Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — J1

Isquemia Mesentérica Crônica: Diagnóstico — ESVS 2025 (Recs 1–8)

DUS pós-jejum ≥4h como exame de primeira linha, CTA para planejamento e modelo preditivo com escore ≥19 = 92% de probabilidade diagnóstica — Recomendações 1–8 das Diretrizes ESVS 2025 para doenças mesentéricas e renais.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: CMI é diagnosticada com sintomas crônicos + estenose >50% AMS e >50% outro vaso mesentérico (Rec 1, Classe I — ESVS 2025). DUS pós-jejum ≥4h é o exame de 1ª linha: PSV AMS ≥275 cm/s para estenose ≥70% (Rec 4, Classe I LoE B). Modelo preditivo: escore ≥19 pontos = 92% de probabilidade de CMI. Incidência: 9,2/100.000 hab/ano. Somente 16% dos casos monovasculares vs 81% multivasculares confirmam CMI.

A isquemia mesentérica crônica (CMI) continua sendo subdiagnosticada pela ausência de um único marcador diagnóstico e pela heterogeneidade da apresentação. As Diretrizes ESVS 2025 (Koelemay MJ et al., EJVES 2025;70:153–218) propõem, pela primeira vez, critérios diagnósticos claros, um modelo preditivo validado e um algoritmo de imagem hierárquico — com 102 recomendações baseadas em revisão sistemática de 3.116 artigos.

Infográfico: Diagnóstico da Isquemia Mesentérica Crônica — ESVS 2025. Algoritmo diagnóstico com DUS pós-jejum, CTA, modelo preditivo e critérios ESVS 2025 Recs 1-8.
Algoritmo diagnóstico da CMI — Diretrizes ESVS 2025 (Recs 1–8). DUS pós-jejum como porta de entrada; CTA para planejamento.

Assista: CMI Diagnóstico — ESVS 2025 (J1)

1. Contexto da Diretriz ESVS 2025

As Diretrizes ESVS 2025 para Doenças das Artérias e Veias Mesentéricas e Renais (Koelemay MJ et al.) são a primeira atualização abrangente nesse território desde as diretrizes SVS 2021. De 102 recomendações totais, 60 são completamente novas, 21 foram reclassificadas e 21 mantidas. O Capítulo 3 (CMI) contém as Recomendações 1–25, divididas neste post entre diagnóstico (Recs 1–8) e tratamento (Recs 9–25 — ver post J2).

Metodologia: revisão sistemática de 3.116 artigos; avaliação GRADE com 4 revisores independentes; consenso de 28 especialistas de 18 países europeus. Classificação: Classe I (recomendado), IIa (deve ser considerado), IIb (pode ser considerado), IIIa (não recomendado — sem evidência), IIIb (contraindicado — evidência de malefício). Nível B = pelo menos 1 ECR; Nível C = consenso/estudos observacionais.

2. Epidemiologia e Definição

A incidência anual de CMI foi estimada em 9,2/100.000 habitantes em estudo holandês de base populacional — provavelmente subestimada pela dificuldade diagnóstica. A doença é predominantemente aterosclerótica (> 90%) e afeta principalmente mulheres (> 60%) na 6ª-7ª décadas. A prevalência de doença mesentérica multivascular em coortes de CMI é de 60–70%, e esse perfil determina tanto o risco de progressão quanto a probabilidade diagnóstica.

RecClasseLoERecomendação
1ICCMI presente se sintomas crônicos + estenose > 50% AMS e > 50% em outro vaso mesentérico (Changed)
2IIbCCMI pode estar presente se sintomas + estenose > 70% da AMS isolada (Changed)
3ICCMI deve ser tratada em centros especializados com capacidade endovascular e cirurgia aberta
4IBDUS pós-jejum ≥4h como exame de 1ª linha no diagnóstico de CMI (Unchanged)
5ICCTA: preferida para diagnóstico definitivo, planejamento e exclusão de outras causas (Unchanged)
6IIbCAngioRM como alternativa à CTA quando contraste iodado está contraindicado (Unchanged)
7ICAvaliar perfil cardiovascular e oferecer prevenção secundária em todos os pacientes com CMI (New)
8ICOrientar pacientes assintomáticos com doença mesentérica multivascular sobre sintomas de CMI (New)

3. Critérios de Diagnóstico — DUS Mesentérico

O DUS mesentérico com jejum mínimo de 4 horas é essencial: a ingestão alimentar provoca vasodilatação mesentérica fisiológica que eleva os PSVs basais em até 30%, comprometendo a especificidade dos critérios velocimétricos. O exame deve incluir AMS, Tronco Celíaco (TC) e idealmente a Artéria Mesentérica Inferior (AMI).

Critérios DUS para Estenose Mesentérica Significativa (Tabela 5 — ESVS 2025)

ArtériaGrau de estenosePSV (cm/s)Outros critérios
AMS≥ 50%≥ 200 cm/sTurbulência pós-estenótica
AMS≥ 70%≥ 275 cm/sEDV > 45 cm/s
Tronco Celíaco≥ 50%≥ 200 cm/sRazão TC/aorta > 3
AMS / TCOclusãoAusência de sinal DopplerAusência de fluxo colorido

4. Modelo Preditivo de CMI

A ESVS 2025 apresenta pela primeira vez um modelo preditivo validado (Tabela 4 do artigo) com 8 variáveis clínicas, que gera um escore de probabilidade de CMI:

Escore TotalProbabilidade de CMIInterpretação
0 – 5 pontos19%Baixa probabilidade — investigar outras causas
6 – 18 pontos45%Probabilidade intermediária — DUS + CTA
≥ 19 pontos92%Alta probabilidade — priorizar investigação e discutir revascularização

Variáveis incluídas no modelo: intensidade da dor pós-prandial, grau de perda de peso, presença de aversão alimentar, tabagismo, sexo, antecedente de doença cardiovascular, perfil de estenose (mono vs multivascular) e PSV no DUS. O modelo foi desenvolvido e validado na coorte mesentérica do Erasmus MC (Rotterdam).

5. Prevenção Cardiovascular — Novidade das Diretrizes 2025

As Recomendações 7 e 8 — ambas completamente novas em 2025 — ampliam o escopo da gestão da CMI além do tratamento mecânico da estenose. A Rec 7 (Classe I) obriga a avaliação do perfil cardiovascular completo em todo paciente com CMI: o risco de eventos coronários e cerebrovasculares nesses pacientes é comparável ao de pacientes com DAOP, e a prevenção secundária (antiagregante + estatina + controle de PA e glicemia) reduz mortalidade independentemente da revascularização. A Rec 8 (Classe I) é igualmente inovadora: pacientes com doença mesentérica multivascular assintomática — detectada incidentalmente em CTA — devem ser orientados sobre os sintomas de CMI para diagnóstico precoce se evoluírem para isquemia.

Conclusão: O Algoritmo Diagnóstico em 3 Passos

  1. Suspeita clínica: tríade (dor pós-prandial + perda de peso + aversão alimentar) + cálculo do escore preditivo (Tabela 4)
  2. DUS pós-jejum ≥4h: PSV AMS ≥275 cm/s ou TC ≥200 cm/s como critérios de estenose ≥70% e ≥50%, respectivamente (Rec 4, Classe I LoE B)
  3. CTA mesentérica: para confirmação anatômica, planejamento do acesso endovascular e exclusão de neoplasia/outra causa abdominal (Rec 5, Classe I)

Ref: Koelemay MJ, Filis K, Benninghoff M, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;70:153–218. DOI: 10.1016/j.ejvs.2025.06.010. Open Access CC BY 4.0.

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.

Perguntas Frequentes

O que é isquemia mesentérica crônica e como ela se manifesta clinicamente?
Isquemia mesentérica crônica (CMI) é a hipoperfusão intestinal crônica por estenose ou oclusão das artérias mesentéricas, tipicamente aterosclerótica. A tríade clássica é: dor pós-prandial (presente em 88–96% dos casos), perda de peso (74–80%) e aversão alimentar (food fear). A dor inicia 15–30 minutos após a refeição e dura 1–4 horas — o chamado "angina intestinal". A CMI é diagnosticada conforme a Recomendação 1 (Classe I, Nível C — ESVS 2025) quando há sintomas crônicos associados a estenose >50% da AMS e >50% em pelo menos outro vaso mesentérico. Doença monovascular isolada da AMS (>70%) também pode causar CMI, especialmente se sintomática — Rec 2 (Classe IIb). A incidência estimada é de 9,2/100.000 habitantes/ano na Holanda, com prevalência crescente pela envelhecimento populacional e detecção incidental por CTA.
Qual o melhor exame de imagem inicial para diagnosticar isquemia mesentérica crônica?
O Duplex Ultrassom (DUS) pós-jejum de pelo menos 4 horas é o exame de primeira linha — Recomendação 4 (Classe I, Nível B, ESVS 2025). Os critérios diagnósticos do DUS para estenose significativa (Tabela 5 do artigo) incluem: PSV da AMS ≥275 cm/s para estenose ≥70%; PSV do Tronco Celíaco ≥200 cm/s para estenose ≥50%. O jejum ≥4h é obrigatório pois a vasodilação pós-prandial eleva os PSVs basais e falsearia os resultados. A angioTC (CTA) é indicada como segunda linha — Recomendação 5 (Classe I, Nível C) — sendo preferida para diagnóstico definitivo, planejamento cirúrgico e exclusão de outras causas abdominais. A angioRM é alternativa à CTA quando há contraindicação a contraste iodado (Rec 6, Classe IIb). Sensibilidade e especificidade da CTA para estenose mesentérica significativa são ambas próximas de 100%.
A presença de estenose mesentérica isolada sempre causa isquemia?
Não. A presença de estenose mesentérica ao exame de imagem, mesmo grave, não garante o diagnóstico de CMI. No estudo de Terlouw et al., somente 16% dos pacientes com doença monovascular (12/75) tinham CMI confirmada, enquanto 81% dos multivascular (93/115) tinham CMI. A extensa rede de colaterais mesentéricas (artéria de Drummond, arco de Riolan, colaterais pancreaticoduodenais) permite compensação hemodinâmica em muitos pacientes com doença de um único vaso. O modelo preditivo da ESVS 2025 (Tabela 4) usa 8 variáveis clínicas: peso, intensidade da dor, history, tabagismo, escore de risco cardiovascular, presença de doença monovascular vs multivascular, entre outros — escore ≥19 corresponde a probabilidade de 92% de CMI, enquanto escore <6 tem probabilidade de apenas 19%. A prova de isquemia (provocação da dor pós-prandial com DUS) e a resposta à revascularização ainda são os melhores critérios para confirmar o diagnóstico.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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