Estenose da Artéria Renal e Síndrome do Quebra-Nozes — ESVS 2025 (Recs 57–71)
PTRAS não indicada em HAS controlada com função renal estável (Rec 63, Classe IIIa, único LoE A da diretriz). ACEi/ARBs como 1ª linha. Síndrome do Nutcracker: 3 opções de tratamento hierarquizadas — conservador, transposição cirúrgica e stenting.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Estenose aterosclerótica da artéria renal: PTRAS NÃO indicada em HAS controlada e função renal estável — Rec 63, Classe IIIa LoE A (ASTRAL 806 pac + CORAL 931 pac). ACEi/ARBs como 1ª linha (Rec 61, Classe I LoE B). Indicações restritas de PTRAS: flash pulmonary edema + IRA bilateral (Rec 65), HAS resistente ≥3 drogas + >70% (Rec 66). Síndrome do Nutcracker: conservador em leves (Rec 69), transposição VRE em graves (Rec 70, Classe IIa), stenting em selecionados (Rec 71).
O Capítulo 8 da ESVS 2025 (Doenças Oclusivas das Artérias e Veias Renais) traz as Recomendações 57–71 — todas inteiramente novas em 2025. O destaque é a Recomendação 63, que consolidou com evidência Nível A (baseada em ASTRAL + CORAL — 1.737 pacientes randomizados) que o stenting da artéria renal NÃO deve ser realizado em HAS controlada e função renal estável. Pela primeira vez também, as diretrizes europeias incluem um capítulo dedicado à Síndrome do Quebra-Nozes.

Assista: EAR e Nutcracker — ESVS 2025 (J6)
Parte 1 — Estenose da Artéria Renal (Recs 57–68)
Diagnóstico (Recs 57–59)
| Rec | Classe | LoE | Recomendação |
|---|---|---|---|
| 57 | I | B | DUS como 1ª linha no diagnóstico e seguimento da EAR (New) |
| 58 | IIb | C | CEUS (ultrassom com contraste) se DUS inconclusivo ou CTA/RM contraindicadas (New) |
| 59 | I | B | CTA ou AngioRM preferidas à DSA para diagnóstico definitivo da EAR (New) |
Critérios DUS para Estenose da Artéria Renal (Tabela do Artigo)
- PSV renal > 180–285 cm/s → estenose ≥ 50% (corte variável por laboratório)
- Razão Renossistêmica (RRA = PSV renal/PSV aorta) > 3,5 → estenose ≥ 60%
- Índice de Resistência (IR) > 0,80 → nefropatia parenquimatosa avançada (prediz má resposta à PTRAS)
- Tardus-parvus (aceleração sistólica lenta) → estenose significativa proximal
Tratamento Médico (Recs 60–62)
A Rec 60 (Classe I LoE A) estabelece que todos os pacientes com EAR devem receber tratamento farmacológico da HAS com as mesmas metas dos demais hipertensos: alvo < 130/80 mmHg em < 65 anos e < 140/80 mmHg em 65–79 anos. A Rec 61 (Classe I LoE B) indica ACEi ou ARBs como 1ª linha em EAR unilateral com HAS — pela redução do efeito hipertensivo angiotensina-dependente. A Rec 62 (Classe IIb) permite ACEi/ARBs em EAR bilateral ou rim único com HAS, mas com vigilância rigorosa da creatinina e potássio (início com dose baixa, controle em 1–2 semanas).
Intervenção — Quando NÃO e Quando SIM (Recs 63–68)
Rec 63 — O Único Nível A das Diretrizes ESVS 2025
PTRAS NÃO indicada em EAR aterosclerótica com HAS controlada (≤3 anti-hipertensivos) E função renal estável — Classe IIIa, Nível A. Baseada em:
- • ASTRAL trial (806 pacientes, EAR ≥60%): sem diferença em função renal, PA ou eventos CV com PTRAS+TMO vs TMO
- • CORAL trial (931 pacientes, EAR ≥60%): sem diferença em evento composto (35,1% vs 35,8%)
- • Meta-análise de 9 ECRs: único benefício limitado = redução de HAS refratária em 2 anos em subset de 3 ECRs
| Rec | Classe | LoE | Quando CONSIDERAR PTRAS |
|---|---|---|---|
| 64 | IIa | C | DFM com HAS resistente + EAR > 70%: PTRA (sem stent primário) com bailout stenting (New) |
| 65 | IIa | C | Edema pulmonar agudo recorrente (flash pulmonary edema) com IRA + EAR bilateral > 50% (New) |
| 66 | IIa | C | HAS resistente (≥3 drogas) + EAR aterosclerótica > 70% (New) |
| 67 | IIb | C | Declínio grave de função renal (queda > 30% de TFGe) + EAR > 70% + viabilidade renal preservada (New) |
Parte 2 — Síndrome do Quebra-Nozes (Recs 69–71)
A Síndrome do Nutcracker é a compressão da VRE entre aorta e AMS — nova na ESVS 2025, com 3 Recomendações hierárquicas todas novas:
| Rec | Classe | Sintomas | Conduta |
|---|---|---|---|
| 69 | I | Leves (hematúria micro isolada) | Tratamento conservador — vigilância, hidratação, controle de PA |
| 70 | IIa | Graves (hematúria macro, dor, varicocele) | Transposição cirúrgica da VRE (reposicionamento caudal para ampliar o espaço AMS-aorta) |
| 71 | IIb | Selecionados | Stenting endovascular da VRE (resultados a longo prazo limitados; risco de migração de stent) |
Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.
Ref: Koelemay MJ et al. ESVS 2025 Clinical Practice Guidelines on the Management of Diseases of the Mesenteric and Renal Arteries and Veins. EJVES 2025;70:153–218.
Perguntas Frequentes
Quando está indicado o stenting da artéria renal na estenose aterosclerótica?
O que é displasia fibromuscular (DFM) e como ela difere da estenose aterosclerótica da artéria renal?
O que é a síndrome do quebra-nozes (Nutcracker) e quais são as opções de tratamento?
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