Subdérmico✅ Geralmente Seguro
Pílula de Progestogênio Isolado✅ Seguro

Gravidez e Trombofilia

A gestação é naturalmente um estado de hipercoagulabilidade. Na trombofilia, isso pode levar a complicações sérias:

  • Abortamento habitual e perdas fetais tardias
  • Pré-eclâmpsia grave e Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU)
  • Manejo: Heparina de Baixo Peso Molecular (Enoxaparina) e, em casos de SAF, Ácido Acetilsalicílico (AAS)

5. Quem Deve Investigar?

A investigação de trombofilia não é um check-up genérico. Deve ser baseada em critérios clínicos rigorosos para evitar diagnósticos falsos e ansiedade desnecessária.

Critérios para Investigação

  • 🔹 Trombose sem causa aparente antes dos 50 anos
  • 🔹 Parentes de 1º grau com trombose jovem
  • 🔹 Trombose em locais atípicos (veias cerebrais, fígado, intestino)
  • 🔹 3 ou mais abortos precoces ou 1 perda fetal tardia

⚠️ O Momento Certo dos Exames

Os exames nunca devem ser realizados durante o evento agudo da trombose ou durante o uso de anticoagulantes. Os resultados podem ser alterados, levando a falsos positivos. Aguarde de 3 a 6 meses após o evento e discuta com seu médico a suspensão temporária da medicação.

6. Tratamento e Prevenção

O foco é gerenciar o risco e prevenir novos eventos trombóticos.

Anticoagulação

💉
Heparinas (Injetáveis)

Padrão para gravidez e pacientes com câncer.

💊
Varfarina (Oral)

Exige monitoramento do INR. Obrigatória na SAF trombótica.

DOACs (Rivaroxabana, Apixabana)

Dose fixa, sem exames constantes. Primeira escolha para a maioria das TVPs (exceto SAF).

Hábitos de Proteção

🚶 Viagens Longas

Hidrate-se, levante a cada 2 horas e faça exercícios de dorsiflexão dos pés.

🧦 Meias de Compressão

Medida mecânica eficaz para prevenir edema e acelerar o fluxo venoso.

🚭 Parar de Fumar

Cessação do tabagismo e controle de peso reduzem inflamação e lesão endotelial.

🏃 Atividade Física

Fortalece a musculatura da panturrilha, essencial para o retorno venoso.

O Diagnóstico Não é uma Sentença

Ter trombofilia não significa viver com medo. Significa ter conhecimento para tomar decisões informadas sobre anticoncepção, gravidez, cirurgias e viagens. Com acompanhamento vascular adequado e hábitos de proteção, é perfeitamente possível levar uma vida plena e segura.

Perguntas Frequentes

O que é trombofilia?
Trombofilia é uma condição em que o sangue tem maior tendência a formar coágulos. Pode ser hereditária (genética, como a Mutação do Fator V de Leiden) ou adquirida (como a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide). Nem toda pessoa com trombofilia terá trombose, mas o risco é maior e exige acompanhamento.
Quem deve investigar trombofilia?
A investigação é indicada para quem teve trombose antes dos 50 anos sem causa aparente, tem parentes de 1º grau com trombose jovem, sofreu trombose em locais atípicos (cérebro, fígado, intestino) ou tem histórico de abortos de repetição ou perda fetal tardia.
Quem tem trombofilia pode tomar pílula anticoncepcional?
Pílulas combinadas com estrogênio são contraindicadas, pois podem multiplicar o risco de trombose em até 35 vezes. Alternativas seguras incluem o DIU de cobre/prata, o DIU hormonal (Mirena/Kyleena), o implante subdérmico e a pílula de progestogênio isolado.
Trombofilia impede a gravidez?
Não impede, mas exige acompanhamento especializado. A gravidez naturalmente aumenta a coagulação, e na trombofilia isso pode levar a complicações como abortos de repetição e pré-eclâmpsia. O manejo com heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) permite gestações seguras na maioria dos casos.
Quando posso fazer os exames de trombofilia?
Os exames NÃO devem ser feitos durante um episódio agudo de trombose nem durante o uso de anticoagulantes, pois os resultados podem ser alterados. O ideal é aguardar de 3 a 6 meses após o evento trombótico e suspender a anticoagulação com orientação médica antes da coleta.
Trombofilia tem cura?
As trombofilias hereditárias são condições genéticas permanentes, sem cura. Já as adquiridas, como a SAF, são crônicas e exigem tratamento contínuo. O foco não é curar, mas gerenciar o risco com anticoagulação quando indicada, mudanças no estilo de vida e acompanhamento vascular regular.

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