Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — J3

MALS e Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico — ESVS 2025 (Recs 26–33)

Primeiro capítulo dedicado ao MALS nas diretrizes europeias: DUS dinâmico em inspiração e expiração como 1ª linha. AMI: CTA bifásica ≤1mm obrigatória — D-dímero e lactato isolados não excluem o diagnóstico (Rec 31, Classe IIIb). Mortalidade hospitalar 49,4%.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: MALS (Síndrome do Ligamento Arcuato Médio): novo capítulo na ESVS 2025; 73% mulheres, média 40 anos; DUS dinâmico em inspiração+expiração como 1ª linha (Rec 27, Classe I, New). AMI: incidência 6,2/100.000/ano; mortalidade hospitalar 49,4%; CTA bifásica ≤1mm urgente com menção no pedido (Recs 32-33, Classe I LoE B). D-dímero ou lactato isolados NÃO excluem AMI (Rec 31, Classe IIIb — Changed de IIa para IIIb).

A ESVS 2025 dedica pela primeira vez um capítulo completo à Síndrome do Ligamento Arcuato Médio (MALS) — reconhecendo-a como entidade distinta da CMI aterosclerótica. Em paralelo, o Capítulo 5 (Recs 30–41, com diagnóstico neste post e tratamento no post J4) atualiza o manejo da isquemia mesentérica aguda (AMI), uma emergência com mortalidade hospitalar de 49,4% que exige diagnóstico e revascularização em horas.

Infográfico: MALS e Diagnóstico de Isquemia Mesentérica Aguda — ESVS 2025. DUS dinâmico para MALS, CTA bifásica urgente para AMI, D-dímero não exclui AMI. Recs 26-33.
MALS e AMI diagnóstico — ESVS 2025 (Recs 26–33). DUS dinâmico é nova 1ª linha para MALS; CTA bifásica urgente para AMI.

Assista: MALS e AMI Diagnóstico — ESVS 2025 (J3)

Parte 1 — MALS: Síndrome do Ligamento Arcuato Médio (Recs 26–30)

Epidemiologia e Diagnóstico

O MALS tem prevalência estimada de 1,3/100.000 habitantes. O perfil típico é: mulher jovem (73%), média de 40 anos, com dor epigástrica pós-prandial e perda de peso. A etiologia é a compressão externa do Tronco Celíaco pelo ligamento arcuato mediano durante a expiração — um achado anatômico presente em 10–24% da população geral como variante assintomática. O desafio diagnóstico é identificar o subgrupo sintomático e excluir causas funcionais (síndrome do intestino irritável, gastroparesia), que coexistem em até 25% dos pacientes com MALS.

RecClasseLoERecomendação MALS
26IIaCMALS em pacientes selecionados com sintomas abdominais inexplicados + DUS/CTA/RM mostrando oclusão ou estenose do TC (New)
27ICDUS em inspiração E expiração como 1ª linha no diagnóstico do MALS (New)
28ICAvaliação multidisciplinar (gastrenterologista, psiquiatra, cirurgião vascular) em centros especializados antes de intervir no MALS (New)
29IIbCIntervenção cirúrgica pode ser considerada em pacientes selecionados com MALS confirmado (New)
30IIbCLiberação laparoscópica ou retroperitoneal endoscópica como abordagem preferida no MALS cirúrgico (New)

CARoSO Trial — O Único RCT em MALS (Recrutando)

O estudo CARoSO (NCT05468580) está randomizando pacientes com MALS para liberação laparoscópica vs procedimento sham. É o único RCT em andamento para MALS e será determinante para definir o real benefício cirúrgico. Até a publicação de seus resultados, a indicação cirúrgica permanece Classe IIb (Rec 29). A maioria das séries retrospectivas relata alívio sintomático em mais de 70% após liberação laparoscópica, mas com alto risco de viés de seleção.

Parte 2 — Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico (Recs 31–33)

Epidemiologia e Subtipos

A AMI incide em 6,2/100.000 habitantes/ano (meta-análise ESVS 2025) com mortalidade hospitalar de 49,4% — praticamente inalterada nas últimas décadas apesar dos avanços técnicos, refletindo o diagnóstico tardio. A distribuição dos subtipos é: AMI arterial oclusiva ≈ 66% dos casos (50% embólica, 50% trombótica), NOMI ≈ 13,2%, TVP mesentérica ≈ 11,5%, outras ≈ 9,3%.

Fatores precipitantes da embolia: fibrilação atrial (presente em 32,2% dos casos de AMI embólica), valvulopatia, IAM recente, endocardite. A suspeita clínica clássica é dor abdominal súbita e intensa desproporcional ao exame físico em paciente com FA.

RecClasseLoERecomendação AMI Diagnóstico
31IIIbCBiomarcador único (D-dímero ou lactato) NÃO deve ser usado isoladamente para excluir AMI (Changed — de IIa para IIIb)
32ICMencionar explicitamente a suspeita de AMI no pedido de CTA para garantir protocolo adequado (New)
33IBCTA com contraste bifásico (arterial mesentérica + portal) em cortes ≤1mm, de forma urgente, em toda suspeita de AMI (Unchanged)

Rec 31 (Classe IIIb) — Mudança Crítica de 2025

Em 2021, a diretriz SVS admitia o D-dímero como exame complementar diagnóstico. A ESVS 2025 rebaixou para IIIb (contraindicado como exclusor): o VPN do D-dímero varia de 87–96% nas séries, o que significa que em 4–13% dos casos com AMI o D-dímero seria negativo e o diagnóstico seria perdido. Num contexto de mortalidade de 49%, nenhuma taxa de falso-negativo é aceitável. Lactato > 2 mmol/L indica hipoperfusão sistêmica, não isquemia intestinal específica. O IFABP (Intestinal Fatty Acid Binding Protein) permanece em investigação.

Protocolo CTA na AMI

O protocolo de CTA para AMI requer: fase não-contrastada (opcional, para calcificações); fase arterial mesentérica (25–30s após contraste, para vasos mesentéricos); fase portal (70–80s, para parede intestinal e veia porta). Reconstruções multiplanares MPR e projeções MIP são obrigatórias para avaliação dos vasos mesentéricos. Achados indicativos de AMI confirmada (Tabela 6 — ESVS 2025): êmbolo ou trombo na AMS/TC; falta de realce da parede intestinal (< 50% da espessura); pneumatose intestinal; gás portal ou mesentérico; espessamento mural segmentar; ascite focal. Sensibilidade da CTA: 94% (IC 83–98%); especificidade: 97% (IC 93–99%).

Mensagem Central: Diagnóstico Precoce = Sobrevivência

A mortalidade da AMI de 49,4% não mudou significativamente nas últimas décadas — o gargalo não é a técnica cirúrgica, mas o atraso diagnóstico. Cada hora de atraso no diagnóstico corresponde a isquemia intestinal progressiva e aumento do risco de necrose irreversível. A implementação do protocolo ESVS 2025 — CTA urgente com protocolo bifásico mesentérico em todo paciente com suspeita — é a intervenção com maior potencial de impacto na sobrevivência.

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218. DOI: 10.1016/j.ejvs.2025.06.010.

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.

Perguntas Frequentes

O que é a síndrome do ligamento arcuato médio (MALS) e como ela difere da isquemia mesentérica crônica?
MALS (Median Arcuate Ligament Syndrome) é a compressão extrínseca do Tronco Celíaco (TC) pelo ligamento arcuato mediano do diafragma e/ou pelos pilares do diafragma durante a respiração. Difere da CMI aterosclerótica em vários aspectos: etiologia mecânica (compressão externa) vs aterosclerótica; paciente típico é uma mulher jovem (73% mulheres, média 40 anos) vs CMI aterosclerótica em homens idosos; apresentação variável com dor abdominal pós-prandial, mas também náuseas, dor epigástrica inespecífica e frequentemente sobreposição com transtornos funcionais (25% dos pacientes têm diagnóstico psiquiátrico concomitante). A grande diferença diagnóstica: na MALS, o estreitamento do TC é dinâmico — presente na expiração e alívio na inspiração — ao contrário das estenoses ateroscleróticas fixas. As Recomendações 26–30 (novas em 2025) constituem o primeiro capítulo dedicado ao MALS em diretrizes vasculares europeias, reconhecendo sua prevalência de 1,3/100.000 e o alívio sintomático em mais de 70% após liberação laparoscópica.
Quais exames são recomendados para o diagnóstico de isquemia mesentérica aguda?
A CTA mesentérica bifásica com cortes ≤1mm é o exame obrigatório (Rec 33, Classe I, Nível B — ESVS 2025). É fundamental mencionar explicitamente a suspeita de AMI no pedido de CTA (Rec 32, Classe I, nova em 2025) para que o radiologista utilize o protocolo adequado (fase arterial mesentérica + fase portal, com reconstruções MPR e MIP para os vasos). A sensibilidade da CTA para AMI é 94% (IC 83–98%) e especificidade 97% (IC 93–99%). Os achados-chave incluem: êmbolo ou trombo na AMS, falta de realce da parede intestinal, pneumatose intestinal, gás portal, espessamento mural e ascite. A ESVS 2025 criou um escore CTA padronizado (Tabela 6) com achados vasculares e intestinais para uniformizar o diagnóstico entre centros. Laparoscopia diagnóstica tem papel limitado pela dificuldade de avaliar o território mesentérico completo.
O lactato e o D-dímero são confiáveis para excluir isquemia mesentérica aguda?
Não, quando usados isoladamente. A Recomendação 31 (Classe IIIb — Changed de IIa para IIIb em 2025) contraindicou o uso de biomarcador único (D-dímero ou lactato) para excluir AMI. O D-dímero tem valor preditivo negativo (VPN) variável entre 87–96% dependendo da série — insuficiente para excluir isquemia em um contexto de mortalidade de 49%. O lactato é marcador de hipoperfusão sistêmica (sepse, ICC, choque), não específico de isquemia intestinal. O IFABP (Intestinal Fatty Acid Binding Protein) é o biomarcador mais promissor (sensibilidade 79%), mas ainda sem validação prospectiva multicêntrica. A albumina modificada por isquemia (IMA) também mostrou sensibilidade de 94,7% em estudos piloto. A mensagem prática: na suspeita clínica de AMI, a CTA é sempre obrigatória independentemente do resultado de biomarcadores — um D-dímero negativo não exclui o diagnóstico.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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