Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
DIC/CBR/SBACV 2023 — UC4

Contraste por Microbolhas no Ultrassom das Carótidas

O agente de realce de ultrassom ganhou capítulo próprio na atualização DIC/CBR/SBACV 2023: como funciona, como ajustar o equipamento, quando indicar e o protocolo básico do exame.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de outubro de 2026⏱ 9 min de leitura

Resposta direta: O SonoVue (microbolhas de hexafluoreto de enxofre, 2,3 µm) é o único agente de realce de ultrassom liberado pela Anvisa e no rol da ANS; é puramente intravascular e eliminado pelos pulmões, sem restrição na insuficiência renal. Com índice mecânico ≤0,2 e ganho baixo, mostra a neovascularização da placa (classe I-B) e separa oclusão de suboclusão (IIa-B). Dose de 2,4 mL (até 4,8 mL nas carótidas) com flush de 10 mL. Contraindicações: IAM, DPOC grave, arritmias graves, hipersensibilidade (Albricker ACL et al., Arq Bras Cardiol 2023).

Depois do modo B e do Doppler, o maior avanço da ultrassonografia foi o contraste. A recomendação prefere o termo agente de realce de ultrassom (ARUS), ou ecorrealçador, para diferenciá-lo dos contrastes iodados e do gadolínio. Na carótida, ele resolve duas perguntas que o Doppler sozinho responde mal: a placa tem neovasos? A artéria está ocluída ou suboclusa?

Infográfico: o agente SonoVue, indicações com classe de recomendação, neovascularização e protocolo do exame contrastadoInfográfico resumo: agentes de realce de ultrassom na avaliação carotídea

Como o agente funciona

  • Usa a física do próprio ultrassom: o gás cria a maior diferença de densidade entre meios, com aumento de sinal da ordem de 30 dB.
  • SonoVue® (Bracco): único ARUS liberado pela Anvisa e no rol da ANS. Microesferas de hexafluoreto de enxofre encapsuladas em monocamada fosfolipídica, com diâmetro médio de 2,3 µm.
  • Não atravessa a parede dos vasos: é marcador exclusivo do pool sanguíneo — diferente dos contrastes de TC e RM, que vão ao espaço extracelular.
  • Após a ruptura, o gás é exalado pelos pulmões em cerca de 2 minutos, sem metabolização hepática nem excreção renal: sem contraindicação na insuficiência renal.

Ajustes do equipamento

Índice mecânico (IM)

Nos exames sem contraste o IM fica entre 1,6 e 1,9 — potência que rompe as microbolhas, satura a imagem e encurta o exame. Com IM ≤ 0,2, as bolhas oscilam de forma não linear e emitem frequências harmônicas que o equipamento filtra: os tecidos ficam escuros e o realce dura mais, permitindo estudar wash-in, realce e concentração na placa e nos vasa vasorum. O IM baixo reduz a profundidade alcançada; contornar com janelas que aproximem o alvo e transdutores de banda larga de frequência menor.

Ganho

Ganho alto aumenta o ruído e esconde o realce. Reduza até a imagem ficar virtualmente preta, exceto estruturas muito ecogênicas. Antes da injeção, distinga sinal de IM (estruturas visíveis) de sinal de ganho (ruído generalizado). A tela lado a lado modo B + contraste ajuda.

Dose e faixa dinâmica

Dose alta satura e sombreia o campo distal e impede distinguir pequenas diferenças de realce; dose baixa não opacifica. Ajuste a dose para opacificar sem borrar e aumente a faixa dinâmica (dynamic range).

Indicações nas carótidas e vertebrais (Quadro 7)

AplicaçãoClasseNível
Neovascularização da placaIB
Oclusão × suboclusãoIIaB
DissecçãoIIaB
Inflamação (vasculites de grandes vasos)IIbB

Neovascularização e placa vulnerável

A placa vulnerável tem capa fina sobre grande núcleo lipídico necrótico com inflamação ativa. Os neovasos levam células inflamatórias, lipídios e hemácias para dentro da placa e, ao romper, causam hemorragia intraplaca e crescimento rápido. Como as microbolhas são estritamente intravasculares, mostram diretamente esses neovasos, além de ulceração e infiltrado inflamatório.

Oclusão × suboclusão

As microbolhas aumentam a sensibilidade do Doppler e distinguem a oclusão da estenose suboclusiva de forma comparável à TC multidetectores com contraste, mostrando a geometria dos segmentos pré, intra e pós-estenóticos sem artefatos e sem depender do ângulo — útil em placas calcificadas com sombra acústica.

Dissecção e vasculite

Na dissecção, o contraste melhora a acurácia, mas a referência é a RM — importante quando há contraindicação ao gadolínio. Nas vasculites de grandes vasos, mostra a borda do lúmen e a parede de forma dinâmica, um marcador de atividade da doença.

Stent

No seguimento, avalia o interior do stent sem os artefatos do Doppler espectral, definindo comprimento e morfologia das estenoses intrastent.

Preparo e protocolo básico

  1. Repetir e registrar o exame padrão do órgão de interesse.
  2. Garantir acesso venoso periférico com agulha 20 G, de preferência na fossa antecubital.
  3. Preparar o kit (frasco com 25 mg de pó liofilizado em atmosfera de SF6 + seringa com 5 mL de NaCl 0,9%): transferir o soro e agitar por 20 segundos até aspecto leitoso. A suspensão dura até 6 horas; se as bolhas decantarem, agitar de novo.
  4. Ativar o modo contraste. Sem software específico: IM < 0,6, o mais próximo possível de 0,1, ganho baixo e janelas que reduzam a profundidade.
  5. Injetar em bolus — 2,4 mL na maioria das publicações (1–4,8 mL; até 4,8 mL com transdutores de alta frequência das carótidas) — seguido de flush de 10 mL de SF 0,9%.
  6. Registrar clipes contínuos dos 10 a 60 segundos após o bolus (curva de wash-in e wash-out); em exames longos, clipes ao longo de 5 a 8 minutos.

O exame é dinâmico e curto — mesmo com IM muito baixo, as bolhas se destroem rapidamente. Por isso o registro em vídeo é essencial para reavaliar as imagens e guardar o resultado.

Segurança, contraindicações e limitações

Contraindicações clínicas: infarto agudo do miocárdio, DPOC grave, arritmias cardíacas graves e hipersensibilidade ao agente (rara). Anafilaxia relatada em < 0,0014% dos casos.

As principais limitações práticas são a inexperiência do examinador, a falta de software específico, o acesso ao produto na rede pública e a ausência completa de janela acústica.

Referência: Albricker ACL, Freire CMV, Santos SN, Alcantara ML, Cantisano AL, Porto CLL, et al. Atualização da Recomendação para Avaliação da Doença das Artérias Carótidas e Vertebrais pela Ultrassonografia Vascular: DIC, CBR, SBACV – 2023. Arq Bras Cardiol. 2023;120(10):e20230695. doi:10.36660/abc.20230695

Perguntas Frequentes

O contraste do ultrassom faz mal ao rim?
Não. O SonoVue é formado por microbolhas de hexafluoreto de enxofre que permanecem dentro dos vasos; depois que se rompem, o gás é exalado pelos pulmões em cerca de 2 minutos, sem metabolização hepática nem excreção renal. Por isso não há contraindicação na insuficiência renal — uma vantagem em diabéticos, hipertensos e cardiopatas com doença renal crônica.
Quando o contraste por microbolhas está indicado nas carótidas?
Segundo a atualização DIC/CBR/SBACV 2023 (Quadro 7): pesquisa de neovascularização da placa (classe I, nível B), diferenciação entre oclusão e suboclusão (IIa-B), dissecção (IIa-B) e inflamação/vasculite de grandes vasos (IIb-B). Também melhora a avaliação intraluminal do stent, sem os artefatos do Doppler espectral.
Qual dose de SonoVue usar no exame de carótidas?
A dose mais citada para injeção única em ultrassom vascular é 2,4 mL, com variação de 1 a 4,8 mL conforme o transdutor e a sensibilidade do equipamento. Transdutores de frequência mais alta, como os usados nas carótidas, costumam exigir doses maiores, de até 4,8 mL. O bolus é seguido de flush de 10 mL de soro fisiológico 0,9%.
Quem não pode receber o contraste por microbolhas?
As contraindicações clínicas citadas são infarto agudo do miocárdio, DPOC grave, arritmias cardíacas graves e hipersensibilidade ao agente, que é rara. É um agente seguro: reações anafiláticas foram relatadas em menos de 0,0014% dos casos.

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Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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