Classificação, Epidemiologia e Modelos Preditivos da TVP de Membros Superiores
Diretriz AVF 2026 — Guidelines 1.1–3.4: classificação etiológica da UEDVT em vTOS (Paget-Schroetter), cateter-associada (CA-UEDVT) e não-cateter (NCA-UEDVT). Escore de Constans supera Wells modificado. D-dímero: útil apenas em NCA-UEDVT de baixa probabilidade sem câncer.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: A TVP de membros superiores representa 5–10% de todos os casos de TVP e exige classificação etiológica — vTOS, cateter-associada (CA) ou não-cateter (NCA) — pois cada subtipo tem fisiopatologia e tratamento distintos. O escore de Constans supera o Wells modificado na estratificação do risco clínico. O D-dímero tem valor preditivo negativo apenas em NCA-UEDVT de baixa probabilidade em pacientes sem câncer — NÃO deve ser usado para exclusão em portadores de cateter ou neoplasia ativa.
A TVP de membros superiores (Upper Extremity DVT — UEDVT) é uma entidade clinicamente distinta da TVP de membros inferiores. A diretriz do American Venous Forum 2026 é a primeira a propor uma classificação etiológica formal que orienta diretamente o algoritmo diagnóstico e terapêutico — substituindo a abordagem genérica anterior.
Classificação Etiológica da UEDVT — Guideline 1.2 (GRADE 1; LOE-B)
| Subtipo | Perfil do Paciente | Mecanismo | Localização Típica |
|---|---|---|---|
| vTOS (Paget-Schroetter) | Jovem, atlético, sem comorbidades | Compressão costoclavicular → lesão repetitiva | Veia subclávia / axilar |
| CA-UEDVT | Hospitalizado, idoso, com comorbidades | CVC, PICC, marca-passo, ECMO → lesão endotelial + estase | Variável (cateter-dependente) |
| NCA-UEDVT | Perfil intermediário | Neoplasia, trombofilias, imobilização, trauma | Variável |
Epidemiologia — Guidelines 2.1–2.3
- TVP de MMSS = 5–10% de todos os casos de TVP
- Prevalência hospitalar: 30–36% de todas as TVPs em ambiente hospitalar
- vTOS: incidência estimada 2–6/100.000 habitantes/ano
- CA-UEDVT: 0,10–9,5/1.000 cateteres-dia
- Embolia pulmonar concomitante ao diagnóstico: 8–14%
- Síndrome pós-trombótica de MMSS: 8–28% em 2 anos
- Recorrência de TEV em 1 ano: 3,5–5%
Escore de Constans — Guideline 3.1 (GRADE 2; LOE-B)
Preferir o escore de Constans (ou Constans Estendido) ao Wells modificado para estimar a probabilidade pré-teste de UEDVT:
| Critério | Pontos |
|---|---|
| CVC ou marca-passo | +1 |
| Dor localizada | +1 |
| Edema unilateral | +1 |
| Outro diagnóstico pelo menos tão plausível | −1 |
| ≥2 pontos | UEDVT PROVÁVEL → duplex imediato |
| ≤1 ponto | UEDVT IMPROVÁVEL → considerar D-dímero |
D-Dímero: Uso Diferenciado por Subtipo — Guidelines 3.2–3.4
⛔ vTOS
D-dímero NÃO validado para exclusão de vTOS.
⛔ CA-UEDVT com câncer
NÃO usar D-dímero — especificidade muito baixa em neoplasia ativa. (G 3.3, GRADE 2; LOE-B)
✅ NCA-UEDVT sem câncer
D-dímero <500 µg/L + baixa probabilidade → EXCLUI UEDVT (G 3.4, GRADE 1; LOE-B)
Referência
Malgor RD, Etkin Y, Mouawad NJ, et al. The American Venous Forum clinical practice guideline on the care of patients with upper extremity deep venous thrombosis. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2026;14:102461. DOI: 10.1016/j.jvsv.2026.102461
Fui diagnosticado com TVP no braço e gostaria de uma consulta com cirurgião vascular
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Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre TVP vTOS e TVP por cateter nos membros superiores?
O escore de Constans substitui o duplex ultrassom no diagnóstico da TVP de braço?
Posso usar D-dímero para descartar TVP de braço em paciente com PICC e câncer?
Qual é a incidência de embolia pulmonar na TVP de membros superiores?
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