Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — J2

Isquemia Mesentérica Crônica: Tratamento e Seguimento — ESVS 2025 (Recs 9–25)

Endovascular como primeira linha (Rec 14, Classe I LoE B), stents cobertos com 80,8% vs 49,1% de patência no único RCT em CMI (CoBalGI trial), e protocolo de seguimento com DUS — Recomendações 9–25 das Diretrizes ESVS 2025.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: Endovascular é a 1ª linha na CMI multivascular (Rec 14, Classe I LoE B). RCT CoBalGI (primeiro RCT em CMI): stent coberto 80,8% vs metálico 49,1% de patência em 24 meses (p<0,001) — Rec 16, Classe IIa LoE B. Cirurgia aberta: Rec 19, Classe IIa após falha endovascular. NÃO retardar revascularização urgente com nutrição (Rec 13, Classe IIIb). Taxa de reintervenção: 26% em 28 meses.

Com o diagnóstico de CMI estabelecido (ver post J1), a decisão de revascularizar e a escolha da técnica são determinadas pelas Recomendações 9–25 da ESVS 2025. O marco desta diretriz é o RCT CoBalGI (Terlouw et al., 2024) — o primeiro ensaio clínico randomizado já realizado em CMI —, que fornece pela primeira vez evidência Nível B para stents cobertos e consolida o endovascular como estratégia preferida.

Infográfico: Tratamento da Isquemia Mesentérica Crônica ESVS 2025. Endovascular first, RCT CoBalGI stent coberto 80,8% vs metálico 49,1%, algoritmo de seguimento com DUS, Recs 9-25.
Estratégia de tratamento e seguimento na CMI — ESVS 2025 (Recs 9–25). CoBalGI RCT: evidência Nível B para stents cobertos.

Assista: CMI Tratamento — ESVS 2025 (J2)

1. Indicações de Revascularização (Recs 9–13)

RecClasseLoERecomendação
9IBRevascularização recomendada em doença multivascular com CMI (Unchanged)
10ICRevascularizar pelo menos a AMS na doença multivascular (Changed)
11IIaCConsiderar revascularização em doença isolada da AMS sintomática (Changed)
12IIbCRevascularização pode ser considerada em doença isolada do Tronco Celíaco sintomática (New)
13IIIbCNÃO retardar revascularização urgente com nutrição parenteral ou enteral (Unchanged)

Rec 13 (Classe IIIb) — O único "não faça" deste capítulo: a nutrição parenteral total (NPT) como "preparo pré-revascularização" na CMI grave é contraindicada quando há isquemia em risco de progressão. Retardar a revascularização em dias ou semanas com NPT expõe o paciente à progressão para isquemia mesentérica aguda (AMI), com mortalidade dramaticamente maior. A NPT pode ser usada como suporte após revascularização bem-sucedida.

2. Estratégia Endovascular (Recs 14–18) — O RCT CoBalGI

O RCT CoBalGI (Covered vs Bare-Metal Stents in the Management of CMI — Terlouw et al., 2024) é o primeiro e único ensaio clínico randomizado já realizado para o tratamento da CMI. Seus resultados promoveram a ascensão dos stents cobertos ao padrão de cuidado e elevaram a evidência para Nível B:

RCT CoBalGI — Resultados Principais (Terlouw 2024)

DesfechoStent CobertoStent Metálicop-valor
Patência primária 24 meses80,8%49,1%<0,001
Liberdade de reintervenção 24mSuperiorInferior<0,05
Alívio sintomático87%78%ns
Mortalidade 30 dias2,1%1,9%ns
RecClasseLoERecomendação
14IBAbordagem endovascular como estratégia preferida na CMI (Changed — agora LoE B)
15ICStenting de rotina preferido sobre angioplastia isolada
16IIaBStents cobertos em lesões < 25mm sem ramos laterais relevantes (Changed — agora LoE B pelo CoBalGI)
17IIbCStents metálicos nus em lesões > 25mm ou com ramos laterais mesentéricos (New)
18IIbCDAPT por ≥1 mês pós-stenting para reduzir risco de trombose precoce

3. Cirurgia Aberta e ROMS (Recs 19–20)

A cirurgia aberta (Rec 19, Classe IIa) é reservada para: falha endovascular, oclusão total sem coto ostial, calcificação severa ou lesões longas com baixa expectativa de patência endovascular. O bypass anterógrado da aorta supracelíaca tem maior patência (90% a 5 anos) que o retrógrado (74%) em coortes históricas — mas a mortalidade cirúrgica é de 5,5% (IC 4,8–6,3%). O ROMS (Rec 20, Classe IIb) — stenting mesentérico retrógrado durante laparotomia — é indicado quando o acesso percutâneo anterógrado é impossível: sucesso técnico ~90%, sobrevida 1 ano 70,1%, patência assistida primária 84,5%.

4. Seguimento e Reintervenção (Recs 21–25)

RecClasseLoERecomendação
21IIaCSeguimento clínico e por imagem estruturado no 1º ano pós-revascularização (Changed)
22IIaCDUS como 1ª linha no seguimento pós-revascularização mesentérica (New)
23ICCTA como 2ª linha quando DUS diagnostica reestenose > 70% (New)
24IIaCReintervenção endovascular na reestenose sintomática (New)
25IIbCReintervenção pode ser considerada em reestenose assintomática > 70% (New)

A taxa de reintervenção após endovascular é de 26% (IC 17–37%) em 28 meses de seguimento — ressaltando a importância de um protocolo estruturado. O critério DUS de reestenose in-stent mesentérico é PSV > 300 cm/s (análogo ao critério SVS 2021: PSV > 300 cm/s + EDV > 50 cm/s). A recorrência sintomática após reintervenção é significativamente menor que a taxa global — reforçando a estratégia "endovascular-first with planned reintervention".

Mensagens-Chave do Capítulo de Tratamento

  1. Endovascular first: Classe I LoE B — o CoBalGI forneceu o primeiro Nível B em CMI
  2. Stent coberto > metálico: 80,8% vs 49,1% de patência em 24 meses — diferença clinicamente e estatisticamente significativa
  3. Não retardar com NPT: Rec 13 (IIIb) — único "não faça" do capítulo
  4. Cirurgia aberta: segunda linha após falha endovascular ou impossibilidade técnica percutânea
  5. Seguimento obrigatório: DUS no 1º ano, CTA na reestenose > 70%, reintervenção na sintomática

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218. DOI: 10.1016/j.ejvs.2025.06.010.

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.

Perguntas Frequentes

Por que a abordagem endovascular é preferida no tratamento da isquemia mesentérica crônica?
A Recomendação 14 (Classe I, Nível B — Changed em 2025) estabelece o endovascular como estratégia preferida na CMI. A base de evidência é a maior meta-análise disponível, combinada com o primeiro RCT realizado neste território (CoBalGI trial, Terlouw 2024): sucesso clínico após endovascular em 87% dos pacientes (IC 80–92%), mortalidade precoce de 2%, menor morbidade perioperatória que a cirurgia aberta (mortalidade cirurgia aberta: 5,5%, IC 4,8–6,3%), e a possibilidade de reintervenção percutânea quando ocorre reestenose. Além disso, muitos pacientes com CMI têm alto risco cirúrgico por comorbidades cardiovasculares e desnutrição. A taxa de recorrência sintomática após endovascular é de 25% (IC 21–31%) em 28 meses de seguimento, o que exige protocolo de vigilância estruturado — tratada nas Recs 21–25.
Qual a diferença entre stents cobertos e metálicos nus na artéria mesentérica e qual é o padrão atual?
O RCT CoBalGI (Terlouw et al., 2024) foi o primeiro ensaio clínico randomizado em CMI e demonstrou superioridade clara dos stents cobertos: patência primária em 24 meses de 80,8% (coberto) vs 49,1% (metálico nu), p<0,001. Liberdade de reintervenção foi significativamente maior com stent coberto. Com base nesses dados (Nível B), a Recomendação 16 (Classe IIa) indica stents cobertos em lesões <25mm sem ramos laterais mesentéricos relevantes. A Recomendação 17 (Classe IIb, nova em 2025) reserva o stent metálico nu para lesões >25mm ou com ramos laterais, onde o stent coberto pode comprometer colaterais. A angioplastia simples (sem stent) foi abandonada pela alta taxa de reestenose elástica imediata nas lesões ostiais calcificadas — a Rec 15 (Classe I) recomenda stenting de rotina sobre balão isolado.
Quando está indicada a cirurgia aberta na isquemia mesentérica crônica?
A cirurgia aberta está indicada como segunda linha após falha endovascular ou quando o endovascular não é tecnicamente viável — Recomendação 19 (Classe IIa, Changed em 2025). As principais indicações anatômicas para cirurgia primária incluem: oclusão total (flush occlusion) da AMS sem coto proximal para cateterização; calcificação circunferencial grave impedindo dilatação adequada do stent; lesões longas (>2 cm) com baixa expectativa de patência endovascular; e pacientes jovens com longa expectativa de vida onde a maior durabilidade do bypass compensa o maior risco cirúrgico. O ROMS (Retrograde Open Mesenteric Stenting — Rec 20, Classe IIb, Changed) é uma técnica híbrida: acesso percutâneo anterógrado impossível → laparotomia + punção direta da AMS exposta + stenting retrógrado. Sucesso técnico do ROMS em séries multicêntricas: ~90%; sobrevida em 1 ano: 70,1%; patência assistida primária: 84,5%.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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