Dissecção das Artérias Viscerais — ESVS 2025 (Recs 95–102)
Dissecção isolada da AMS (IMAD): tratamento conservador como 1ª linha (Rec 95, Classe I) em assintomática e sintomática não complicada. Revascularização primária NÃO indicada (Rec 97, Classe IIIa). 82–85% resolvem sem stent. Dissecção renal: Recs 100–102. ESVS 2025.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: IMAD (dissecção isolada da AMS): tratamento conservador como 1ª linha em assintomática e sintomática não complicada (Rec 95, Classe I — New). Antiagregação plaquetária como adjuvante (Rec 96, Classe IIa). NÃO revascularizar primariamente (Rec 97, Classe IIIa — New). Stenting apenas em falha do tratamento médico com isquemia em progressão (Rec 98, Classe I). 82–85% resolvem conservadoramente. Remodelamento: 43–51% conservador vs 88% endovascular (mas reestenose 12%).
O Capítulo 10 da ESVS 2025 (Recs 95–102) aborda duas entidades raras, com diagnóstico crescente pela ampla disponibilidade de CTA: a dissecção isolada das artérias mesentéricas (IMAD) e a dissecção da artéria renal. A mensagem central — e a maior mudança desta diretriz para esses capítulos — é a consolidação do tratamento conservador como primeira linha, revertendo a tendência intervencionista das décadas anteriores.

Assista: Dissecção Visceral — ESVS 2025 (J8)
1. Classificações da Dissecção Mesentérica
A ESVS 2025 incorpora as duas classificações mais usadas, baseadas em achados de CTA:
Classificação de SAKAMOTO (baseada em CTA)
- Tipo I: tear de entrada E re-entrada visíveis; falso lúmen patente
- Tipo II: apenas tear de entrada; falso lúmen patente
- Tipo III: trombose do falso lúmen + ulceração (nicho)
- Tipo IV: trombose do falso lúmen sem ulceração
Tipo II tem menor OR de remodelamento completo (OR 0,34)
Classificação de YUN
- Tipo I: tear de entrada E re-entrada; falso lúmen patente
- Tipo IIa: apenas tear de entrada; falso lúmen patente
- Tipo IIb: trombose do falso lúmen; verdadeiro lúmen patente
- Tipo III: oclusão de verdadeiro E falso lúmen
Tipo III = risco maior de isquemia intestinal
2. Epidemiologia da IMAD
Prevalência marcadamente variável por região: 0,96% na Coreia do Sul vs 0,03% na França — refletindo provavelmente diferenças no uso de CTA para dor abdominal aguda. Perfil demográfico: homens 88%, média de 54 anos, HAS em 44%, ex-fumantes em 41%. A AMS é afetada em 80% dos casos; tronco celíaco em 17,9%. Mortalidade global: apenas 0,5% — muito menor que AMI arterial — pois a maioria dos casos são não-complicados. Ressecção intestinal necessária em apenas 2,1% dos casos. Prevalência de IMAD que provavelmente aumentará com o maior uso de CTA.
3. Recomendações 95–99 — IMAD
| Rec | Classe | LoE | Recomendação |
|---|---|---|---|
| 95 | I | C | Tratamento conservador (controle PA + analgesia + restrição oral) como 1ª linha na IMAD assintomática ou sintomática não complicada (New) |
| 96 | IIa | C | Antiagregação plaquetária como adjuvante em IMAD assintomática e sintomática gerenciada conservadoramente (Changed) |
| 97 | IIIa | C | Revascularização endovascular ou cirúrgica primária NÃO indicada em IMAD assintomática ou sintomática não complicada (New) |
| 98 | I | C | Revascularização endovascular indicada em IMAD sintomática sem resposta ao tratamento médico com suspeita de isquemia intestinal em progressão (Changed — de IIb para I) |
| 99 | IIa | C | Seguimento anual com DUS para detectar aneurisma do falso lúmen ou estenose progressiva (Unchanged) |
Resultados Comparativos: Conservador vs Endovascular na IMAD
| Desfecho | Conservador | Endovascular (stent) |
|---|---|---|
| Remodelamento completo | 43–51% | 47–88% |
| Reestenose (stent) | N/A | 12% (IC 4–23%) |
| Mortalidade | 0,5% | 0,7% |
| Taxa de resolução sem cirurgia | 82–85% | N/A (indicado em falha) |
4. Recomendações 100–102 — Dissecção da Artéria Renal
| Rec | Classe | LoE | Recomendação — Dissecção da AR |
|---|---|---|---|
| 100 | I | C | Tratamento conservador (anti-hipertensivos + analgesia) como 1ª linha na dissecção assintomática ou sintomática não complicada da AR (New) |
| 101 | I | C | Revascularização endovascular indicada na dissecção da AR sintomática sem resposta ao tratamento médico (HAS não controlada ou IRA) (New) |
| 102 | IIa | C | Seguimento anual com DUS na dissecção da AR para monitorar HAS renovascular e progressão de estenose (New) |
Resumo da Série J — ESVS 2025: 102 Recomendações em 8 Posts
Ref: Koelemay MJ, Filis K, Benninghoff M, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;70:153–218. DOI: 10.1016/j.ejvs.2025.06.010. Open Access CC BY 4.0.
Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.
Perguntas Frequentes
O que é a dissecção isolada da artéria mesentérica (IMAD) e como ela deve ser tratada inicialmente?
Quando está indicado o tratamento endovascular na dissecção da artéria mesentérica superior?
Qual o seguimento recomendado após o tratamento conservador da dissecção das artérias viscerais?
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