Disfunção do Cateter de Hemodiálise: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento
Guidelines 20, 21 e 22: definição de disfunção (Qb <300 mL/min em 2 sessões), mecanismos (bainha de fibrina, trombo intraluminal, mau posicionamento, kinking), locks preventivos (heparina, citrato, rTPA profilático), rTPA como 1ª linha, stripping de bainha.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Disfunção do CVC: Qb <300 mL/min em 2 sessões consecutivas. Mecanismos: bainha de fibrina (mais comum), trombo intraluminal, kinking, mau posicionamento. Locks preventivos: citrato preferível à heparina (sem risco sistêmico). Tratamento: rTPA intraluminal (1ª linha) → troca sobre fio-guia → stripping de bainha → retirada definitiva.
Os Guidelines 20 a 22 definem disfunção do cateter, as estratégias preventivas e o algoritmo de tratamento. A maioria dos episódios de disfunção são tratáveis se identificados precocemente.
Definição e Mecanismos de Disfunção (G21)
Critério KDOQI: Qb <300 mL/min em 2 sessões consecutivas
Confirmar em 2 sessões — uma sessão isolada pode ser posicional ou técnica.
Mecanismos principais:
- • Bainha de fibrina extraluminal: forma-se em semanas, envolve a ponta, impede fluxo
- • Trombo intraluminal: dentro do lúmen — lock inadequado ou troca não realizada
- • Mau posicionamento: ponta migrada para VCS alto, VCI ou VD
- • Kinking: dobramento do cateter no túnel subcutâneo
Locks Preventivos — Comparação (G21)
| Lock | Concentração | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|---|
| Heparina | 1.000–5.000 UI/mL | Baixo custo, ampla disponibilidade | Sangramento sistêmico por extravasamento; TIH rara |
| Citrato 4% | 4% (30%: muito alto risco) | Sem risco de sangramento sistêmico; evidência comparável à heparina | Citrato 30%: risco de parada cardíaca por hipocalcemia |
| rTPA profilático | 1 mg/mL | Evidência de redução de episódios de disfunção | Custo maior; evidência ainda emergente |
Algoritmo de Tratamento da Disfunção (G22)
1ª linha: rTPA intraluminal
Alteplase 2 mg/lúmen — dwell 30-120 min. Taxa de sucesso: 70-85%. Repetir até 3x se necessário.
2ª linha: Troca sobre fio-guia
Quando rTPA falha. Risco: propagar infecção subclínica se colonização presente — fazer hemocultura antes.
3ª linha: Stripping de bainha de fibrina
Snare via veia femoral para remoção da bainha extensa. Sucesso inicial 70-90%, recorrência em 3-6 meses frequente.
Última opção: Retirada e novo cateter
Quando todas as medidas falham ou há infecção associada. Inserir novo cateter em sítio diferente.
Referência
Lok CE et al. KDOQI Clinical Practice Guideline for Vascular Access: 2019 Update. Am J Kidney Dis. 2020;75(4)(suppl 2):S110–S119. DOI: 10.1053/j.ajkd.2019.12.001
Meu cateter de hemodiálise não está funcionando bem e gostaria de avaliação especializada
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Perguntas Frequentes
Como definir disfunção do cateter de hemodiálise?
Qual lock anticoagulante é mais eficaz para prevenir disfunção do cateter de HD?
O que é stripping de bainha de fibrina e quando indicar?
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