Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
USV DIC/SBC — UV3

Doppler Arterial Aortoilíaco e de Membros Inferiores: Razão V2/V1 e Padrões de Curva

Como o Departamento de Imagem Cardiovascular da SBC gradua estenoses e oclusões do eixo aortoilíaco e dos membros inferiores, lê a curva da femoral comum, interpreta os padrões espectrais e avalia aneurismas, pseudoaneurismas e stents.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de outubro de 2026⏱ 11 min de leitura

Resposta direta: Estenose arterial periférica se gradua pela razão V2/V1 (VPS no ponto de maior velocidade ÷ VPS 1–2 cm antes no aortoilíaco ou 1–4 cm antes nos membros, ângulo ≤60°): <2 = <50%; ≥2 = ≥50%; ≥4 = ≥70%. No eixo aortoilíaco, VPS >300 cm/s também indica lesão significativa. Curva trifásica na femoral comum praticamente afasta lesão aortoilíaca; monofásica parvus-tardus e VPS ≤45 cm/s sugerem oclusão (DIC/SBC 2016 e 2019).

Diferente das carótidas, com suas tabelas em decis, o território arterial periférico se resolve com um critério só: a razão entre a velocidade no ponto de estenose e a velocidade logo antes dela. A recomendação do DIC/SBC aplica a mesma regra da aorta às tibiais, acrescenta pistas indiretas preciosas — a curva da femoral comum — e organiza os padrões espectrais numa tabela que vale ter à mão no laboratório.

Infográfico: graduação pela razão V2/V1, femoral comum como marcador do aortoilíaco, oclusão, padrões de curva arterial, pseudoaneurisma e laudo

Quando pedir

Eixo aortoilíaco

  • Claudicação com pulso femoral diminuído ou ausente; claudicação glútea; disfunção erétil
  • Dor em repouso; isquemia aguda por embolia distal
  • Sopro abdominal; ITB reduzido; curva femoral alterada em exame prévio
  • Seguimento de enxertos e stents; suspeita de dissecção ou arterite

Membros inferiores

  • Diagnóstico anatômico em sintomáticos candidatos a revascularização e planejamento cirúrgico
  • Seguimento da progressão; aneurismas periféricos; pseudoaneurismas (diagnóstico e tratamento)
  • Enxertos autógenos ou sintéticos; sítios de angioplastia, stent, trombólise e aterectomia
  • Trauma, massas, dissecção, embolia, malformações, FAV, aprisionamento da poplítea

Graduação: a razão V2/V1

Identificada a placa no modo B e o ponto de turbulência no color, mede-se a VPS no local de maior velocidade (V2) e no segmento normal imediatamente proximal (V1: 1 a 2 cm antes no eixo aortoilíaco; 1 a 4 cm antes nos membros), sempre com ângulo ≤ 60° paralelo ao jato.

ClassificaçãoRazão V2/V1Comportamento habitual a jusante
Estenose < 50%< 2,0Trifásico
Estenose ≥ 50%≥ 2,0Pode permanecer trifásico, com aceleração preservada
Estenose ≥ 70%≥ 4,0VDF sobe no ponto; jusante monofásica, TA prolongado, VPS baixa
OclusãoAusência de fluxo, mesmo com parâmetros para baixas velocidades

Fonte: Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabelas 11 e 17; Alcântara ML et al., 2016.

No eixo aortoilíaco, VPS acima de 300 cm/s também é aceita como marcador de lesão hemodinamicamente significativa. Contra a angiografia, o USV tem sensibilidade de 86% e especificidade de 97% para lesões acima de 50%, e um exame negativo tem alto valor preditivo negativo — evita arteriografias desnecessárias. Na série de Back et al., 70% dos pacientes foram operados apenas com o mapeamento por ultrassom.

A femoral comum como janela para o aortoilíaco

Quando o abdome não colabora — ou quando é preciso afastar rápido uma lesão proximal —, três parâmetros na artéria femoral comum resolvem boa parte dos casos, sem grande interferência de lesões contralaterais ou femorais, desde que haja algum escoamento distal:

  • Morfologia: trifásica praticamente afasta lesão aortoilíaca significativa. Bifásica (perde o reverso, mas mantém ascensão rápida, estreita e alta) aparece em 94% das estenoses de 50–99%. Monofásica (ascensão lenta, amortecida, diástole toda acima da linha de base) aparece em cerca de 80% das oclusões. A leitura qualitativa tem acurácia de 90%, mas não separa bem estenose de oclusão.
  • VPS na femoral comum: 90% dos pacientes com estenose têm VPS acima de 45 cm/s; cerca de 80% dos que têm oclusão, VPS de até 45 cm/s. Acurácia de cerca de 85% para oclusão, perto de 90% quando somada à curva monofásica.
  • Tempo de aceleração: prolongado nas artérias distais indica lesão significativa a montante.

Oclusão e embolia

Antes da oclusão, curva de alta resistência, pico sistólico baixo e estreito e ausência de diástole. No segmento, nenhuma cor; colaterais de saída e o ponto de reenchimento podem ser localizados. Depois, curva monofásica com VPS reduzida e tempo de aceleração longo (parvus-tardus). Uma imagem hipoecoica com interface côncava voltada ao fluxo colorido, somada a curva pré-oclusiva em staccato, sugere oclusão tromboembólica.

Os padrões de curva arterial

PadrãoCaracterísticasSituação
TrifásicoNormal, em jovensIndivíduos normais
Trifásico sem componente elásticoPerda da elasticidade do vasoIdosos normais; desalinhamento do feixe
Bifásico hiperêmicoSem reverso, toca a linha de base; velocidades aumentadasProcessos inflamatórios; vasodilatação reativa
Bifásico pós-obstrutivoSem reverso, toca a linha de base; velocidades baixasApós obstruções moderadas
Bifásico com reverso pandiastólicoVelocidades normaisVaso que fornece colaterais a território estenótico
Bifásico "to-and-fro"Reverso pandiastólico acentuadoPseudoaneurisma; endoleak tipo II
Monofásico agudoVelocidade baixa, TA pouco aumentadoPós-estenose moderada a importante, com reserva de vasodilatação
Monofásico amortecidoVelocidade baixa, TA aumentadoPós-estenose importante ou pós-oclusão, com reserva
Monofásico extremamente amortecidoVelocidade muito baixa, TA muito aumentadoPós-oclusão, com reserva
Monofásico sem diástoleVelocidade extremamente baixa, sem fluxo diastólicoPós-oclusão SEM reserva; lesões multissegmentares graves
ContínuoTA tão longo que não se distingue VPS de VDFPós-oclusão com reserva; lesões multissegmentares graves
ReversoVelocidade baixa, pode estar amortecidoEnchimento retrógrado de vaso com oclusão proximal

Adaptado de Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 18. TA: tempo de aceleração; VDF: velocidade diastólica final; VPS: velocidade de pico sistólico.

Protocolo: o que cada modo faz

  • Modo B: transverso para diâmetro e parede (e medir dilatações e, se possível, a luz estenosada); longitudinal para aspecto da parede, luz e extensão da lesão.
  • Color: perviedade pelo preenchimento da luz; aliasing em mosaico marca a turbulência e guia o volume de amostra até o ponto de maior velocidade.
  • Doppler pulsado: curva no longitudinal com ângulo ≤ 60° — normal multifásica; na lesão, V2 e V1; após a lesão, turbulência ou queda da velocidade; parvus-tardus = repercussão hemodinâmica.
  • Segmentos: femoral comum, femoral superficial (proximal, média e distal), poplítea, tronco tibiofibular, tibiais anterior e posterior e fibular.

Aneurisma, pseudoaneurisma e pós-intervenção

  • Aneurisma periférico: localizar e medir o maior diâmetro no transverso, de adventícia a adventícia; documentar trombo com o color.
  • Pseudoaneurisma: não envolve todas as camadas e tem um canal até a luz. Medir saco e colo; fluxo "to-and-fro" no colo. O Doppler guia a punção para trombina e confirma a trombose em qualquer modalidade de tratamento.
  • Stents aortoilíacos: sem critério consolidado de reestenose; tendência a usar razão de VPS > 3,5, com redução do lúmen e turbulência. Ausência de fluxo = oclusão. Fratura: confirmar por radiografia.
  • Enxertos: avaliar artérias doadora e receptora, anastomoses (aneurisma anastomótico, desproporção de calibre) e corpo; em femorofemoral, VPS > 300 cm/s na estenose pode justificar reintervenção. Não há prova de que vigiar enxertos sintéticos aortoilíacos aumente a perviedade.

Laudo e limitações

O laudo informa dificuldades técnicas; aspecto das paredes e diâmetros quando necessário; presença, aspecto, localização e grau das placas; velocidades nas estenoses e curva pós-estenótica; e oclusões segmentares ou totais. No eixo aortoilíaco, inclui o maior diâmetro da aorta e das ilíacas se houver dilatação.

Limitações: dependência do examinador e do equipamento, edema dos membros e úlceras abertas; no abdome, obesidade, meteorismo e abdome hostil.

Referências:

Santos SN, Alcantara ML, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;112(6):809-849. doi:10.5935/abc.20190106

Alcântara ML, Santos SN, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Recomendações para Avaliação Ultrassonográfica da Aorta Abdominal e Ramos: Grupo de Trabalho do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – DIC – SBC. Arq Bras Cardiol: Imagem Cardiovasc. 2016;29(nº especial):e1-e68. doi:10.5935/2318-8219.20160012

Resumo independente, sem vínculo com as sociedades autoras. Não substitui a leitura dos documentos originais.

Perguntas Frequentes

Como graduar uma estenose arterial periférica pelo Doppler?
Pela razão de velocidades sistólicas: VPS no ponto de maior velocidade da estenose (V2) dividida pela VPS no segmento normal imediatamente antes (V1) — 1 a 2 cm proximal no eixo aortoilíaco e 1 a 4 cm proximal nos membros inferiores —, com ângulo de insonação de no máximo 60° paralelo ao jato. V2/V1 menor que 2 corresponde a estenose menor que 50%; de 2 a menos de 4, a estenose de 50% ou mais; 4 ou mais, a estenose de 70% ou mais.
A curva da artéria femoral comum ajuda a avaliar o segmento aortoilíaco?
Sim. Uma curva trifásica normal na femoral comum praticamente afasta lesão hemodinamicamente significativa no eixo aortoilíaco. Curva bifásica aparece em 94% das estenoses de 50–99%, e curva monofásica parvus-tardus em cerca de 80% das oclusões. VPS na femoral comum de até 45 cm/s sugere oclusão. O método não separa bem estenose acima de 50% de oclusão, mas é útil quando o abdome limita o exame direto.
Qual o significado de uma curva monofásica sem fluxo diastólico?
Segundo a Tabela 18 do posicionamento, a curva monofásica de velocidade extremamente baixa, com tempo de aceleração aumentado e sem fluxo na diástole, aparece após oclusões sem reserva de vasodilatação, em lesões multissegmentares graves. Já as curvas monofásicas com diástole presente (aguda, amortecida, extremamente amortecida) indicam estenoses moderadas a importantes ou oclusão com reserva de vasodilatação preservada.
Como o Doppler diagnostica um pseudoaneurisma?
O pseudoaneurisma é uma dilatação que não envolve todas as camadas da artéria e se comunica com a luz por um colo (canal). Ao modo B e color mede-se o saco e o colo; no Doppler espectral do colo aparece o fluxo típico "to-and-fro". O mapeamento colorido e o Doppler pulsado também guiam a injeção de trombina, avaliam o fluxo na artéria nativa e confirmam a trombose após qualquer tratamento.
Existe critério de velocidade para reestenose de stent ilíaco?
Não há critério consolidado. O DIC registra a tendência de usar o mesmo critério dos stents periféricos, razão de VPS acima de 3,5, associada à redução do lúmen no modo B e à turbulência no color. A ausência de fluxo confirma oclusão. Em enxertos femorofemorais, VPS acima de 300 cm/s no ponto de estenose pode justificar nova intervenção (Stone et al.). Suspeita de fratura do stent deve ser confirmada por radiografia.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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