Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS/AVF 2014 — Y1

Úlcera Venosa — SVS/AVF 2014 · Parte 1: Definição, Epidemiologia, Fisiopatologia e Avaliação Clínica

Guideline 1.1 (Best Practice): úlcera venosa = lesão cutânea aberta da perna em área de hipertensão venosa. Prevalência 1-1,5%, C5/C6 em 0,5-0,7% dos adultos. Custo US$2,5B/ano nos EUA. Fisiopatologia: refluxo/obstrução → hipertensão ambulatorial → leucócitos → fibrina cuff → microangiopatia → ulceração. ITB obrigatório em todos (Grade 1B). Biópsia em 4-6 semanas sem melhora (Grade 1C). O'Donnell TF Jr et al. J Vasc Surg. 2014;60(2 Suppl):3S-59S.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 25 de junho de 202610 min de leitura

Resposta direta: Definição (G 1.1 — Best Practice): úlcera venosa = lesão cutânea aberta da perna em área de hipertensão venosa. Prevalência: 1-1,5% (C5/C6: 0,5-0,7%). Custo: US$2,5B/ano nos EUA. Fisiopatologia: refluxo/obstrução → hipertensão ambulatorial → inflamação → fibrina cuff pericapilar → microangiopatia → ulceração. ITB: obrigatório em TODOS (Grade 1B). Cultura: somente com sinais clínicos de infecção (Grade 2C). Biópsia: 4-6 semanas sem melhora (Grade 1C). Trombofilia: investigar em recorrentes com TVP prévia (Grade 2C).

A úlcera venosa afeta 1-1,5% da população adulta, representa 70% de todas as úlceras de membros inferiores e custa US$ 2,5 bilhões/ano apenas nos EUA. Em 2014, a Society for Vascular Surgery (SVS) e o American Venous Forum (AVF) publicaram as diretrizes mais abrangentes já produzidas — com ~60 guidelines baseados no sistema GRADE. Primeira de 6 partes da série.

Infográfico SVS/AVF 2014 — Úlcera Venosa: Definição, Epidemiologia, Fisiopatologia e Avaliação Clínica

Guideline 1.1 — Definição e Impacto Epidemiológico

O'Donnell TF Jr et al. J Vasc Surg. 2014;60(2 Suppl):3S-59S · Endorsado por ACP e UIP

  • Definição (Best Practice): lesão cutânea aberta da perna ou pé em área afetada por hipertensão venosa crônica
  • Prevalência: 1-1,5% da população adulta; C5/C6: 0,5-0,7%
  • Proporção: 70% de todas as úlceras de membros inferiores
  • Custo: US$ 2,5 bilhões/ano nos EUA; £600 milhões/ano no Reino Unido; €9.569 por paciente/ano na Alemanha
  • Recorrência: ~50% em 10 anos sem tratamento adequado
  • Custo médio: US$ 2.500/mês por paciente em tratamento ativo

Fisiopatologia — Da Hipertensão Venosa à Ulceração

Mecanismo Hemodinâmico

  • • Refluxo e/ou obstrução venosa → hipertensão venosa ambulatorial
  • • Shear stress no endotélio → ativação endotelial
  • • Recrutamento de leucócitos → aderência e transmigração
  • • Citocinas: TNF-α, IL-1, TGF-β1 → MMPs
  • • Destruição progressiva da matriz dérmica

Fibrina Cuff e Microangiopatia

  • • Modelo de Starling revisado: 90% da drenagem é linfática
  • • Glicocalix endotelial impede reabsorção capilar
  • • Fibrina cuff pericapilar: colágeno I/III + fibronectina + fibrina
  • • Microangiopatia dérmica progressiva
  • • Progressão: varicosidades → lipodermatosclerose → ulceração

Fatores Genéticos: polimorfismos do fator XIII de coagulação e do gene HFE influenciam a capacidade de cicatrização — pacientes com essas variantes têm curso mais prolongado e maior risco de recorrência mesmo com tratamento adequado.

Avaliação Clínica — Guidelines 3.1–3.7

G 3.1: Avaliação clínica completa: evidência de doença venosa crônica em todos com suspeita de VLU
Best Practice
G 3.2: Identificar causas não venosas: 47 diagnósticos diferenciais — arterial, neuropática, vasculítica, infecciosa, neoplásica (Tabela IV)
Best Practice
G 3.3: Documentação serial obrigatória: tamanho, perímetro, profundidade e fotografia em cada consulta
Best Practice
G 3.4: Cultura: NÃO rotineiramente — apenas com sinais clínicos de infecção (dor, eritema, calor, secreção purulenta)
Grade 2C
G 3.5: Biópsia: lesões sem melhora em 4-6 semanas ou com características atípicas — descartar carcinoma de Marjolin e melanoma
Grade 1C
G 3.6: Trombofilia: investigar em úlceras recorrentes com TVP prévia — fator V Leiden, protrombina G20210A, antifosfólipides
Grade 2C
G 3.7: ITB obrigatório em TODOS os pacientes: 15-25% têm DAOP concomitante que contraindica compressão plena
Grade 1B

Achados Clínicos por Estadiamento CEAP

CEAPAchadosRelevância
C4aEczema, hiperpigmentação (dermite ocre)Início da disfunção trófica — risco de progressão
C4bLipodermatosclerose, atrophie blancheRisco elevado — indicação de ablação preventiva (Grade 2C)
C5Úlcera cicatrizadaCompressão contínua e ablação do refluxo (Grade 1B)
C6Úlcera ativa — VLU ativaTratamento imediato: compressão (Grade 1A) + cuidado da ferida

74-93% dos pacientes com VLU ativa têm envolvimento venoso superficial. Apenas 17-54% têm refluxo superficial isolado — os demais têm doença combinada (profunda ou perfurante), o que fundamenta a avaliação duplex completa em todos os casos.

Olá! Vi o artigo sobre úlcera venosa (SVS/AVF 2014) e gostaria de uma avaliação com cirurgião vascular.

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Perguntas Frequentes

Qual é a definição oficial de úlcera venosa segundo a SVS/AVF 2014?
Guideline 1.1 (Best Practice): úlcera venosa é definida como uma lesão cutânea aberta da perna ou pé em área afetada por hipertensão venosa crônica. Representa 70% de todas as úlceras de membros inferiores. A definição enfatiza o papel central da hipertensão venosa como fator fisiopatológico — distinguindo a úlcera venosa de outras causas de úlceras de membros inferiores (arterial, neuropática, vasculítica, neoplásica). A prevalência é de 1-1,5% da população adulta, com C5/C6 em 0,5-0,7%.
Como funciona a fisiopatologia da úlcera venosa — do refluxo à ulceração?
O mecanismo central é a hipertensão venosa ambulatorial causada por refluxo e/ou obstrução venosa. A cascata inflamatória: (1) shear stress no endotélio → ativação endotelial; (2) recrutamento de leucócitos → aderência e transmigração; (3) liberação de citocinas (TNF-α, IL-1, TGF-β1) e MMPs → destruição da matriz dérmica; (4) Modelo de Starling revisado (Levick & Michel): 90% da drenagem intersticial é linfática — mínima reabsorção capilar — formação de fibrina cuff pericapilar (colágeno I/III, fibronectina) → microangiopatia dérmica; (5) progressão: varicosidades → lipodermatosclerose → ulceração. Fatores genéticos: polimorfismos do fator XIII e gene HFE influenciam a cicatrização.
Quais exames são obrigatórios na avaliação inicial da úlcera venosa?
Guideline 3.7 (Grade 1B): ITB é obrigatório em TODOS os pacientes com suspeita de úlcera venosa — 15-25% têm DAOP concomitante que contraindica a compressão plena. Guideline 3.1 (Best Practice): avaliação clínica completa de todos. Guideline 3.3 (Best Practice): documentação serial obrigatória — tamanho, perímetro, profundidade e fotografia da úlcera em cada consulta. Guideline 3.5 (Grade 1C): biópsia de úlceras que não melhoram em 4-6 semanas ou com características atípicas — descartar carcinoma de Marjolin e melanoma. Guideline 3.4 (Grade 2C): cultura NÃO rotineiramente — apenas com sinais clínicos de infecção (dor, eritema, calor, secreção purulenta).

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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