Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
ESVS 2025 — J8

Dissecção das Artérias Viscerais — ESVS 2025 (Recs 95–102)

Dissecção isolada da AMS (IMAD): tratamento conservador como 1ª linha (Rec 95, Classe I) em assintomática e sintomática não complicada. Revascularização primária NÃO indicada (Rec 97, Classe IIIa). 82–85% resolvem sem stent. Dissecção renal: Recs 100–102. ESVS 2025.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202611 min de leitura

Resposta direta: IMAD (dissecção isolada da AMS): tratamento conservador como 1ª linha em assintomática e sintomática não complicada (Rec 95, Classe I — New). Antiagregação plaquetária como adjuvante (Rec 96, Classe IIa). NÃO revascularizar primariamente (Rec 97, Classe IIIa — New). Stenting apenas em falha do tratamento médico com isquemia em progressão (Rec 98, Classe I). 82–85% resolvem conservadoramente. Remodelamento: 43–51% conservador vs 88% endovascular (mas reestenose 12%).

O Capítulo 10 da ESVS 2025 (Recs 95–102) aborda duas entidades raras, com diagnóstico crescente pela ampla disponibilidade de CTA: a dissecção isolada das artérias mesentéricas (IMAD) e a dissecção da artéria renal. A mensagem central — e a maior mudança desta diretriz para esses capítulos — é a consolidação do tratamento conservador como primeira linha, revertendo a tendência intervencionista das décadas anteriores.

Infográfico: Dissecção das Artérias Viscerais ESVS 2025. Classificações Sakamoto e Yun, algoritmo conservador vs endovascular, remodelamento 82-85%, dissecção renal Recs 100-102.
IMAD e dissecção renal — ESVS 2025 (Recs 95–102). Conservador 1ª linha; stent reservado para falha com isquemia em progressão.

Assista: Dissecção Visceral — ESVS 2025 (J8)

1. Classificações da Dissecção Mesentérica

A ESVS 2025 incorpora as duas classificações mais usadas, baseadas em achados de CTA:

Classificação de SAKAMOTO (baseada em CTA)

  • Tipo I: tear de entrada E re-entrada visíveis; falso lúmen patente
  • Tipo II: apenas tear de entrada; falso lúmen patente
  • Tipo III: trombose do falso lúmen + ulceração (nicho)
  • Tipo IV: trombose do falso lúmen sem ulceração

Tipo II tem menor OR de remodelamento completo (OR 0,34)

Classificação de YUN

  • Tipo I: tear de entrada E re-entrada; falso lúmen patente
  • Tipo IIa: apenas tear de entrada; falso lúmen patente
  • Tipo IIb: trombose do falso lúmen; verdadeiro lúmen patente
  • Tipo III: oclusão de verdadeiro E falso lúmen

Tipo III = risco maior de isquemia intestinal

2. Epidemiologia da IMAD

Prevalência marcadamente variável por região: 0,96% na Coreia do Sul vs 0,03% na França — refletindo provavelmente diferenças no uso de CTA para dor abdominal aguda. Perfil demográfico: homens 88%, média de 54 anos, HAS em 44%, ex-fumantes em 41%. A AMS é afetada em 80% dos casos; tronco celíaco em 17,9%. Mortalidade global: apenas 0,5% — muito menor que AMI arterial — pois a maioria dos casos são não-complicados. Ressecção intestinal necessária em apenas 2,1% dos casos. Prevalência de IMAD que provavelmente aumentará com o maior uso de CTA.

3. Recomendações 95–99 — IMAD

RecClasseLoERecomendação
95ICTratamento conservador (controle PA + analgesia + restrição oral) como 1ª linha na IMAD assintomática ou sintomática não complicada (New)
96IIaCAntiagregação plaquetária como adjuvante em IMAD assintomática e sintomática gerenciada conservadoramente (Changed)
97IIIaCRevascularização endovascular ou cirúrgica primária NÃO indicada em IMAD assintomática ou sintomática não complicada (New)
98ICRevascularização endovascular indicada em IMAD sintomática sem resposta ao tratamento médico com suspeita de isquemia intestinal em progressão (Changed — de IIb para I)
99IIaCSeguimento anual com DUS para detectar aneurisma do falso lúmen ou estenose progressiva (Unchanged)

Resultados Comparativos: Conservador vs Endovascular na IMAD

DesfechoConservadorEndovascular (stent)
Remodelamento completo43–51%47–88%
Reestenose (stent)N/A12% (IC 4–23%)
Mortalidade0,5%0,7%
Taxa de resolução sem cirurgia82–85%N/A (indicado em falha)

4. Recomendações 100–102 — Dissecção da Artéria Renal

RecClasseLoERecomendação — Dissecção da AR
100ICTratamento conservador (anti-hipertensivos + analgesia) como 1ª linha na dissecção assintomática ou sintomática não complicada da AR (New)
101ICRevascularização endovascular indicada na dissecção da AR sintomática sem resposta ao tratamento médico (HAS não controlada ou IRA) (New)
102IIaCSeguimento anual com DUS na dissecção da AR para monitorar HAS renovascular e progressão de estenose (New)

Ref: Koelemay MJ, Filis K, Benninghoff M, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;70:153–218. DOI: 10.1016/j.ejvs.2025.06.010. Open Access CC BY 4.0.

Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.

Perguntas Frequentes

O que é a dissecção isolada da artéria mesentérica (IMAD) e como ela deve ser tratada inicialmente?
A dissecção isolada das artérias viscerais (IMAD — Isolated Mesenteric Artery Dissection) é a separação das camadas da parede arterial sem envolvimento da aorta. Afeta principalmente a AMS (80% dos casos) e o tronco celíaco (17,9%). O perfil típico é: homem (88%), 54 anos, hipertenso (44%), tabagista (41%), com dor abdominal aguda (> 90% dos casos). Prevalência variável: 0,96% na Coreia do Sul vs 0,03% na França — provavelmente refletindo diferenças em taxas de realização de CTA para dor abdominal. O tratamento inicial para IMAD assintomática e sintomática não complicada é conservador (Recomendação 95, Classe I — Nova em 2025): jejum de 24–72h, controle rigoroso da pressão arterial (alvo < 130/80 mmHg), analgesia adequada e antiagregação plaquetária (Rec 96, Classe IIa). Estudos mostram que 82–85% dos casos resolvem sem intervenção — com taxa de remodelamento completo de 43–51% após tratamento conservador.
Quando está indicado o tratamento endovascular na dissecção da artéria mesentérica superior?
A intervenção endovascular na IMAD é reservada para falha do tratamento conservador com evidência de isquemia intestinal em progressão — Recomendação 98 (Classe I, Changed de IIb para I em 2025). Sinais de falha do tratamento conservador: piora da dor abdominal apesar de analgesia e jejum, elevação persistente de lactato, sinais peritoniais, deterioração hemodinâmica ou piora dos achados de CTA (extensão da dissecção, aneurisma do falso lúmen progressivo). O stenting da AMS tem taxa de remodelamento de 88% (IC 82–94%), superior ao 43% do conservador, mas com reestenose em 12% (IC 4–23%). A Recomendação 97 (Classe IIIa — Nova em 2025) contraindicou a revascularização endovascular ou cirúrgica como estratégia primária na IMAD assintomática ou sintomática não complicada — revertendo a tendência intervencionista das décadas anteriores, baseada em dados que mostram que a maioria dos casos resolve espontaneamente.
Qual o seguimento recomendado após o tratamento conservador da dissecção das artérias viscerais?
O seguimento após IMAD tratada conservadoramente usa DUS anual para detectar progressão ou desenvolvimento de aneurisma do falso lúmen — Recomendação 99 (Classe IIa, Unchanged). A CTA de controle é recomendada na fase aguda (1–4 semanas) e em 3–6 meses para documentar o remodelamento. Remodelamento completo (resolução do falso lúmen) é critério para alta do seguimento. A classificação de Sakamoto tipo II (apenas tear de entrada, falso lúmen patente) tem o menor odds de remodelamento completo (OR 0,34) — esses pacientes requerem seguimento mais prolongado. Critério para reintervenção durante o seguimento: aneurisma do falso lúmen > 30mm em crescimento ou surgimento de sintomas (dor pós-prandial, perda de peso). Para dissecção da artéria renal: seguimento anual com DUS (Rec 102, Classe IIa, nova) para monitorar hipertensão renovascular e progressão de estenose.

Quer uma segunda opinião?

Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

Leia também

Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular

Agendar pelo WhatsApp