Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
USV DIC/SBC — UV8

Doppler Transcraniano e Contraste por Microbolhas: Indicações e Números

Os dois capítulos finais do posicionamento de ultrassonografia vascular do DIC/SBC 2019: protocolo e indicações do Doppler transcraniano — morte encefálica, vasospasmo, forame oval, doença falciforme e monitorização — e a técnica, a dose e as indicações do contraste por microbolhas.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de outubro de 2026⏱ 11 min de leitura

Resposta direta: DTC: morte encefálica (pico <50 cm/s sem diástole ou fluxo alternante, PAS ≥90 mmHg), vasospasmo na HSA (ACM 120–130 leve, 130–200 moderado, >200 grave; Lindegaard 3–6 ou >6), forame oval (macrobolhas + Valsalva; Spencer >2 = shunt significativo) e falciforme (<170 normal; 170–199 condicional; ≥200 anormal). Contraste: SonoVue, IM ≤0,1 (até <0,6 sem software), bolus de 2,4 mL (1–4,8) + flush de 5 mL, sem restrição na insuficiência renal; endoleak é indicação nível A (DIC/SBC 2019).

O crânio sempre foi uma barreira para o ultrassom: o feixe não atravessa o osso, e só algumas "janelas" deixam passar o sinal. Com transdutores pequenos de baixa frequência e o mapeamento em cores, o Doppler transcraniano virou ferramenta de UTI, de centro cirúrgico e de ambulatório pediátrico. Os mesmos avanços de física explicam o contraste por microbolhas, que ampliou o alcance do ultrassom vascular da carótida à endoprótese de aorta.

Infográfico: indicações do Doppler transcraniano, vasospasmo, doença falciforme, escala de Spencer, técnica e indicações do contraste por microbolhas

Doppler transcraniano: tipos e protocolo

O transdutor precisa ser pequeno e de baixa frequência (2,0 MHz ou menos). Há quatro modalidades: DTC "cego" (só Doppler pulsado, hoje justificado para monitorização contínua em cirurgia e UTI), DTC colorido (modo B + color + pulsado), DTC com microbolhas e DTC com macrobolhas (soro agitado com ar).

  • Transorbitais: sifões carotídeos e oftálmicas.
  • Transtemporais: carótidas internas distais, cerebrais anteriores (A1–A2), cerebrais médias (M1 inteira e início de M2), topo da basilar e cerebrais posteriores (P1–P2).
  • Transforaminal: segmentos V4 das vertebrais, basilar proximal e média e, por vezes, as cerebelares posteroinferiores.

A sequência é livre, mas é obrigatório registrar a curva de cada vaso, identificada, com velocidade sistólica máxima, diastólica final e média, IR e IP. Clipes em cores documentam a identificação e as variantes anatômicas, que são muito frequentes. Referência para o DTC "cego":

ArtériaProfundidade (mm)Velocidade média (cm/s)Direção em relação ao transdutor
Sifão carotídeo55–7040–50Positiva ou negativa
Oftálmica40–6020Positiva
Carótida interna distal55–7045Positiva
Cerebral anterior60–7060Negativa
Cerebral média35–6070Positiva
Cerebral posterior55–7040Positiva (P1), negativa (P2)
Vertebral55–7040Negativa
Basilar70–12045Negativa

Fonte: Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 24.

Indicações clínicas

Morte encefálica

Exame juridicamente validado para atestar parada circulatória encefálica, segundo as diretrizes da Academia Brasileira de Neurologia (2012): um único exame basta; o diagnóstico clínico deve estar estabelecido; estabilidade hemodinâmica com PAS ≥ 90 mmHg; estudo completo de todas as artérias tronculares. Achados: pico sistólico < 50 cm/s sem diástole, ou fluxo alternante. Sem janelas temporais, é obrigatório o colapso circulatório nos dois sifões; na circulação posterior, sem basilar, nas duas vertebrais intracranianas. Fluxo residual (quase 20%, sobretudo em craniotomizados) leva a repetir em 12 horas.

Hipertensão intracraniana e AVC agudo

Na hipertensão intracraniana, a diástole cai conforme a gravidade, e sua inversão marca o estágio irreversível. No AVC isquêmico em trombólise (até 4,5 h), o DTC acompanha a reperfusão — cerca de 40 minutos, às vezes mais de 1 hora — pela escala TIBI, de forma intermitente ou contínua com capacete.

Monitorização transoperatória

Dois transdutores fixos nas cerebrais médias, mantidos no pós-operatório. Taxa de êmbolos e queda da velocidade média > 15% em relação ao basal definem risco de AVC. Após endarterectomia, sinais de microembolia aparecem em até 70% dos casos na primeira hora; 50 sinais/hora (até 10% dos casos) predizem isquemia focal ipsilateral.

Migrânea

Apoio ao diagnóstico e à diferenciação de outras cefaleias, com IP e velocidade média em todos os vasos — os resultados diferem entre crise e intervalo.

Vasospasmo na hemorragia subaracnóidea

Artéria / grauVMF (cm/s)Índice
ACM — leve120–130Lindegaard 3–6
ACM — moderado130–200Lindegaard 3–6
ACM — grave> 200Lindegaard > 6
ACAAumento > 50% da VMF em 24 h
ACP> 110—
Vertebral> 80—
Basilar — leve / moderado / grave80–95 / > 85 / > 115Soustiel 2–2,49 / 2,5–2,99 / > 3

Fonte: Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 26. Lindegaard: VMF da ACM (M1) ÷ VMF da ACI extracraniana ipsilateral. Soustiel: VMF da vertebral ÷ VMF da basilar.

Fazer o exame na internação e repetir diariamente se houver vasospasmo, de 4 a 14 dias após o sangramento, insonando todas as artérias a cada exame. O índice de Lindegaard separa espasmo verdadeiro de hiperemia.

Forame oval patente

Em pacientes com AVC ou AIT, pesquisa-se shunt direita-esquerda com 8 mL de soro (ou glicose) misturados a 2 mL de ar e agitados, seguidos de Valsalva vigorosa por 5 segundos, com registro simultâneo nas cerebrais médias e na basilar — em condição basal e após as macrobolhas (6 registros). Os HITS são contados pela escala de Spencer: 0 (nenhum), 1 (1–10), 2 (11–30), 3 (31–100), 4 (101–300) e 5 (> 300, "cortina"). Acima do grau 2, o shunt é significativo. No padrão em cortina, o exame é interrompido como positivo, e deve-se considerar fístula arteriovenosa pulmonar.

Doença falciforme

Velocidade médiaGrupo de riscoConduta
Janelas inadequadasInconclusivoOutro método de imagem
Não cooperaçãoInconclusivoRepetir em 3 meses, se possível com outro examinador
< 70 cm/sBaixo fluxoRepetir em 30 dias
< 170 cm/sNormalRepetir em 12 meses
170–184 cm/sCondicional baixoRepetir em 3 meses; se < 170, em 12 meses
184–199 cm/sCondicional altoRepetir em 30 dias; se < 170, a cada 3 meses; dois anormais seguidos: considerar troca sanguínea de longo prazo
200–220 cm/sAnormalRepetir em 30 dias; se > 200, troca sanguínea
> 220 cm/sAnormalRisco iminente de AVC; considerar troca sanguínea de longo prazo

Diretriz Brasileira de DTC em Crianças e Adolescentes com Doença Falciforme (2010), reproduzida no posicionamento (Tabela 27).

Obrigatório dos 2 aos 16 anos. É a única situação em que o laudo deve trazer a data recomendada para a reavaliação — nas demais, essa sugestão é vedada pela ética profissional. Na conclusão do DTC, evitar diagnóstico etiológico: o exame estuda hemodinâmica, e os achados devem ser correlacionados à indicação clínica.

Contraste por microbolhas: como funciona

O SonoVue® é o único agente liberado pela Anvisa e incluído no rol da ANS: microesferas de hexafluoreto de enxofre de 2,3 µm, em cápsula fosfolipídica, que não saem dos vasos — é um marcador do pool sanguíneo. O gás é exalado pelos pulmões em cerca de 2 minutos, sem excreção renal: não há contraindicação na insuficiência renal.

  • Índice mecânico: nos exames comuns fica em 1,6–1,9 e rompe as bolhas. Com IM ≤ 0,1 elas oscilam e emitem harmônicos que o modo de contraste separa do tecido. Sem software específico, IM < 0,6, o mais perto possível de 0,1. O baixo IM limita a profundidade — usar janelas que aproximem o alvo.
  • Ganho: reduzir até o fundo ficar praticamente preto; ganho alto satura o sinal.
  • Dose: dose alta borra e gera sombra; baixa não opacifica. Kit com 25 mg de pó + 5 mL de soro; agitar 20 segundos (suspensão leitosa, estável por 6 horas). Bolus de 2,4 mL (1 a 4,8 mL; sondas lineares pedem mais) por agulha 20G, seguido de flush de 5 mL.
  • Registro: gravar continuamente os 10 a 40 segundos após o bolus (wash-in e wash-out); em endoleaks tardios, clipes até 5–8 minutos. A análise é dinâmica — o arquivo digital é indispensável.
  • Segurança: anafilaxia em menos de 0,002%. Limitações: inexperiência, aparelho sem software dedicado, acesso ao agente na rede pública e hipersensibilidade (rara).

Indicações do contraste no ultrassom vascular

SistemaAplicação (nível de evidência)Sonda
CarótidasOclusão × suboclusão (B); estenose de stent (B); dissecção (C); neovascularização de placas (B)Linear
AortaEndoleak (A); aneurisma inflamatório × ruptura contida (B); dissecção — extensão do flap, falso lúmen, reentradas e perfusão dos ramos (C)Convexa ou setorial
Vasos intracerebraisRealce quando o estudo basal é insatisfatório (A); perfusão no AVC isquêmico (C)Setorial
Acessos vascularesFístulas arteriovenosas (C); pseudoaneurismas e hematomas (C)Linear, convexa ou setorial
RimRealce da artéria renal (C); perfusão renal (C)Convexa ou setorial
Membros inferioresCirculação colateral e microcirculação na doença obstrutiva (C); TVP — realce e reação inflamatória peritrombo (C)Linear ou convexa

Adaptado de Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 28 (baseada no consenso da Sociedade Europeia de Ultrassom, 2011). A: boa evidência; B: moderada; C: consenso de especialistas.

Referência: Santos SN, Alcantara ML, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;112(6):809-849. doi:10.5935/abc.20190106

Resumo independente, sem vínculo com a sociedade autora. Não substitui a leitura do documento original.

Perguntas Frequentes

Quais achados do Doppler transcraniano confirmam parada circulatória encefálica?
Curvas com pico sistólico curto e de baixa amplitude (menos de 50 cm/s) sem fluxo diastólico, ou padrão alternante (componente sistólico anterógrado seguido de diastólico reverso). O exame deve ser feito em paciente com diagnóstico clínico já estabelecido, hemodinamicamente estável e com pressão sistólica de pelo menos 90 mmHg, estudando todas as artérias tronculares. Ausência de fluxo só vale como critério se houver DTC prévio, na mesma internação, com fluxo registrado nessas artérias.
Como o DTC classifica o vasospasmo após hemorragia subaracnóidea?
Na artéria cerebral média, pela velocidade média de fluxo e pelo índice de Lindegaard (VMF da ACM ÷ VMF da carótida interna extracraniana): leve com 120–130 cm/s, moderado com 130–200 cm/s (Lindegaard 3 a 6) e grave acima de 200 cm/s (Lindegaard acima de 6). Na basilar usa-se o índice de Soustiel. O exame é feito na internação e repetido diariamente se houver vasospasmo, no período crítico de 4 a 14 dias.
Quais são os cortes do Doppler transcraniano na doença falciforme?
Pela diretriz brasileira de 2010 citada pelo DIC: velocidade média abaixo de 170 cm/s é normal (repetir em 12 meses); 170 a 184, condicional baixo (3 meses); 184 a 199, condicional alto (30 dias; dois exames anormais seguidos levam a considerar troca sanguínea de longo prazo); 200 a 220, anormal (repetir em 30 dias e, se acima de 200, troca sanguínea); acima de 220, risco iminente de AVC. Abaixo de 70 cm/s, baixo fluxo, repetir em 30 dias. O exame é obrigatório dos 2 aos 16 anos.
O contraste por microbolhas pode ser usado em pacientes com insuficiência renal?
Sim. O SonoVue é formado por microbolhas de hexafluoreto de enxofre em cápsula fosfolipídica que permanecem no espaço intravascular; após a ruptura, o gás é eliminado pelos pulmões em cerca de 2 minutos, sem metabolização hepática ou excreção renal. Reações anafiláticas são relatadas em menos de 0,002% dos casos.
Qual a dose de contraste por microbolhas no ultrassom vascular?
A dose mais usada em injeção única é 2,4 mL, podendo variar de 1 a 4,8 mL conforme o órgão, o transdutor e a sensibilidade do equipamento — sondas de frequência mais alta, como as lineares, pedem doses maiores. A injeção é em bolus, em veia com agulha de 20G (de preferência antecubital), seguida de flush de 5 mL de soro fisiológico. Os primeiros 10 a 40 segundos devem ser gravados continuamente.

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Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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