Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
DIC/CBR/SBACV 2023 — UC3

Ultrassom Após Endarterectomia e Stent Carotídeo + Morfologia da Placa

Critérios de reestenose, vigilância e complicações após endarterectomia e stent, e como descrever a placa no laudo — segundo a atualização DIC/CBR/SBACV 2023 (Albricker ACL et al., Arq Bras Cardiol 2023).

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de outubro de 2026⏱ 10 min de leitura

Resposta direta: A única mudança pós-intervenção na atualização DIC/CBR/SBACV 2023: reestenose >70% após endarterectomia pelos critérios de Bandyk (VPS >300 cm/s, VDF ≥125 cm/s, razão ACI/ACC >5), com vigilância em 1, 3 e 12 meses. Após stent: >50% com VPS ≥220 e razão ≥2,7; >80% com VPS ≥340 e razão ≥4,15. O laudo da placa deve trazer ecogenicidade, localização, superfície (ulceração >2 mm), componente móvel e hemorragia intraplaca; volume de placa 3D é nova recomendação IIa-B.

A ultrassonografia vascular é barata e tem boa acurácia em relação à angiografia para acompanhar endarterectomias e stents carotídeos — mas não há consenso universal sobre a periodicidade. A atualização brasileira de 2023 mudou um único critério pós-intervenção e ampliou a descrição da placa, com volume em 3D e o papel da angio-TC e da angio-RM.

Infográfico: critérios pós-endarterectomia e pós-stent, morfologia da placa e volume 3DInfográfico resumo: ultrassom vascular em carótidas — pós-intervenção e morfologia da placa

Após endarterectomia: o que muda em 2023

> 300 cm/s

VPS

≥ 125 cm/s

VDF

> 5

razão VPS ACI/ACC

Esses são os critérios de Bandyk et al. para reestenose > 70% após endarterectomia (EAC), adotados pela atualização. A vigilância recomendada é em 1, 3 e 12 meses. As reestenoses entre 6 e 12 meses costumam ser hiperplasia neointimal; as que surgem após 24–36 meses tendem a ser recorrência da aterosclerose.

O exame pós-intervenção segue o mesmo protocolo do diagnóstico. Meça os diâmetros no vaso nativo, nas anastomoses e na área de alargamento, se houver, para comparar nos controles. As suturas aparecem como ecos brilhantes regularmente espaçados; o patch de veia pode ser indistinguível da parede, o de Dacron é espesso e muito ecogênico, e o de PTFE aparece como linha dupla brilhante.

Quadro 5 — Achados e complicações após os procedimentos

AchadoQuandoDescrição ao USV
EAC — Desproporção de calibreImediatoGrande diferença entre o bulbo pós-endarterectomia e a ACI distal (comum com patch)
EAC — "Degrau"ImediatoDegrau na parede no ponto da abordagem cirúrgica
EAC — TromboseRecenteImagem hipoecogênica aderida ao local, com ou sem componente móvel
EAC — Dilatação aneurismáticaGeralmente tardiaDilatação acentuada no local da endarterectomia; pode ter trombo
EAC — Reestenose3–24 meses: hiperplasia neointimal; > 24 meses: ateroscleroseRedução da luz no modo B com turbilhonamento. > 70%: VPS > 300, VDF ≥ 125, razão > 5
Stent — Mal posicionamentoImediatoStent fora do ponto de maior estenose, que mantém turbulência
Stent — Expansão inadequada0–24 mesesEstenose residual > 30% nas extremidades ou no corpo do stent
Stent — Reestenose3–24 meses: hiperplasia; > 24 meses: aterosclerose> 50%: VPS ≥ 220 e razão ≥ 2,7 · > 80%: VPS ≥ 340 e razão ≥ 4,15
Stent — Fratura/torção—USV não é o método de escolha; suspeitar com calcificação importante ou reestenose com radiografia alterada
Stent — Efeito na ACE—Pode causar estenose na origem da ACE com turbilhonamento (o fluxo passa pela malha)

Tipos de reestenose intrastent

  • I — hiperplasia focal na extremidade do stent (< 10 mm)
  • II — hiperplasia focal intrastent (< 10 mm)
  • III — hiperplasia difusa (> 10 mm)
  • IV — hiperplasia difusa proliferativa (> 10 mm) que ultrapassa as extremidades
  • V — oclusão do stent

Morfologia da placa: além do grau de estenose

Placas com o mesmo grau de estenose não têm o mesmo potencial embólico. Identificar núcleo lipídico, ulceração ou hemorragia intraplaca em pacientes com AVC de repetição e estenose não significativa pode direcionar para intervenção ou intensificação do tratamento clínico. A descrição da placa deve constar no laudo (Quadro 6):

Ecogenicidade

  • I — uniformemente ecolucente
  • II — predominantemente ecolucente
  • III — predominantemente ecogênica
  • IV — uniformemente ecogênica
  • V — calcificada

Hipoecogênicas, heterogêneas e irregulares marcam risco de AVC/AIT; IV e V são as mais estáveis.

Superfície

  • Regular: < 0,4 mm de profundidade
  • Irregular: 0,4 a 2,0 mm
  • Ulceração (De Bray): concavidade e extensão > 2,0 mm, base bem definida e fluxo reverso ao color
  • Ulceração (Muraki): concavidade clara com base menos ecogênica que a parede
  • Componente móvel: informar o tamanho

Irregularidade e ulceração têm risco elevado de eventos. A análise da superfície perde acurácia com cálcio e em placas estenóticas.

Hemorragia intraplaca: área anecoica próxima à superfície com capa fibrótica íntegra. É marcador de vulnerabilidade, associado a eventos cerebrovasculares em placas com e sem repercussão hemodinâmica, provavelmente por ruptura de neovasos intraplaca.

A localização também deve ser descrita: carótida comum, bifurcação, ramo externo e ramo interno proximal e médio. Herr et al. mostraram que placas mais ecogênicas (fibrose, cálcio) se associam a mais doença coronariana, e que a combinação de altura, percentual de cálcio e de gordura aumenta o risco de eventos.

Volume de placa em 3D Nova · IIa-B

  • O volume total de placa medido de 1,5 cm da ACC distal até 1 cm após a bifurcação prediz eventos cardiovasculares futuros.
  • Dois protocolos: região única (uma placa ou segmento) ou vaso completo.
  • Detecta placa em artérias angiograficamente normais e em estenoses < 50%; acompanha progressão e resposta ao tratamento.
  • Volume e sua progressão superaram a EMI na estratificação e na avaliação de terapias (Wannarong); o volume é maior nas primeiras semanas após sintomas isquêmicos (Ball).
  • Ainda não há valores de corte estabelecidos.

Angio-TC, angio-RM e dissecção cervical

Ambas têm resolução submilimétrica para parede e placa, mas não são usadas para estratificar risco cardiovascular: ficam para pacientes sintomáticos ou já rastreados pela ultrassonografia, para gravidade e extensão da doença. São os métodos de escolha na dissecção arterial cervical (classe I, nível C), no lugar da angiografia digital.

A RM tem maior sensibilidade para hematoma mural e diferencia melhor dissecções agudas e subagudas; a imagem de parede de vaso por RM (vessel wall imaging) acrescenta acurácia.

Referência: Albricker ACL, Freire CMV, Santos SN, Alcantara ML, Cantisano AL, Porto CLL, et al. Atualização da Recomendação para Avaliação da Doença das Artérias Carótidas e Vertebrais pela Ultrassonografia Vascular: DIC, CBR, SBACV – 2023. Arq Bras Cardiol. 2023;120(10):e20230695. doi:10.36660/abc.20230695

Perguntas Frequentes

Qual o critério de reestenose maior que 70% após endarterectomia carotídea?
A atualização DIC/CBR/SBACV 2023 adotou os critérios de Bandyk et al.: VPS maior que 300 cm/s, VDF maior ou igual a 125 cm/s e razão VPS ACI/ACC maior que 5. Foi a única mudança nos critérios pós-intervenção em relação a 2015. O documento lembra que o ponto de corte ainda varia na literatura e que as velocidades diferem entre endarterectomias com e sem patch e quando há desproporção de calibre na carótida interna.
Quando repetir o Doppler após a endarterectomia?
A recomendação é vigilância com ultrassonografia vascular em 1, 3 e 12 meses após o procedimento, seguindo Bandyk et al. Não há consenso universal sobre a periodicidade: AbuRahma não encontrou valor no controle de rotina após endarterectomia com patch, enquanto Bandyk e Zierler consideram que o benefício da vigilância supera o risco.
Por que o stent carotídeo tem critérios de velocidade próprios?
A recomendação usa cortes próprios, mais altos que os da artéria nativa: reestenose acima de 50% com VPS ≥220 cm/s e razão VPS ACI/ACC ≥2,7, e acima de 80% com VPS ≥340 cm/s e razão ≥4,15. Também se avaliam mal posicionamento, expansão inadequada (estenose residual >30%) e o tipo de hiperplasia intrastent (I a V).
O que torna uma placa carotídea vulnerável ao ultrassom?
Placas hipoecogênicas, heterogêneas e irregulares são marcadoras de risco de AVC e AIT; placas uniformemente ecogênicas e calcificadas são as mais estáveis. Ulceração (concavidade maior que 2 mm com base definida e fluxo reverso ao color), componente móvel e hemorragia intraplaca (área anecoica próxima à superfície com capa fibrótica íntegra) indicam vulnerabilidade, mesmo em estenoses sem repercussão hemodinâmica.

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Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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