Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
USV DIC/SBC — UV7

Ultrassom na TVP: Compressão, Idade do Trombo e Retrombose

O capítulo de trombose venosa profunda do posicionamento de ultrassonografia vascular do DIC/SBC 2019: os cinco critérios diagnósticos, a caracterização das fases do trombo, o trombo residual, a retrombose, a técnica do exame completo e o laudo.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de outubro de 2026⏱ 10 min de leitura

Resposta direta: A USV de compressão é o padrão-ouro para TVP aguda (concordância de 95,5% com a angio-TC no PIOPED II). Incompressibilidade é o critério principal; calibre, parede, color e espectro estimam a fase: aguda (até 14 dias, veia dilatada, trombo hipoecogênico), subaguda (14–28 dias, isoecoico, canais de permeio) e crônica (>28 dias, veia reduzida, material hiperecogênico, colaterais). O DIC/SBC orienta sempre o exame completo, comprimindo a cada 5 cm até o tornozelo, e medir a massa residual para comparar em caso de retrombose (DIC/SBC 2019).

O exame clínico isolado acerta menos da metade dos casos de TVP, e só 12% a 31% dos pacientes avaliados por suspeita têm a doença. Errar para menos pode significar embolia pulmonar; errar para mais significa anticoagulação desnecessária, com custo e risco de sangramento. O ultrassom de compressão resolve essa equação — desde que feito por inteiro.

Infográfico: cinco critérios da TVP ao ultrassom, fases do trombo, exame completo, retrombose e laudo

Por que o ultrassom

A probabilidade de TVP se define por três pilares — probabilidade clínica, D-dímero e imagem — e, entre os exames de imagem, a USV venosa é o padrão-ouro atual. No PIOPED II, a concordância entre angio-TC e ultrassom para diagnosticar ou excluir TVP foi de 95,5%. O exame ainda identifica outras causas para os mesmos sinais e sintomas.

O trombo costuma começar nas cúspides valvares e pode crescer em sentido proximal (13%), retrógrado (4%) ou nos dois (10%). É proximal quando envolve a poplítea ou acima, e distal quando restrito às veias profundas infrapatelares. Mesmo bem tratada, a TVP leva à síndrome pós-trombótica em 30% a 50% dos pacientes em 1 a 5 anos, grave em 5% a 10%.

Os cinco critérios diagnósticos

1. Compressão — o critério principal

A veia normal colaba totalmente. Situações que exigem manobras: musculatura forte (no canal adutor, comprimir pela face externa da coxa), bexiga neurogênica (esvaziar por cateterismo) e proximidade óssea nas veias infrapatelares.

2. Calibre

A veia normal tem o dobro do calibre da artéria. Na trombose aguda, distende e perde essa relação; com a recanalização, o calibre fica irregular e, na fase crônica, a veia pode retrair a ponto de ficar menor que a artéria — e passar despercebida.

3. Parede

Irregularidades ou espessamento difuso, trabeculações, sinéquias, valvas alteradas e perda da relação com estruturas vizinhas denotam TVP prévia recanalizada.

4. Mapeamento em cores

Preenchimento total no longitudinal e no transverso = normal. Falhas ou ausência de cor = trombose parcial ou total, útil nos trombos recentes de baixa ecogenicidade. Fluxo ao redor do trombo sugere fase aguda; fluxo através dele, recanalização. Ajustar escala e ganho e usar manobras de aumento de fluxo.

5. Análise espectral

Normal: fluxo espontâneo, fásico com a respiração, que aumenta com a compressão distal e cessa com Valsalva (veias proximais) ou compressão proximal. Fluxo contínuo, sem fasicidade, indica oclusão ou compressão proximal; resposta amortecida à compressão distal indica obstrução entre os dois pontos. Refluxo é patológico e pode denunciar trombose prévia (excluídas agenesia valvar e hiperfluxo).

Variação respiratória esperada: nos membros inferiores, o fluxo diminui na inspiração e aumenta na expiração; nos superiores e nas subclávias, o contrário.

As fases da trombose

CaracterísticaAgudaIntermediária (subaguda)Crônica
Tempo do eventoAté 14 dias14 a 28 dias> 28 dias
Calibre do vasoDilatadoAinda dilatado, normal ou levemente reduzidoGeralmente reduzido
IncompressibilidadeTotal ou parcialTotal ou parcialParcial ou ausente
Aspecto do tromboHipoecogênicoIsoecoicoHiperecogênico; irregularidades parietais; resíduos fibróticos; trombo residual
FluxoAusente ou parcialCanais de fluxo de permeio; pode haver microfístulaPreenche o lúmen; múltiplos canais; colaterais; espectro contínuo ou de baixa amplitude; refluxo em ortostatismo

Adaptado de Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 22.

Trombo residual

Espessura maior que 2 mm após compressão máxima aos 6 meses, ou maior que 3 mm em dois exames consecutivos.

Retrombose

O risco de recorrência persiste após o tratamento: incidência cumulativa de cerca de 30% em 8 anos, com mortalidade de até 30% nesses pacientes, sobretudo por câncer. Preditores relevantes: sexo masculino, localização do trombo e D-dímero; menos conhecidos, trombo residual ocupando 50% da luz após o tratamento e falha em normalizar a compressão.

Critérios que sugerem trombo novo: medida da massa residual em comparação ao exame anterior, aumento da extensão e um trombo de baixa ecogenicidade, suavemente compressível, com cauda, aderido à parede e com a veia ≥ 2 vezes a contralateral ou a artéria satélite. Daí a importância de o laudo inicial registrar as medidas com localização.

Técnica: o exame completo

  • Membros inferiores: decúbito dorsal, tronco e cabeça elevados até 30°, leve rotação lateral do quadril e flexão do joelho.
  • Compressão delicada em cortes transversais a cada 5 cm: segmento femoropoplíteo pela face medial da coxa, poplítea e trifurcação pela fossa poplítea, veias musculares (gastrocnêmias, soleares, intergemelares), tibiais posteriores e fibulares até o tornozelo, além das safenas magna e parva.
  • Fibulares e soleares pela face lateral da perna, com o joelho fletido e o pé apoiado — não negligenciar em internados, nos quais a TVP fibular proximal é frequente.
  • Tibiais anteriores e veias do pé só se houver sinal localizado. Ilíacas quando o topo do trombo da femoral comum não é visto ou o fluxo é contínuo/de baixa amplitude.
  • Alternar transverso e longitudinal com color; espectral quando necessário. Arquivar clipes e imagens; registrar a compressão em imagem dual (com e sem compressão).
  • Membros superiores: mesmo protocolo para os sistemas profundo e superficial, segmentos médio e distal das subclávias e jugulares.
  • Seguimento com recanalização: pesquisar refluxo em ortostatismo (ou sentado). Sala a 22–25 °C — o frio causa vasoconstrição. Em obesos ou com edema, transdutor convexo de 3–5 MHz.

Os protocolos de dois pontos ou só femoropoplíteos — o chamado ultrassom point of care — são uma alternativa na emergência, mas o DIC/SBC orienta sempre o exame completo.

O laudo

  • Há ou não sinais de TVP e/ou de trombose superficial.
  • Características do trombo.
  • Extensão, se possível com distâncias de referências anatômicas: espinha ilíaca anterossuperior, prega inguinal, joelho, maléolo, região plantar, prega axilar, cotovelo e punho.
  • Na trombose crônica: medidas das massas residuais e seus locais (no laudo e/ou nas imagens) e presença de refluxo em ortostatismo.

Referência: Santos SN, Alcantara ML, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;112(6):809-849. doi:10.5935/abc.20190106

Resumo independente, sem vínculo com a sociedade autora. Não substitui a leitura do documento original.

Perguntas Frequentes

Qual é o principal critério de trombose venosa profunda ao ultrassom?
A incompressibilidade da veia. A veia normal tem paredes finas e lisas e colaba totalmente sob a pressão do transdutor. Os demais critérios — calibre, aspecto da parede, mapeamento em cores e análise espectral — complementam e ajudam a estimar a fase da trombose.
Como estimar a idade do trombo pelo ultrassom?
Pela Tabela 22 do posicionamento: na fase aguda (até 14 dias) a veia está dilatada, o trombo é hipoecogênico e o fluxo está ausente ou parcial; na subaguda (14 a 28 dias) o trombo fica isoecoico e surgem canais de fluxo de permeio; na crônica (mais de 28 dias) a veia tende a reduzir de calibre, o material é hiperecogênico com irregularidades e resíduos fibróticos, há colaterais e pode haver refluxo em pé. A ecogenicidade nem sempre define a idade com segurança.
Um ultrassom de dois pontos é suficiente para excluir TVP?
Os protocolos de dois pontos (femoral comum e poplítea) ou só do segmento femoropoplíteo facilitam o exame na emergência, mas o DIC/SBC orienta realizar sempre o exame completo. Ele é importante para o diagnóstico correto, para avaliar recorrências e para o diagnóstico diferencial — e não deve deixar de incluir as fibulares e as veias musculares da panturrilha, sobretudo em internados.
Como diferenciar retrombose de trombo residual antigo?
É difícil, e por isso o primeiro laudo deve medir a massa trombótica residual com localização precisa. Sugerem trombo novo o aumento da extensão em relação ao exame anterior e um trombo hipoecoico, pouco compressível, com cauda livre, aderência à parede e veia com diâmetro duas ou mais vezes maior que a contralateral ou que a artéria que a acompanha. Trombo residual é definido como mais de 2 mm após compressão máxima em 6 meses, ou mais de 3 mm em dois exames consecutivos.
Quando as veias ilíacas devem ser examinadas?
Quando há trombose da femoral comum e não se identifica o fim do trombo, ou quando o fluxo na femoral comum é contínuo ou de baixa amplitude — sinal indireto de obstrução ou compressão proximal.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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