Trombose em Viagens Aéreas: O Risco Silencioso nas Alturas
Entenda a Síndrome da Classe Econômica e como se proteger em voos longos.

Assista à explicação do Dr. Mauricio:
Com milhões de pessoas viajando de avião todos os anos, a associação entre voos de longa duração e trombose tornou-se um tema de saúde pública. Neste artigo, explicamos os riscos reais e as medidas que podem salvar a sua viagem — e a sua vida.
1. A "Síndrome da Classe Econômica"
O nome popular vem do espaço reduzido dos assentos, mas a trombose em viagens pode ocorrer em qualquer classe — e até em viagens de carro ou ônibus. O problema é a imobilidade prolongada combinada com fatores ambientais da cabine:
🪑
Imobilização Prolongada
Pernas dobradas comprimem as veias, reduzindo o fluxo sanguíneo.
💧
Baixa Umidade
A umidade da cabine (~20%) causa desidratação, espessando o sangue.
🫁
Hipóxia Hipobárica
A pressão reduzida da cabine diminui o oxigênio disponível, favorecendo a coagulação.
2. O Risco Real em Números
1:4.500
Risco absoluto por voo de longo curso
+18%
Aumento de risco a cada 2h adicionais de voo
7,1%
Risco anual de recorrência com fatores menores
A trombose pode se manifestar dias ou até semanas após o desembarque.
3. Imobilização de Membros e Trombose
Não são apenas as viagens. Pacientes com fraturas abaixo do joelho, ruptura de tendões ou lesões em cartilagens que exigem gesso ou bota ortopédica também enfrentam risco elevado.
O que dizem os estudos?
Redução de TVP: A Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) mostrou-se eficaz na redução da trombose em pacientes imobilizados.
Embolia Pulmonar: Não foram encontradas diferenças significativas na ocorrência de EP entre quem usou ou não a medicação.
Variabilidade: A incidência de TEV em pacientes imobilizados por mais de 1 semana sem prevenção varia de 4,3% a 40%.
Quando a prevenção medicamentosa é indicada?
As diretrizes do ACCP recomendam que a profilaxia não seja generalizada para lesões abaixo do joelho. A decisão deve ser individualizada, priorizando:
- Pacientes com história prévia de TEV
- Cirurgias de alto risco (ruptura de tendão de Aquiles, fraturas de fêmur/platô tibial)
4. Grupos de Alto Risco em Viagens
Risco Elevado
- Câncer ativo — em tratamento
- Gestantes
- História prévia de trombose
- Cirurgias recentes
- Obesidade mórbida
Recomendações Específicas
- Meias elásticas de compressão (15-30 mmHg)
- Avaliação médica individual antes da viagem
- Profilaxia medicamentosa sob orientação (gestantes, TEV prévio)
- Movimentação ativa durante o voo
5. Guia Prático de Prevenção em Viagens
Para Todos os Passageiros:
- ✓Levante-se a cada 1-2 horas e caminhe pelo corredor.
- ✓Exercícios com os pés: flexione e estenda os tornozelos a cada 30 minutos (mesmo sentado).
- ✓Hidrate-se bem: beba água regularmente. Evite álcool e café em excesso.
- ✓Roupas confortáveis: evite roupas apertadas que comprimam pernas e cintura.
- ✓Prefira o corredor: facilita levantar sem incomodar outros passageiros.
Para Passageiros de Alto Risco:
- +Meias de compressão graduada (15-30 mmHg) durante todo o voo.
- +Consulte seu médico antes da viagem para avaliar necessidade de anticoagulante.
- +Atenção nos dias seguintes: a trombose pode surgir até semanas após o voo.
Vai Viajar? Previna-se!
Se você tem fatores de risco e planeja uma viagem de mais de 4 horas, consulte um Cirurgião Vascular para avaliar a melhor estratégia de proteção — seja meias de compressão, exercícios específicos ou medicação preventiva.
*Este texto tem caráter informativo. O diagnóstico e tratamento devem ser individualizados pelo Cirurgião Vascular.
Perguntas Frequentes
Viagem de avião causa trombose?
Quem tem mais risco de trombose em viagens?
Preciso tomar remédio antes de viajar de avião?
Meias de compressão ajudam em viagens longas?
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